Amor, é tudo o que você precisa.

1 Uma pitada de amor e nada mais.


Hannah Abbott era conhecida por seus amigos — e pelos amigos de seus amigos, como uma pessoa extremamente tranquila e que via o melhor do mundo, mesmo nos piores momentos. Era difícil vê-la com seu estoque de paciência e sorrisos esgotados. Levar a vida de uma forma mais leve sempre a fez mais feliz, mas existiam que a leveza se esvaia por seus dedos e tudo o que ela podia pensar era em uma forma de urrar que não estava tudo bem.

E bem, aquele fim de sábado era um desses dias.

A tensão pré menstrual estava a matando desde a hora que acordou com uma ligação de Oliver, a chamando para correr, o que ela com pouco carinho recusou. Sair para correr quando o que mais queria era ter um pote de sorvete em suas mãos e um filme triste passando na televisão? Nada feito.

Sem conseguir voltar a dormir a loira tomou seu banho, fez carinho em Dorian — o gato acinzentado que seu amigo tinha salvo semanas anteriores durante uma de suas corridas, colocou uma música e fez seu café.

Foi depois de seu ritual de "bom humor" que tudo desandou. E Abbott desejou que não tivesse saído da cama por nada.

***

A cabeça da estudante de música parecia pulsar de dor ao que ela entrou no apartamento choramingando no fim daquele mesmo dia. Tirou os sapatos perto da porta ao fechá-la e pendurou a bolsa e o casaco em um dos ganchos, se concentrou para tentar ouvir seu gato e quando chegou na sala levou a mão até a boca, balançando a cabela negativamente.

— Dorian! — ela grunhiu.

Papel higiênico limpo estava rasgado e jogado por todo seu tapete felpudo. Hannah sentiu a veia no centro de sua testa pulsar e esfregou os olhos.

— Você não pode fazer isso — disse séria e se abaixou até estar na altura do gato, que apenas miou e se esfregou em sua calça preta — Não pense que vai me ganhar com carinho, sabe que é errado. E agora Oliver terá que juntar isso tudo, ele é seu pai. Eu sou apenas um lar temporário.

O felino miou outra vez em discordância e a loira se levantou após dar um peteleco leve em seu focinho. Buscou o celular no bolso e digitou uma mensagem para Wood, prendeu o cabelo em um coque e foi para o banho.

Seu gato sujou meu apartamento todo, venha limpar e traga pizza. Tive um dia ruim :(

Como se fosse uma onda de azar naquele dia, em meio ao banho quente e relaxante, a água quente do prédio acabou ao que ela ensaboava seu corpo. Soltou um grunhido e escondeu o rosto nas mãos molhadas.

— Não acredito.

Sem qualquer sorte, sabendo que aquele era seu destino de qualquer forma, Abbott terminou o banho mais rápido que pôde e se secou, enrolando seu pequeno corpo na toalha. Olhou para o celular em busca de uma resposta e deu um pequeno sorriso ao ver a mensagem de Oliver.

Ele não é apenas meu, linda. Mas já ia levar pizza e meus cafunés de todo jeito. Até daqui a pouco.

Suspirou ao deixar o celular na bancada e pegou a escova de cabelos, soltou seu coque e começou a pentear os fios claros, cantarolando uma música qualquer. Sua pequena felicidade foi embora ao bater o polegar no olho, em um de seus movimentos.

Ela puxou o ar pelo nariz e se olhou no espelho. Tudo bem, o olho estava avermelhado, tudo bem, vai ficar tudo bem. Saiu do banheiro e foi para o quarto, passou o creme de baunilha e vestiu uma calça flanelada e uma camiseta branca com uma frase de Crepúsculo, tinha ganho de presente de Katie Bell, sua melhor amiga.

Passou os dedos nos fios e voltou a caminhar pelo apartamento, voltando para a sala. Dorian estava deitado em meio a sua pequena bagunça, se lambendo com a pata esticada e não a notou.

— Seu pai está vindo — murmurou, chamando a atenção do gato.

A cabeça acinzentada a olhou e então o felino voltou a colocar a língua para fora, lambendo a extensão de suas patas.

Hannah foi para a cozinha, sua cabeça ainda pulsava de dor e ela precisava de um remédio rápido.

***

Oliver tinha duas caixas de pizza sendo equilibradas na mão esquerda, destrancou e abriu a porta do apartamento de Hannah com a chave que tinha e a fechou atrás de si quando entrou no apartamento da loira. Retirou os sapatos e rumou para a cozinha.

Com o cenho franzido tentou forçar sua visão já que o cômodo estava com a luz apagada, ouviu um fungar no canto e deixou as caixas na pedra. Acendeu a luz e procurou pela loira. A encontrou no canto, sentada ao chão com a cabeça apoiada nos joelhos. Uma pequena bagunça no balcão em cima a ela, a caixa de remédios completamente revirada.

— Han-Han?

Ela resmungou algo e ele sorriu.

— O que aconteceu?

Abbott levantou a cabeça e o olhou com os olhos claros vermelhos, começou a falar sem parar, em meio ao choro e soluçou ao colocar as mãos na cabeça. Ele queria rir com a cena, ela parecia a ponto de perder o rumo de sua paciência, mas continuava sendo a mais doce visão que ele poderia ter. Se ajoelhou com um sorriso divertido e recebeu um olhar duro.

Ela estava realmente irritada.

— O que aconteceu? — repetiu a pergunta, esticando o braço um pouco para poder tocar no rosto dela.

— Esse gato estragou meu apartamento! — disse com um bico e puxou o ar pelo nariz, fungando — Eu perdi todo o trabalho na gravadora e... Meu remédio acabou. Parece que minha cabeça vai explodir e.. E... Bati o mindinho no armário quando peguei a caixa de remédios.

A loira falou tudo rápido, em um tom de voz trêmulo. Oliver sorriu para ela, fazendo-a bufar.

— Você está rindo de mim, Wood?

Ele negou com a cabeça, pressionando um lábio no outro. Seus olhos ficaram grudados um no outro e o loiro se moveu para a abraçar, como se fosse um bicho preguiça e soubesse o que ele iria fazer, Hannah se moveu para passar as pernas na cintura do mais velho e ele os levantou.

— Vamos para a sala, você escolhe um filme enquanto eu limpo a sujeira de Dorian e pego a pizza.

— Você trouxe pizza de que?

— Calabresa como sempre. E uma doce, chocolate e morangos.

A mais nova sorriu contra a pele no pescoço dele e suspirou.

— Estou quase te perdoando por rir de mim quando eu estou com raiva.

— Eu rir de você? Nunca nessa vida — murmurou ao colocá-la no sofá.

Ela inclinou a cabeça no ombro e ouviu o bichano miar do outro lado da sala, com o um pedaço de papel nas patas.

— Não minta para mim, Oliver.

— Não estou mentindo. Se alguém é uma piada para a outra pessoa dessa sala Han-Han, sou eu. Para você.

Wood bateu a ponta do dedo no nariz dela e se afastou, chamando por Dorian que o ignorou. Soltou um resmungo baixo e começou a pegar os papéis picotados do chão.

— Do que você está falando, Ollie?

— Não se faça de sonsa — riu com carinho e a olhou por cima do ombro — Eu ainda estou esperando você aceitar ou chutar minha bunda de vez.

Abbott abriu a boca e cruzou os braços em frente ao corpo, sua cabeça doía e a resposta estava pronta para sair. Mas não queria começar aquilo de novo. Era loucura. Ela e Oliver há alguns meses tinham saído, tomado mais vinho do que deviam e acabado um nos braços do outro. Como um casal.

Assim que ela contou para Katie o que tinha acontecido, viu a amiga agradecer aos céus. Mas então tudo ficou meio estranho, e tudo a irritava mais do que o normal. Porque ela não sabia o que aconteceria agora.

E a incerteza nunca foi uma boa amiga de Hannah Abbott.

Oliver descobriu o que se passava na cabeça da loira com a ajuda de um pequeno áudio de Lino, que explicou o que tinha ouvido na conversa de Bell com a outra garota. E como se a vida fosse um livro de romance, Wood disse que eles deveriam tentar algo.

Mas o medo não a deixou continuar com aquilo, e a deixou ainda mais irritadiça e movida por seu estresse.

— Han-Han.

Os olhos claros dela voltaram para o rosto bonito do atleta que a olhou com um sorriso.

— Não pense demais, sua cabeça vai explodir.

Ela riu baixo e abraçou a almofada de pelos.

A sala já estava limpa, a pizza na mesinha de centro e os pratos ao lado.

— Você ainda não desistiu dessa ideia, Ollie?

O mais velho deu de ombros ao se sentar ao seu lado, com um bico nos lábios secos. Talvez Hannah não tivesse que prestar atenção nos lábios dele, mas lembrar-se do gosto deles fazia o cérebro dela quase derreter de felicidade. O loiro pareceu perceber sua atenção extra e arqueou uma sobrancelha, um sorriso puxando o lado esquerdo de seus lábios. Ela sentiu as orelhas ficarem vermelhas e fechou os olhos ao que Oliver riu alto.

— Não acho certo eu desistir da ideia enquanto você continua me olhando assim — deu de ombros — O que pode acontecer de ruim?

— Não dar certo? — respondeu com uma pergunta, fazendo-o revirar os olhos castanhos.

Wood parou por um tempo e deu de ombros outra vez.

— Bem, só vamos saber se você aceitar.

***

Hannah tinha deitado no sofá, sua cabeça apoiada nas pernas de Oliver enquanto ele acariciava seus cabelos e Dorian estava deitado entre suas pernas. Viagem ao Centro da Terra passava na televisão, as duas caixas de pizza estavam vazias assim como a garrafa de suco. A frase do último filme que assistiram passava em sua cabeça.

Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue.

Sábia Hillary Duff, ou quem quer tenha dito isso pela primeira vez.

Notar como seu pequeno corpo se acalmou quando estava com Wood, a fez repensar em sua decisão anterior. Seria assim tão ruim se deixar levar pelos sentimentos? Poderia sim colocar tudo a perder e ver tudo dando errado, mas bem... Se ela não arriscasse nunca saberia.

Se moveu no sofá chamando a atenção do gato e a de Oliver para si, se sentou e o olhou séria.

— O que foi? — o loiro perguntou voltando sua atenção para ela.

— Eu aceito.

O atleta a olhou por um tempo, sem realmente entender o que ela queria dizer com aquilo e mesmo sob o miado em protesto do pequeno gato cinza, ela se aproximou.

Hannah Abbott beijou Oliver Wood.

E por um segundo, antes de derreter sob o toque dele, ela se perguntou o porque não o tinha feito antes.

Porque independente de como seu dia tivesse arrumado maneiras de a atormentar, Oliver sempre conseguia, como se fosse mágica, juntar cada pequena peça e a fazer sorrir outra vez.

Notas finais
Bem, eu sei que preciso escrever mil e umas coisas ainda. Existem muitas histórias minhas pausadas ?” e algumas que não saíram do papel. Mas precisava colocar em prática essa, que tomou minha mente nos últimos tempos.

É leve, doce e espero que tenha aquecido o coraçãozinho de vocês. Me digam o que acharam, por favor, o feedback é muito importante para minha melhora.

Espero que vocês estejam seguros.
See ya, vanprongs.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!