Amora
2 Capítulo 1
Desferi um golpe forte pela direita, logo desarmando meu pai. Apontei a espada para seu pescoço vendo ele se render com um sorriso orgulhoso no rosto.
— Bom golpe — Falou enquanto recuperava sua espada e ia guarda-la.
— Já?
— Tenho uma reunião com alguns investidores daqui a uma hora.
— Tá. — Resmunguei. Nossos treinos sempre duravam pouco.
Vi ele se dirigir a porta. Já ia saindo quando me lembrei do que minha mãe tinha me pedido.
— Pai! — Ele se virou me olhando — Mamãe pediu para avisar que nós iríamos a cidade hoje. Ela estava querendo comprar um livro novo.
— Que horas? — Perguntou
— Às quatro.
— Veja se ela pode esperar até as cinco. Acho que a reunião pode terminar até esse horário. Gostaria de ir com vocês.
— Tá bom... Inclusive, boa reunião... — Falei com um toque de sarcasmo na voz. Não era segredo para ninguém que essas reuniões eram terríveis.
— Muito obrigada. Boa aula de etiqueta para você também — Me respondeu com um sorriso travesso.
— Chato! — Gritei enquanto ele se afastava rindo.
Quando ele enfim saiu, comecei a arrumar as coisas na nossa sala de treino. Embora eu reclamasse do tempo que tinha para treinar, era muito grata por pelo o menos poder treinar. Não conheço mulher, tirando minha mãe e as amazonas, que podem manusear uma arma.
É quase uma coisa proibida, mas meu pai sempre quis que eu soubesse me defender. Vendo meu interesse crescente por armas desde pequena, ele acabou por me dar uma aula. Nunca mais deixei de treinar.
Minha mãe, na verdade, foi uma amazona por muito tempo, por isso tem treinamento. Mas depois que sua mãe morreu ela largou tudo e resolveu se dedicar inteiramente a mim e ao meu pai.
Olhei para o relógio pendurado em cima do arsenal. Tinha que ir me arrumar agora ou poderia chegar atrasada na bendita aula de etiqueta. Madame Claudine iria me fazer ficar mais de meia hora escrevendo repetidamente que é terrível quando uma dama se atrasa.
Coloquei minha espada no suporte e saí. Nossa sala de treino ficava do lado da estufa, mas vivia trancada. Não seria legal se qualquer um pudesse entrar e pegar as armas que quisesse. Apenas eu, meus pais e o capitão da guarda tinha acesso à chave.
Atravessei o jardim a caminho de casa logo me dirigindo para o meu quarto. Tomei um banho. Quando saí, coloquei um vestido azul de seda que Senhora Claudine insiste em dizer que eu fico cor um ar mais refinado. Vamos para a tortura.
— Conseguiu fechar o negócio hoje, Phillip? — perguntou minha mãe ao meu pai
— Sim. Semana que vem eles virão aqui novamente. Provavelmente vamos assinar o contrato.
— Você tem certeza que quer fazer isso, querido? — Perguntou minha mãe ao meu pai. Logo comecei a ficar mais antenada na conversa. Minha mãe era uma pessoa sorridente e que quase nunca assumia um tom preocupado.
— Vai ser o melhor para todos — Meu pai respondeu.
— O que vai ser o melhor para todos? — Perguntei.
— Nada com que deva se preocupar — Falou meu pai enquanto abria um sorriso. Ótima técnica para mudar de assunto. — O que acham de passarmos naquela hamburgueria depois de comprarmos o livro?
— Ótima ideia! — Concordou minha mãe. Resolvi não me ater demais nessas preocupações por enquanto.
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— Senhor e senhora Waasser! Senhorita! Quanto tempo não nos vemos. Como vão?
— Vamos bem, obrigado! — Respondeu meu pai. — Como vai senhora Äerd?
— Vou bem também, obrigada querido. — Respondeu a mulher
— Por que as mocinhas não vão conversar enquanto colocamos o papo em dia? — Perguntou o senhor Otto. A filha dele, Justine, veio para o meu lado.
— Que tal darmos uma volta em volta da praça? — Me perguntou
— Por mim tudo bem. — Respondi, ansiosa por finalmente poder colocar a conversa com minha amiga em dia.
A família Äerd estava conosco nos negócios faz bastante tempo. Justine e eu acabamos virando grandes amigas.
— Quais são as novas? — Perguntei.
— Você nem imagina! Yudi foi a minha propriedade com seus pais novamente ontem! — Exclamou animada. A quase uma ano ela cai de amores por ele. — Convidei ele para ir cavalgar comigo. Quando estávamos dentro dos estábulos nós....
— Vocês se beijaram?! — Exclamei animada.
— Sim!! Você nem imagina, Amora! Foi tão bom! E mais, ele me convidou para sair para cavalgar pela sua propriedade na sexta!
— Sério? Mas você acha que seus pais vão permitir? — Perguntei um tanto quanto preocupada. Justine sempre foi muito intensa em suas paixões. Na última, ela acabou sendo pega no flagra por seus pais. Me lembro o quanto chorou por não poder mais ir nas festas de sábado.
— Com certeza vão! Falei com Yudi da possibilidade de eu não poder ir por causa de meus pais. Ele me disse que quando chegasse em minha casa, conversaria com eles sobre suas intensões de ter um relacionamento comigo.
— Relacionamento? Já?
— Pelo o amor, Amora! Relacionamento, sim. Não é como se ele fosse me pedir em casamento. E se tudo correr bem, acho que poderíamos engatar em um namoro sem compromissos, dessa forma poderia continuar me divertindo nas festas de sábado.
— Você realmente não tem jeito. — Falei, quase a ponto de revirar os olhos. Justine tem uma personalidade um pouco expansiva.
— Você diz isso porque nunca beijou na boca.
— Nunca beijei por que nunca apareceu a pessoa certa! — Exclamei. Ela mais do que todos sabe como sou reservada em relação a isso.
— A pessoa certa já passou na sua frente umas 5 vezes! Pessoas, seria mais apropriado.
— Não sei de quem está falando.
— Ah! Me poupe. Os garotos fazem fila para tentar ficar com você. Só não fica com eles porque é boba.
— Esqueça esse assunto. E quando acontecer, você vai ser a primeira a saber — Depois de minha mãe, pensei.
— É por isso que sou sua melhor amiga! — Falou enquanto dava pulinhos agitados pela calçada.
— Certo sua maluca. — Acabei rindo de sua agitação — Vamos voltar, acho que nossos pais já tiveram tempo o suficiente para conversar.
Quando chegamos, vimos que eles estavam apenas esperando.
— Tenham uma boa noite — Se despediram.
— Vocês também.
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