Amores Roubados
38 Capítulo 38
Regina entrou no apartamento, e se deparou com Ruby sentada no colo de Graham. Felizmente, estavam vestidos e Graham a encarou, enquanto Ruby sorriu e saiu do colo dele.
“Desculpe.”
“Relaxem, eu vou para o quarto.”
“Não!” Ruby segurou-a delicadamente, entrelaçando seus dedos nos dedos dela. “Quero te dar uma notícia.”
“Pelo amor de Deus, não me diga que está grávida Ruby Lucas.”
Ruby gargalhou.
“Nossa, Regina! Que exagero! Não, não estou grávida.” Graham levantou-se e abraçou Ruby por trás, beijando o topo de sua cabeça. “Nós vamos morar juntos.”
“Aqui?”
“Quê? Aqui?” Graham suspirou. “Esse apartamento mal comporta nós três. Eu vou comprar uma casa, grande e espaçosa.”
Regina sorriu e pegou um copo que estava sobre a mesa, preenchendo-o com o suco que estava na jarra. Ruby aproximou-se dela.
“Tudo bem? Foi informação demais?”
“Não, sua boba!” Regina sorriu, abraçando-a. “Eu fico feliz por você, Ruby. É bom vê-la tão feliz e saber que tem alguém cuidando de você.” Regina se curvou para o lado e o encarou, apontando-lhe o dedo indicador. “E você. Cuide bem dessa garota ou eu sou capaz de matar você com o meu picador de gelo. Está claro?”
“Mais claro que água.”
“Quando você se muda, dear?”
“Eu vou leva-la comigo hoje.” Respondeu Graham.
“Quer dizer que tenho o apartamento todo para mim?”
“Para você e para o Robin.” Brincou Ruby.
O sorriso desapareceu do rosto da prefeita.
“Não conte com isso.” Resmungou ela. “Me deem licença.”
Ruby e Graham trocaram um olhar de cumplicidade.
“Eu falo com ela.” Ruby deu um beijo leve nos lábios dele, e a seguiu para dentro do quarto.
“Regina?”
Ruby a encontrou de pé, fuçando na arara repleta de roupas penduradas.
“Regina, fale comigo.”
“O que você quer saber, Lucas?” A dor na voz dela era palpável, mas as lágrimas escorrendo de seus olhos eram mais.
“O que houve com vocês? Pensei que agora que David e você estão se divorciando...”
“Eu também pensei.” Respondeu Regina, permanecendo de costas para ela. “Achei que Robin era mais honesto do que isso. Depois de tudo que passamos. Que ia se despedir como um homem. Que ia me dar alguma satisfação antes de voltar para aquele pano de prato velho que ele chama de esposa.”
“Ele voltou com a Marian? Mas isso não faz sentido nenhum.”
“Não é pra fazer sentido, dear. A vida é assim mesmo. Cheia de merdas.”
Regina vestiu uma saia preta e uma camisa social branca. Calçou seus saltos, jogou o cabelo para o lado e andou até o espelho. Ela reforçou o batom vermelho, e virou-se para Ruby.
“Regina, você não pode fingir que é inatingível. Você é humana, caramba.”
O telefone dela tocou e Ruby se debruçou sobre a cama, pegando-o.
“É o Robin.” Sussurrou ela.
Regina pegou o celular da mão dela e jogou-o na bolsa, deixando-o tocar.
“Não vai atender?”
“Eu já sei o que ele quer me contar. Não tenho tempo para isso.”
“Regina.”
“Eu sou Regina Mills, dear. Não tenho tempo para 'sofrer por amor'. Tenho uma cidade para comandar.”
Ela deu um beijo na bochecha da ruiva e saiu.
Emma olhou para o relógio.
Porque diabos Henry ainda não tinha descido para o almoço?
Ela o chamou mais uma vez, e não obtendo resposta, subiu as escadas até seu quarto. Abrindo a porta, notou-o enrolado nas cobertas, o volume inconfundível por baixo de seu edredom estampado pelo Mickey. Ele estava dormindo? Esse menino ia levar uns tapas!
Quando puxou o edredom, tudo que Emma encontrou foi uma porção de travesseiros empilhados. E um bilhete, colocado por cima daquele livro irritante sobre Contos de Fadas que Regina havia dado para ele.
“Mãe.
A senhora vai estar ocupada demais e só vai ler esse bilhete muito tempo depois de eu ter saído. Como sempre.
Estou indo para a casa da Regina. Vou morar com ela. Acho que ela me entende melhor do que você. E ela tem mais tempo para mim. Não me leve a mal, você é minha mãe e é legal, mas eu me sinto mais amado e especial quando estou com ela.
Obs: Eu levei o tablet e o walkman comigo.
Henry Swan.”
Era só que faltava, pensou ela.
Robin estava com o celular na orelha enquanto subia as escadas para o apartamento de Ruby. Regina não o atendia. O que estava acontecendo com ela? O que diabos ele havia feito para ela?
Ele estava ofegante quando chegou ao andar de Ruby.
Pôs o celular no bolso e bateu violentamente contra a porta.
“Regina! Abra essa porra agora!”
Ele ouviu o barulho das chaves do lado de dentro, e encostou-se no batente, tentando se recuperar das escadas.
“Robin?”
Graham estava parado à sua frente, vestindo apenas uma cueca samba-canção azul, bem folgada. O cabelo bagunçado e uma gravata amarrada em um dos pulsos.
“A Regina está?” A voz dele saiu contida, ríspida como concreto seco. A raiva era quase palpável, assim como o ciúme.
“Não. Saiu para trabalhar.” Respondeu Graham com um sorriso.
Robin o olhou de cima a baixo e virou-se, sem sequer falar nada. Colocou o celular de volta à orelha, e discou o número dela.
“De nada! E bom dia para você também!” Gritou Graham.
Robin levantou o dedo médio e o mostrou para ele, segundos antes de entrar no elevador.
“Quem era?” Ruby surgiu atrás dele enrolada em um lençol.
“Robin.”
“Robin? Porra! Precisamos ligar pra Regina! Ele não foi embora! Ele...”
Graham a agarrou, fechando a porta atrás deles com o pé e prensando-a contra a parede.
“Ele está indo atrás dela agora.” Respondeu ele, sorrindo maliciosamente.
Ruby assistiu a mudança nas feições dele. Fuck. Ele tinha aprontado alguma.
“Graham, o que você fez?”
“Eu fiz o que precisava ter feito. Acredite, Regina vai me agradecer por isso um dia.”
Regina estava sentada na sua cadeira, tentando resolver as licitações de compra pública quando seu celular tocou pela milésima vez. Ela apenas olhou para a tela, e vendo que era Robin, continuou ignorando. Já era talvez a milésima chamada naquele dia. Mas ela se recusava. Não ia ser dispensada pelo celular. Ah não! Regina Mills, prefeita, rainha, levando toco do namorado em uma ligação de 40 segundos? Jamais.
Ela alongou o pescoço, e o telefone tocou novamente, mas ela nem se deu ao trabalho de responder. Sabia que era ele.
“Por que você não atende essa porra de telefone?”
Seu corpo todo se congelou de uma maneira que ela jamais tinha presenciado. Ele levantou os olhos e o viu ali, e aquilo parecia uma alucinação poderosa. Ele estava usando a mesma roupa com a qual ela o havia visto no aeroporto. Robin estava sério, e pelo semblante, podia-se sentir a raiva que queimava por dentro daquele colete de couro cru.
“Responda.”
A voz dele a arrepiava. Regina ainda estava paralisada pela presença dele. Robin aproximou-se dela, pegando o celular dela de cima da mesa, enquanto ela apenas o seguia com o olhar incrédulo. Ele estava ali. Ele não tinha ido viajar? Provavelmente viera se despedir dela.
“Porque” A voz dele sibilou aveludada de ódio, balançando o aparelho na frente dela. “você está ignorando minhas ligações? Porque não atende essa porra, me diz?”
Regina respirou fundo, a garganta ainda seca. Era difícil respirar, principalmente quando a proximidade com ele fazia com que a garganta rangesse como se estivesse cheia de areia. Ele levantou-se e andou até ele. Porque você é um covarde que enfiou o pau na sua ex-mulher. Porque ia embora sem me dizer sequer tchau. Ela mordeu o lábio inferior.
Ele sorriu incrédulo.
“Não morda essa porra de lábio perto de mim.”
“Então saia.”
“Eu não vou sair.”
“Devolva meu telefone.”
“Pra quê? Você não atende essa merda mesmo. Ou é porque quer mandar alguma mensagem para o Graham? Ele vai preparar a cama para vocês?”
Graham? Do que ele estava falando?
“Meu telefone, Locksley.”
Ele sentiu o gelo por trás daquele uso incomum de seu sobrenome. Não. Ele não ia permitir.
Chacoalhando o aparelho no ar, ele sorriu amargamente para ela. “É essa merda que você quer?”
“É.”
Robin jogou-o contra a parede, violentamente. O barulho resultante do impacto foi alto o suficiente para ambos saberem que era um caso perdido. Estava definitivamente moído, destruído, aos pedaços. Regina observou-o com desprezo, olhando para o que restava do seu aparelho no chão.
“Muito a sua cara, Locksley. Típico de um homem que veio do meio do mato.”
“Cale a boca.”
“Cale a boca você seu fazendeiro de merda nenhuma.”
Robin segurou-a pelo maxilar com apenas uma mão, puxando-a para perto.
“Pare de me provocar. Eu já conheço os seus truques. Você é uma mentirosa, Regina. Uma manipuladora.”
Aquilo era demais.
“Manipuladora? Mentirosa? Quem é você para falar de mim seu ladrãozinho de meia tigela?!”
Regina estendeu a mão e mirou-a contra o rosto de Robin. Porém, ele estava preparado para o ataque e com um movimento rápido e certeiro, conseguiu segurar a mão dela, imobilizando-a e puxando contra si com força. Ele usou tanta força que Regina chocou-se contra ele, perdendo o ar. Ele a mantinha presa contra ele segurando-a pelos dois pulsos agora, e eles estavam tão próximos que ela conseguia sentir o perfume dele invadindo-a. Poucos centímetros os separavam e pela maneira que o olhar dele caiu sobre os lábios dela, ela soube que ela precisava se distanciar ou eles iam acabar transando ali mesmo.
“Me solta, Robin.”
“Ah, agora eu sou Robin?”
“Escuta aqui”
“Escuta aqui você. Nós vamos conversar. E vai ser agora.”
Fale com o autor