Amália Swan
1 I
Notas iniciais
Espero que gostem!
O dia que uma estranha chega em casa na qual eu sou a estranha.
Amália acordou aquela manhã com o barulho de Charlie fazendo, mais, uma tentativa de cozinhar. Levantou-se de sua cama em seu pequeno quarto, antigo escritório do Chefe Swan, e se espreguiçou. Penteou os cabelos loiros que batiam na sua cintura e trocou o pijama que usava por um short jeans escuro e uma blusa vermelha de mangas compridas.
Pegou seu sabonete líquido e neutro em sua necessaire e foi no único banheiro da casa. Lavou seu rosto pacientemente, guardou o produto de vota no seu quarto, e desceu as escadas.
A cozinha estava uma zona: geladeira e torneiras abertas; uma boca do fogão ligada; em cima da bancada, havia ovos e presunto e queijo. Enquanto isso, Charlie estava abaixado, com a cabeça dentro do armário de panelas.
— Precisa de ajuda? – Amália perguntou ao homem que era seu tutor legal. Charlie, com a surpresa que teve ao ouvir sua acolhida, bateu a cabeça na quina do armário. – Céus! Desculpe-me, Charlie!
Ele a olhou, sorrindo envergonhado ao esfregar a mão onde havia batido.
— Não há problema, Amália. Só não estou achando a frigideira. Queria preparar um ovo mexido para nosso café da manhã.
A garota sorriu docilmente para ele, fechou a torneira e a geladeira, abaixou-se e rapidamente achou a frigideira. Foi até um dos armários e pegou uma tigela. Quebrou quatro ovos dentro dela, bateu-os e adicionou queijo e presunto. Colocou tudo na frigideira e começou a mexer lentamente, apenas para que não grudassem.
— Está nervoso com a chegada dela, não está? – Amália perguntou, sem tirar os olhos do fogão. Ouviu Charlie suspirar profundamente.
— Sim, querida, estou uma pilha de nervos. – Ele confessou. – Desde que Bella tem quatorze anos ela não pisa em Forks.
— Vocês brigaram? – Amália perguntou enquanto retirava a omelete da frigideira e o colocava dividido em dois pratos. Depois que perguntou, arrependeu-se. Charlie não devia satisfações a ela, afinal.
— Não, não! – Charlie respondeu rapidamente, sem parecer se importar. – Não brigamos. Ela apenas não gosta de Forks e do quão pequena a cidade é.
Amy arqueou uma sobrancelha. Ela seria daquelas patricinhas de cidade grande, então?
— Ahn. – Foi tudo o que disse.
Charlie era um homem quieto na maior parte do tempo. Não era difícil conviver com ele. Era um cara sério, porém amável. Sempre demonstrou um enorme carinho por Amália, dês do momento que a visitou no hospital, 2 meses antes. Foi impossível não desenvolver um carinho por ele, ainda mais pelo fato de que Charlie sempre respeitou seu espaço, seu luto por seus pais e, principalmente, nunca quis substituí-los. Ele sabia que Angelina e Guilan Wesper jamais seriam esquecidos pela única filha que eles deixaram no mundo. A única família que eles tinham.
— Bem, eu precisarei ir até Port Angeles para buscá-la no aeroporto. – Charlie disse enquanto sentavam-se para tomar café.
— Claro, claro. – Amália disse enquanto olhava as manchetes do jornal por cima.
— Você quer ir comigo? – Charlie perguntou, parecendo instantaneamente preocupado.
— Não! Acho que será bom vocês dois terem esse momento sozinhos... Sabe como é, sem uma estranha para interferir. – Amália disse dando um sorriso levemente constrangido.
— Ah, por favor, Amy. Logo vocês serão irmãs, não são estranhas.
Amália apenas concordou com a cabeça.
— Bem, de qualquer modo, eu preciso trabalhar hoje. Vou sair às 9hr30min, ok? Saio do trabalho às 16hrs.
— Ótimo! Fico feliz que esteja dando duro na loja. – Charlie falou sorrindo e Amália sorriu de volta automaticamente.
— A senhora Lopez e seus filhos são muito gentis, na verdade.
Fazia quatro semanas que Amália estava trabalhando de atendente de caixa numa pequena confecção familiar de roupas. A Dona Lopez, uma senhora que já passava dos 70 anos e seus dois filhos, Ananda e Maurice, produziam e vendiam as peças de lã que repercutiam tão bem em Forks, graças ao frio recorrente. A esposa de Maurice, Andressa, cuidava do administrativo da loja, enquanto Amália cuidava do caixa.
O lugar era apertado, um quadrado de 20 metros quadrados, onde duas das quatro paredes estavam lotadas de araras, cheias de casacos. Em outra parede, havia duas prateleiras, divididas entre blusões e calças igualmente quentes. Na quarta parede, a dos fundos em relação à entrada da loja, ficava o balcão de atendimento onde Amália ficava, uma pequena prateleira de gorros e mantas e uma porta, a qual levava para dentro da confecção, que ocupava a maior parte do alojamento. Na parte da frente, havia ainda uma vitrine entre a parede em que as araras estavam e a porta de entrada. As passagens estreitas, uma de cada lado das portas duplas de vidro, davam acesso a 3 manequins cada.
Amália adorava o lugar.
— Bom dia Ananda! – Amália disse ao entrar pela porta e ver a mulher alta de longos cabelos castanhos dobrando algumas peças de roupas para colocar no mostruário a frente. Ananda fazia vitrines lindas.
— Bom dia Amália! – Ananda lhe disse sorrindo. – Recebemos um tecido lindo ontem a noite, vá na confecção! Maurice vai te mostrar.
A garota loira assentiu contente, largou sua bolsa no armariozinho debaixo do balcão e seguiu para a confecção. Ao andar até os fundos da loja, escutou Dona Lopez e Maurice conversando.
— Amália, querida, é você? – Ouviu a fina voz da velhinha pedindo por si.
— Oi, Dona Lopez! Bom dia! – Amália disse enquanto se dirigia até a senhora e lhe dava um abraço, depois fazia o mesmo com Maurice.
— Temos uma coisa para você, Amy. – Maurice disse, indo até uma mesa e recolhendo um pedaço de tecido vermelho. – Achamos que você combinaria com essa cor. – Ele lhe deu um sorriso singelo e lhe entregou o tecido. Era uma capa, de um material muito fofo, e aparentemente quente.
— Muito obrigada! – Amy disse sorrindo. – Não era necessário! – E então abraçou-os.
— Ah, querida! Ficamos felizes que tenha gostado. – Dona Lopez falou.
— Eu adorei!
Maurice olhou o relógio e exclamou.
— Bem, são 10hrs, está na hora de abrirmos!
O dia foi relativamente calmo, pela manhã tiveram 3 clientes e suas compras não renderam mais de 100 dólares para a loja, claro que, com o calor que fazia, as pessoas ainda não haviam começado a comprar roupas de inverno. Almoçou com Ananda numa lanchonete próxima a loja e então retornaram ao trabalho, dando horário para que Maurice, Andressa e Dona Lopez fossem almoçar.
No período da tarde, houveram mais clientes. Duas mulheres, aparentemente de fora do estado de Washington, estavam encantadas com a qualidade dos produtos “artesanais”. Amália ficou satisfeita ao ver que as duas, juntas, gastaram mais de 300 dólares nas compras. Preocupava-se sempre com as finanças da loja, mas, ao que parecia, estava tudo indo bem.
Mais alguns clientes passaram na loja e mais algumas vendas foram efetivadas. Antes que pudesse perceber que a tarde já estava no fim, Maurice e Andressa saíram de trás da loja.
— Ótimo dia hoje, crianças! – Dona Lopez disse feliz.
— Amy, está chovendo. – Ananda disse e só então Amália percebera que não teria como voltar para casa de Charlie a pé. – Vamos, eu te dou uma carona até em casa.
As duas se despediram dos outros três e entraram no Chevrolet Corsa do ano de 2001 da mais velha.
— Isabella vai chegar hoje. – Amália disse depois de um curto momento de silêncio.
— E como você está quanto a isso? – Ananda perguntou.
— Não sei na verdade... Sabia que ela odeia Forks por achar a cidade muito pequena? – A mais nova disse sem esconder sua desaprovação. – Será que ela vai ser aquelas meninas de cidade grande insuportáveis e que se acham superiores?
— Olha, não acredito que uma filha de Charlie possa ser dessa forma, mas se for o caso, bem, você não precisa dela, não é? – Ananda disse enquanto dirigia em direção à casa de Charlie. – Não tenha ideias pré-concebidas sobre algo, o resultado nunca é bom, não é verdade?
— Você está certa, Ana. – Amália sorriu. – Como sempre, é claro.
Ananda riu levemente enquanto fazia a última curva antes de ser possível ver a casa de Charlie. Pararam ali e Amy pode observar algo que não estava na frente da casa antes, uma Picape vermelha desbotada e aparentemente antiga. Respirou fundo, despediu-se da mais velha, recolheu sua bolsa e saiu do carro. Ana esperou no carro até que ela estivesse dentro de casa, segura, e então se foi.
— Charlie? Cheguei! – Disse ao passar a chave na porta.
Escutou passos rápidos nos degraus da escada e logo avistou o homem na sala. Ele parecia eufórico.
— Olá, querida, como foi o dia no trabalho hoje? – Ele a perguntou dando um leve sorriso.
— Foi tudo bem, um tanto calmo, mas foi bom. – Ela respondeu, para então perguntar o que lhe afligia. – Ela chegou?
— Sim, sim. – Ele disse ainda eufórico. – Está arrumando suas coisas no quarto, espero que vocês duas se falem logo. Quero dizer, é claro que amanhã vocês precisarão ir à escola, então creio que seria bom vocês se conhecerem.
Amália apenas assentiu e subiu para seu quarto, afim de descansar um pouco. Sentiu ondas de solidão a preencher quando os rostos de seus pais surgiram na sua mente. Após um mês em luto por eles, resolvera conseguir um emprego para ocupar a mente, por isso ficava feliz de trabalhar de domingo a domingo. É claro que, além disso, queria aumentar o montante que seus pais haviam a deixado como herança. Queria, também, conseguir comprar um carro sem mexer na sua poupança. Era possível ouvir Angelina e Guilan, antigos economistas, ralando com ela pela simples ideia de mexer na poupança antes de sua maioridade. É claro que com um salário de 300 dólares por mês ela não conseguiria comprar um carro rapidamente, muito menos novo. Além disso, era uma grande fã de carros antigos, assim como Guilan, então estava apenas esperando a oportunidade correta para adquirir seu primeiro carro.
Sorriu com o pensamento de quando sua mãe a ensinou a dirigir e o quanto Angelina, totalmente ao contrário de Guilan, era paciente. Poucos meses depois, tirou sua carteira de motorista. Isso facilitou sua vida, considerando que não precisaria se preocupar com esse gasto também.
Secou as poucas lágrimas que caíram durante seus pensamentos e foi até o banheiro lavar o rosto, para descer e preparar algo para ela, Charlie e Isabella comerem.
Ao sair do banheiro, tomou um susto, pois uma garota de pele extremamente clara e cabelos escuros estava a sua frente. Aparentemente, tão assustada quanto ela.
A garota estava visivelmente incomodada com algo. Seria com a presença de Amália? Por estar em Forks? Por ter de deixar tudo pra trás na antiga cidade? Amy não saberia dizer.
— Oi. – Amália falou depois do curto período de choque, sorrindo timidamente. – Eu sou Amália. Amália Beatrice. – Ela disse estendendo a mão para que se cumprimentassem.
— Eu sou Isabella, mas me chame só de Bella, por favor. – A garota disse aceitando o cumprimento dela. – Muito prazer.
Depois do cumprimento, Amália desceu para a cozinha e Isabella, bem, Bella entrou no banheiro. Encontrou Charlie no sofá assistindo uma partida de futebol americano.
— Redskins está ganhando? – Perguntou ao se aproximar.
— Sim! Quarta vitória consecutiva. – Ele respondeu alegre. – Acho que esse ano temos chance de ganhar o título.
— Indianapolis perdeu de novo ontem, viu? – Ela perguntou. – Se perderem o próximo jogo, vão ser rebaixados.
— Contra quem vai ser?
— Dallas Cowboys – Amália respondeu dando uma leve risada, Dallas era o primeiro colocado, afinal.
— Pois é, acho melhor eles já se prepararem pra segunda divisão.
— Gosta de esportes, então? – Bella perguntou atrás deles, fazendo Amália tomar um pequeno susto.
— Eu? – Ela perguntou. – Sim! Claro! Meus pais gostavam bastante também.
— Ah... Que bom, assim Charlie terá alguém para compartilhar seu entusiasmo, considerando que eu não sei nada de esportes. – Ela falou e Amália sentiu uma leve tensão no ar.
Bella estaria chateada por Amy e Charlie terem gostos em comum? Será que ela sentia que Amália queria substituí-la?
— Bem... Eu vou fazer o jantar. – A garota loira disse, na tentativa de quebrar a tensão que se instalara.
— Na verdade, eu ia fazer isso. – Isabella disse rapidamente.
Amália recuou um passo.
Ok, ela vai fazer a janta para o pai dela, afinal. Não se meta.
— Ah, ok! – Foi tudo o que respondeu.
Jantaram em silêncio. Isabella havia assado algumas batatas e fritado bifes de gado. Ao terminarem de jantar, Amália recolheu a louça e a lavou, enquanto Charlie secava. Despediu-se do homem e subiu para seu quarto, onde pegou seus cosméticos e foi tomar banho. Aproveitou que estava no banheiro e escovou seus dentes. Saiu do banheiro com a toalha enrolada nos cabelos e com seu pijama azul fininho e confortável. Um choque percorreu seu corpo ao perceber que baixos sons de choro vinham da porta ao lado: o quarto de Isabella.
Entendia levemente o que Isabella sofria, sua vida havia mudado a partir do momento que ela colocou os pés no avião. No entanto, Amália não conseguia entender porque, então, Bella se mudara se definitivamente não estava contente com isso.
Apenas esperava que se tornassem amigas com o tempo.
Notas finais
Se gostaram, acompanhem e comente, pra eu saber que estão aí!
E pra quem interessar, eu tenho uma fanfic de Harry Potter a qual é minha xodó: https://fanfiction.com.br/historia/784488/Zaniah_Black/
Fale com o autor