Amora
4 Capítulo 3
— O que quer? — Perguntei enquanto olhava fixamente para o homem parado em minha frente. Ele estava com as duas mão ao lado do corpo, mas não conseguia identificar se havia alguma arma com ele.
— Apenas passar uma informação para a filha de Margarida e Phillip. Espero que leve essa mensagem para seus pais, e deixe que eles saibam o que irá acontecer caso façam algo que não deviam.
— Do que está falando? Não faço ideia de quem seja Margarida e Phillip. — Menti descaradamente. Não era bom que qualquer um saiba de minha família. Ainda mais pessoas que não conheço.
— Sei que sabe, criança. Eu sei que sabe, por isso, diga a eles que a decisão que eles estão para tomar vai mudar tudo. Tudo. — Disse, e assim, tão sorrateiramente quanto entrou se foi.
Tentei não me abalar com suas palavras, mas tenho que admitir que me assustou. Como pode ele saber o nome de meus pais e sobre uma decisão que eles ainda vão tomar? Tal decisão que nem eu tenho conhecimento sobre o que se trata.
Engatei minha montaria em um trote lento, ainda com a faca empunhada na mão e em posição de alerta.
Depois de alguns minutos, já estava no limite de minha propriedade. Os dois guardas que eram responsáveis pela segurança do portão, o abriram para mim, encarando-me com preocupação por notar que eu estava com a faca empunhada.
— Está tudo bem, senhorita Waasser?
— Ficará. Apenas preciso dar um recado ao meu pai. Com licença. — Falei enquanto ia conduzindo Nívea para os estábulos.
Com a pressa que me afligia, nem tive tempo de lhe dar uma maçã. Não me esqueceria de que eu teria que fazer isso amanhã.
Já estava indo para os aposentos de meus pais procurar por eles, quando me lembrei que ele provavelmente estaria me esperando na sala de treinamento dos guardas. Não me preocupei em trocar minhas roupas.
Chegando no lugar combinado, bati levemente na porta anunciando minha entrada.
— Entre. — ouvi a grave voz de meu pai. Entrei com as costas eretas e postura rígida. Pronta para a luta. Era assim eu que devia parecer para os guardas que estavam á minha espera
— Amora. Está tudo bem? Demorou. — Disse meu pai.
— Sinto muito pelo atraso e temo que não poderei participar da demonstração de luta hoje. — Comuniquei.
— E por que? — Perguntou o chefe da guarda, senhor Abner.
— Tenho assuntos a tratar com meu pai. — Respondi com a cabeça erguida.
— É urgente, querida? — Perguntou meu pai, se dirigindo á mim.
— Sim. Muito. Fui abordada por um desconhecido na trilha para casa. Dizia ter um recado para o senhor. — Quando falei isso, logo vi a preocupação no rosto de meu pai e senhor Abner.
— Está ferida? — Me perguntou meu pai.
— Não. Não foi necessário uma luta, mas acho que temos muito o que conversar. — Como resposta ele apenas assentiu para mim. Percebeu que seria algo mais sério dessa vez.
— Vamos até meu escritório, lá podemos conversar. — Disse.
Acenei com a cabeça para os guardas que estava na sala esperando o próximo comando e disse:
— Poderemos começar o treinamento amanhã. Sinto pelo imprevisto de hoje.
Depois disso, saímos e fomos para o escritório do meu pai.
Assim que passamos pelas grandes portas de seu principal local de trabalho, ele deixou transparecer todo o seu medo.
— Amora, diga-me, quem te abordou, o que aconteceu?
— Não se preocupe tanto, não ocorreu nada comigo, mas me parece que o senhor está envolvido em coisas sérias. — Falei.
Ele não me respondeu, apenas ficou aguardando para eu contar a história. Resolvi prosseguir.
— Eu estava voltando da casa de Justine. Eu ia trotando calmamente em Nívea quando um homem apareceu subitamente. — Expliquei
— Ele estava armado?
— Eu não vi nada em suas mãos, ele simplesmente se pôs a minha frente com os braços abertos, como se para não me deixar passar.
— Por que voc... — Meu pai foi interrompido pela minha mãe, que entrou no cômodo com brutalidade parecendo muito preocupada.
— Filha, você está bem? — Me perguntou, acomodando meu rostou entre suas quentes mãos.
— Eu estou bem, mamãe. Se acalme, eu estou contando a história para meu pai.
— Então recomece, quero saber o que houve. — Me disse.
— Eu estava saindo da casa de Justine quando fui abordada por um homem, que se pos a minha frente com o intuito de não me deixar passar. Eu logo saquei minha faca, para o caso de ser necessário uma luta. — Contei — Porém, ele não parecia estar armado. Ele sabia que vocês eram meus pais e sabiam seus nomes. Ele apenas queria que eu passasse uma informação para vocês. Segundo o homem, vocês estavam para tomar uma decisão que poderia mudar tudo, e deu a entender que as consequências não seriam boas.
Meus pais, que ouviam a história atentamente, se olharam com um ar preocupado.
— E eu, realmente gostaria de saber o que se trata, visto que parece ser uma situação com certa gravidade.
Eles simplesmente continuaram se olhando, pensando se deveriam me falar ou não.
Depois de um tempo de um pesado silêncio, finalmente meu pai se pronunciou.
— Eu vou chamar Abner para termos essa conversa. — Disse.
Assim que ele passou pelas portas, me voltei para minha mãe.
— Por que mãe? — Olhei bem para seu lindo rosto, observando bem todos os seus traços. — Nunca houveram segredos entre nós, até mesmo quando era assuntos de negócios, vocês sempre foram tão abertos comigo.
— Ah, filha. Nos sentiamos com a consciência pesada toda vez que tínhamos que convocar reuniões sem você para nos auxiliar com suas ideias. Porém, dessa vez, é muito mais sério, e nem nós mesmos estamos muito seguros de nossas ações.
— O que poderia ser tão sério para deixar até mesmo vocês sem certeza? — Perguntei, realmente assombrada. Meus pais são as pessoas mais seguras que eu conheço.
Resolvi esperar meu pai chegar. Me apressar não vai me dar respostas.
Assim que os dois homens passaram pela porta, nós nos sentamos a mesa. Tínhamos muito a conversar.
— Já contei a situação para Abner. Agora vamoa te explicar o que está acontecendo.
— Filha, primeiro precisamos que pense bem e tente entender o nosso lado. Estamos apenas tentando fazer o melhor para todos. — Disse minha mãe.
Ok. Agora eles estavam realmente me assustando.
— Bom. — Começou meu pai. Como você já sabe nós somos parceiros comerciais de todos os produtores dos ingredientes da pólvora negra.
— Parceiro comercial, ou dono? — Indiquei
— Chame do que quiser. — Disse Abner
— Continuando, temos totais controles sobre a produção de pólvora negra, e decidimos para quem iremos comercializar também. — Concordei com a cabeça.
— Sim pai, mas isso não é nenhuma novidade para mim.
— Paciência, pequena... — Repreendeu minha mãe.
— Deixe-me continuar. — Pediu meu pai mais uma vez. — Você está certa sobre isso, Amora. Porém, o que você não sabe é que, de um tempo para cá, Krigsland, tem nos ameaçado.
— Krigsland? Mas eu achei nós não tínhamos problemas com eles há séculos!
— Não exatamente. — Disse minha mãe. — Informações confidenciais sobre acontecimentos em outros países só chegam aos ouvidos de três departamentos. Alta nobreza, amazonas, e fornecedores bélicos. Quando eu era uma amazona, eram convocadas expedições para tentar conter movimentos rebeldes que vinham se espalhando em Kringsland.
Continua...
Fale com o autor