Amor é bem complicado...
10 Traumas que ainda repercutem.
Notas iniciais
Sara estava estarrecida com o que ouvia e sem saber se podia mais controlar a própria ira saiu dali, porém ela sabia o que viria depois. Toda vez que Sara passava por algum choque emocional ela começava a tremer sem controle do próprio corpo, em alguns casos ela até mesmo não se mantinha em pé, pouco depois sua pressão subia e ela rebentava em choro. Geralmente só se acalmava depois do choro, assim que passou por isso a primeira vez o que foi quando ainda era criança, foi levada a um psicólogo e foi afirmado que aquilo provavelmente se dava a seus traumas de infancia.
Sara saiu da sala e se encostou do lado de fora para pensar em algum canto que pudesse ir e ninguém a visse naquele estado. Resolveu ir para a sala dos armários, porém em seu caminho trombou com Jim.
– Sara? Você está branca como um papel. Está bem?
Ela pensou em negar, mas sabia que seria pior.
– Não. – Foi a única coisa que disse. Jim levou ela a sua sala, quando ela sentou ele pode notar o quanto ela tremia e parecia fazer um enorme esforço para não chorar.
– Querida o que está sentindo?
– Brass minha pressão, traga pra mim algo doce por favor? – Ele prontamente obedeceu e trouxe uma barrinha de chocolate das maquinas que tinham ali próximo. Sara literalmente devorou o chocolate e logo sentiu uma melhora nos tremores, ele trouxe um copo de água e ela bebeu aos poucos se recuperando.
– Preciso que me diga o que foi isso querida.
– Desculpe o transtorno Brass, não quis te atrapalhar. – Nesse momento ela já tinha voltado a cor normal e viu Grissom entrar de supetão na sala.
– Sara? Já ia te ligar pra saber o porque de ainda não ter voltado, os meninos me disseram que tinha saído com Wendy e não tinha voltara. Algum caso ainda em aberto? – Só então Grissom se atentou para o modo que Brass estava, sentado na mesa de frente para Sara segurando uma das mãos dela. – Aconteceu alguma coisa?
– Gil, oi pra você também, ficou sabendo que Sara estava aqui ou vinha falar comigo?
– Vinha falar com você. – Entregou um envelope ao capitão. – Preciso de um mandato.
– Ok! Vou ver o que faço. – Apertou a mão de Sara e se retirou da sala deixando chefe e subordinada a sós.
– Então, o que temos pra hoje? Já dividiu os casos? — Disse Sara na tentativa de disfarçar o ocorrido.
– Você está bem? Porque estava aqui?
– Nada de mais, só minha pressão que subiu e Brass me ajudou.
– Quer ir a um hospital?
– Não precisa, estou 100% agora.
– Costuma ter picos de pressão assim?
– As vezes, mas não precisa se preocupar, vamos?
– Ok.
Eles foram ao trabalho...
Ao fim do turno ela entrou na sala de convivência para pegar um copo de café e dá de cara com um aviso na cafeteira.
Café de estoque particular, proibido consumo.
Sara riu e imaginou que aquilo devia ser obra do Greg já que há alguns dias ouviu ele se gabando de um café que comprou e que era um dos mais deliciosos e caros cafés que já ouviu falar. Pegou a cafeteira e encheu sua xícara sentando junto a mesa. Alguns instantes depois ouviu Greg entrando e a cumprimentando, estava tão absorta no relatório de autopsia que analisava que não percebia que ele vinha acompanhado de Mandy e disse:
– Greg, acredita que tem algum metidinho, prepotente e egoísta que resolveu monopolizar a cafeteira?
– Mesmo? – Disse Greg surpreso — bem a maquina é do laboratório então... – Também se serviu do café e sentou ao lado dela.
– Você não tem nada há ver com isso não é mesmo? – Disse agora levantando o rosto e vendo que ao lado de Greg estava Mandy, resolveu a ignorar assim como Ela tinha feito algum tempo atrás.
– Não mesmo.
De repente Mandy sai de sua posição estática fuzilando Sara com o olhar, pega a cafeteira e derrama o conteúdo na pia próxima, recoloca a cafeteira no local e sai pisando funco.
– Ops acho que descobrimos o dono do café! – Diz Greg.
– Parece que sim!
– Qual é a dessa garota? Ela não pode monopolizar um utensílio da empresa.
– E eu não sei Grego?
Pouco depois Cathrine entra com um cara de estranheza e senta junto a eles.
– Mandy passou agora por mim se derramando em lágrimas, disse que tinham a ofendido na maior cara de madeira e nem se quer se importaram em ter expectadores.
Sara quase se engasga com o café.
– Sério? — Diz Greg.
– Sim. Esta sendo amparada pelos meninos na sala dela, até Grissom parou pra perguntar o por que de seu choro.
Greg olhava para Sara meio que esperando a reação dela.
– Sarinha você é fria como gelo sabia?
– Só quando quero! – Disse piscando pra ele que lhe respondeu com um sorriso. Catherine até então estava voando na conversa dos dois.
Pouco depois o restante do grupo se junta a eles.
– Acho que vou liberar vocês mais cedo hoje. – Disse Grisso ironizando, já que passava mais de duas horas do fim do expediente.
– Como o chefinho ta bom hoje! – Disse Nick com cara de desgosto.
Todos riram.
– Desculpem por isso, estão liberados agora.
Todos saem menos Sara que ainda estava com os mesmos arquivos de autopsia na mão.
– Você não finalizou seu caso?
– Sim. É só que o marido foi preso por agressão domestica e homicídio culposo, eu acho que ele tinha sim a intenção de matar a esposa.
– Me dá isso.
– Por que?
– Por que tá na hora de ir embora.
– Eu não. A Débora ontem chegou tarde depois de uma festinha que organizaram no projeto, sabe que a festa termina cedo, mas a limpeza não...
– E?
– Não queria atrapalhar o sono dela, ela tem um sono muito leve e eu ainda to uma pilha fora um monte de coisas pra fazer em casa.
– Acho que você tem mania de limpeza.
– Pelo contrário... Por isso que tem muita coisa pra fazer! – Riram os dois.
– Quer conhecer minha casa?
– E sua filha?
– Na escola, ou assim eu espero, hoje ela só volta a tardinha, tem pratica de vôlei.
– Hum... Tudo bem!
Sairão separadamente e Sara seguiu o carro de Grissom, já que não sabia onde ele morava. Ao chegarem ele a convidou até a cozinha para que tomassem café da manhã, colocou o café para fazer e alguns pães integrais no micro-ondas.
– Você tem uma casa linda!
– Obrigado! Então... – Disse e se colocou em pé ao lado dela que se recostava no balcão americano que dividia sala e cozinha, logo gentilmente a puxou pela cintura os aproximando mais. – Percebeu que desde que aceitou meu pedido de namoro nos não realmente temos namorado?
– É verdade! Isso precisa ser corrigido. – Dessa vez foi ela quem iniciou o beijo e não mais de forma sutil, mas já de forma abrasadora. Pararam quando o micro-ondas avisou que o pão já estava quente. Grissom ainda deu alguns selinhos nela e foi servir o café da manhã dos dois. Devido ao beijos Sara sentia seu rosto esquentar, por ser muito branca sabia que provavelmente estava vermelha, mas não de vergonha...
Sentaram e tomaram seu café em silencio, só com trocas de olhares. Ao terminarem ela pediu para lhe ajudar a tirar a mesa e lavar a louça, assim que terminaram ele perguntou:
– Você quer tomar um banho?
– Acho melhor não, daqui a pouco vou pra casa e tomo lá, aqui não tenho roupa nem uma pra trocar.
– Poderia passar o dia aqui, mais tarde conheceria minha filha e antes de irmos trabalhar passaria na sua casa para que trocasse de roupa.
– E com que roupa espera que eu passe o dia?
– Hum... Você deve ter algo no seu carro, como procedimento sempre levamos muda de roupa!
Ela até lembrava disso, mas daria tudo pra não ter que passar o dia de calça jeans e blusa de mangas ¾, pois essa era roupa que tinha no carro. Sara sempre gostou de se vestir com roupas mais frescas e confortáveis, mas não levaria como muda de roupa shorts e camiseta, então...
– Bem... Até tenho, mas passar o dia em jeans?
– Hum! Pode usar uma blusa minha.
– Não acho que sua filha encararia isso de uma forma boa.
– Você complica em? Façamos assim então, você fica até o almoço e depois te deixo em casa e não venha com mais desculpas. – Saiu dando as costas pra ela, pouco depois voltou e trouxe em uma mão uma blusa de botões e lhe estendeu a mão vazia para que ela pegasse. Sara deduziu que tivesse ido buscar a blusa na lavanderia ou algo do tipo, pois tinha aspecto de recém-lavada.
Ela pegou a mão dele e ele a levou para sua suíte, era um quarto grande com uma escrivaninha de canto e um notebook sobre ela.
– Pode tomar banho aqui e não se preocupe que não vou te atacar, vou tomar o meu banho no banheiro social. – Ele disse enquanto pegava uma toalha no guarda roupas e a entregava.
Ela deu um aceno de cabeça rindo de seu comentário e se encaminhou ao banheiro, tomou um rápido banho frio, o que para aquele dia era bem vindo devido ao calor que fazia e vestiu a roupa de baixo reserva que sempre tinha em sua necessaire e depois a camisa que Gil lhe emprestou, achou um pouco curta, mas não deixava nada que não deveria a mostra. Nesse momento viu o celular vibrar em cima de sua bolsa, pode ver que era um SMS de Débora.
– Vai dobrar o turno? Pensei em almoçarmos juntas, o que acha?
– Não dobrei o turno, to com o Gil, só vou pra casa depois do almoço.
– Ok!
– Só ok?
– Já não é mais uma bebê Sara, cuidado!
– Beijo!
Guardou o celular e foi saindo do banheiro com a toalha na mão e os cabelos ainda molhados, distraída como sempre não notou que tinha companhia. Gil estava sentado na escrivaninha, tinha tomado banho e estava de short, descalço e sem camisa olhando algo no notebook, ainda como estava pergunta:
– A água estava muito fria?
Sara foi se aproximando e o abraçou pelas costas.
– Sim, mas está calor, pra mim foi bom. O que está fazendo?
– Checando alguns e-mails. – Respondeu acariciando seus braços que lhe envolviam o pescoço.
– E então? O que temos para a tarde?
Ele se virou e quando ela fez menção de se afastar a segurou pelo braço puxando-a para seu abraço.
– Colocarmos o namoro em dia!
Não deu oportunidade para que ela responder, tomou sua boca com uma fome de Sara, ela correspondeu na mesma intensidade...
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