Amor=Jeff²
1 O Primeiro Dia
Notas iniciais
Capítulo 1: O Primeiro Dia
Eu estava no meu primeiro dia na faculdade de letras e estava indo ao banheiro... conheci Gustavo e Vanessa a alguns minutos atrás e tudo estava correndo bem, até agora. Acabei por não encontrar o banheiro e então resolvi pedir informações... avistei um moreno alto e com profundos olhos negros. Me dirigia até ele para fazer a pergunta...
Eu: Oi.
Garoto: Oi...?
Eu: Ah, meu nome é Jeferson e o seu?
Garoto: Meu nome é Louis. O que você precisa?
Não deu tempo nem de formular a resposta. Uma voz interrompeu todas as minhas intenções de perguntar qualquer coisa que fosse.
O que esse babaca quer com você, Jeferson?
Gustavo diz, já empurrando Louis na parede e o apertando violentamente. Gustavo é perceptivelmente maior que Louis, e isso me assusta. Olho para todos os lados, não há ninguém. Mas não sei se é bom ou ruim, agora não posso pedir ajuda a ninguém.
Eu: Gus... Gus... Solta ele.
— Então o menor lança seu corpo contra o maior, o derrubando. Logo depois disfere um soco na face do mesmo.
Por quê isso estava acontecendo? Qual o motivo da briga?
Eu: Parem. — Digo já me metendo para separar, segurando os braços de Louis. — Brigar é coisa de idiota. Não é assim que se resolve. Somos universitários, seus embustes.
Após puxar Louis, fico entre os dois. -
Louis: Esse idiota! — Grita o menor para o maior — Eu não te fiz nada.
Então Gustavo se prepara avançar outra vez sobre o moreno, mas eu acabo empurrando ele por um impulso. Gustavo agarra em meu pulso e me puxa bruscamente para voltarmos a sala, deixando um Louis furioso para trás.
Sei que deveria estar pedindo explicações, mas simplesmente não consigo com seu toque tão forte sobre meu pulso. Os puxões cessam quando Gustavo me deixa para trás e entra na sala.
Quando resolvo entrar, Regina está em meu lugar ao lado de Gustavo, acariciando sua bochecha vermelha. Sou notado por Vanessa, que envia um sorriso discreto. Fico sem saber o que fazer, o professor me encara. E o sinal toca, acabou a aula. -
Professor: Vai querer um mapa dos banheiros da próxima vez?
A turma rindo baixinho de mim. Que vergonha...
Após a aula, Vanessa e eu estamos indo em direção as lojas Saraiva. Encontramos Gustavo na frente do local quando chegamos... de começo, já precisávamos ler um livro para a aula de Literatura Americana e isto anunciava como seria minha vida na faculdade: Um desastre.
Gustavo: Oi...? — Ele diz quando passamos por ele, nos seguindo. -
Enquanto íamos até a Saraiva de Porto Alegre, estou de volta a pouco tempo e a cidade está tão diferente... morei por muito tempo aqui antes de eu e minha família nos mudarmos para Joinville em Santa Carina. Agora, estou de volta após conseguir uma vaga em letras na federal daqui da cidade. Atualmente estou dividindo um apartamento com as minhas melhores amigas Kathellyn e Julia.
Vanessa começou a falar sem parar, mas eu só conseguia prestar atenção no rosto bastante avermelhando e marcado de Gus. Quando chegamos, Vanessa disparou empolgada pela livraria.
Eu: O que foi aquilo? — Digo como quem não quer nada. -
Gus: Bom, pensei que... você estava com problemas. — Diz ele em um suspiro — Eu só quis ajudar.
Me sinto culpado ao ver sua expressão. Mas sei que não deveria.
Eu: Mas se foi para ajudar... — Digo virando o rosto — Obrigado.
Começo a caminhar pela livraria, tremendo porque sinto seus olhos fixos em mim. Gustavo fez algo tão desnecessário, sinto que preciso pedir desculpas a Louis também.
Chego no apartamento e encontre minhas amigas já em casa. Após várias risadas e lembranças do colegial, vou para meu quarto perto das 20:00. Pego meu celular e confiro meu Facebook, por alí a uma solicitação de Gus, eu aceito.
Penso bastante em procurar e enviar uma mensagem para Louis em seu Facebook, perto das 22:00 acabo por fazer isso isso.
[21:56 — Jeff]: Oi?
[21:56 — Louis]: Jeferson?
[22:04 — Jeff]: Sim, ahh, eu preciso falar com vc.
[22:04 — Louis]: Nn sei se é uma boa ideia
[22:11 — Jeff]: Pff, é importante. No Loko's daqui a meia hora?
[22:11 — Louis]: Ah...
[22:12 — Louis]: Ok.
Vou caminhando até o Loko's. Quando chego vejo um Louis com um olhar perdido, ele usa uma calça de moletom cinza e uma camiseta lisa preta, expondo seus braços muito bem definidos. Foco, Jeferson, Foco.
Eu: Oi... — Digo sentando na cadeira a sua frente. -
Louis: O que você quer? — Diz evitando olhar em meus olhos. –
Eu: Eu só queria me desculpar.
Louis: Por? — Ele continua não olhando em meus olhos, e está acabando comigo. -
Eu: Pelo o que aconteceu hoje, desculpa. — Digo em um suspiro. -
Louis: Ok então. — Diz ele, frio, já se levantando e indo embora. Penso em não fazer nada, mas quando ele atravessa a porta, me levanto e vou atrás dele. -
O vejo, apresso o passo e seguro em seu pulso. Ouço um suspiro. Está muito escuro e ele parece ter vindo caminhando. Eu precisava mesmo estar fazendo isso? Droga. Eu e minhas loucuras de querer estar bem com todo mundo sempre.
Eu: Louis... — Ele se vira, tirando seu braço de uma maneira rude. -
Ele não estava facilitando as coisas.
Eu: Está tarde, não vou deixar você ir essa hora.
Ele me fita sem expressão, um olhar que atinge minha alma. Seus olhos negros fixam em mim pela primeira vez essa noite.
Eu: Por favor...
O garoto concorda sem muita confiança e eu ainda não sei exatamente o que estou fazendo chamando um cara completamente estranho para minha casa.
Em meu quarto, Louis parece não ter vergonha em tirar suas roupas e ficar apenas com suas boxers em minha frente. Meu corpo inteiro treme quando ele vem em direção a cama de casal.
Louis: Eu poderia ter ficado na sala...
Eu: Não... Minhas colegas de quarto certamente iriam se assustar. — Digo eu com ciúmes de Kathellyn e Julia. Mas, ciúmes de algo que não é meu? -
Louis: Você está bem? — Pisco algumas vezes. Não havia notado, Louis já estava sentando e me pegou viajando. -
Eu: Claro... — Digo eu levantando, me trocando em sua frente. Sinto que me encara enquanto coloco uma bermuda velha para dormir. -
Vou até o banheiro, faço tudo que há de ser feito e volto para o quarto. Desligo a luz e me deito ao seu lado. Percebo que estamos muito perto quando sinto sua respiração em meu rosto. Quando sua perna toca minha coxa eu sinto que vou derreter. Passo minha mão em seu rosto, ele a pega e por um momento sinto que está apenas apreciando meu toque. Não vejo nada, mas sinto tudo.
Eu: Desculpa... — Digo em um sussurro. -
Louis: Sshh — Ele diz suave. E meu coração bate tão forte em meu peito. Então coloco minha mão em seu peito, e o coração do moreno bate igual. Ele se vira. -
Acabo por passar meus braços por sua volta, mas Louis rapidamente os retira do local, insisto e coloco de novo. Dessa vez ele não os retira, mas coloca sua mão acima da minha. Então pouco a pouco vou relaxando e acabo por dormuir.
Quando acordo, Louis já não está mais ao meu lado. Me levanto e converso um pouco com Kathellyn... ela dá risada e faz perguntas descaradas sobre o que eu e Louis estávamos fazendo ontem á noite.
[06:30 — Vanessa]: Não vou para a facul hoje, bjs. ❤
Me sinto deslocado sem Vanessa. Caminhando devagar, matando tempo. Vejo Gustavo, porém ele está conversando com alguns garotos e Regina. Regina. Regina. Regina. Me sinto furioso, não sei por quê, mas me sinto.
Observo todo o local e encontro Louis rodeado de góticos. Ele usa jeans escuro acompanhando de uma camisa bege e uma touca. Ele me nota e começa a esboçar um grande sorriso que rapidamente murcha. Olho para o lado e noto que Gustavo vem em minha direção.
Gus coloca a sua grande mão em minhas costas e começa a me guiar para sala como se estivesse fugindo de algo. A relação dele com o Louis é com certeza muito estranha.
Eu: Boa Tarde, Sr. Atrasadinho... — Digo Irônico. -
Gus: Boa tarde, Sr. Smile — Diz ele igualmente irônico. -
Escapo de seu toque e viro para lhe encarar. Ele usa uma calça de moletom preta junto de uma camisa vermelha. Seus olhos verdes me fitam com intensidade, ele é tão lindo.
Eu: O que está havendo? — Pergunto sério. -
Gus: Ah... O que? Não é nada. — Diz ele demasiadamente rápido — Já começou a ler o livro?
Eu: Gus...
Antes de terminar a frase, Regina aparece e se agarra nos braços de Gustavo. Os olhos azuis da garota me fitam como se eu fosse o predador. Não consigo engolir ela nem com mil copos de água.
Regina: Oi, Jeferson. — Diz ela com um grande sorriso — E Vanessa, não veio?
Penso em responder ironicamente, porém Regina não me fez nada de mal. Preciso deixar de ser idiota.
Eu: Rolaram uns imprevistos e ela não pode vir. — Digo calmo e sorrindo. -
Regina: Pode ficar comigo e meus amigos, se quiser, claro. — Diz ainda com seu sorriso perfeito e apertando mais o braço do garoto, que abre um sorriso igualmente grande. -
Eu: Ok...
Na sala penso que vou ser ignorado, mas não. Gustavo senta ao meu lado em todos os períodos, me ajuda com a matéria e faz piadas. As garotas estão o devorando com os olhos mas apenas eu tenho sua atenção. Desde sempre as aparências me agradam.
Tudo segue normal até Introdução a Literatura Americana, Sr. Matty formou um círculo de alunos para a leitura de alguns textos teóricos.
Estou preparando minhas coisas para voltar para casa, quando Gustavo aparece e puxa assunto.
Gus: Você tem carro?
Eu: Não... — Digo abrindo um sorriso tímido. -
Gus: Como você tem ido para casa? — Seus olhos me fitam com um misto de curiosidade e preocupação. -
Eu: De ônibus, sabe? — Digo ironicamente, já indo embora. — Inclusive estou atrasado, tchau.
Gus: Espera, eu tenho carro.
Eu: Oba, carona. — Digo animado — Vamos, motorista.
Gus: Não abusa da sua sorte, mocinho. — Diz fingindo seriedade. -
Durante o caminho tento identificar Louis pelo campus, sem sucesso. Não falo com ele desde a noite passada.
Gustavo: Algo errado? — Diz o maior desconfiado. — Quer alguma coisa?
Eu: Nada não, Gus. E a sua lata velha? — Digo lhe cutucando. -
— Quando ele inesperadamente segura meus pulsos e me empurra devagar até colidir devagar com algo atrás de mim. Nossos rostos tão próximos, olhares tão conectados. -
Gus: Atrás de você. — Ele me solta. -
Viro e acabo por me deparar com uma caminhonete branca em estado impecável. Me assusto ao sentir a mão do garoto em meu ombro e observar a outra abrindo a porta do carro.
Entro no veículo de uma forma robótica, meio desconfortável. Tudo dentro cheira a novo, estou impressionado. Gustavo me lança um sorriso malicioso que eu prefiro ignorar.
Não conversamos sobre muita coisa o caminho todo, vez que outra o menino faz algumas perguntas, uma em especial.
Gus: Hum... Você, sei lá, quer dar uma passada na minha casa? — Viro bem devagar para ele, como se não tivesse entendido. — Ah, esquece...
Eu: Não, não, vamos. Por mim beleza. — Digo tentando soar o mais heterossexual possível. — É... É longe?
Gus: Chegamos.
Me espanto ao olhar sua casa. São dois andares com paredes cor limão, sacada, grandes janelas de vidro. Um grande portão se abrindo, revelando uma enorme piscina de chão em um amplo jardim. Uma verdadeira mansão
Eu: Gus... É... Sua? — Digo, soltando a respiração. -
Gus: Tecnicamente sim, meus pais compraram pois é mais perto do Campus.
Eu: Nossa... — Não sei o que dizer — É muito bonita.
Ele sorri para mim de um jeito convencido. Ao entrarmos, os tombos seguem. A sala é ampla, toda em tons claros e com quadros de diversos tipos pelas paredes. O carpete é azul e há uma estante apenas com bebidas de diversos tipos. Estou de boca aberta. Ele me pergunta o que vou querer para beber, então digo apenas um copo de refrigerante. -
Subo para o quarto de Gustavo, não sem antes me perder pela enorme casa. O seu quarto é "simples". É espaçoso. Há uma enorme cama de casal, na parede superior uma TV de 49 polegadas pendurada na parede acompanhada de um PlayStation 4. Uma sacada e seu próprio banheiro.
Gus aparece com minha bebida e logo após vai tomar um banho. Começo a revirar seus jogos e em seus livros, afinal somos de letras. Encontro por ali a coleção de luxo de A Guerra dos Tronos, me espanto, essa coleção não sai por menos de mil. Ele sai do banheiro apenas com uma toalha branca, o que desperta as mais diversas sensações em meu corpo. O garoto me lança um sorriso sacana ao colocar as boxers ainda de toalha. E ele não tem um armário, mas sim um closet.
Gustavo coloca uma calça de moletom cinza, mas não uma camisa, deitando-se na cama logo após. Eu fico imóvel sentando na cama, o que farei? -
Gus: Ué, vem aqui... — Ele diz, então me deito lentamente e bem longe, ao passo que ele se aproxima e passa os braços em minha volta. -
Timidamente, deito a cabeça em seu peito. Estou sem fôlego, Gus se mantêm calmo, apertando cada vez mais meu corpo sobre o seu. A sua barriga é definida. O silêncio é grande.
Gus: Já começou a ler o livro para aula de Literatura Americana? — A sua voz sai rouca. -
Eu: Sim... Mas não estou conseguindo entender cem por cento.
Gus: Quer ajuda? — Ele diz acariciando meus braços, seguro um gemido. — Já li "Orgulho e Preconceito" em inglês umas cinco vezes.
Eu: Você faria isso? Obrigado. — Digo passando a mão por seu tanquinho. Me sinto ousado. -
Gus: Sabe, você e a segunda pessoa que vem aqui...
Eu: E... — Começo a abrir um sorriso — Qual a primeira?
Gus: Regina. — Meu sorriso se desfaz e eu levanto, ele vem logo em seguida.
Eu: Bom, preciso ir para casa. — Digo já me levantando, o garoto segura em minha mão e eu paro. — Gustavo, é sério.
Estou ficando com raiva. Ele deve ter feito o mesmo com Regina.
Gus: Eu te levo depois, vem cá. — Ele diz tudo em um gemido, não me aguento e volto aos seus braços. — Somos amigos, não somos? Concordo com a cabeça em seu peitoral. Gustavo pega seu iPhone última geração e abre um grande sorriso para bater uma foto. Ainda em seus braços, coloco um sorriso tímido em meu rosto. Então ele posta no Facebook com a legenda:
"A pessoa mais interessante do curso de letras até agora, meu sensacional amigo Jeferson."
— O maior larga seu celular e volta a agarrar meu corpo. Gus é apenas meu amigo. Amigo. Mas amigos... Passam seu tempo nos braços dos amigos? Eu não sei. Estou perdido, resolvo adormecer nos braços musculosos de Gustavo ao invés de pensar. -
Acordo com meu corpo totalmente entrelaçado com o de Gus, o quarto está gelado. Estou zonzo de sono, pego o celular do garoto e confiro as horas, são 18:00. Não satisfeito, desbloqueio e dou uma conferida nas suas notificações do Facebook. 1022 curtidas na nossa foto. Estou sem meu casaco, pois manchei de refrigerante. Então, invado o closet de Gustavo e pego um moletem branco que engole meu corpo quando coloco. Saio sorrateiramente.
Chego em meu apartamento e não encontro as minhas amigas. Tomo um banho rápido, saio e confiro minhas mensagens:
[20:10 — Gustavo]: Ué, por que foi embora??
[20:55 — Jeff]: Ah, tinha que fazer uns trabalhos e não queria te incomodar.
[20:55 — Gustavo]: Ah sim ): Vou levar seu casaco amanhã
[21:06 — Jeff]: Obrigado. (: Te vejo amanhã então?
[21:06 — Gustavo]: Claro, boa noite. (:
[22:35 — Jeff]: Boa noite. (;
Acordo no horário de sempre. O ônibus atrasa um pouco e eu chego tarde a faculdade. Vejo Louis e vou até ele.
Eu: Oi? — Digo e ele me devolve um olhar silencioso de raiva, logo após sai caminhando. — Oi, eu estou falando com você.
— O garoto caminha a passo rápidos enquanto caminho atrás dele. -
Eu: Hey, Louis... — Antes de completar a frase, Louis me segura em seus braços logo após gira e me joga contra a parede. -
Louis: Você é tão cara de pau! — Diz ele em tom alterado — Como você, como... -
— Ele cerra os punhos contra a parede. Estou assustado. -
Louis: Você dormiu com ele, acha que eu não vi a foto?!? Você deu... — Não o deixo completar a frase empurrando o garoto com bastante força. Logo após saio indignado, percebo que corre atrás de mim e viro.
Eu: COMO PODE ACHAR QUE SOU TÃO PROMÍSCUO DESSE JEITO?!? — Grito com todas as minhas forças, chamando a atenção de todos no local. Louis parece cair na realidade. -
Ele segura meus pulsos, com delicadeza. Estou com muita raiva das coisas que o moreno pensa que eu fiz. -
Louis: Tá bom, me...
Eu: Não, sem desculpas. — Corto ele. — Opinião é que nem c*, todos tem. Bom é que agora eu sei a sua.
Louis: Jef... — Me solto de seu aperto e entro em sala. Deixando um Louis raivoso para trás. -
Ao entrar na sala, abro um grande sorriso. Gustavo esta usando meu casaco do dia passado, ele usa uma calça jeans e tem seu cabelo volumoso despenteado. Ele sorri de volta, mas eu murcho quando percebo que Regina já ocupa meu lugar ao seu lado. Nem com Vanessa consigo ficar já que estou atrasado. Ótimo.
A aula inteira passa comigo quieto no canto, enquanto Regina arruma pretextos para alisar Gus. De vez em quanto o garoto olha para mim, mas não ligo, as palavras de Louis e o que ele acha que sou continuam em minha mente. A aula termina, mas como cheguei atrasado, fico para tirar algumas dúvidas com o professor Matty.
Na saída estou preparado para ir de ônibus, Vanessa já deve ter ido. Percebo que entre os poucos carros no estacionamento está o de Gus, abro um sorriso e vou correndo até ele. Arremesso meu corpo contra o de Gustavo, sinto suas mãos agarrarem minha cintura. Estou sorrindo de ponta a ponta e nem sei o motivo.
Voz Feminina: Hum, esse abraço está demorando muito, não? — Me Afasto do maior e olho para o interior do carro. Vejo Regina sentada no banco do carona. Me seguro para não revirar os olhos. — Então, vamos?
Regina não para de falar um minuto o caminho todo. Mas ela não é nada fútil, e isso me irrita. A garota fala sobre livros, séries, problemas do mundo e outros cursos que gostaria de fazer.
Regina: Eu simplesmente amo livros de fantasia. Senhor dos Anéis então...
Gus: Então, Jeferson. — O garoto finalmente corta Regina. — Por que se atrasou hoje?
Eu: O ônibus atrasou...
Gus: A partir de hoje vou te buscar de manhã também. — Ele me olha pelo espelho e Regina olha para ele com estranheza. -
Eu: Não, precisa. Sério.
Regina: Vocês já leram...
Gus: É claro que precisa. — Ele diz, acabando com a tentativa da garota de puxar assunto. -
Após chegar ao apartamento, dou uma conferida nas redes sociais e encontro uma mensagem de Louis:
[13:29 — Louis]: Me desculpe...
— Eu visualizo e ignoro. -
[14:01 — Louis]: Jeferson, fala comigo...
[14:12 — Louis]: Por favor, Desculpe
[14:56 — Louis]: Olha, eu não quis falar aquilo. Vc anda me deixando louco.
[15:45 — Louis]: Responde, eu sei que vc tá lendo
[16:30 — Louis]: Eu só quero seu perdão, tá bom?!?
[16:51 — Louis]: Eu não queria te machucar. Eu não queria mesmo. Mé dá uma chance de explicar, slá
[17:02 — Louis]: Fala comigo, eu te imploro crl
[17:02 — Louis]: Desculpe pelo "crl", fala alguma coisa, fala comigo????
[17:03 — Louis]:
Passo horas esperando Kathellyn e Julia chegarem, mas elas não aparecem. As mensagens de Louis estão acabado comigo. Quando ouço batidas na porta. Vou até a porta, com a barriga roncando por não ter almoçado. Abro e vejo... Louis. Não digo nada, simplesmente bato com a porta em sua cara.
Louis: Deus... — Diz ele segurando a porta, a qual tento de todo jeito fechar. — Jeferson, vamos conversar...
— Insisto um pouco mais, porém o garoto é mais forte. Ele empurra o objeto de uma forma rude, fazendo eu cair sentando. -
Louis: Ah, não — Diz o moreno de joelhos para me ajudar — Desculpa.
Eu: Pelo quê? — Me solto de suas mãos e mando um olhar furioso — Já pode sair.
Louis: Não! — Ele diz indo atrás de mim, sento no sofá com meu celular e ignoro o garoto. — Por favor, chega disso.
— Não respondo, nem me dou o trabalho de fitar seu rosto. Dois minutos se passam, Louis pensa bastante no que falar. O barulho de meu estômago denúncia. -
Louis: Ainda não almoçou?
Eu: ...
Louis: Vou cozinhar para você!
17:45. Louis está mesmo cozinhando para mim. O moreno usa uma calça de moletom preta e uma camisa azul de caveiras. E claro, o avental rosa de Ju. Ele está magnífico. Faz piadas, sorri e me elogia. Apenas dou respostas curtas e sorrisos tortos, mas sinto que vou ceder.
O cheirinho da omelete recém preparada exala pelo ar. Louis se apóia na bancada, o garoto me encara com um grande sorriso. Apenas fico olhando para seu sorriso, sem saber o que fazer. -
Louis: O que foi? — Ele diz murchando o sorriso — Vai continuar sem falar comigo?
— Como um pedaço da omelete. -
Eu: Hum... Isso está bom. — Digo tentando não demonstrar sentimentos, o sorriso de Louis retorna. — Nem Gustavo com todos os seus utensílios caros faria igual.
Me arrependo imediatamente do que falei.
Louis: Já vai trazer esse cara para a conversa? — Diz em um tom frustrado.
Eu: Eu... Eu parei de falar com ele depois do que você fez. — Minto na tentativa de virar o jogo. — E também parei de falar com você.
Após dizer isso me viro e saio da cozinha. Louis vem atrás.
Louis: Não, não... — Ele suspira. — Desculpa, afe. Desculpa de novo.
Após isso, ficamos por algumas horas batendo papo. Ou seja, Louis tentando puxar assunto e eu dando respostas curtas. Quando dou por mim já são 22:00 e eu não fiz absolutamente nada no apartamento. A bagunça é real e minha vontade de matar e ao mesmo tempo beijar Louis também.
Eu: Bom... Já está tarde de Louis. Quer que eu chame um taxi? — Digo debochado. — Ou vai caminhando?
Louis: Ah, meu querido. Não tem um canto para mim aqui?
Eu: Primeiro, não sou seu, nem querido. — Digo frio. — E tem, sim, o sofá.
Louis: Ah, mas essa sala é tão fria.
Eu: Não se preocupe, tem bastante cobertor sobrando.
Louis: Ah... — Ele diz em seu tom malicioso. — Outra noite você adorou dormir comigo.
Eu: Louis. Não enche. — Digo com uma ponta de raiva. -
Reviro os olhos quando Louis passa por mim em direção ao quarto. Que garoto abusado, senhor... e que transformação na minha vida. Só nos dias que se passaram já aconteceu mais coisas que em todo meu ano passado medíocre. Eu só não vou saber o que fazer com esses dois e nem o que será da minha vida agora.
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