Amores Da Vida 1.2
1 Começando com o pé esquerdo u.ú
Notas iniciais
Meu coração pulsando muito mais em questões de míseros segundos. Minha cabeça latejando com a pressão do sangue que fluía em minhas veias insistentes, me deixando cada vez mais irritada.
- Sara! — dei um leve pulo do assento olhando pra Grissom que me avaliava — Esta se sentindo bem?
Não respondi, apenas virei o rosto querendo não mandar ele pra aquele lugar bem indecente.
- Sara?! — seu dedo pressionou a carne de meu braço, me fazendo tremer e me afastar um pouco mais. Como se adiantasse ele me cutucou mais uma vez e meu olhar se voltou a ele cheio de cautela.
- O que foi? — minha voz sai mais baixa do que pretendia.
- Esta, bom... — mais uma vez ele me olhou por inteira — Esta bem?
- É só o balanço do ônibus que me deixa... — franzi a testa reparando em algo — Não lhe devo satisfações.
- Calma, só estou preocupado, embora...
- Grissom. — o interrompi e agora minha voz subiu algumas oitavas, fazendo com que uma senhora me olhasse do assento da frente, encarei Grissom e tentei continuar o mais baixo possível — Estou bem, ok? Só me deixe... Em paz. — me virei pra janela novamente com a testa ainda franzida.
Nada mais ele falou, deve ter dado de ombros ou talvez tivesse reparado que eu não estava de brincadeira.
**~~
Um toque quente... Mais um toque quente... Outro toque quente, mais quente e muito mais...
Meus olhos se abrem quando sinto esse calorzinho sumir por um instante.
Passo as costas da mão nos olhos e olho ao redor vendo Grissom me encarando com aquele lindo par de olhos azuis.
- Por que esta me olhando? — abro a boca pra continuar, mas reparo que o ônibus esta vazio e parado — Por que me acordou? E além do mais, por que estamos parados?
- Chegamos à primeira rodoviária, estamos com sorte por estar vazia.
- Bom pra você! — fiquei de pé a fim de sair dali.
- Espere. — Grissom segurou meu pulso me fazendo girar e o encarar — Leve a sua mala pelo menos.
- Por quê? — o encaro ao puxar a minha mão.
- Tem ladrões nessas áreas e eles...
- Ah. — olho em volta vendo malas à volta — Acho que não vão entrar em um misero ônibus.
- Leve. — ele pediu sendo gentil.
Bufei e praguejei algumas coisas, mas peguei a mala como foi pedido e sai do ônibus, pro final da tarde ensolarada.
Um fim de dia bom e quentinho. Um sol alaranjado, com tons pastel que fazia uma bela paisagem em volta das colinas ao longe.
Respirei fundo, sentido o ar fresco de longe da cidade poluída e falsa.
**~~
- Odeio carregar essa mala! Pra que ouvir você? Por que faço isso. Qual o meu problema...
- Sara?! — olho pro lado e Grissom esta com a testa franzida e me encarando.
- Sai de perto de mim. — falei mal-humorada.
- Vamos tomar um café! Sem estresse. — ele sorriu, ele sorri o tempo todo, como se tudo estivesse perfeito pra ele. Qual o problema dele? Ele foi embora, a regra era "Não vamos mais nos ver". E agora o desgraçado estava em uma viajem comigo? Voltando pra minha terrinha miserável natal.
Puxei a minha mala. Deixei Grissom pra trás e segui em frente até o restaurante.
Sentei no balcão deixando a minha mala do meu lado. Peguei o cardápio que estava jogado por ali e abri olhando as variedades de comida.
- Quero um café com leite com açúcar e pode me trazer também esses biscoitos amanteigado... — fiz uma careta — Anotou isso?
O homem me olhou de cima a baixo e depois pro meu lado.
- E você senhor o que vai querer?
- O mesmo que o dela. — arregalei os olhos, não acreditando que Grissom ainda tinha a incrível coragem de sentar ao meu lado.
- As mesas estão cheias. — ele agora ler mentes também.
O ignorei de principio, mas eu estava sentindo o olhar dele pesar em cima de mim. Eu podia sentir o olhar dele em mim, ele estava me olhando, com certeza. Larguei o cardápio e olhei pro balcão que era manchado de tão velho que era.
Depois de alguns instantes o mesmo homem voltou com dois pratos.
- Esse é o seu. — ele se virou pra mim — E esse é do da senhorita. — ele sorriu falsamente.
- Não me olhe assim. — murmurei pro garçom.
- Só estou trabalhando. — ele deu de ombros indo pro outro lado do balcão.
Comi alguns biscoitos e bebi meu café com leite. Estava quase perdendo a fome, porque eu sabia que ele estava me olhando, na verdade me encarando, e aquilo estava começando a me incomodar profundamente.
- Pode me passar o açúcar?
Peguei o açúcar e passei pra Grissom sem ao menos olha-lo.
- Obrigada.
- Para. — me virei rapidamente e olha só...
Grissom levou um susto derramando seu café em minha blusa.
- Ah, o que?! — me olhei, toda suja de café que estava bastante quente — Não acredito!
- Por que fez isso?
- Agora a culpa é minha? — franzi a testa segurando a metade da blusa suja — Agora estou toda suja. Idiota.
- Quer ajuda? — ele ficou de pé.
- Não se aproxime de mim! — estiquei o braço e olhei pros lados. Tinha um banheiro do outro lado do restaurante. Era pra lá que eu iria...
Notas finais
Até o próximo capitulo.
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