Amores Da Vida 1.2
4 Sou a pessoa mais azarenta só pode :\
Notas iniciais
Tenham uma ótima leitura pessoal.
- Não aguento mais. Estou toda molhada, meus pés estão sujos de lama. Estou com frio. E ainda cansada. – eu tentava acompanhar Grissom que estava calado a um bom tempo.
Mas agora ele parou colocando as malas no chão.
Eu continuei a andar parando ao lado dele e o encarando.
- Você está me ouvindo? – eu tentava olhar em seus olhos que estavam vagos.
- Pare de reclamar um pouco. – ele franziu a testa ao me encarar.
- Ótimo, ainda esta falando comigo. – sorri debochadamente.
- Não seja irônica. Não faz o seu perfil...
- É claro. – o interrompi – Esta chovendo, estamos perdidos. Pode ficar pior?
A minha boca é maldita só pode. Porque neste exato momento meu pé afundou em um pouco de lama me fazendo desequilibrar e sair rolando colina abaixo.
**~~
- Sara! – abri os olhos devagar vendo que alguma coisa me protegia um pouco da tempestade – Sara. – senti uma leve ardência em meu rosto e então arregalei meus olhos ficando sentada e sentindo dor em todo o corpo.
- O que?... – apertei os olhos. E quando Grissom se afastou um pouco a chuva desabou em cima de mim – Você me deu um tapa? – o encarei ficando sentada, a dor em meu corpo cortante.
Grissom então caiu na gargalhada. Uma gargalhada gostosa de ouvi, harmoniosa até. Mas eu não poderia dar esse direito a ele.
- Posso saber o motivo da risada? – franzi o cenho, colocando a mão na cabeça.
- Você saiu rolando lá de cima. Deveria prestar mais atenção, em vez de ficar reclamando. – ele tentava parar de rir – Foi bem engraçado ver você sair rolando, mas realmente fiquei preocupado.
- Você é terrível. – tentei ficar de pé agora reparando que todo meu corpo estava com lama.
- É daquela hora era só o pé e agora... – ele sorriu pra mim – Mas por outro lado isso foi bom porque olhe. – ele apontou pra logo atrás de mim.
Virei um pouco desconfiada, mas a nossa salvação estava bem ali. Sorri, mas mesmo assim não estava um tanto satisfeita.
- Será que..?
- Não. Esta abandonada!
Olhei bem pros olhos azuis que estavam calmos, esperando por uma resposta.
- Mesmo eu estando preocupado fui primeiro ver como estava à situação no seleiro. Sabe dar uma sacada na área. – ele piscou pra mim.
- Que sensível você. – dei de ombros – Espero que tenha água.
- Não espere por muito.
**~~
- Não acredito que nessa droga tem três bicas e nenhuma pega.
- Esteja feliz por estarmos protegidos da chuva.
- Eu continuo molhada, com frio e ainda por cima – olhei minhas roupas imundas – suja. – meus olhos marejavam.
Mas ele me ignorou enquanto sentava em um canto colocando as malas ao seu lado.
- Amanhã vamos voltar, não quero ficar mais ao seu lado e além... – ele nem ao menos me ouvia, estava praticamente em seu mundo particular – Tem como me ouvir? – gritei.
- Sara, estou pensando.
- Em que? – ele ainda olhava o chão de terra e velhas palhas.
- Se há um celeiro aqui... – então me olhou curioso – Onde esta a casa?
- E os animais! – franzi os lábios – Não se esqueça deles. E você teve todo o tempo do mundo pra descobrir isso, sabe antes de eu abrir os olhos. – bati com o pé no chão.
- Se tem um celeiro aqui então significa que estamos pertos de uma cidadezinha.
- Ótimo. O celeiro é mais importante do que meu conforto.
Ele ficou de pé resmungando algo.
- Vou voltar pra chuva e tentar achar algo pra por no chão “sujo”. – lentamente ele abriu a enorme porta que rangeu – Aproveite pra trocar de roupa.
- Isso. E o fato de eu estar com fome? – cruzei os braços.
- Esse chão deve ter minhocas. Experimente-as. – ele virou o rosto – É melhor encarar a tempestade do que ficar ao seu lado.
- Engraçado que gostou de me beijar um dia. – quase gritei e agora me arrependi de ter puxado algo de um passado longínquo.
Ele travou. Mas não se virou.
- Um dia em que uma Sara sabia ser uma Sara... Sidle. – e então se juntou a tempestade, enquanto senti que todo meu corpo se contraiu com aquela afirmação.
**~~
Andei de um lado para o outro, estava totalmente ensopada. Aproximei-me da mala que também estava molhada e torci pra roupa estar seca.
É incrível como tudo dá errado!
Fechei a mala pesada pelas roupas molhadas e tive um pensamento repulsivo, de sair na chuva e pelo menos tomar um “banho” na água fria. Pelo menos eu não ficaria cheia de lama.
Depois de longos minutos sentei em um canto e me encolhi com frio.
A porta rangeu e uma imagem de um homem surgiu. Eu podia ver claramente Grissom andando em direção a sua mala sem ao menos me olhar e com as mãos abanando.
- Achou algo? – minha voz saiu casual.
- Depois de uma longa caminhada lembrei-me que estava chovendo! – sua voz bem irônica, seu olhar então procurou o meu – Não se trocou?
- Se reparou está tudo molhado. – revirei os olhos.
Ele murmurou algo que nem preferi responder.
Grissom se abaixou em frente a sua mala e ficou ali por longos minutos.
Fiquei o tempo todo o observando, curiosa.
Ele se virou e sorriu pra mim.
Franzi a testa e olhei melhor pra ele e o vi com um muda de roupa. Na mesma hora fiquei de pé e andei em sua direção.
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