Amor.exe: Arquivo Corrompido
6 Capítulo 5: Encontros e mais encontros
Derek Hale deslizava o dedo pela tela do celular, navegando pelas notificações. À primeira vista, parecia apenas um ato despretensioso para passar o tempo, mas, na verdade, ele estava trabalhando. Avaliando, estudando. De vez em quando, parava para anotar algo em sua agenda: scripts, sugestões de melhorias, ajustes de programação. Era assim que ele aproveitava os minutos de folga, testando aplicativos ainda em fase de desenvolvimento pela Moonlight, a gigante de software e hardware da família Hale.
E qual era o momento? Ah, nada menos que um encontro. Um jantar romântico em um restaurante chiquérrimo. O cenário era digno de filme: uma mesa sob cerejeiras iluminadas por piscas-piscas, um lago artificial brilhando ao fundo, e o som de uma banda de cordas e piano criando a trilha sonora perfeita. Qualquer outra pessoa estaria completamente imersa no clima mágico da noite.
Derek? Nem um pouco.
— Interessante... — disse ele, sem levantar os olhos do celular.
Do outro lado da mesa, a ômega esperava pacientemente — ou pelo menos tentava. Era uma mulher bonita, com cabelos castanhos claros presos em um penteado intrincado e um vestido vermelho cheio de laços, claramente inspirado na moda natalina. Ela provavelmente queria parecer um presente a ser desembrulhado por um alfa. Infelizmente, Derek não parecia nem ao menos notar o esforço.
— Interessante? — tentou ela, forçando um sorriso e ajeitando os ombros. Seus lábios vermelhos tremeram levemente, mas ela continuou.
— Sim, interessante como, mesmo sendo apenas um esboço, a UI está bem desenvolvida — respondeu Derek, o tom de voz seco e distraído.
— Ui...? — ela riu, como se ele tivesse contado uma piada.
Erro fatal.
Derek finalmente ergueu os olhos, lançando-lhe um olhar tão impassível quanto uma parede de concreto.
— Interface do usuário, ou UI. — Ele resmungou, sem paciência. — É a parte visual de um programa que permite ao usuário interagir com o software de forma simples... Até um ômega conseguiria usar, imagino.
A ômega engoliu em seco, desconfortável, mas tentou.
— S-sério? Eu poderia... Er... Ver? — perguntou, hesitante.
Derek a encarou novamente, o olhar crítico e feroz. O tipo de olhar que dizia: tem certeza de que quer continuar com isso?. Antes que ele entregasse o celular para ela, a ômega levantou-se de repente, lágrimas nos olhos.
— Desisto! — gritou, saindo correndo pelo jardim com os saltos tropeçando na grama. Ela quase derrubou dois garçons no processo.
Derek apenas a observou, impassível, enquanto ela desaparecia entre as mesas. Então, com um suspiro de alívio, voltou sua atenção para o celular, como se nada tivesse acontecido.
— E assim vai mais uma candidata à futura senhora Hale — comentou Peter, surgindo ao lado e se jogando na cadeira recém-desocupada. Ele pegou a taça de champanhe intocada pela mulher e deu um gole despreocupado.
— Menos mal. Agora tenho mais tempo para me dedicar ao trabalho — respondeu Derek, sem desviar os olhos do celular.
Peter arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Ora, mas você já estava fazendo isso antes, não? Enquanto a senhorita... — Ele parou, fingindo pensar. — Qual era mesmo o nome dela?
Derek finalmente levantou o olhar, franzindo o cenho.
— O nome dela? Sei lá. Senhorita Ômega, talvez? — deu de ombros, voltando a deslizar o dedo pela tela.
Peter soltou uma risada baixa.
— Ah, querido sobrinho, ela é Camille Gagneux. Filha de um magnata da indústria de mineração. — Ele fez uma pausa, esperando alguma reação. Nada. — Você sabia que fechar um contrato com a família Gagneux poderia triplicar o faturamento da Moonlight?
Derek apenas deu de ombros novamente, sem um pingo de interesse.
— Que seja. O nome dela continua sendo “Senhorita Ômega” para mim.
— Sua mãe não vai gostar nem um pouco do resultado deste encontro... — comentou Peter, espetando preguiçosamente um camarão do coquetel à sua frente. O prato, com camarões pendurados em uma tigela cheia de molho cremoso, estava abandonado por Derek e pela ômega fugitiva.
— Nem dos anteriores — acrescentou ele, com um sorriso zombeteiro.
— Então ela poderia desistir, não acha? — Derek argumentou, cruzando os braços. — Todo esse negócio de encontros e jantares... Obviamente, não está dando certo. E está afetando meu desempenho no trabalho. Não consigo acessar os arquivos da Moonlight para continuar minha pesquisa! Eu sou o chefe da divisão de desenvolvimento de software da empresa, sabia?
— Relaxa, sobrinho. A empresa não vai falir só porque sua pesquisa não está 100% no momento. — Peter apontou com o garfo para o celular e o bloco de notas de Derek. — E, pelo que vejo, você já está trabalhando mesmo quando não deveria.
Derek não fez nenhum esforço para esconder o que estava fazendo. Ele deu de ombros.
— Mas saiba de uma coisa: minha irmã não vai desistir. — Peter sorriu de canto. — Ela quer que você traga alguém para a festa de confraternização da Moonlight na véspera de Natal, lá na mansão.
— Festa que eu normalmente não frequento — frisou Derek, a voz carregada de irritação.
— Desta vez será diferente, Der-Bear. — Peter pegou outro camarão, mergulhando-o no molho antes de apontá-lo para Derek como se fosse uma varinha mágica. — Sua mãe não só bloqueou seu acesso aos arquivos como pode fazer muito mais... Digamos, cortes na sua divisão.
Derek ficou boquiaberto.
— Ela chegaria a esse ponto? Só para eu arranjar um parceiro ômega? Isso é... isso é...
— Totalmente plausível vindo de Talia Hale. — Peter deu um gole em sua taça de champanhe. — Derek, você só vive para o trabalho. Qual foi a última vez que foi ao cinema? Ou fez uma viagem que não fosse a negócios?
Derek abriu a boca para responder, mas logo percebeu que não tinha resposta.
— Está vendo? — Peter continuou. — Sua mãe só está preocupada. Ela acha que você está se afundando no trabalho e, mais ainda, na solidão. Você sequer sai com seus amigos. Allison, Lydia, Erica, até Isaac. Quando foi a última vez que saiu para beber com eles ou conversou sobre algo que não fosse trabalho? Sua vida tem que ser mais que a empresa, Derek. Você precisa de um lar.
Derek bufou e pegou um camarão, comendo-o com raiva. Claramente, ele não concordava com nada disso.
— E além disso... — Peter começou novamente, ignorando o humor tempestuoso de Derek. — Se você levar um par para a festa de Natal, talvez sua mãe desista de todos esses entraves.
— Um par. — Derek o encarou com um olhar incrédulo. — Você fala como se fosse fácil.
Peter arqueou uma sobrancelha, claramente divertido. Afinal, de fato para Peter, encontrar um par era deveras fácil, mas para Derek...
— Fácil? Querido sobrinho, com sua lista de desastres amorosos, acho que só podemos recorrer a medidas mais... criativas. — Peter tirou o celular do bolso, deslizando a tela como se estivesse analisando um relatório de vendas, mas com muito mais diversão. — Vamos lá: nove encontros desastrosos antes, dez com Camille. Quatro choraram, três fingiram dor de barriga para escapar, dois saíram furiosos e um... bem, acho que ele simplesmente desmaiou de puro pânico. As estatísticas, Der-Bear, definitivamente não estão a seu favor.
— Que seja. — Derek suspirou, resignado. Ele sabia que deveria tentar ser mais ameno, mas era difícil se conectar com aqueles ômegas submissos que pareciam mais fascinados pelo status de ele ser um Hale do que com quem ele realmente era. Tudo aquilo era tão tedioso que ele não se surpreenderia se acabasse cochilando em um dos encontros.
— Bem, o próximo encontro será com um parceiro e amigo da família Hale: os Whittemore. — Peter sorriu enquanto analisava o celular. — Sei que eles têm um ômega jovem e solteiro disponível.
Derek assentiu, sem realmente prestar atenção.
— Foco, Der-Bear. — Peter de repente ficou sério, uma raridade. — A família Whittemore é nossa aliada e temos contratos importantes com eles. Mesmo que você não goste do ômega, pelo menos seja educado. Nada de mexer no celular ou lançar esse olhar mortal patenteado Derek Hale, combinado?
Derek soltou um suspiro pesado, pegando a taça de champanhe que parecia ter ficado amarga em sua boca.
— Tudo bem. Mais um encontro. — Ele falou mais para si mesmo, tentando se convencer. Se conseguisse suportar aquilo, talvez pudesse finalmente voltar à paz de seus computadores, scripts e trabalho. Sua verdadeira paixão.
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