Notas iniciais
Ah, vamos ver no que dá né...

– Sara? – sua voz era um sussurro de tão longe... – Sara?!... Me solta... Sara. – senti gotas quentes caírem em meu rosto e alguns barulhos...

Um grito, uma discussão, alguém me balançando...

– Sara! – mais um grito e um solavanco. Abri devagar os olhos, porque não era um sonho.

A sala iluminada só pela luz do corredor e pela Tv que chiava.

Jamie que estava abaixado segurando meu rosto o soltou com delicadeza e ficou de pé.

– Seu porco imundo! – Jamie gritou e ouvi ele socando algo, talvez meu pai – como teve coragem de fazer isso com ela?

Coloquei a mão na cabeça e virei o rosto olhando pra toda a sala. Meu pai estava caído no canto da sala.

Jamie me colocou de pé me vestindo, seus olhos continham lagrimas iguais aos meus.

– Cadê suas coisas? – ele passou a mão na minha testa soada.

– Jamie. – consegui falar apontando para trás de Jamie.

Ele se virou e papai lhe deu um soco fazendo meu irmão rodopiar pra trás e me fazendo gritar de desespero.

– Sara. Corre. – Jamie gritou caído no chão.

Minhas pernas estavam travadas e ao olhar pra ela vi minha calça com sangue e uma pequena mancha no chão, entrei em desespero, meus músculos não se mexiam.

– Vá! – ele ficou de joelhos segurando meu pai – Onde o Sol nunca dorme. Agora corre.

Então me lembrei de como mexer meu corpo e corri, meus músculos protestavam, tudo em mim doía. As pessoas nas ruas me olhavam assustadas. Eu apenas corri.

Meus cabelos voando em meu rosto, minhas lagrimas me cegando, meus soluços me incomodando, minha dor cortante, a imagem na minha cabeça...

Eu não sentia mais minhas pernas, a dor ultrapassou seus limites... E só pude senti-la quando parei, quando reparei onde eu estava. Já tinha chego à praça.

Deixei que meus joelhos dobrassem, fazendo com que eu me desabasse no chão seco e chorei, tudo que eu tinha que chorar. De novo.

Coloquei a palma da mão no chão e fechei os olhos enquanto chorava. Aquilo não era certo... Minha vida não era certa.

Estremeci e tombei pro lado quando mãos quentes encostaram em meus ombros.

Jamie apenas me abraçou.

– desculpa irmã. – ele chorava comigo – Estou com você. Desculpa. – eu o abracei sentindo que meu protetor estava ali.

**~~

Eu estava confusa, abalada.

Sai do banheiro, me sentado no chão do corredor . Jamie e Marie murmuravam algo na cozinha.

– Jamie, isso é errado! – Marie estava calma.

– Ela não pode morar aqui e muito menos em casa. – ele gritou – ela vai pra Vegas.

– Ela já tem 18 anos, precisa trabalhar.

– Eu acredito nos sonhos da minha irmã. – Jamie falou e parecia ter posto um ponto final na discussão.

Ouvi ele se aproximar. Então ele entrou em meu campo de visão. Se aproximou e sentou ao meu lado.

Passou os braços pelos meus ombros e então me abraçou.

– Jamie... – eu falava entre soluços – Não quero que ninguém saiba pra onde eu vou.

Ele demorou pra responder, então me afastei pra olhar em seus olhos, que eram pensativos.

– Jamie?! – murmurei.

– Prometo pequena. – ele bagunçou meus cabelos sorrindo. Sorri também – Suas malas estão na sala. A passagem... Já comprei, temos que ir daqui a pouco.

Reparei pela primeira vez seu rosto, que tinha uma mancha roxa abaixo dos olhos. Passei as pontas do dedo fazendo-o estremecer.

– Desculpa. – eu disse baixando a mão.

– Vai ficar tudo bem.

Um barulho me fez olhar por cima do ombro de Jamie e vi Marie amarrando seu roupão enquanto nos observava.

– Boa sorte Sara. – um sorriso surgiu de seus lábios.

E então foi assim que aconteceu antes de eu pegar o valioso ônibus que me levaria a um lugar onde eu esperava ser mais feliz e onde eu poderia esquecer-se de meu passado perturbador.

**~~

– moça. – alguém me cutucou.

Levantei os olhos e um senhor me encarava. Senti que o ônibus estava parado então abri a pequena cortina vendo a rodoviária cheia. Levantei num salto e o senhor sorriu.

– Vegas? – perguntei puxando minha mala.

– a cidade do pecado. – ele sorriu ao dizer isso.

Sai correndo do ônibus. Animada, procurando uma loira de cabelos longos. Caminhei pela rodoviária a procura de Cath, mas nada...

Meu estomago roncou. Tentei ignora-lo, mas não consegui.

Era obvio que Cath não estava ali. Olhei pro relógio. Soltei um suspiro e fui até uma lanchonete próxima, me sentei e pedi um pedaço e torta com coca-cola.

Passaram-se alguns minutos quando acabei de comer. Sempre olhando em volta a procura da loira... mas talvez ela tivesse pintado o cabelo, não impossível.

Estava de pé quando meu dinheiro caiu no chão. Me abaixei para pegar a moeda e ao me levantar levei um susto. Um homem branco bonito, cabelos arrepiados, cheios de luzes, o que achei legal e estranho ao mesmo tempo. Ele sorriu mostrando os dentes perfeitos. Pisquei duas vezes.

– Como esta linda. – ele riu – Até parece uma mulher com esses cabelos, sabe sem a franja. Quase que não a reconheci. – ele gargalhou se aproximando de mim e me deu um abraço apertado.

O empurrei.

– Esta doidão? – perguntei mostrando os punhos – Me conhece? Eu tenho mãos e não tenho medo de usa-las.

– Nossa fico decepcionado por não me reconhecer Sara Sidle. – ele sabia meu nome – Eu sei, estou mais gato – ele me olhou me avaliando -, hn e agora você tem seios. – ele mordeu os lábios e eu dei um soco na cara dele.

**~~

– Não foi minha culpa, ok?! – entramos no taxi. Eu me encostei-me à janela olhando pra Greg que segurava um saco de gelo no rosto.

– eu te perdoo. – ele me olhou.

– Por que a Cath não veio me buscar? – perguntei cruzando os braços.

– Ela foi ao medico – Greg se virou ficando de costas pra mim.

– Ela esta doente? – perguntei arregalando os olhos.

– Não sei, ela tem 18 anos fofa. – e era o antigo Greg.

– você tirou o aparelho! – puxei seu braço.

– É.

– grosso. – o empurrei que por sua vez deu de cara na janela do carro.

– Porra Sara, segunda vez! – ele colocou a mão na cabeça.

– A culpa foi sua de deixar a cabeça mole. – falei emburrada.

O motorista nos olhou rapidamente quando o sinal estava fechado.

– Já reparei que você vai me agredir toda hora.

– Cala a boca Greg.

– você é a maluca e eu tenho que calar a boca? – Greg me encarava sorrindo.

– Claro pirralho de maia...

– Calem a boca. – o motorista nos interrompeu, Greg franziu a testa.

– Você me mandou calar a boca? – perguntei me enfiando entre os dois bancos da frente.

– É por quê? Vai me bater? – ele mexeu os ombros.

Greg arregalou os olhinhos.

Estiquei os braços pegando no pescoço dele.

– Acertou. – eu o puxava pelo colarinho enquanto Greg me puxava pela cintura.

– Solta ele Sara. – Greg berrava. O carro que estava em movimento novamente ia pra lá e pra cá.

– Seu velho idiota. — eu o puxava.

– Me larga maluca. – ele dirigia – vou chamar...a... a policia.

– Sara é melhor solta-lo. – Greg gritava enquanto outros carros buzinavam.

Soltei o homem e ele freou o carro bruscamente, fui parar no banco da frente de cara no painel, quebrando algo.

– Sara desce do carro agora. – Greg saia do carro pegando minha mala.

Coloquei a mão na cabeça e sai.

– Não vão embora. Vocês destruíram meu taxi. – o velho também saia do carro.

– Porra. Corre Sara. – Greg puxava minha mala.

– Pra onde? – eu olhava pros lados.

– Me segue. – então corri atrás dele enquanto o velho ficava para trás resmungando.


Notas finais
rsrs bom, até o proximo o/