Ele era o tipo de pessoa que valia a pena admirar, era como uma tela inacabada da qual você vive tentando descobrir do que se trata. Parecia ter saído de um filme dos anos 90, com o seu cigarro preso aos lábios tão pervertidos quanto os pensamentos que os seus olhos denunciavam.
Parecia ter saído de um dos poemas sujos de Bukowski, seus olhos carregavam o mistério que somente Hitchcock seria capaz de descrever, seus lábios pareciam ter sido pintados por Da Vinci em seus dias de inspiração e seu corpo minuciosamente esculpido por Michelangelo.
Era a mistura perfeita de perverção e calma que só quem sabe de loucura entenderia. Era assim que me matava, quando gemia ofegante em meus ouvidos, quando me mandava parar e pior ainda quando me mandava continuar. Me matava quando mantinha cautela ou quando perdia o senso completamente.

E era assim que me mantinha na palma da sua mão, sem saber, me tinha a qualquer hora e em qualquer lugar. E eu que sempre fui tão minha, não via a hora de tornar-me completamente sua.