Amores Roubados
8 Capítulo 8
Regina pensara durante toda a manhã sobre a descoberta que fizera a respeito de seu marido e sobre Marian. Ela sabia que tinha sido hipócrita com respeito à mulher que trabalhava para ela, mas ela queria acreditar que uma traição da parte de Marian significava que o beijo deles não fora uma canalhice tão grande.
Por mais que negasse, ela sabia que estava se apaixonando. E em algum momento, seria colocada à prova.
Era uma grande noite em Storybrooke. O festival da prosperidade acontecia todos os anos e era um verdadeiro evento para os cidadãos; havia barracas de artesanato, alimentação, jogos, brincadeiras e até mesmo um pequeno palco onde bandas locais se apresentavam. Todo o perímetro era delicadamente iluminado, fios de led e lâmpadas penduradas.
David estava encostado na barraca onde Mary Margareth estendia os preços. Ele observava o movimento enquanto segurava o rádio na mão direita. Apesar de ser uma festividade, a polícia precisava trabalhar.
De longe, Regina observava David. Grudado nela, novamente. Regina não estava possessa, mas também estava longe de estar feliz. Um misto de ciúmes e mágoa a rondava, ela não sabia se era pelo fato do marido estar interessado em outra, ou porque ele era mais honesto com respeito ao que sentia do que ela.
"Precisa de ajuda, prefeita?"
Graham.
Fazia séculos que ela não o via. Desde que haviam sido namorados, para dizer a verdade.
"Graham!" – Exclamou ela, soltando a caixa que segurava e abraçando-o, feliz. Ele a abraçou de volta, braços firmes ao redor da pequena cintura. "Você desapareceu! Quando chegou à cidade?"
"Cheguei ontem. Cara, você está deslumbrante!"
Regina sorriu para ele. Graham também estava incrivelmente lindo. O rosto se endurecera, a barba o deixara mais sexy. Ele vestia um terno muito bem cortado por baixo da jaqueta de couro.
"Você também não está de se jogar fora, Graham."
Ele pegou uma das caixas e a acompanhou.
"Eu soube que você se casou com o xerife. É algum tipo de fetiche?"
Ela gargalhou, e começou a estender as lonas da barraca.
"Talvez seja."
Graham sentou-se na bancada. Ele olhou em volta, o movimento, as pessoas rindo, a música ambiente tocando.
"E como estão as coisas aqui nessa cidade? Eu sinto falta daqui."
"Você sabe... as coisas não mudam muito por aqui. Pessoas se vão e outras chegam. Você vai ficar até quando?"
"Não sei... estou a passeio. Não tenho pressa em ir embora. Cara, isso é um cappuccino da Granny?" – Perguntou ele, apontando para o copo apoiado sobre a mesinha regulável.
"É sim."
"Deus do céu! Eu estava morrendo por um desses! Já é meu."
Antes que Regina se pronunciasse, ele se levantou e tomou um longo gole. Regina gargalhou.
"Você está me devendo um cappuccino."
"Eu pago, mas não largo esse copo."
Encostados na bancada, eles estavam bem próximos. Os braços roçando um no outro, como nos velhos tempos. Era ótimo estar em casa e para eles, "casa" representava o carinho de alguém que fizera parte do seu passado, de uma parte feliz do passado. Algo que merecia ser considerado com carinho.
"Graham?"
Eles tiveram a atenção roubada por David.
"David!"
Graham o cumprimentou, e Regina notou os sinais de uma previsível irritação na maneira como David sorriu.
"Se importa se eu roubar a minha mulher por alguns minutinhos?"
"Não se trouxer ela de volta."
Sorrindo, David estendeu a mão à Regina e a guiou para longe dali.
Atrás de uma árvore, na lateral esquerda do parque, David a abordou.
"O que é isso, Regina?"
"Defina isso."
"Regina... estou falando sério."
"Eu não estou brincando, David. Por que você está tão irritado?"
"Talvez porque o ex-namorado da minha mulher voltou para a cidade e já está trocando sorrisinhos com ela dentro de uma barraca."
Regina riu, descruzando os braços.
"Sério? Toda essa cena é porque você está com ciúmes do Graham?"
David a segurou pelo braço com firmeza, mas sem machucá-la.
"Regina, não brinque comigo."
"Ah sim. Eu não posso brincar com você, mas você pode tirar um sarro da minha cara? Você está achando que eu sou a Abigail, David?"
"O que a Abigail..."
"Você está insinuando que eu estou dando mole para o Graham?"
David a encarou, sem responder.
"Ele é meu amigo, David. Ele foi meu namorado por anos. Além do mais, você não tem moral nenhuma para me cobrar."
"Como não? Eu sou seu marido."
"Se fosse um marido tão bom quanto eu sou como sua esposa, eu não encontraria o telefone da Mary Margareth no bolso da sua calça."
David arregalou os olhos, e Regina sequer esperou para ver sua reação. No minuto seguinte, ela já tinha sumido.
Robin estava caminhando pelo corredor do festival, sozinho. Marian não queria sair de casa grávida, e foi o mesmo comportamento quando ela estava grávida de Roland. Ela tinha um cuidado extremo com a gravidez, cuidava da sua saúde, da sua segurança, da sua alimentação...
E ele voltava à rotina de passeios solitários. Não que ele reclamasse. Ultimamente, ele preferia ficar sozinho. Não sabia o que pensar sobre a gravidez de Marian, sobre sua relação atribulada com a Regina, com sua amizade com David. Querendo ou não, ele passava bastante tempo com o xerife, e o conhecia melhor a cada dia. David era um cara muito legal, com uma criação legal e com muito caráter. Ele era um bom profissional, bom marido, bom amigo. Quanto mais o conhecia, mais Robin se odiava por cobiçar a mulher dele.
Infelizmente, ele não conseguia parar.
O que ficou pior quando ele atravessou o parque e a viu, conversando no canto com um homem alto, bonito e com o qual ela parecia ter uma intimidade enorme. O homem acariciava o rosto dela, e ela consentia. Robin sentia seu sangue pegando fogo.
Eles se despediram, com o estranho beijando-a demoradamente no rosto. Quando Regina começou a caminhar na direção onde ele estava, Robin afastou-se. Quando ela passou por ele, ele notou que ela tinha chorado.
"Regina?"
"Hoje não, Robin."
"Regina, eu só quero ajudar."
"Você não pode me ajudar! Nós começamos essa merda toda, Robin! Agora meu marido está fazendo comigo o que eu fiz com ele, e sabe de uma coisa? Isso dói. Do mesmo tanto que vai doer quando você souber que sua mulher fez a mesma coisa." Ela começara aos berros, mas quando chegou nas ultimas palavras, falava tão rápido como se estivesse cuspindo as palavras.
"Minha mulher fez o quê?"
Merda. Com os olhos ainda marejados, o rosto lavado pelas lágrimas, Regina sentiu a boca do estômago doer tanto como se ela tivesse levado um soco ali. Robin a encarava, esperando uma resposta.
"Responda, Regina. O que você sabe sobre a Marian que eu não sei."
"Seu casamento não me diz respeito, Robin."
Robin pensou na cena que vira entre David e Mary Margareth. Ele não teria coragem de dizer à ela o que tinha visto, então não podia cobrar que Regina contasse à ele o que quer que fosse. Ele já sabia que havia algo a ser dito, e isso já era demasiadamente preocupante.
"Eu não posso cuidar do seu casamento. Agora, preciso me concentrar em consertar as rachaduras do meu."
Regina evitou o olhar dele e continuou caminhando, em silêncio, através das barracas iluminadas.
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