"Acordei hoje o homem mais feliz do mundo.

Mas antes, me permitam dizer: Bora Bora é o lugar mais romântico do mundo. Faz com que você se apaixone, faz com que seu coração flutue sobre a água cristalina e que doure sobre a areia branca. Não somente porque me trouxe a oportunidade de ver Regina Mills deitada sobre o por do sol banhado pelo mar caribenho. É uma vantagem imensurável, mas não somente.

Mas porque, deitado ao lado dela, tive a oportunidade de relaxar o suficiente para pensar minuciosamente em todos os segundos que me levaram até ali.

De lembrar o calor que me preencheu ao ouvi-la pedindo que saísse da sua frente, na Grannys. Da atração irresistível que me levou a tocá-la, na porta da sua casa. Da paixão avassaladora que me obrigou a beijá-la na beira da estrada. Eu nunca havia me sentido daquele jeito por ninguém. Era errado e atormentador, mas era só Regina aparecer — como na prefeitura, quando descobri a gravidez de Marian. Eu jamais esquecerei a maneira que ela me olhou. Se eu não tinha certeza dos sentimentos dela até então, a partir dali eu tive.

Por muito tempo, tudo o que eu obtinha dela eram olhares. Olhares que me perturbavam, pois parecia que ela via através das minhas atitudes, que ela sabia quem eu era. E era inquietante. Eu jamais conseguiria conversar com ela sem levantar alguma suspeita e até sem conversar, já nos entregávamos.

Ela se esforçou tanto em tentar me afastar... Mas eu não tinha mais como voltar atrás. Amar Regina era um caminho sem volta, e ela facilitava esse processo. Assim como facilitava odiá-la. Regina se tornou meu vício. Por pior que fosse, por mais danosa, prejudicial, e tóxica fosse a sua presença — a ausência era ainda pior. Era como se o meu corpo vivesse uma abstinência severa de um ingrediente químico.

Mentiria para vocês se dissesse que fui altruísta o tempo todo. Não fui. Enganei minha esposa, enganei um amigo, fui ordinário, infiel e intimidante. Sabia que David estava se aproximando da senhorita Blanchard e torci internamente para que eles se envolvessem e ele deixasse Regina livre. Cruel da minha parte, mas a minha necessidade por ela era muito, muito maior.

Eu respirava Regina. Ela estava na minha mente, no meu coração, nos meus sonhos. E quanto mais eu me esforçava em evitá-la, mais próximo eu ficava. Era como se ela fosse um ímã magnetizado e eu era a pobre pedra de alumínio que era simplesmente arrastada para ela. Não havia mais vontade própria. Éramos nós e a necessidade de um pelo outro. O fogo que ardia em nossas veias quando nossos corpos se encostavam.

Eu tentei resistir, mas se trata de Regina Mills e ela é irresistível. Ela é feita de um material resistente e com uma doçura sobressalente — você a está odiando e de repente surge um novo fato do misterioso passado dela, e pronto: lá está você amando-a novamente. Era assustadora a frequência com que eu me via nessa montanha russa de sentimentos.

Por outro lado, eu quis desistir. Queria parar de sofrer com a indecisão dela. Regina tinha laços que a atavam a David. E ela não tinha forças para desfazê-los.

Mas desistir nunca fora uma opção. Mesmo se eu quisesse. Eu sabia que se eu decidisse ir embora, meu coração me obrigaria a voltar em busca dela. Ele inventaria uma desculpa para me colocar em seu caminho. Para continuar por perto. Nosso timing sempre foi horrível e no momento em que ela finalmente me escolheu e aceitou meu amor, fomos parar no pronto socorro de um hospital. A vida é uma cadela quando se trata de amor. Passamos por tantos processos complicados, apenas porque o amor nos faz sentir bem o suficiente para aguentar a dor. E dói, como dói.

E doeu por muito tempo, até que eu me tocasse que eu estava errado. Até eu perceber que eu não sabia como amar, não muito bem. Aprisioná-la dentro do meu ciúme não ia fazer com que ela me amasse mais. Eu precisava deixa-la livre, e se ela viesse até mim sem nenhuma amarra, é porque nosso amor era real. E foi isso o que aconteceu. Abandonei a raiva, abandonei o ciúme, a possessividade, os mal entendidos e todas as palavras cruzadas. Libertei Regina e foi assim que ela abriu que coração para mim.

Estamos sentados sobre uma toalha xadrez, vendo o pôr do sol e comendo besteiras enquanto observo a mulher pela qual eu virei o mundo todo, a minha vida, os meus valores. A mulher pela qual eu abriria mão de qualquer coisa secundária, só para garantir o prazer de tê-la comigo para sempre. Ela está olhando para o sol, que desce sorrateiro no horizonte e está prestes a tocar o mar. O brilho solar contorna cada feição desse rosto perfeito. Ela parece um anjo.

Ela está olhando para mim, com um sorriso maravilhoso no rosto. Seus olhos estão cheios de amor, e ela parece mais feliz do que qualquer outra ocasião que eu tenha visto.

"O que foi?" Pergunta ela, me encarando com os olhos inquisidores. É claro que está desconfiada. Regina está sempre desconfiada.

Digo que não é nada e continuo olhando para ela, admirando a cor que brilha em seus ombros. Eu a amo. De uma maneira diferente de qualquer outra que eu já tenha conhecido. Eu a amo por quem ela é, com defeitos e qualidades, pela maneira com a qual ela lida com a vida e com as suas adversidades. Eu a amo por ser uma mulher forte, por ter vencido um passado torturante, por levantar a cabeça e lidar com todo tipo de destruição e sofrimento por cima dos seus saltos. Eu a amo pela maneira carinhosa que ela alisa o cabelo do meu filho, pelo carinho que tem por Henry.

Eu amo Regina por ser fiel aos laços que constrói, seja com o ex namorado, ex marido, ex sogro, melhor amiga. Regina tem palavra, e eu sou desesperadamente apaixonado por isso.

Eu a amo pelo seu cabelo, pelo seu corpo delineado, pela sua desenvoltura sexual, por sua facilidade em me manipular — mas também por sua eficácia e profissionalismo.

Regina Mills é uma mulher completa e eu a amo com toda a minha plenitude e não vejo um momento da minha existência onde eu poderia deixar de amá-la.

Ela acabou de se levantar e sentou-se no meu colo. Sinto seus dedos acariciando minha nuca, a sensação é quente e apaixonante. A boca dela está sobre o meu pescoço e ela me beija ali, arrepiando todo o meu corpo antes de sussurrar.

"Obrigada por me trazer ao lugar mais belo que já vi em toda a minha vida."

Enfio os dedos ao redor do maxilar dela, enroscando-os na nuca e trazendo-a para a minha boca. Brinco com a língua dela por alguns instantes.

"Te amo." Sussurro. Eu não me canso de dizer isso.

Ela me olha nos olhos e sorri, e aquele sorriso derrete a minha alma, me tornando incapaz de ser independente dele.

"Você mudou a minha vida, Robin."

"E você salvou a minha."

"Eu roubei sua paz."

"E eu roubei seu amor."

Ela deslizou o polegar sobre os meus lábios antes de sussurrar contra eles, acariciando-me com sua respiração:

"Não pode roubar algo que foi dado a você."

Beijei-a novamente, enfiando a língua na boca dela e sugando a dela, me deliciando dos lábios carnudos e macios. Giro meu corpo de modo que a deito sobre a toalha e me deito sobre ela, depositando beijos pelo seu rosto e pescoço.

"Regina..."

"Hmmm." Resmunga ela.

Eu me debruço, de modo que nossos olhares estão alinhados e acaricio seu cabelo. Ela sorri.

"Eu pedi seu coração e você me deu. Pedi para ver sua alma, e você permitiu." Ela fixou os olhos em mim escutando atentamente. "Agora eu tenho mais um pedido."

"E qual é?"

"Eu quero o seu dedo."

Ela riu, deliciada.

"Meu dedo?"

Entrelacei meus dedos nos dedos dela.

"Esse dedo." Indiquei o anelar, e ela sorriu atenta. "Quero colocar minha aliança aqui. Um anel bonito de ouro maciço, com um símbolo de infinito e o meu nome do lado de dentro. Um anel que te lembre todos os dias da imensidão do meu amor e da nobreza do meu compromisso. Um anel que simbolize a pureza do nosso amor; e que chame a atenção dos nossos filhos e netos no futuro. Um anel por uma vida. O anel da nossa vida."

Ela me encarou com os olhos marejados e um sorriso bobo no rosto.

"Robin..." Sussurrou ela, incrédula.

"Casa comigo, Regina." Encarei-a. "Me mostra como é um final feliz.”

Eu não sei se ela estava feliz demais ou se foi o calor da emoção. Tudo que eu consigo sentir são as lágrimas dessa mulher enquanto ela me beija, na testa, nos olhos, na bochecha, na boca e na ponta do nariz. Regina passou os braços ao redor do meu pescoço e me abraçou.

Ela ainda não disse sim.

Mas pela maneira acelerada e intensa que seu coração bate dentro do peito, eu tenho certeza que, em algum momento, ela vai dizer."

* Fim *

Notas finais
Meninas, não dá pra descrever o que estou sentindo agora. Eu estou num dilema horrível. Quero encerrar a história, mas também quero continuar com esses personagens. Mas infelizmente, a história precisava de desfecho ou eu ia começar a enrolar demais. First of all, milhões de obrigadas por cada review, por cada acompanhamento, por cada recomendação, pelo carinho, pelos xingamentos, pelas broncas, recomendações no twitter, indicações e surtos no whatsapp. Vocês são as melhores pessoas, e sem o apoio e dedicação de quem lê, a fanfic não seria nada. Obrigada, de coração. ♥ Segundo, não chorem muito - AR vai ter continuação. Não tão em breve, mas vai. Terceiro, muitas meninas me sugeriram escrever um livro e eu prometo para vocês que vou estudar a possibilidade. Quarto, continuem comigo! Agora vou me empenhar em Combustão e Confessionário. Quero ver todas vocês comentando lá (; Quinto, e por último, obrigada pelo presente que foi o sucesso da fic! Esse é um mérito de vocês, de cada vez que copiaram o link e mandaram para alguém. Obrigada. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!