Amores impossíveis
2 Conrado Werneck
Notas iniciais
P.O.V. Conrado.
Mais uma festa chata do meu pai. Tive que aplaudir a garota menos talentosa do mundo, mas então ela entrou em cena.
Eu nunca tinha visto nada igual, o jeito dela dançar era no mínimo hipnótico. Ela era uma princesa, linda, perfeita.
—Cara, quem é ela?
—Eu não sei, mas vou descobrir.
—Essa garota é tipo... uau!
—Ela é demais.
P.O.V. Dona Perpétua.
Acabaram de me ligar dizendo que a cantora ficou doente e está sem voz. Isso é um desastre.
—O que foi Tia Perpétua?
—Ai Cidinha, é um desastre.
—O que que aconteceu? A senhora tá passando mal?!
—Não. A cantora ficou doente.... Você podia cantar.
—Eu?! Na frente desse povo todo tia?
—É. Por favor Cida.
—Eu tenho pânico de cantar na frente de tanta gente.
—Fecha os olhos então. Por favor Maria Aparecida. Toca violão.
—Tá tia. Eu acho que... tudo bem.
Ela subiu no palco e tocou uma música daquela cantora que elas gostam.
—Que original. Back To December da Taylor Swift.
P.O.V. Conrado.
Ela é um anjo. Uma fada, uma coisa que não é desse mundo.
Aplaudiram ela tão alto que os vizinhos reclamaram.
—Me perdoe Dona Perpétua, mas eu vou transformar esse "velório" numa festa de verdade.
Ela correu pra dentro e logo tinha chegado gente que eu nunca vi e começaram a instalar equipamentos e a transformar o velório numa festa.
A menina arrasou. Ela dançou, cantou e fez os Sarmento pagarem de legais.
—Perpétua, esse foi o melhor coquetel de negócios em que eu já estive. Foi tão divertido.
—Muito divertido. Á propósito quem é a garota que cantou?
—Eu sou...
—Você não. Sinto muito querida, mas você canta como uma gralha. Eu to falando daquela Deusa maravilhosa que dança como uma musa e canta como uma sereia.
A garota fez uma cara de taxo.
—Eu disse que ela ia roubar a minha cena.
—Não é culpa dela que ela tem talento e você não. Você é bonita, mas ela... ela é não é desse mundo.
—Tem razão, ela é uma empregada.
—Sou empreguete. E me orgulho disso.
—Qual é o seu nome?
—Cida.
—Maria Aparecida da Silva.
—Mas, por favor me chame de Cida.
—Cida. É um lindo nome.
—Cida, parece nome de produto de limpeza. Combina com você.
—Isadora!
—Sabe de uma coisa? Eu não vou mais aturar isso não. Todos esses anos você caçoou de mim, me chamou de um monte de coisa e eu aturei por causa dos seus pais que foram tão bons comigo, mas agora chega. Agora tu vai ver uma coisa.
Cida entrou dentro da casa e voltou com um balde.
—Vai esfregar o chão?
—Não.
Ela jogou a água do balde na cara da patricinha.
—Toma essa trubufu!
—Isadora! Maria Aparecida!
—Ela mereceu. To cansada de você me tratar que nem lixo Isadora. Vai se ferrar!
Todos os ricaços da festa começaram a rir discretamente. E a patricinha saiu batendo o salto e levou o balde, quando ela tentou jogar a água em Cida a água não saiu.
—O que?
A imbecil colocou o balde ao contrário a cima da própria cabeça e a água caiu encima dela.
Maria Aparecida passou, parou perto dela e sussurrou algo em seu ouvido.
P.O.V. Isadora.
Ela sussurrou:
—Nunca faça um inimigo que não pode vencer. Ninguém mexe com as elementais.
Dai ela foi embora e o meu amado primo foi atrás dela.
—Você viu aquilo? A água não saiu do balde!
Ela só deu risada.
—E o seu nome, qual é?
—Conrado.
—Prazer. Cida.
Ele beijou a mão dela.
—De onde você saiu?
—De um lugar que é perto e longe ao mesmo tempo.
—Misteriosa ein?
—Sou uma incógnita por natureza. Tenho que ir, se eu não cantar não tem festa.
Ela pegou uma garrafa d'água e enfiou um canudinho dentro.
—Uau! Medo de água?
—Não. Só não gosto de me molhar.
Ela saiu. Ela sempre teve medo da água. E o que seria uma elemental?
—Eu vou descobrir. Á se vou, ou eu não me chamo Isadora Sarmento.
O Conrado dançou com ela aquela música de pobre a noite toda. Ai que ódio dessa empregadinha!
—Você canta lindamente.
—É um dom, mas também uma maldição com uma palavra te levo á escravidão.
—O que isso quer dizer?
—Exatamente o que eu disse.
As nuvens se moveram e revelaram a lua cheia. Ela olhou para a lua como se estivesse em transe.
—Cida? Cida?
—Mako chama.
—O que é Mako? Cida?
Ela foi andando e andando e andando. Foi embora.
—Ernani!
—O que foi?
—Temos que trazê-la de volta antes que chegue á marina.
—Como sabe que ela vai para a marina?
—Ela disse alguma coisa Conrado?
—Ela só disse: Mako chama.
—Mako? O único lugar que eu conheço que tem esse nome é uma ilha onde é um viveiro de tubarões.
—Tubarões?
—Como pude me esquecer do dia de hoje? É minha culpa.
—Calma Perpétua, vamos trazê-la pra casa.
—Vai Ernani e a impeça de entrar na água. Custe o que custar.
P.O.V. Ernani Sarmento.
Eu corri até a marina bem a tempo de vê-la mergulhar de cabeça no mar.
—Cadê ela Ernani? Cadê a Cida?
—Pulou na água. De cabeça.
—Eu disse pra não deixá-la entrar na água!
—Porque ela não pode entrar na água?
—O que faz aqui Conrado? Volte pra festa. Voltem os dois, eu vou atrás da Cida.
—O que? Vai pra Mako á noite e sozinha? Nem pensar.
—Hoje não é uma noite qualquer Ernani. É noite de lua cheia.
Vi a minha tia entrar num barco e ir embora.
—Perpétua! Perpétua!
—Porque Cida iria para um lugar que é um viveiro de tubarões?
—Eu não sei. Mas, a sua tia sabe.
Entramos no meu barco e fomos até a ilha. Aquele lugar era realmente lindo.
—Nossa! É lindo.
—Veja é o meu barco.
Desembarcamos e começamos a adentrar na ilha. Procurando as duas.
—Veja. Pegadas.
Seguimos as pegadas até um penhasco rochoso e Conrado escorregou e caiu dentro dum buraco.
—Conrado!
—Tio, eu to bem! Joga uma lanterna!
Eu joguei a lanterna pelo buraco.
—Eu to ouvindo elas.
P.O.V. Conrado.
Eu ouvi o breve diálogo entre elas.
—Cida, vamos pra casa querida.
—Eu estou em casa.
—Pra sua cama. Não seria mais confortável dormir na sua cama?
—Você não pode me levar.
Houve uma tempestade de raios, trovões e de repente eu ouço a tia Perpétua gritar.
Quando eu cheguei a Cida tinha sumido. E a tia Perpétua estava jogada no chão.
—Tia Perpétua!
Corri para socorrê-la e peguei sua cabeça em minhas mãos.
—Não é culpa dela. Ela nasceu assim, foi minha culpa eu devia ter protegido ela, devia ter me lembrado que ela não podia sair hoje, mas eu tava tão ocupada planejando a festa perfeita e ela é uma garota tão boa. Amanhã, ela não vai se lembrar de nada do que aconteceu hoje.
—Do que a senhora está falando tia?
—Ela é especial meu filho. Ela é um milagre, mas quando a lua cheia nasce e ela a vê nada segura ela, ela fica hipnotizada não tem controle sobre o que faz. A lua controla ela. Ela é a última elemental. As outras estão mortas, ela é última descendente da linhagem de Asheron. A última de sangue puro.
Os paramédicos chegaram e levaram a tia Perpétua para o hospital.

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