"Temos duas semanas até o debate."

"Eu não estou preocupada com o debate, dear. Eu falo com essa cidade há anos."

"E aí que se engana, queridinha. É exatamente isso que deve temer. Eles conhecem suas falas. Você precisa elaborar um novo discurso, uma nova abordagem, uma capa diferente. Ou o eleitor vai atrás de novidade e é justamente isso que a concorrência está oferecendo."

Ela tamborilou os dedos contra o mármore da mesa e ele continuou.

"Começamos em desvantagem com o quesito família. Ele é um pai de família, e a esposa está grávida. Isso rouba os votos da maioria das mulheres e idosos. Eles optam pelo conservadorismo, e a constituição da família pesa na balança."

"Eu perco votos porque não tenho filhos?"

"Bem vinda à política."

"O que temos contra ele?"

Gold inclinou-se na direção dela, os cotovelos apoiados na mesa, e os dedos entrelaçados um ao outro, servindo de base. Ele sorriu, e ela odiou a ironia.

"Este é o problema, 'dear'. A campanha do seu concorrente está mais limpa que os tailleurs que você usa."

"Ele não é incorruptível, Gold. Tem que existir uma brecha nessa armadura reluzente."

"A menos que você queira entrar numa missão suicida, precisamos encontrar algo mais podre, ou então fabricar algumas sujeiras."

"O que você quer dizer com isso?"

Andando de um lado para o outro, Regina estava incrivelmente inquieta. Ela parou com as duas mãos na cintura, esperando a resposta.

"Não me subestime, Regina. É claro que existe algo entre vocês dois. Infelizmente, usar isso destruiria a credibilidade dos dois lados. É como dar um tiro no próprio pé."

"Eu não sei do que você está falando."

"Ok, querida. Finja-se de morta e eu finjo que somos boas pessoas."

Ela sentou-se na frente dos vários papéis. Havia dados estatísticos e estudos comportamentais da cidade, além de vários balancetes financeiros.

"Você precisa focar no sucesso comercial e na prosperidade que a cidade possui. Relembrar a cidade do que você já conquistou por eles. Palavra por palavra, o eleitor precisa de fatos, de provas."

Robin estava satisfeito com o sucesso da sua campanha. Ele já tinha feito visitas à todos os lugares, e conhecia a grande parte das pessoas. As pesquisas revelavam que sua popularidade havia crescido vertiginosamente, e também pudera! Ele estava trabalhando como doido, e adorava o retorno que tinha das pessoas.

O que não deixava Regina nem um pouco feliz. Sentada na mesa redonda, localizada na sala de reuniões da prefeitura, ela observava os números da pesquisa de ibope. Robin estava passando a perna nela. Ao redor da mesa estavam Gold, Sidney e Graham. Ela não queria colocar Graham no meio disso, mas ele insistira em ajudar.

"Vocês tem que pensar em alguma coisa. O Robin está me dando uma surra e a campanha mal começou."

O silêncio reinou na sala. Regina se levantou e andou de um lado para o outro, inquieta. Graham se levantou, mas continuou em pé diante da mesa.

"O quanto você quer vencer essa disputa, Regina?"

"Insanamente."

"E até onde vai para conseguir?"

Regina olhou por cima do ombro, e trocou um longo olhar com Graham. Ela sabia onde ele queria chegar. Eles se conheciam, e ela sabia que podia contar com ele.

"Eu irei até o fim se for preciso."

"Ótimo."

Gold sorriu, ele já tinha entendido a charada.

"Finalmente, essa reunião ficou boa."

Sidney ainda não tinha entendido e sua cara de interrogação deixou tudo claro. Graham sorriu para ele, e ainda em pé, sentenciou.

"É hora de jogarmos sujo."

Graham esperou Gold e Sidney saírem. Quando Regina estava saindo, ele segurou o braço dela delicadamente.

"Posso lhe fazer uma pergunta?"

"Claro."

Ela checou se os outros haviam saído mesmo e se voltou para ele.

"Fala."

"Você tem certeza de que quer fazer isso, Gina? Nós vamos destruir o cara."

Ela riu.

"Está duvidando da minha resposta? Se eu disse que sim, é sim. Que comece a guerra."

"Eu vi a conversa de vocês no festival."

Ouch. Por essa ela não estava esperando.

"Graham, garanto que não é tão sério quanto parece. Foi um momento. Um momento sem significado que não vai me impedir de ter o que eu quero."

"Você sabe que as coisas dão errado quando se torna pessoal."

"Mas isso já é pessoal! O motivo dele concorrer é pessoal!"

"Talvez você queira que seja."

"Você está a meu favor ou contra? Estou começando a ficar confusa."

"Eu estou do seu lado, Regina. Só quero que tome cuidado para não se queimar."

"Nós já estamos acostumados a brincar com fogo, Graham."

"Robin, preciso lhe alertar sobre algumas coisas."

"O que houve, Marian?"

"Regina fez uma reunião na prefeitura hoje. O Gold e o Sidney estavam lá, além daquele turista."

Robin sentiu um leve formigamento no estômago. Esse cara perto dela novamente?

"Ela está cuidando da campanha dela, Mar."

"Robin... não seja tão inocente. Eles não são escoteiros. Todos aqui temem o Gold, e com algum motivo."

"Talvez ele seja ameaçador, só isso."

"Talvez eles peguem pesado. Não esqueça que a Regina não vai aceitar perder para alguém que mal chegou à cidade."

"Fique tranquila. Eu estou selecionando reforços."

Robin deu um meio sorriso para a esposa e voltou a ler seu discurso. Mas por dentro, lavas ardentes de ciúmes, de raiva e preocupação derretiam suas entranhas. Quem era o turista, e porque vivia à sombra de Regina? Qual era o segredo de Gold? O que eles planejavam naquela reunião? E o mais importante: o que será que Regina estava planejando?