Amores Roubados
7 Capítulo 7
Com a viatura estacionada, David podia fazer seu relatório. Não que houvesse muito a ser dito. Exceto por mendigos e ciganos, havia poucas incidências. Storybrooke era incrivelmente pacata, o que tornava seu trabalho o menos estressante possível. Chegava a ser até maçante de vez em quando.
"Xerife Nolan?"
David levantou o olhar, e viu Mary Margareth parada ao lado do carro. Ele sorriu, colocando a prancheta no banco paralelo ao do motorista, e se levantou, fechando a porta do carro.
"Como posso ajudá-la, senhorita Blanchard?"
"Eu... acredito que temos um problema com uma das crianças. Há uma onda de pequenos furtos sendo feitos entre elas, coisas pequenas como lanches, canetas e adesivos."
"A senhorita vai prestar alguma queixa?" — Riu David, encostando-se no carro e cruzando os braços.
"Não, é que eu achei que você... o senhor, poderia passar lá na escola quando conseguir algum tempo. Para conversar com eles, entende? Talvez se o xerife os alertar, eles percebam a seriedade desses atos."
Mary parecia pouco à vontade perto dele.
"Posso lhe fazer uma pergunta, senhorita Blanchard?"
"Sim, xerife."
"Por que você está sempre tão nervosa quando se aproxima de mim?"
"Eu... eu... talvez eu não me dê bem com figuras de autoridade. Desculpe por isso."
Ela deu uma risada breve, porém tranquila.
"Prefiro vê-la assim, sorrindo. As vezes parece que sou uma espécie de vilão ou algo assim."
"Não foi minha intenção, xerife."
"Me chame de David, por favor."
"David."
Ela gostou do som que fazia ao chamá-lo pelo nome. Mas oh não. Mary Margareth, foco! Ele é o marido da prefeita!
"Se puder passar pela escola, David, eu agradeceria muito."
"Eu irei. Fique tranquila."
Mary Margareth voltou à caminhar, com um sorriso bobo nos lábios. Ela não queria se sentir feliz, mas era impossível de evitar.
"Regina, o Robin me contou sobre a ajuda que você deu à ele e ao Roland. Muito obrigada, mesmo! Você é uma mulher incrível! Nem sei como agradecer."
Regina bebericou seu chá e sorriu para ela. No minuto seguinte, seu sorriso foi lentamente se transformando numa expressão séria.
"Marian, sei que não temos muita intimidade mas eu preciso lhe alertar que quando o Robin ligou, você já deveria ter voltado para cá. Não questiono o seu profissionalismo, mas seu marido também não sabia onde você estava. Isso faz com que eu me pergunte o que eu realmente acobertei por você."
Marian engasgou com o café, mas se recompôs. Ela cruzou as mãos em seu colo, e Regina notou isso, ligando-o à linguagem corporal da culpa/ansiedade.
"Regina, é complicado... eu..."
"Deixe-me adivinhar. Isso tem alguma coisa a ver com o Killian?"
Marian a encarou, os olhos denunciando-a. Regina concluiu seu pensamento.
"Honestamente, o Killian não é um investimento... ele é o maior galinha da cidade."
"Foi só um beijo, eu juro! Uma grande besteira. Estávamos conversando e de repente, ele já estava me beijando, eu praticamente não tive tempo de reagir. Eu juro que foi só isso."
"Marian, você não precisa me jurar nada. Quero dizer, é a sua vida, o seu casamento."
"O Killian é muito sedutor, foi tudo uma aventura. Quem não vive uma aventura no casamento, não é?"
"O Robin sabe disso?"
"Não." — O rosto de Marian se fechou em questões de segundos. "E espero que não fique sabendo. Você foi a única pessoa a quem contei."
"Você não acha que ele merece saber?"
"Se o casamento é meu, porque você está tão preocupada?"
"Não estou", Regina a encarou com um semblante de desinteresse. "Mas se fosse o meu marido, eu iria gostar de saber."
"Bom, mas não é. Como eu disse, foi só uma aventurinha de nada. Um beijo. Não é como se eu tivesse dormido com o cara."
Regina voltou a beber seu chá, e não tocou mais no assunto.
David não sabia o porque estava fazendo aquilo. Era uma grande besteira. Sentado na balança do playground das crianças, conversando com ela. Balançando como se tivesse 10 anos de idade. Mas algo parecia genuíno quando se tratava de Mary Margareth Blanchard. Algo fazia com que ele se sentisse bem.
"Acho que as crianças ficaram um pouco assustadas com você, David."
"Comigo? Eu estava fazendo o papel de policial bonzinho!"
"Acho que você não serve para o ramo das artes cênicas."
Ele gargalhou e ela o olhou por um tempo. David parecia um garoto quando sorria, seu cabelo caía para o lado, os olhos brilhavam. Eles estavam conversando há horas, e era como se fossem amigos desde a infância. Havia uma aura de conforto e tranquilidade entre eles.
"Você não tem namorado, Mary Margareth?"
"Não, eu me mudei para cá depois de terminar um relacionamento de anos."
"Oh."
David percebera a sua burrada, e tentou consertar.
"Bom, quem perdeu foi ele."
Mary Margareth ainda mantinha a cabeça abaixada, e David podia ver que a lembrança mexia muito com ela. Ele se levantou e ajoelhou na frente dela, segurando-lhe o rosto com carinho.
"Não sofra por alguém que não lhe merece, Mary. Você é uma mulher bonita, inteligente, charmosa... vai encontrar um homem que a faça sentir amada e admirada todos os dias da sua vida. Alguém que complete sua felicidade. Então, esqueça o que passou e continue em frente, tudo bem?"
Ela olhou para ele, e eles se mantiveram assim por um longo tempo. Nenhum dos dois podia acreditar na intimidade daquele momento. Mas repentinamente, David recobrou a consciência moral e a soltou, levantando-se.
"Eu preciso ir. Regina deve estar me procurando."
"Tudo bem."
"Você vai ficar bem?"
"Vou sim. Não se preocupe, David."
"Se precisar de algo, você tem meu telefone."
David se debruçou e beijou-a na bochecha, afastando-se.
De longe, Robin assistia toda a cena.
"Querido, que demora! Achei que não ia encontrá-lo antes de dormir!" — Gritou ela, enquanto escovava os dentes.
David, lá de dentro do box, respondeu.
"Eu passei pela escola para dar uma palestra sobre roubos."
"Devo me preocupar com o aumento no índice de criminalidade dessa cidade?"
"Só se roubo de lancheira for considerado crime grave."
Ela sorriu e terminou de enxaguar a boca, colocando a escova sobre o suporte. A calça de David estava caída perto do box, e ela a pegou, pendurando sobre o gancho na parede. Do bolso frontal, caiu um papel.
Mary Margareth 777- 89895
Regina fitou o papel por alguns segundos, e depois o colocou de volta. Abalada, ela saiu do banheiro e se deitou na cama, pensativa.
Talvez Marian não fosse a única a ter aventuras no casamento.
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