Flashback on

“Se eu pudesse escolher” Comentou Henry, vestido com a camiseta promocional do filme e um copo que era brinde da pipoca. “escolheria ser o Rocket.”

“O guaxinim?”

Regina riu e enrolou a echarpe em volta do pescoço. Já estava esfriando àquela hora da noite.

“Sim, mas por causa da inteligência dele. Ele era o mais esperto de todos.”

“Verdade.”

“E você seria...”

“Gamora?”

“Se identificou?”

“Que opções eu tinha?” Riu ela. “Nebulosa? Ou as esquisitas cor de rosa?”

“Eu concordo com você ser a Gamora. Ela é durona, tem pose de má, mas no fundo é um doce. Se importa com os outros.”

“Doce? Henry, Henry... eu sei a palavra que está pensando.”

“Juro que não!”

“Talvez eu seja um pouco Gamora. Confesso.”

“Minha mãe está mais para Ronan.”

Regina deu leve tapa no braço dele.

“Henry! Calma aí. A Emma pode ser muitas coisas, mas não é como o Ronan. Ele era um fanático político assassino e impiedoso.”

“Quase igual.”

“Henry. Não sei os problemas que você tem com a Emma, mas você precisa respeitá-la. É a sua mãe. Ela deu a vida à você e lhe dá tudo o que você precisa, dear. Me promete que vai respeitá-la, mesmo se não gostar muito do que ela lhe disser?”

“Tudo bem.” Respondeu ele, com a voz emburrada.

“Eu sei que você vai fazer isso. Você é um garoto incrível e especial, dear. É como um filho para mim.”

Flashback off

Ruby estava na biblioteca, com a cara enterrada em um livro sobre psicologia clínica. A biblioteca estava vazia, como sempre ficava. Ela não se importava, gostava do silêncio. Por isso previu o perigo quando ouviu o tilintar dos saltos contra o chão laminado de madeira.

“Olá, queridinha.”

Ruby não respondeu. Fechou o livro, e ergueu o corpo, mas Zelena a interrompeu.

“Não saia. Eu vim até aqui para falar com você.”

“O que você quer, Zelena?”

“Eu vim lhe avisar pela última vez. Fique fora do meu caminho, criança.”

“Não me lembro de ter me colocado no seu ‘deslumbrante’ caminho.”

Zelena riu.

“Você é corajosa, menina.”

“E você não é tão intimidadora quanto pensa que é.”

“Vejo que a Regina andou lhe dando algumas aulas.”

“Talvez. Ou talvez eu tenha descoberto a fraude que você é.”

“Porque bateu um papinho com aquela velha caquética e demoníaca da Carmelia? Me poupe. Nem ela nem John Carter tem provas de nada.”

“Eles não precisam. Conseguem te deixar vulnerável. E isso é o suficiente para te derrubar.”

“Você acha que vai me derrubar?”

“Se não existisse esta chance, você não viria até aqui.”

Zelena baixou o olhar e leu a capa do livro que ela estava lendo.

“Está tentando me estudar, caloura?”

“O mundo não gira em torno de você. Eu posso ler um livro apenas porque eu quero.”

“É o seguinte, Ruby. Você vai parar de investigar a minha vida. E de Wale. Vai parar de perguntar a meu respeito, vai parar de bisbilhotar meu currículo e meu passado.”

“Você que vai me impedir?”

“Você vai se impedir. Você não quer que a sua querida Regina saiba do seu relacionamento com o Robin, quer? Quer que ela saiba do cachorro?”

“Eu nunca tive um relacionamento com ele.”

“Ela não sabe disso. Vai ser extremamente fácil armar uma situação e plantar a discórdia na cabeça dela. Ou vai que você acorda na cama com o marido dela? Já pensou em como isso mudaria as coisas?”

“Você é idiota? Ela jamais acreditaria nisso!”

“Assim como ela não acreditou cegamente que o Robin tinha te levado para a cama? A Regina é manipulável. Basta apertar aqui e ali, querida. Ela vai te prender em um buraco qualquer e você nunca mais vai ver a luz do sol.”

“A Regina é muito inteligente para cair nos seus joguinhos.”

“Mas ela acha que o que ela contou para você é confidencial. Se isso escapa, quem você acha que ela vai culpar? Se de repente todo mundo ficar sabendo que ela transou com o Robin, acha que ela vai atrás de quem?”

Ruby abriu a boca, mas as palavras sumiram, deixando-a com um som inaudível preso à garganta. Ela tinha razão. Regina tinha contado para ela, confiado nela. Se isso viesse à tona, ninguém acreditaria que não fora ela que contara. Zelena gargalhou, o som preenchendo os espaços vazios do lugar.

“Agora me escute bem, projetinho de Mata Hari. Você vai se livrar de tudo que me compromete, vai voltar para a casinha de cachorro que a Regina fez para você e fechar essa boca. Esqueça tudo o que descobriu a meu respeito. Esqueça tudo que ouviu, leu, conversou. E fique longe do Robin também. Quando eu acabar com a Regina, você vai querer que eu esqueça a sua existência, está me entendendo? Fui clara o suficiente?”

A voz de Regina dominou o ambiente, fazendo com que os pelos da nuca de Zelena se arrepiassem.

“Mais clara que a água.”

Zelena e Ruby a encararam, parada no vão da porta com um semblante de completo ódio.

“Ruby, pegue suas coisas e vá para casa imediatamente.”

“Gina, eu...”

“Ruby.” A voz de Regina era gélida e assustadoramente firme. “Vá para casa.”

Ruby pegou o livro e colocou sobre o colo, junto com seu caderno. Sem olhar para nenhuma delas, colocou a bolsa no ombro e saiu. Sequer se despediu de Regina. Ela encarava Zelena com tanta raiva que até Ruby sentiu medo.

Uma vez que Ruby estava fora de alcance, Regina entrou com passos lentos.

“Corajosa você, Zelena. Ameaçar essa menina de novo? Sabendo que está sobre os meus cuidados?”

Zelena manteve-se em silêncio. Regina caminhou ao redor dela, passando a ponta dos dedos sobre o título dos livros.

“Sabe... Zelena, eu estava esperando por esse momento. O momento em que eu iria lhe encontrar. Todo esse tempo fomos intercaladas por terceiros, nunca pessoalmente. Nunca tive a oportunidade de ver o rosto por trás de cada ataque, o rosto por trás de cada golpe. Não sabia quem eu estava enfrentando. “ Regina deu a volta na mesa, ficando de frente para ela. Ela apoiou as mãos contra a mesa, inclinando-se e ficando um pouco acima de Zelena. “Até agora.”

“Decepcionada?”

“Não, na verdade. Quer dizer, eu esperava mais do que um casaquinho batido da estação retrasada da Balenciaga. Mais do que botas cuissarde. Mas, é de se esperar. É difícil achar um adversário à altura.”

Zelena levantou-se e tentou se dirigir à saída. Regina colocou-se na frente, esticando a mão e colocando-a contra a estante, bloqueando a saída.

“Eu ainda não terminei.”

“O que você quer Regina?”

“Entender, dear. O que você pretende? O que o Wale tem contra a minha mãe?”

Os olhos de Zelena arregalaram-se.

“Como você sabe disso?”

“Eu sei de tudo que preciso. E você vai me dar respostas.”

Regina pegou um dos livros, e com as duas mãos, bateu tão forte contra o rosto dela que a derrubou no chão.

“Comece a falar se não quiser mais.” Sibilou Regina, o asco escorrendo de cada sílaba.

“Calma” Sussurrou Zelena limpando o sangue do lábio inferior com a face posterior da mão. “Sua mãe matou a mãe dele e mandou o pai para a cadeia. Você sabe bem que sua mãe era uma cadela.”

“Ele tem motivos para me odiar. Entendo. Mas você, Zelena, você nunca teve. Você não me conhecia. Você não conhecia minha família, Ruby, Joseph. E foi adiante, mesmo assim.”

“Você também não é nenhuma santa.”

“Eu machuquei a sua família?”

“Eu...”

“Eu” Falou mais alto e mais firme. “machuquei sua família?”

“Não.”

Zelena tentou se levantar, mas Regina a acertou novamente com o livro. Bateu tão forte que Zelena caiu no chão novamente, sentindo o ouvido formigar e ouvindo um zumbido terrível. Regina sentou-se por cima dela, imobilizando seus pulsos com os joelhos.

“Você vai ter o que merece, e vai ser agora sua vagabunda. Esse...” Regina bateu violentamente contra o rosto dela usando o lado posterior da mão. “É pela Ruby.” Outro tapa, cheio, com a mão aberta, levou o rosto de Zelena para o outro lado. “Esse é por ela ter cortado os pulsos por tua culpa.” Zelena tentou forçar o corpo contra Regina, mas a mão de Regina acertou seu rosto novamente. “Esse é pelo David.” Outro tapa. “Esse é pelo jornal.” Mais um. “Esse é pelo Joseph.” Ela bateu novamente, sua mão já formigando – mas ela não ia parar. “Esse, é pelo Robin.” Regina respirou fundo. Com força, desferiu mais um. “Esse é pelo Wale.” Regina segurou-a pelo queixo, o rosto começando a sangrar, vermelho e provavelmente doendo como um inferno. “Tome cuidado ao mexer comigo ou da próxima vez vai ser pior.”

Zelena tomou um pouco de ar e cuspiu o sangue na cara dela, rindo.

“Sua vagabunda.” Resmungou Regina, limpando o rosto. Zelena a empurrou, e tirou-a de cima dela, mas Regina segurou a perna dela, derrubando-a. Zelena acertou um tapa no rosto de Regina, que levantou com o rosto formigando e acertou um soco certeiro no rosto da ruiva. Zelena estava prestes a levar outro quando Robin apareceu e segurou Regina.

“Regina! Pare com isso!”

“Essa vagabunda que começou tudo! Ela tem sorte de eu não matá-la.”

Mas Zelena já havia desaparecido. Robin segurou o rosto dela com as duas mãos.

“Gina, você está sangrando?”

“Não.” A voz dela indicava o cansaço que sentia. “É sangue daquela vadia.”

“O que você pretendia? Espancá-la até a morte?”

“E se fosse? O problema é meu!”

“Eu não desisti da prefeitura para ver você atrás das grades.”

Regina desvencilhou-se dele. Ela limpou o rosto e arrastou-se até a mesa, sentando-se.

“Como nos achou?”

“Ruby. Ela ficou preocupada.”

“Comigo?”

“Com o que poderia acontecer com a Zelena.”

Regina sorriu.

“Acho melhor eu ir pra casa. Meu rosto está ardendo.”

“Não tanto quanto deve estar doendo o da Zelena.”

Ela olhou para ele com uma careta cômica e caminhou até a porta. No entanto, quando chegou à porta, encontrou Emma debruçada sobre Zelena com uma bolsa de gelo. Emma levantou o olhar para ela, furiosa.

“Delegacia. Agora.”

Regina revirou os olhos e Robin ofereceu-se para acompanhar Regina. Ela pensou em negar-se, mas naquela situação toda, era melhor estar com ele do que com ninguém.

Sala de depoimentos.

“Então a Regina te bateu sem motivo nenhum?”

“Ela é louca! Porque ninguém a prende de uma vez? A mulher é uma psicótica assassina! Ela não pode cuidar de uma cidade!”

“Porque você estava na biblioteca?”

“Como?”

“Você não recebeu nenhuma ligação, mensagem ou recado para ir até lá. Rastreamos tudo. A questão é: o que você foi fazer lá?”

“Eu quero fazer uma ligação.”

Sala de depoimentos.

“Cadê o meu marido?”

“Você está sendo acusada de várias coisas, Regina. Esqueça o David por um minuto.”

“Ele ainda é o xerife, certo?”

“Sim.”

“E por que não está aqui?”

“Você é a mulher dele, não eu. Pergunte para ele.”

Regina respirou fundo e cogitou onde ele poderia estar. Ele deveria estar trabalhando.

“Quanto tempo vou ficar aqui?”

“O quanto de tempo que for preciso para entender o que aconteceu dentro daquela biblioteca.”

Regina bocejou enquanto revirava os olhos.

“Ela caiu com a cara na prateleira, sei lá.”

Emma sorriu, amargamente.

“Quer que eu acredite nisso?”

“Se minha cliente diz que foi assim, foi assim.” Graham entrou na sala vestido com um terno escuro, bem cortado. Ele entrou um papel para Emma, continuando seu discurso. “Esse habeas corpus libera minha cliente de todo tipo de acusação. Zelena tem um passado de manipulação e diversos problemas com a realidade, não tendo credibilidade nenhuma perante a lei.”

Emma apenas consentiu, sem palavras.

“Pode ir, Regina.”

“Por que fez isso?”

“Sou seu advogado.”

“Eu demiti você. Na verdade, você tem bons motivos para querer meu nome na lama.”

“Mas você pode me dar algo que eu quero.”

Regina encarou-o, desconfiada.

“Conversamos depois, Regina.”

“Obrigada.”

“Não agradeça. Eu vou te cobrar por isso.”

Graham acenou com a cabeça e se afastou.