“Eu não sei qual a dificuldade em uma simples transação como essa.”

Robin estava organizando o guarda roupa. Ele se afastou do móvel e encarou-a por alguns segundos. Ela ergueu os braços, exasperada.

“O que foi?”

Ele balançou a cabeça negativamente e enfiou-se atrás da porta de mogno.

“Dear.” Ela bufou contra o aparelho em sua orelha. “Tudo que eu preciso é que vocês vão até o endereço que eu passei para vocês, peguem as caixas já etiquetadas e organizadas e tragam até aqui.”

Ela gesticulou que ia socar a parede, mas conteve-se.

“Ou vocês trazem aquelas merdas de caixa até aqui, ou eu vou fiscalizar todos os centímetros dessa empresa pessoalmente, e se eu achar uma poeira fora do lugar eu vou fechar essa espelunca, certo?”

Robin perguntou-se porque a pessoa do outro lado não parava de argumentar. Era óbvio que ela perderia a disputa.

“Não, eu não preciso que vocês organizem nada. Não vou trazer móveis. São só objetos pessoais e roupas.” Um suspiro cansado e audível preencheu o quarto. “Muito obrigado! Finalmente estamos nos entendendo.”

Robin fechou as portas do móvel e encostou-se a ele, observando-a. Ela estava irritada e o cabelo estava uma bagunça presa em um coque disfuncional. O short jeans era curto, mas ideal e uma camisa soltinha por cima a deixava simplesmente encantadora. Um dos ombros estava descoberto, e ele caminhou até ela, abraçando-a por trás. Sua boca escorregou até a linha abaixo do maxilar onde ele plantou um beijo suave.

Regina sorriu. “Tudo bem, dear. Eu pago assim que tudo estiver aqui. Obrigada. Um prazer negociar com você.”

Ela jogou o telefone na cama e colocou as mãos sobre as mãos dele, pousadas sobre seu abdômen.

“Está tudo bem?”

Ela deixou a cabeça pender para trás e ele beijou o pescoço dela novamente. O gosto era viciante.

“Não aguento incompetência. Já é a terceira vez que ligo para eles essa semana, Robin. Tenho que ficar indo ao apartamento pegar roupas o tempo todo.”

Ela tentou desvencilhar-se dele, mas Robin segurou-a firme pela cintura. Com um movimento firme, porém lento, ele virou-a e a deixou frente a frente com ele.

“Tem certeza que está tudo bem?”

“Claro.”

“Regina, aconteceu alguma coisa? Você está estranha desde que a Ruby e o Graham estiveram aqui.” Ele percebeu um brilho sutil nos olhos dela. “Olha, se você está preocupada, eu não estou com raiva do cara nem nada, claro, eu fiquei com um pouco de ciúmes, mas nada que vá ser um problema para a gente.”

“Robin...” Ela suspirou e aproximou-se dele, abraçando-o. “Não tem nada a ver com o Graham. Fica tranquilo.”

“Mas...”

Ela afastou-se dele, caminhando na direção da porta.

“Você me leva até o centro da cidade? Eu preciso comprar algumas coisas, tá faltando tudo aqui nessa casa.”

“Eu acho que aqui já tem tudo que eu quero.” Brincou ele, olhando-a maliciosamente de cima a baixo.

“Claro, você vive de batata fritas e cerveja. Não é uma referência decente.”

“Eu cozinho bem, admita.”

“Mas tem tanta preguiça que é capaz de morrer de fome.”

Robin riu.

“Tudo bem, vamos. Eu te levo.”

Emma estava atravessando a rua quando Henry correu na sua frente. Ela ia alertá-lo para que esperasse quando viu o que chamava a atenção do garoto. Do outro lado da rua, Regina e Robin estavam esperando para atravessar – as mãos entrelaçadas e sorrindo delicadamente um para o outro.

“Regina!” A voz dele a surpreendeu e Emma constatou o sorriso gigantesco que surgiu no rosto dela quando avistou Henry. Talvez ela estivesse errada sobre a morena. Era fácil ver nas feições dela, na maneira carinhosa que o segurava, na voz que usava para falar com ele. Regina Mills podia ser muitas coisas, mas não era uma influência ruim para o garoto – ela tinha que admitir.

“Henry, meu querido.” Regina soltou a mão de Robin e abraçou o garoto.

“Eu estava com saudades, onde você se meteu?”

“Eu mudei de casa.” Ela trocou um olhar rápido com Robin. “E você é mais do que bem vindo para passar uns dias conosco, quando quiser. Se a sua mãe deixar, é claro.” Emma estava aproximando-se dele e Regina a cumprimentou silenciosamente com um aceno.

“Eu posso, mãe?”

Emma ergueu os ombros, em sinal de rendição. “Se a Regina te convidou, não há por que dizer não.”

“Você sabia que vai ter uma convenção da Marvel em São Diego?”

Regina acariciava o cabelo dele com a ponta dos dedos, sorridente.

“O que isso quer dizer?”

“Vai ter um stand só de Guardiões da Galáxia.”

“Meu Deus!” Riu ela, dando um tapa no braço dele levemente. “Eu preciso ver isso.”

“Vamos?”

“Você já pediu para a sua mãe?”

Regina cruzou os braços e o olhou, o semblante forçado numa seriedade descometida. Henry engoliu em seco e passou as mãos por cima das alças de sua mochila, tomando coragem. Ele virou-se para Emma, que agora estava sorrindo e com os braços igualmente cruzados na altura do peito.

“É, criança, pediu para a sua mãe?”

“Mãe” Implorou ele, as duas mãos unidas em forma de prece. “Por favor! Por favor! Eu prometo ir bem em todas as matérias, todas! Eu até limpo a casa, a garagem, corto a grama.”

“Adorei! Vamos negociar mais convenções!”

“Você precisa aprender a arte de negociar, garoto.” Brincou Robin e todos caíram na risada.

“É que eu queria muito ir...” Suspirou ele, e voltou a encarar Emma.

“Você pode ir, Henry. Tenho certeza que a Regina vai cuidar bem de você por lá.”

A loira piscou para Regina, que sorriu.

“Com certeza. E também posso corrigir se necessário, certo Emma?”

“Certíssimo.”

“Você está perdido, criança.”

Henry virou-se para Robin e balançou a cabeça, assentindo com aquele fato.

Ele estava perdido.

Sentados sobre um banco na praça central, Regina e Robin pareciam dois adolescentes. As pernas dela estavam sobre a coxa dele, e ele acariciava o cabelo dela.

“Me conta, Locksley! Qual é a surpresa?”

“Você é curiosa de-ma-is, Regina!”

“Você provoca! Não sabe fechar essa boca!”

“Ah é? Vou provar que sei mantê-la bem fechada não te contando nada.”

Robin tirou as pernas dela do colo e delicadamente colocou-as contra o banco, afastando-se. Regina gargalhou, levantando-se do banco e caminhando até ele. Ela colocou um braço atrás da nuca dele e sentou-se no seu colo. Robin mordeu o lábio inferior e recusou-se a olhar para ela, mas ela plantou um beijo no pescoço dele, mordendo de leve a pele sensível.

“Ei!” Alertou ele, expirando ruidosamente. “Isso é trapacear.”

Ela encostou a cabeça contra a dele, e olhando em seus olhos, sussurrou:

“Você me conta o que é a surpresa, e eu vou até aquela sex shop bem ali...” Ela apontou com o indicador, e ele verificou a referência. “E compro uma fantasia bem sexy para usarmos essa noite.”

“Você é uma diaba, Regina.”

“Sim, e você me adora.” Ela deslizou os dedos pelo cabelo dele, descendo até a nuca. Seus lábios roçaram os lábios dele e ela sorriu. “Mas se não quiser, podemos ir pra casa.”

Ele segurou o pulso dela com firmeza.

“Tudo bem.” A voz dele indicava que ela tinha vencido, e ela sorria como uma criança.

Robin soltou-a por alguns minutos e ergueu seu corpo, tirando a carteira do bolso. Ele abriu um dos compartimentos, e tirou dois papéis. Regina pegou-os imediatamente.

“Nós vamos viajar?” Os olhos dela reluziam de ansiedade. Ele sentiu-se aliviado por ter acertado.

“Para a Polinésia Francesa.”

Regina o puxou pela nuca e o beijou. Sua boca estava faminta por ele, a língua sugando toda e qualquer vivacidade dentro dele, acariciando lhe a língua, sugando-a, massageando cada cavidade bucal e fazendo com que uma chama começasse a queimar intensamente entre eles. Ela estava se afastando quando Robin enfiou a mão nos cabelos dela e a puxou novamente, aprofundando outro beijo avassalador. A maneira com que ele a beijava era quase primitiva, como se aquele contato fosse tão ou até mais importante do que o oxigênio em seus pulmões. A boca dele era macia e quente contra a dela, estimulando terminações nervosas que nem ela mesma conhecia. Ele afastou-se dela, mas roçou a ponta do nariz pelo nariz dela.

“Te amo.”

Ela segurou-o pelo maxilar e o beijou de leve.

“Eu também te amo, dear.” Ela sorriu contra ele e começou a levantar-se. “Agora aguarde aqui que eu preciso ir até ali comprar uma coisa.”