Notas iniciais
Neste capítulo tmeos duas tramas separadas que eu vou unir no próximo capítulo! o.o Aguardem e deixem seus reviews, por favor! ^^

- A França precisa ser livre!

O sol se elevava no horizonte diante da voz que pelos campos e pelas cidades. O grito de liberdade do revolucionário tirava da cama os recém-despertos e propagava a fúria naqueles onde não tinham onde dormir e pouco a pouco se uniam à revolução.

- Livre, meus companheiros! Libertos da tirania de uma corte gananciosa e egoísta que não sabe reconhecer o valor da nossa pátria. Uniremos nossas forças, trabalhadores de todas as classes desta nação, e juntos acabaremos com esta monarquia injusta! Em nome de Deus e da igualdade entre os homens: uni-vos!!

Mas o principal impacto daquelas palavras repercutiram amargamente nos ouvidos dos cortesãos do castelo de Versailles, pois eles eram os principais representantes desta corte gananciosa. Naquela manhã, todos os cortesãos haviam levado um golpe violento em seus princípios e levantavam-se para um dia perigoso e ameaçador.

Distante destes problemas de guerra, um dos aposentos de Versailles estava sendo aberto e dava boas-vindas à luz do sol. O quarto da princesa de Savarty era um cômodo luxuoso em tons de púrpura e carmim aonde caberia perfeitamente a casa de três camponeses de vida simples. Há cinco anos ele estava trancado a espera da sua dona, e agora, ela voltaria de viagem da Alemanha em uma semana dias. Tudo precisava estar impecável para sua chegada e duas novas acompanhantes e arrumadeiras foram contratadas para o aposento.

-Está um lindo dia, não é, Chandel?

-Aaaai! Mas pare de reparar nisso, garota. Olha a quantidade de trabalho! Se você não parar de olhar para a janela o sol vai acabar te ofuscando... ou quem sabe até te queimando!

-E eu morreria feliz por ter tido uma última visão tão bela como esta, não é?

Chandel resmungou qualquer palavrão em um francês carregado de sotaque rural. Ela e sua companheira se conheceram há uma semana, mas para Chandel era como se a conhecesse há longos e tediosos anos.

Fechou a cortina do quarto para que sua colega parasse de sonhar acordada. Aquela garota deveria trabalhar mais e pensar menos em bobagens, caso contrário acabaria ficando feito os loucos que queriam instalar a revolução. Bando de inúteis, por que eles não estavam trabalhando como todo mundo e como ela mesma estava fazendo?!

-Você parece aborrecida, Chand...se quiser eu termino de pôr os lençóis na cama. Vá na cozinha e veja se arruma algo para nós antes do almoço, o que acha?

-Está me propondo um roubo? Nada naquela cozinha é de graça, meu bem.

-Claro que não, Chand! – riu-se a outra. – Estou te propondo um trato, roubar comida na cozinha é só uma questão de ponto de vista, pagar fiado é só outro ponto de vista. Qual deles você escolhe?

Marine continuou seu trabalho encerando o chão do quarto. Ela sabia que a sua amiga Chandel não iria resistir e ia sair para comer alguma fruta deliciosa daquele castelo. Como imaginava, Chand pegou o esfregão e o balde com um suspiro vencido e sorriu balançando a cabeça. Elas se conheciam há tão pouco tempo e já se viam como duas irmãs! Chandel foi até a porta e a fechou com violência para indicar à despreocupada Marine que ela havia mesmo concordado com seu pequeno trato.

-Como ela é bobinha...- ria-se Marine enquanto rodopiava com sua vassoura para vasculhar cantos obscuros do quarto. Seus cabelos reluziam pela janela como a lã bem tratada de uma ovelha aloirada. Ela era uma moça bonita, de traços delicados e humildes que contrastavam com a arrogância da nobreza com a qual convivia. Seu olhar era tão doce e persuasivo que nem o mais gelado dos corações resistia. Marine sabia bem disso e sabia como usar sua simpatia para ajudar os outros e a si mesma.

Após duas horas de arrumação todo quarto estava livre de sujeira. Com um suspiro exausto, a jovem faxineira foi até a porta com seus apetrechos mas não conseguia abri-la de forma alguma. Tentou puxar a maçaneta para si, tentou empurra-la para dentro e para fora. Nada surtia efeito! Começando a ficar preocupada ela empurrou seu próprio corpo na direção da porta de madeira.

“Não! Eu não posso fazer isso...se eu arrombar a porta do quarto da princesa vou ser condenada a morte, com certeza”, pensou ela, aflita. Seus olhos miravam as janelas e ela correu para uma delas e se postou no parapeito de um modo que quase a fazia virar para o outro lado. “Altura muito grande.” Marine concluiu, ficando tonta e saindo daquele local.

Ela deitou-se na cama imensa do quarto, fechou os olhos e falou consigo mesma:

-Chandel vem me resgatar!

Quando deu por si já estava adormecida de braços abertos e cabelos espalhados sobre a cama real, Chandel estava mesmo demorando demais.

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Philipe ouvia os gritos de guerra e o som dos passos da multidão que vinham em sua direção. Ele se perguntava como as passadas das pessoas podiam fazer a terra tremer aos seus pés, mas ele não sabia que estes eram detalhes que só uma pessoa com o coração angustiado poderia compreender.

-Mãe, venha ver isso! Pessoas estão entrando em nossas terras sem autorização!

Mal sabia ele que a angustia do coração só é sentida por alguém que está à beira da morte.

O rapaz havia assistido sua casa ser invadida por estranhos homens armados de foices, tochas e enxadas. Não sabia o que aquilo significava, mas ao ver o corpo estendido de sua mãe ele pressentiu que era hora de fugir. Correu para as plantações e não se deu conta de que cometia uma tolice óbvia: aonde se esconderia em meio a um campo aberto de trigo? Apenas a sorte poderia acobertá-lo se ele se abaixasse bem.

Philipe não tivera a sorte de se encolher como era preciso, suas lágrimas e imprecisão de gestos eram conseqüências da perturbação de ter perdido a mãe subitamente. Sentia-se um maldito covarde que merecia morrer por ter deixado-a na porta principal do casarão. Ela estava semimorta e não tinha falecido ainda! Talvez ainda...ela tivesse chance naquela hora!

Como um animal sem escrúpulos, ele tinha buscado refúgio para proteger a si mesmo e esqueceu-a ali. Que filho ingrato e sujo...sua mãe poderia ter sido salva ou ter morrido com ele. Qualquer um dos dois caminhos era melhor do que este que ele tinha tomado.

-Vejam! O bastardo da família está aqui! – gritou um homem com uma pesada foice refletindo a um palmo diante do rosto do menino. Philipe se encarava na frieza do metal ensangüentado e só então notou seu estado decadente. Seus olhos esbugalhados eram tão horrorosos quanto os desses mendigos armados e sua pele estava tão manchada de sangue e ódio quanto à deles. Fizeram dele um monstro em questão de segundos.

Mas acontece que ele não era um pobretão qualquer, queria gritar para informá-los: “Ei, pare! Sou eu, Philipe de Marsena! Não tente me matar ou estará encrencado com meu pai” Mas ninguém estava ali para acudi-lo ou muito menos obedecer às regras de seu pai.

Por Deus, ia morrer sem nem ao menos saber os motivos desta chacina.

-PAREM!! – ele finalmente proferiu suas palavras finais. Seu som rouco e desesperado apenas motivou mais a multidão. – PAREM! O que deu em vocês? Eu sou...sou apenas...um menino.

- E nós somos apenas mortos de fome, garoto...-murmurou um homem sujo de terra ao pé do ouvido de Philipe. Então ele compreendeu, aqueles homens estavam ali para fazer justiça.

Notas finais
Pessoal, desculpem os erros ou caso eu não tenha explicado bem o que aconteceu na história! ^^' Mas espero ter feito um bom trabalho!!

Tem continuação, viu? xD Voltem aqui pra ler!! ^^/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.