Amores Irreais

3 Primeira História: Do Fio Vermelho... – Parte 3.


Notas iniciais
Dois meses T^T Desculpa, pessoal. Mas é muita coisa junta! Só deu para chegar agora... PORQUE ESTOU DE FÉRIAS, E FÉRIAS SÃO VIDA! ~ le dança macarena. Então, vou atualizar tudo direitinho! Quero agradecer a todos que acompanham. Eu li os comentários e amei, vou respondê-los com carinho! Eu preferi postar antes de responder. Pessoas fantasmas, apareçam! Eu vou amar receber vocês! Só tenho a dizer que a história das Jasmim e do Felipe está chegando ao fim, só faltam mais duas parte ç.ç Vou chorar! E logo em seguida, vamos ter outra garota para torcer! Boa leitura, pessoal!


Do fio vermelho...
(Terceira parte)

A melhor coisa que existe para um adolescente pobre é chegar em casa depois de um dia inteiro no colégio, e seu celular tocar com milhares de mensagens recebidas pela a conexão automática do wi-fi.

Eu não sou muito de conversar virtualmente, prefiro estar cara a cara com a pessoa. Afinal, do outro lado, não sei quais são suas expressões ou se ela está mentindo. Mas... incrivelmente eu fiz amigos na rede. Amigos verdadeiros.

Como sempre, minha mãe não está em casa. Foi até um milagre ela estar aqui hoje de manhã, considerando que ela trabalha muito por nós duas. Somos apenas eu e ela, já que meus pais são separados desde os meus seis anos, e meu irmão ficou com meu pai. Lembro que, como sempre fui muito apegada ao meu irmão, disse que queria ficar com ele. Mas então ele me pediu para cuidar da mãe, do mesmo jeito que ele cuidaria do pai. Depois disso, nunca mais quis sair de perto dela. Minha mãe é o maior exemplo de mulher que tenho.

Subo as escadas correndo, e ao chegar no quarto jogo minhas coisas no chão e pulo de bruços na cama, já com o celular em mãos.

Preciso contar as novidades. E nem me admiro ao ver a mensagem de certa lerda assim que abro o aplicativo.

“Já chegou em casa, vadea?”

Com um sorriso, respondo com uma carinha envergonhada:

“ Sim...”

“ Iii, aí tem e_e Diz logo, o que aconteceu hoje?”

“Kkkkk. Uma coisa...”

“Que coisa? e_e”

“Uma coisa no colégio...”

“FALA LOGO, PORRA ¬_¬”

Começo a rir. Sabia que ela iria partir para a violência. Mulher estressada. Que amiga fui arrumar. Não sei por que amo essa desgraça.

NÃO GRITA, SE NÃO EU NÃO FALO!”

“VAI FALAR SIM, CARALHO! COMEÇOU TERMINA, PORRA!”

“NÃO FALA PORRA, PORRA!”

“FALO SIM, PORRA!”

Suspiro. É melhor falar logo, antes que ela comece com o drama de que não somos amigas e blá blá blá blá...

“Tá T. T. Eu conheci um garoto no colégio hoje...”

Quando vejo o “escrevendo” na parte superior da tela, sei que vou receber uma enxurrada de palavras gritantes com milhares de perguntas.

“KYAAHHHH *-----* ♥ COMO ELE É? NOME? IDADE? NUMERO DO SAPATO!”

Não disse?

“Espera... número do sapato? O.o Pra que diabos preciso saber o tamanho do sapato?”

“¬u¬ Porque... ouvi dizer que sabendo o tamanho do sapato... você sabe o tamanho do... bem, você sabe...”

Rapidamente sinto meu rosto ficar em chamas. Essa garota é uma das únicas que me faz corar violentamente, mesmo estando a milhares de quilômetros longe de mim. Pervertida. No segundo seguinte, estou enviando centenas de carinhas envergonhadas.

“ PERVERTIDA!”

“Ochen. Ué, é verdade u.u Vai me dizer que não quer saber?”

Penso no Felipe e seu rosto bonito e perfeito se materializa na minha mente... Caralho! Sim, eu quero saber!

“T. T Quero, mas... não sei se vai dar em algo, Tephi-chan. Ele é muito legal, simpático e tudo mais... Mas eu realmente não sei!

“COMO É?! SUA DESGRAÇADA, NÃO SEJA PESSIMISTA! CADÊ AQUELA JASMIM PERSEVERANTE? SUA COVARDE!”

“NÃO GRITA COMIGO!”

Sermões, sermões e sermões depois, ela finalmente me deixou em paz. Claro que não antes de eu contar absolutamente tudo sobre o Felipe e como eu me sinto. Tephi-chan, mesmo morando longe é uma grande amiga. Ela sempre me ajuda nos meus dramas. Minha lerda preferida.

Mas infelizmente, Tephi-chan, perseverar nem sempre é o suficiente. Tenho medo de estar sonhando alto e rápido demais. Mas como uma boba que eu sou, me agarro no “vai dar tudo certo” esperançoso que ecoa do fundo do meu coração remendado. E passo o resto do dia sonhando.

***

Tá, eu sonhei com ele. De verdade. À noite.

Mas. Que. Droga.

E se eu disser que tinha sapatos no sonho? Essa Tephi-chan é uma maldita, já até imagino a carinha diabólica dela lá do outro lado. Suspiro. Por um milagre, não cheguei atrasada hoje. Acho que é a ansiedade...

Passo pelo pátio e corredores cumprimentados meus colegas de escola, e quando chego à sala e vejo apenas o Felipe sentando em sua carteira, percebo que cheguei cedo demais. Será que é o destino que fez com que ficássemos sozinhos? Começo a ficar nervosa.

– Bom dia. – digo, obtendo sucesso em não parecer alegrinha demais.

Ele parece estar perdido em pensamentos e desperta ao ouvir minha voz. Quando levanta a cabeça, percebo o quanto ele fica fofo com aquela carinha sonolenta. Ele sorri pra mim e seus olhos ficam miúdos. Ai, meu Deus...

– Bom dia, Mimi.

Devolvo o sorriso e coloco minhas coisas na carteira devagar demais. Pense, pense! Arranje algum assunto, qualquer coisa...

– Parece cansado, Lipe. – Ótimo, isso serve. – Dormiu bem?

Anta, se ele parece cansado, é lógico que não dormiu bem! Me bato mentalmente na testa.

– Na verdade, eu nem dormi de mesmo. Só cochilei. Passei a noite inteira tentando passar do estágio de Legend of Zelda...

Se eu tinha algo de garota recatada e fofa, tudo foi pro espaço.

– MENTIRA? NÃO ACREDITO QUE VOCÊ GOSTA! É TIPO, O JOGO DA MINHA VIDA!

Quando se trata de jogos, eu piro. Ainda mais por termos uma coisa em comum.

– Nossa, eu que fico impressionado. – diz ele, de olhos arregalados. – É difícil encontrar garotas que gostem de Zelda.

– Ah, mas eu amo! – puxo animadamente minha carteira para mais perto da dele. – Fiquei dois dias jogando sem parar para conseguir zerar aquela porra.

Quando percebo o que disse, é tarde demais. Droga de boca nervosa!

– Desculpa! – arregalo os olhos e quase grito antes de tapar a boca com as mãos.

Mas ele apenas dá uma gargalhada gostosa. Fico abobalhada observando sua expressão divertida.

– Tudo bem, Mimi. Foi uma exclamação, não é como se eu nunca tivesse dito também.

Suspiro, aliviada.

– Mas não é boca suja como eu... – murmuro.

– O quê?

– Ah, nada não.

– CHEGUEI, MEUS AMORES! – Line entra aos berros na sala. Ela faz isso praticamente todo dia que chega, por isso nem estranho.

– Bom dia Mimi, Lipe. – Cumprimenta Carol educada como sempre.

– E aí? – E... essa é a Nara, sendo Nara.

Os alunos foram chegando aos poucos e, só me toquei antes da aula começar que estava coladinha com o Felipe, por que a Line estava fazendo aquelas expressões que deveriam ser maliciosas, mas é claro que ela falhou. A aula começou e não conversamos mais. Porém estou ansiosa para saber mais coisas sobre ele...

***

– MARIA!

Essa desgraçada, bem típico dela sumir quando mais preciso. E cá estou eu, gritando a plenos pulmões no refeitório lotado. Mas o pessoal nem liga, às vezes sou histérica mesmo.

– Maldita, desgraçada! Quando eu te pegar vou...

– Me agradecer para sempre. Sim, obrigada. De nada.

– Maria! – Me viro repentinamente e encontro a bonita com cara de inocente. – Onde você estava?

– Cruzes, eu tenho uma vida sabia? E você deveria me tratar melhor, se não, não te conto o que descobri.

Ela atiça minha curiosidade e vai andando! Esnobe, só por que preciso.

– Espera aí. – sento em frete a ela na mesa. – Você já descobriu alguma coisa?

Sei que sim quando ela faz aquela cara de “sou foda, me ame” que ela sempre faz.

– Claro meu bem, está pensando que eu sou o quê?

– Então desembucha logo! – me aproximo, ansiosa.

Mas ela apenas balança a cabeça e levanta o indicador. Aí vem merda...

– Antes disso... – tira do bolso uma folha de papel e praticamente joga na minha cara. – O pagamento.

– O que é isso?

– Decidi mudar o pagamento. – ela diz, agora chupando um pirulito que nem sei de onde tirou. Olho para os requisitos. – Ao invés de fazer minha lição por uma semana, quero que faça esse trabalho aí. Mas faz direito, ein?

– Tá, tá. – Bufo e guardo o papel. – Mas não enrole. Diga, o descobriu?

– Bom... – Maria se aproxima do meu rosto e eu instintivamente faço o mesmo. – Tem um amigo meu, que conhece um amigo que é primo de uma menina que namorou com um garoto que estudou na mesma escola que ele! E esse menino tinha uma amiga que era da classe do Felipe...

– Okay, eu entendi, fulano que conhece fulano e tudo mais! – Tá, eu não entendi nada, mas também não importa. – Fala logo o que sabe!

– Ele é um filho da puta mulherengo.

– Ah! Entendi, um filho da pu... O QUÊ? COMO ASSIM?

– Como assim o quê? – ela me olha com desdém e ignora meu estado de pré-infarto. – É surda por acaso?

– E você diz assim, do nada? Desse jeito?

– Ah, me poupe Mimi. Você queria que eu dissesse como? “Ah, não é nada demais. Ele só tem um tique nervoso em pensar mais com a cabeça de baixo do que com a de cima”.

– Tudo bem... – balanço a cabeça. Mantenha a calma, Jasmim. – Explica isso direito.

– Então, essa menina que é amiga do menino que...

– EU JÁ SEI ESSA PARTE!

– ENFIM! Ela disse que depois que umas coisas aconteceram, ele voltou completamente diferente para a escola.

– Que coisas? Diferente como?

– Isso ela não disse! Deixa eu terminar, porra. – desdenho com as mãos e ela continua: – Depois disso, ele começou a ficar com todas as garotas bonitas e populares do colégio. Mas ele nunca durava com nenhuma. Disse ela que a que mais durou foram três semanas...

Fico pasma. Caramba, então fui enganada? Ele não é o que aparenta ser?

Mas ainda tenho esperanças.

– Mas quem terminava, ele ou elas?

– Ele. Ele sempre terminava com elas, então era como se só as estivesse usando mesmo.

Jogo meu corpo de volta no encosto da cadeira com força.

– Não pode ser... – coloco minhas mãos no rosto, mas não estou chorando. Nunca chorei por um garoto, não vai ser agora que isso vai acontecer. – Como sou idiota.

– Você está bem mesmo? – Maria me pergunta, e quando olho para ela vejo que realmente está preocupada.

Dou o meu melhor sorriso.

– Claro que estou, só fiquei meio chocada. Nossa, fui enganada tão facilmente, como sou burra.

– Mimi... Você foi enganada mesmo, ou você que se enganou?

Arregalo os olhos e entreabro os lábios, mas... Não tenho o que dizer.

– Tem razão. Tem razão. Obrigada pelo que conseguiu, vou cumprir minha parte. – digo, balançando o papel. Me levanto da cadeira... Por que estou me sentindo meio traída?

– Mimi...

– Estou bem, Maria.

– Não vai ficar com as meninas?

Olho para o outro lado e as vejo conversando na mesa que sempre ficamos. Por instinto, procuro o Felipe com os olhos, mas paro imediatamente quando me dou conta do que estou fazendo. Como sou idiota!

– Não, vou ao banheiro antes. Até mais.

Quem vê assim, pensa que vou chorar. Mas pior que não. Eu só quero apenas pensar... E por incrível que pareça, penso melhor no banheiro.

E quando saio do refeitório, tenho uma forte impressão de ter visto os expressivos olhos verdes do Felipe a me fitar. Acho que estou ficando maluca.

***

É por isso que minha mãe estranha desde que eu era criança o fato de eu passar horas dentro do banheiro, sem utilizá-lo realmente. Eu apenas sento na privada e fico divagando...

Assim como estou fazendo agora em uma das cabines.

O intervalo está quase acabando e eu ainda estou aqui. Fazer o que, se banheiros são legais para pensar? Cara... Eu ainda não consegui apagar esse sentimento de traição dentro de mim. Mas acho que ainda não é a palavra certa. Eu estou mesmo é decepcionada.

Ele não me parecia esse tipo de garoto, não mesmo. Mas talvez, agora que vi a verdade e estou raciocinado direito, ele só queira ser meu amigo.

Ah, qual é? A quem estou querendo enganar? Além do cara ser mulherengo, ele só pegava as populares do colégio! Não tenho nenhuma chance, nunca tive. Nem mesmo antes de saber disso. Só meu coração otário para ter uma esperança.

O sinal toca e eu sou obrigada deixar meu eterno psicólogo, vulgo banheiro. Lavo o rosto para espantar a expressão de desapontamento e sigo para sala. Quando chego, a maioria já está lá, mas o professor ainda não chegou.

– Onde estava, sua palhaça? – Line diz carinhosamente assim que sento na carteira.

– Desculpem meninas, fui à biblioteca checar se o livro que reservei estava disponível.

Nara me olha com aquela cara de “Eu sei o que você fez no verão passado” e revira os olhos. Nem tenho tempo de me preparar quando vejo a Line gesticular debilmente. O Felipe já está sentado ao meu lado.

– Mimi, não te vi no intervalo hoje.

Essa carinha... Desgraçado, estou começando a ficar com raiva.

Sorria, Jasmim. Sorria.

– Eu estava no ban... Quero dizer, biblioteca.

– Entendo... – ele diz, apenas.

Estranho. Ele está estranho, definitivamente. Será que ele sabe que eu sei? Isso não vai dar certo...

– Mimi. – ele me chama de novo.

– Oi.

Ai meu Deus, ai meu Deus. É nessa hora que ele diz aquele friamente “Não se meta na minha vida!”? Aqui não, agora não!

– Eu queria te dar isso.

Fico surpresa quando ele pega minha mão e coloca delicadamente sobre minha palma uma flor... Uma flor de Jasmim!

Cara, não faz isso com meu pobre coração...

– Minha avó adora flores e por coincidência ela tem um canteiro só de Jasmins. Eu também gosto do cheiro. Pensei que poderia gostar.

DESGRAÇADO! Assim não vale, golpe baixo ele fazer isso ainda por cima falando desse jeito! Com essa carinha... esses olhinhos verdes e miúdos... MALDITO, EU...

– Obrigada. – digo envergonhada e ele sorri mais uma vez, antes de se virar.

Covarde. Eu sou uma covarde! E ele é um filho da puta mesmo! O que ele quer com isso, me humilhar? Droga, droga, droga.

Me viro ignorando os cutuques de Lina, enquanto Carol está corada escondendo sua animação e Nara com aquele jeito de está ouvindo tudo, mas não se importa. Analiso bem a flor. Ela é muito delicada e meio aveludada, com as pétalas brancas manchadas de amarelo no talo. Inalo o perfume e não consigo não sorrir. Olho de canto para Felipe e aquele sorrisinho dele ainda está lá.

Não sei o que ele quer, mas sei o que eu preciso fazer.

Não vou cair em nada disso. Não vou me iludir.

Apenas amigos, Felipe. Apenas amigos.

***

Tudo bem, tudo bem.

Existe uma grande, enorme, possibilidade de eu estar pirando de vez!

Os dias se passaram e pode-se dizer que estou me conformando com a decisão que tomei... Mas cara, para todo canto que olho, ele está lá! E eu sei que não é aquela parada de ver a pessoa amada em todo lugar, por que primeiramente eu nem o amo!

O fato é que, quando não tenho a fortíssima impressão de que estou sendo observada, sinto como se estivesse sendo seguida! Por que, sim, se eu estou no refeitório, olho para o lado, o Felipe está lá e acena pra mim de outra mesa. Na hora da saída, levanto a cabeça e o Felipe está lá, sorrindo. Saio do banheiro e quem está lá? O FELIPE ENCOSTADO NA PAREDE!

Tá, no início, eu só achava que eram coincidências bizarras e mania de perseguição minha. MAS FAZ MAIS DE UM MÊS QUE ISSO ACONTECE! E como se não bastasse, todo dia encontro uma flor em cima da minha carteira, e ele só pisca pra mim. Eu não vou aguentar isso, não mesmo. Como posso não sonhar com ele desse jeito? Eu só sirvo para me ferrar nessa vida.

– O que está fazendo aqui fora?

Levanto a cabeça e encontro o Caio fazendo sombra sobre mim, com aquele sorriso palhaço dele. Adoro esse garoto, parece que ele advinha quando estou mal.

– Nada demais, só estou tomando um ar.

Na verdade, estou fugindo do Felipe lá do refeitório e vim para o pátio, mas isso eu não vou dizer.

– Saquei. – ele se senta ao meu lado. – E como vai você depois de saber daquilo tudo?

Contei pro Caio e para as meninas também. Ele, como um cara simples que é, apenas disse que era para eu desencanar, que eu não merecia sofrer por um tipo de cara que só liga para status e aparência. Line ficou histérica e disse que era para eu mudar o coração dele, que valia tudo pelo amor. A Carol apenas ficou triste e até chorou por mim, já que ela diz que eu não faço isso. E a Nara, como sempre, disse que achava isso ótimo e que um tipo de puto desses deveria queimar no fogo do inferno com dez mil espadas espetando seu corpo.

Grandes amigos eu tenho.

– Estou bem, de verdade. Só meio paranoica com umas coisas...

Ele estreita os olhos.

– Que coisas?

– Olá!

Como sou mais escandalosa, dou um salto ao ouvir uma terceira voz ao nosso lado, mas Caio apenas ficou naquele susto interno. Estou prestes a xingar quando vejo quem é.

FELIPE!

– O-olá.

Jesus, estou gaguejando. Como ele me achou? Não é paranoia não, ele está me perseguindo mesmo!

– E aí? – diz Caio, de baixo.

– E aí. – Responde Felipe, de cima.

Espera aí... Que clima tenso é esse?

– Estou atrapalhando alguma coisa? – ele pergunta, com aquele carinha fofa. Okay, isso está me dando medo.

– Na verdade, si...

– NÃO! – Falo por cima do meu amigo tapado e sorrio nervosamente. – Imagina.

Ele me fuzila com o olhar e eu faço o mesmo. Mesmo com tudo isso, ainda quero saber por que ele veio atrás de mim!

– Ah, que bom. – Tá, isso soou meio falso. – Queria falar com você, Mimi.

Caio olha para nós dois e suspira, se levantando.

– Okay, vazando!

– Tchau, Caio.

– Tchau, qualquer coisa grita.

Bato em minha própria testa. Esse garoto ama sair de cena com essas frases triunfais.

– Esse cara é estranho, diz coisas engraçadas. – Felipe comenta, ainda sorrindo.

Para de sorrir, cacete! Estou ficando com medo, não creio...

– É, não é? – Me levanto e coço a nuca. – Liga para ele não.

– Ele é seu namorado?

Quase cuspo meu coração com essa! Tão direto e repentino.

– N-não! Claro que não, de onde tirou isso?

Ele dá de ombros e se encosta na parede, com as mãos no bolso. Não faz isso!

– Deduzi, já que vocês sempre estão juntos...

– Você sempre está por perto e nem por isso dizem que estamos namorando!

Droga, falei demais. Mas mantenho a pose e suspiro. Só estou meio intrigada com isso tudo. Primeiro ele me persegue e agora isso? O que ele quer, afinal?

– Entendo...

– Está me perseguindo, Felipe?

Sei ser direta também. Ele arregala os olhos, para logo depois rir sem graça e coçar a nuca.

– Claro que não, de onde tirou isso?

Estreito os olhos e cruzo os braços.

– Talvez do fato de que, para todo canto que eu olho, você está lá?!

– O Caio reclamou com você por isso?

– Claro que não, por que ele reclamaria? Não mude de assunto, por favor.

– Talvez por que ele seja seu namorado.

Meu queixo cai uns vinte centímetros.

– Mas que porra, eu já disse que ele não é meu namorado!

– Mas ele parecer gostar de você. – ele ainda insiste.

– Claro que não, seu maluco.

– E você, gosta dele?

“EU GOSTO É DE VOCÊ!” Ai, como eu queria gritar isso de verdade, mas...

– Não, caralho. Nenhum dos dois. Estou começando a me irritar!

Normalmente eu não me irrito assim, mas essa é uma situação completamente diferente! Ele...

Está rindo de mim?

– Por que está rindo? – pergunto, sem entender, mas ele continua a rir.

– Nada não, só foi engraçado te ver falando tantos palavrões, irritada desse jeito.

Suspiro, ficando mais calma. Talvez eu tenha exagerado, estou pegando a mania de gritar com a Tephi-chan.

– Pois é, pra você ver. Não sou fofa, sou escrota e boca suja, além de ser totalmente irritável com certas coisas.

– Isso eu já sabia. – acho que coro e ele sorri. – Mas o que te irrita realmente?

VOCÊ!

– Ah, muitas coisas... Como perder, por exemplo. Eu odeio perder.

– Interessante... – esse tom... – Mas ele não é seu namorado mesmo?

Bufo. Caramba, ainda essa história! Por que é tão importante saber?

– Pronto, outra coisa que me irrita é quando não acreditam em mim quando falo a verdade. – digo, fazendo bico.

– Tudo bem, desculpe.

Não desculpo não!

– Tudo bem. – Ai, como eu sou idiota. – Deixa para lá. Mas me diz, o que você queria falar comigo?

Ele parece surpreso.

– Eu queria falar com você?

– Sim, você disse quando chegou. – Maluco.

– Ah, foi mesmo. – Ele diz e eu não deixo de estranhar. – É que eu queria te perguntar se você quer jogar online comigo naquele RPG daquele anime legal.

Durante esse meio tempo, descobri que eu e o Felipe temos muitos gostos em comum e isso me deixou feliz de certa forma. E mesmo não vendo nenhuma atitude sacana da parte dele até agora, ainda fico com o pé atrás.

– Hm, entendi. – Então era só isso? – Claro, vou adorar. Mas tem que ser hoje, por que a partir de amanhã vou começar a estudar para as provas.

– Nossa, mas já? – pergunta ele, chocado. – Mas as provas são daqui a um mês!

Sorrio.

– Eu sei, mas eu tenho que me esforçar. E além do mais, eu não quero perder para o indiano, aquele palhaço!

– Indiano?

Faço uma cara tediosa.

– O Paulo.

– Ah! Ainda não me acostumei muito com apelidos. – ele coça a nuca. – Vejo que vocês competem bastante, não é?

– É. Ele ama me atazanar. Mas eu até que gosto da palhaçada.

– Dizem que garotos perturbam muito as garotas por que estão interessados nelas...

– Ah não! De novo essa história?

Ele ri de novo.

– Tudo bem, desculpe. Era brincadeira.

– Palhaço.

– Boba.

– Idiota!

Fofa.

Fico rubra. Meu Deus, como isso foi parar assim? Ele parece ter se dado conta do que disse e fica envergonhado também.

– Enfim, já vai tocar. Vamos pra sala. – ele se desencosta da parede e me chama com a cabeça.

– C-claro.

Não, Felipe. Não faz isso, cara! Como posso não gosta de você, desse jeito? E também, mesmo sem isso, não sei se quero não gostar de você...

E andando atrás dele pelos corredores, só tenho uma coisa em mente:

“Tephi-chan, acho que me meti numa enrascada desgraçada!”

Notas finais
Reviews? Amo comentários! Não precisa falar muito, eu já vou amar! Qualquer erro me avisem, betei,mas pode passar. Beijos e até o próximo!