— 15, 20... 25... Espera aí, tenho certeza de que tenho mais algumas moedas aqui, em algum lugar... — O rapaz magro, de pele clara salpicada por pintas, especialmente no rosto, parecia cada vez mais aflito. Seus cabelos curtos e desgrenhados balançavam enquanto ele revirava o bolso do moletom vermelho, grande demais para seu corpo. Ele tirava moedas do bolso e as contava, empilhando-as no balcão da lanchonete.

— Já deu, Stiles. Você tá segurando a fila! — resmungou o atendente, que era também cozinheiro e caixa. O homem era enorme, tanto em altura quanto em largura, o que justificava o apelido de Grande Poe.

— Que fila? — Stiles deu uma olhada rápida para trás. A lanchonete estava quase vazia, com exceção de alguns motoqueiros de aparência nada amigável e uns poucos sem-teto. A lanchonete não era o destino mais popular entre os universitários, mas era o único lugar que Stiles conseguia pagar. Apesar do ambiente decadente — com teias de aranha nos cantos e a ocasional aparição de um rato gordo, que Stiles presumiu ser o bicho de estimação de Poe —, a comida ali era deliciosa. Repleta de calorias, oleosa, mas deliciosa.

— Se não tem dinheiro, não tem hambúrguer — frisou Poe, cada palavra saindo como uma sentença.

— Calma aí, Grande e Formidável Poe! Eu já te disse hoje que seus olhos estão especialmente brilhantes neste anoitecer? Parecem até mais escuros que ontem, mesmo com essas olheiras... E sua papada? Alguém já mencionou que ela lembra o Monte Rushmore? Quase consigo ver os presidentes ali esculpidos...

Poe ergueu as sobrancelhas grossas em contraste com sua cabeça brilhante.

— Isso é pra me elogiar? Acha que vai me comprar com isso? E olha que, mesmo você sendo um "ômega", eu tenho um gosto refinado...

Stiles mordeu o lábio, tentando não responder, enquanto alguns dos motoqueiros próximos seguravam risadas. Poe, nada contente, pegou um frasco de ketchup e o atirou contra eles, sem muita cerimônia.

— De qualquer forma, Stiles, minha lanchonete não é caridade. Sem dinheiro, sem hambúrguer.

— Ahá! — exclamou Stiles, se abaixando para tirar o tênis All Star surrado. De dentro dele, ele puxou mais algumas moedas, que jogou na pilha crescente no balcão. — Aqui está! Cinco dólares e cinquenta centavos. Agora me dá o Colossal Burger do Poe, por favor?

Poe olhou as moedas com uma expressão de nojo, como se fossem infectadas. Um tanto irônico, considerando o avental dele, tão encardido e manchado que ninguém sabia mais qual era sua cor original. Stiles, no entanto, não se importou. Conseguiu garantir sua refeição do dia, e isso já era um grande lucro.

Stiles se jogou em uma das mesas da lanchonete, acenando casualmente para alguns motoqueiros e para as prostitutas — e também prostitutos — que ocupavam outras mesas. Sim, o lugar parecia barra pesada à primeira vista, e qualquer um que passasse pela rua provavelmente desviaria o olhar. Mas, no fundo, a maioria das pessoas ali estava apenas tentando sobreviver a uma vida que, francamente, era cruel o suficiente. E, para ser justo, eles eram surpreendentemente simpáticos, desde que você não os tratasse com preconceito ou ar de superioridade.

Stiles estava no mesmo barco. Era um ômega universitário com recursos financeiros tão escassos que a palavra "parcos" parecia luxo. Sobreviver aos olhares críticos e aos comentários ácidos já fazia parte da sua rotina. Todo mundo esperava que ele se encostasse em algum alfa qualquer, como se isso fosse um pré-requisito de existência. Mas Stiles? Ele preferia morrer — dramaticamente, de preferência, para garantir um epitáfio épico.

Suspirando, ele se acomodou na cadeira de plástico que rangia sob seu peso (mesmo que ele fosse só pele e osso) e tirou o celular do bolso. A tela rachada refletiu a luz do neon piscante da lanchonete enquanto ele desbloqueava o aparelho. Uma notificação de chamada perdida apareceu: "Cara Torta" — o apelido carinhoso que dera ao seu melhor amigo beta, Scott McCall.

Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Stiles. Ele apertou o botão para retornar a ligação, e o celular mal tocou algumas vezes antes de Scott atender, a voz meio rouca do outro lado da linha.

— Stiles?

— Não. — A voz de Stiles ficou séria, quase teatral. — Sou um alienígena que roubou o telefone dele. Decidi ligar para o número mais usado da lista de contatos. Quero saber mais sobre esse tal de Stiles, afinal, eu o abduzi... Preciso verificar se ele tem alguma alergia, intolerância... Você sabe, antes de começar os experimentos.

Do outro lado da linha, Scott riu, aquele riso leve e despretensioso que Stiles conhecia tão bem.

— Ah, senhor Alienígena, fique tranquilo. Ele solta muitos gases, principalmente quando come coisas oleosas e gordurosas. O que, pra sua informação, é o que ele come o tempo todo. Recomendo que sua nave tenha ventilação adequada na sala de experimentos.

— EI! Calúnia e difamação! — Stiles fez um biquinho, mesmo sabendo que Scott não podia ver.

A resposta foi uma risada ainda mais alta.

— Só estou sendo honesto. Ei, Stiles, onde você está? Achei que estivesse na biblioteca... estudando. Ou cochilando, o que é mais provável.

Era verdade. A biblioteca do campus era praticamente o QG deles. Por causa do charme inexplicável de Stiles, a bibliotecária os deixava ocupar uma das salas de estudo, onde eles passavam boa parte do tempo alternando entre cochilos e conversas aleatórias antes de voltarem ao dormitório.

— Eu estava. Mas deu fome — respondeu Stiles, enquanto observava Poe preparar algo que parecia um hambúrguer ainda mais colossal que o normal.

— Ah, então você tá no Poe? — Scott perguntou, com um tom mais animado. — Ótimo, tô passando aí agora.

— Mas você não estava em aula? — A pergunta de Stiles ficou sem resposta, já que Scott havia desligado antes que ele pudesse continuar.

"Que estranho..." pensou Stiles, uma pontada de curiosidade despertando em sua mente. No entanto, esse pensamento foi rapidamente varrido para longe quando Grande Poe lançou, com a delicadeza de um rinoceronte, um prato com um hambúrguer monumental e uma porção generosa de fritas na frente dele.

Toda a curiosidade deu lugar a uma fome voraz que Stiles começou a saciar quase que de forma animalesca, como se estivesse competindo com um lobisomem (e, sinceramente, considerando o ambiente, ele não descartava totalmente essa possibilidade).

Ele imaginava o olhar de reprovação de alguns dos seus professores ao vê-lo naquele estado. Certamente receberia uma longa reprimenda. Afinal, ômegas não deveriam comer daquela forma. Ou, pensando bem, nem daquela forma, nem de forma alguma. Sempre havia aquela política não oficial — mas completamente sufocante — de que ômegas precisavam estar magros, frágeis, delicados, basicamente famintos. Não era só ridículo, era quase um tipo de tortura disfarçada de ideal estético.

Stiles sabia que, décadas atrás, o padrão era outro. Os ômegas eram encorajados a engordar, supostamente para gerar filhos saudáveis para alfas (e uns poucos betas sortudos). Hoje, porém, a aparência frágil e dócil estava na moda. Saladas, academias, procedimentos estéticos caros — tudo isso para atender ao que a sociedade achava que um ômega deveria ser e parecer. E, francamente? Stiles não estava nem aí. Comer daquele jeito, naquele canto meio esquecido e com um certo charme decadente, era seu pequeno ato de rebeldia. Ali ninguém o julgava. Bem, exceto talvez Poe, mas ele parecia mais preocupado com a pilha de pratos sujos do que com os padrões sociais.

O cheiro de fritura e o ar ligeiramente poluído da lanchonete vinham de brinde. Mas liberdade era liberdade.

— Cheguei! — Scott anunciou, tirando Stiles de seu estupor enquanto ele devorava a última batata.

— Vejo que deixou um pouco de comida para... Ah, espera. Não deixou nada. — Scott riu enquanto se sentava à frente do amigo.

— Claro que não! — Stiles limpou a boca com as costas da mão. — Mas, só por curiosidade, você acha que Poe lava esses pratos?

— Você come o que colocam neles, então... meio que dá no mesmo, né? — Scott deu de ombros, com um sorriso provocador.

— Detalhes, detalhes. — Stiles acenou displicentemente. — Agora, me conta: o que era tão urgente que você não podia esperar até eu voltar para o dormitório?

Scott abriu um sorriso animado, aquele tipo de sorriso que geralmente indicava problemas.

— Era algo que eu não podia falar no puritano dormitório ômega.

Stiles ergueu uma sobrancelha, intrigado. Ah, o dormitório ômega. Cheio de regras absurdas, segurança excessiva e absolutamente zero privacidade. A universidade adorava separar os alunos pelas "categorias fisiobiológicas": os dormitórios refinados dos alfas, os neutros e agradáveis dos betas, e o inferno disfarçado de lar que era o dormitório dos ômegas.

— Ok, me conta logo. — Stiles apoiou o queixo na mão. — O que é?

— Consegui mais um trabalho pra gente! — revelou Scott, o entusiasmo transbordando como um cachorro abanando o rabo.

Stiles sorriu. Finalmente, boas notícias.

— Já era hora! Minhas finanças estavam tão ruins que comecei a pensar em vender uma das minhas revistas em quadrinhos preferidas. — Ele inclinou a cabeça. — Tá, fala logo: qual ômega metido a besta vou substituir dessa vez? Ou que alfa vou precisar intimidar?

Mas Scott hesitou, seu sorriso diminuindo levemente.

— Então... — começou ele, quase em um sussurro. — Jackson Whittemore.

Stiles revirou os olhos com tanta força que quase perdeu o equilíbrio.

De novo?!