Amy
4 Capítulo 3 - Discology.
Notas iniciais
Obrigada pela recomendação ;u;
Eu fiquei tão surpresa kkk A fic mal começou!
Mas obrigada, muito obrigada >
Luke, sem graça, terminou seu café com um único e profundo gole. Levantou, colocou a xícara na bancada e saiu do apartamento, pensando no dia de amanhã e ponderando se deveria mesmo ter mandado o emprego ir se danar. Enquanto isso, Amy havia se trancado no banheiro e se perguntava se o estranho já havia ido embora. Tinha parado de se despir e jazia apenas de roupas íntimas. Se assustou um pouco ao perceber que, em algum momento anterior a visita de Luke, havia esquecido o violão negro ali dentro, jogado ao lado da pia.
Ela pegou o instrumento pelo braço, pensando mais uma vez se Luke já teria ido embora. Acabou dando de ombros e abaixando a tampa do vaso, sentando-se no mesmo. Colocou o violão no seu colo, de modo que sua barriga roçasse as costas do instrumento e seus seios se debruçassem sobre o mesmo. Sem se importar se era estranho tocar violão no banheiro, Amy começou com um simples acorde a tocar uma de suas músicas favoritas do The Cure.
Depois de já ter tocado umas quatro músicas, variando entre The Cure, The Killers e Gorillaz, Amy finalmente destrancou a porta. Saiu do banheiro para deixar o violão sobre a cama e acabou percebendo a ausência de Luke. Deu graças aos deuses e entrou no banheiro novamente, desta vez, deixando a porta aberta. Tomou um banho frio, já que não tinha chuveiro térmico. Ao sair, pegou uma de suas únicas toalhas e enxugou o próprio corpo. Não percebeu, até certo ponto, que de uma de suas janelas poderia-se ver tudo ali dentro. E era exatamente o que um pirralho, vizinho, estava fazendo. Irritada, Amy fechou as janelas que possibilitavam a ação do menino, corando feito louca.
Amy vestiu apenas uma calcinha e um pijama. Tudo o que queria era dormir e odiava fazer isso de sutiã, até porquê, os seus estavam começando a apertar os próprios seios. Suspirou e foi pegar o cobertor que estava jogado sobre suas revistas, ali perto. No caminho de volta para a cama, pegou um dos quadrinhos que estavam no chão. Amava as histórias do Thor, que fora sua escolha. Lembrou-se de mais alguma coisa e correu para a cozinha. Abriu a geladeira e agarrou um daqueles potinhos de chocolate com avelã, que geralmente passam em pães quentinhos. Em seguida, buscou uma colher de chá, em meio aos outros talheres que possuía em uma gaveta. Voltou para a cama e pôs-se a ler uma revista do seu herói favorito, enquanto enchia a boca de colheradas sabor chocolate e avelã. Aos poucos, Amy foi adormecendo sem perceber.
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Os raios de sol do dia seguinte acertaram os olhos de Amy em cheio. Ela se espreguiçou e olhou ao redor. O cobertor havia ido parar embaixo da cama, enquanto que a revista do Thor jazia ao pé do móvel e o pote de chocolate, juntamente com a colher, estavam esquecidos no chão. Ela riu para si mesma e levantou, vagarosa e levemente. Os pés suaves nem pareciam chutar as coisas espalhadas pelo chão, de tão delicados que passeavam. Amy havia acordado de bom humor, o que a fez pensar se isso não causaria uma explosão no espaço-tempo. Ela nunca havia acordado assim.
Agarrou o pote de chocolate e a colher, dançando até a cozinha. Guardou o pote na geladeira e jogou a colher na pia. Cantarolava "Boys don't cry", enquanto arrumava sua cama e os livros, revistas e roupas jogadas pelo chão. Descobriu que havia esquecido um pedaço de pizza, em um canto, e que parecia ter mais de uma semana ali.
Ao terminar a mini-faxina no apartamento, Amy escovou os dentes e começou a se vestir. Colocou uma calça jeans, a única que tinha, que já estava começando a rasgar nos joelhos, vestiu um sutiã apertado, uma camisa sem mangas e um par de botas de couro, ambos pretos. Penteou os cabelos castanhos de pontas encaracoladas, passou rímel e lápis de olho pretos, encheu os pulsos com munhequeiras e pulseiras de spikes, acompanhados de um par de colares prateados, com caveiras de pingentes. Amy pegou o casaco e a bolsa, consultando as horas pela última vez, antes de sair de casa.
Desceu as escadas de modo barulhento, imaginando se dona Liza teria acordado com os ruídos. Queria que acordasse, afinal, a idosa já deveria ter sido despedida, de tanto dormir no trabalho. Ao chegar no primeiro andar, descobriu que estava errada. Dona Liza continuara dormindo, sem sequer se assustar com o barulho. Amy deu de ombros e saiu do Monte Fuji.
Atravessou a rua movimentada lá fora e vestiu o casaco. O dia estava realmente frio. Andou mais um pouco pelas calçadas, até chegar ao metrô. Desceu as ecadas sujas e comprou seu bilhete, com uma senhora simpática, de sorriso velho, que trabalhava ali. Enfiou o bilhete na pequena abertura da catraca brilhante, passando por ela logo em seguida. Esperou uns vinte minutos, até o trem chegar e entrou junto com uma maré de outras pessoas. Preferiu ficar em pé, segurando num daqueles triângulos pendurados nas barras de ferro dali. Colocou a mão livre no bolso do casaco, mas sentiu a bolsa vibrar. Abriu a bolsa e pegou o celular, vendo que houvera chegado uma mensagem nova. Uma mensagem de Clary, que Amy ignorou. Não estava com saco para as mensagens com poeminhas românticos da amiga.
Ao chegar em sua estação, Amy desceu do trem, junto com outra maré de pessoas estranhas. Ao subir os degraus, para sair da estação, foi parada por alguns vendedores de doces e importados ambulantes. Acabou comprando um pacotinho de chicletes de morango. Pegou um deles e abriu. Era rosado, fino e comprido, o cheiro doce era forte. Amy o pôs na boca, sentindo o doce sabor artificial de morango inundar o paladar. Andou pelas calçadas movimentadas da Cleveland Street, consultando o relógio do celular. Já eram 09h37m. Estava atrasada. Andou em linha reta, passando um pouco do Bedford Estate, avistou a pequena e espremida Discology.
Amy abriu a porta de vidro, decorada com adesivos que anunciavam pequenos descontos e lançamentos de produtos. Sorriu ao ver Andrew, no balcão. O lugar estava tão frio quanto lá fora, devido à temperatura do ar-condicionado. As paredes marrons mal podiam ser vistas, devido às prateleiras e prateleiras cheias de CDs dali. Amy tinha que se conter para não ir roubando todos os que queria. Havia um espaço, bem no meio da Discology, que continha apenas LPs, dos mais velhos, aos menos. Aos fundos da loja, ficavam o balcão e uma porta, que levava a um pequeno vestuário com armários velhos, que armazenavam os uniformes e itens dos funcionários.
A morena se arrepiou, devido ao frio, mas correu para perto do balcão, onde o colega de trabalho estava. Ele vestia a camisa vermelha, com detalhes amarelos, da Discology. Consultava o preço de um disco antigo, digitando seu código no computador, por isso, nem percebeu a presença de Amy. Andrew era um pouco bombado, às vezes machucava a amiga com os abraços apertados, mas era uma boa companhia. Seus cabelos quase pretos e curtos estavam molhados e um pouco desgranhados. A pele pálida era cheia de tatuagens estilo Maori, que Amy admirava. Cansada de ser ignorada, Amy o chamou.
- Ei. — arrastou o "i". — Andrew, cheguei!
Andrew se virou para a mais nova, sorrindo e repentinamente escondendo o disco que tinha em mão. Amy estranhou a ação.
- Bom dia, Amy. — os olhos verdes se arregalaram, como se a garota o houvesse assustado. — Você... Está atrasada.
- É, eu sei... — ela levantou a parte do balcão que dava acesso àquela área. — Mas Ronald nem deve ter notado.
- Ele ainda nem veio aqui, hoje. — assentiu Andrew. — Está com sorte. Agora vá se vestir, antes que ele chegue!
- Tá bom, tá bom. — riu Amy, entrando no vestuário.
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