AMORES CALMOS

Mais uma vez aqui estou eu, acionando minha válvula de escape, essa folhinha e branca que me liberta mais que muita coisa. Desde sempre foram as palavras que me faziam companhia, me ouviam e me entendiam, desde sempre o som mais reconfortante para mim era o dos teclados sob os meus dedos soltando tudo o que eu sentia por dentro, mas não era corajosa o suficiente pra mostrar por fora.

É, aqui estou eu sentindo o meu coração voltar a bater forte, voltando a sentir toda a insegurança, sentindo todas as minhas barreiras construídas com tanto esforço ameaçando cair. Aqui estou eu temendo dar o segundo passo, renegando tudo novamente, querendo não me apaixonar de novo por conta de um medo que já é tão grande...

Cá estou eu com o fardo imenso de só sentir se for intenso, de ter um coração tão grande, mas tão covarde. Eu queria ser metade da pessoa que mostro ser, ser tão forte quanto me faço parecer.

Queria ter a sorte de um amor tranqüilo, mas é como dizem por ai “mar calmo nunca fez bom marinheiro” . Talvez um amor calmo não combinasse comigo, sou cheia de mais, bagunçada de mais, um caos em minha própria orbita. É, com certeza amores calmos não combinam comigo.

Não vou negar que gostaria de ter um amor calmo com você, gostaria ter muitas coisas calmas com você, outras nem tanto...Mas também não nego que gosto da incerteza, do frio na barriga e todo o jogo a que nos dispomos, o que seria de nós se tudo o que tivéssemos fossem certezas?

Gostaria de ir a um lugar calmo com você, por tanto que tudo que fizéssemos fosse estrago, gostaria de dar-te um beijo calmo, mas quando te vejo é quase impossível me conter. Gostaria de uma semana calma, com tanto que o fim de semana nos levasse a loucura. Adoraria qualquer coisa, por tanto que seja com você e só você.

Mas e você, será que gostaria de perder a calma comigo?