Minha aproximação com Damon estava realmente grande. Estávamos naquele estágio de amigos. Klaus estava insuportável em relação à isso e nossas brigas estavam indo para um novo patamar, principalmente por que eu tinha o apoio de Elena e Caroline. E para o Mikaelson, isso era demais.

— Vocês realmente estão defendendo o Quatro Olhos? — seu tom frio, aquele tom que apenas ele consegue usar fez eu engolir em seco, eu não conseguia o encarar quando ele falava daquele jeito. Mas Caroline sim, ela parecia não ser afetada com aquele tom de voz e o enfrentava como um valente leão, mas em comparação ao tamanho, ela era só um gatinho.

— Vamos defender o Damon, porque não tem nada haver vocês estragarem a amizade dele com a Bonnie! — a loira tinha seus olhos fuzilando o outro.

Ele quis retrucar, mas ele simplesmente não conseguia com a Caroline, parecia que as palavras sumiam, justamente para ele, o argumentador.

— Isso é patético, sabia? — Kai falou sem se importar realmente, ele era o irmão gêmeo de Josette, ele era insensível e sem noção. Não se importava se os amigos humilhavam ou falassem mal dela, de seus óculos enormes e seus aparelhos ou outras coisas mais — Aqueles CDF's não merecem nossa atenção, não vou perder meu tempo discutindo sobre isso.

Eu não entendia porque Kai falava daquele jeito sobre a própria irmã, como se ela não passasse de algo ridículo e insignificante. Ele olhava com aqueles olhos azuis cinzentos de canto e erguia o canto da boca em uma forma de "urgh, que asco". E aquilo não passava despercebido por mim e pelas meninas. Ele não era um poço de sensibilidade, mas era o de mistério e frieza.

— Aquela CDF, é sua irmã! — Elena falou com ultraje.

— E isso significa alguma coisa? — ele ergueu uma sobrancelha e aquilo a calou.

— Ninguém vai mexer com meu irmão, não na minha frente. — Stefan chegou e Elena pegou em minha mão de maneira forte, prendeu a respiração. Ele olhou para Elena e com aquilo ela estralou meus dedos tamanha força. Os olhos verdes brilharam, pensei que iria ver um sorriso ou alguma coisa calorosa, mas ele fez a mesma expressão que Kai fazia quando falava da irmã. Automaticamente meus dedos sentiram a pressão diminuir.

Klaus olhou para Stefan e sabíamos o final já. Eles não disseram nada, se encararam. Sentimos o respeito que sentiam um pelo outro, mas isso não se estendia a Damon. Klaus não mexeria com Damon enquanto Stefan estivesse olhando e Stefan não o defenderia de novo.

Tirando essas discussões bobas, meu pai estava realmente contente por minha aproximação com Damon. Ele ficou contente quando consegui o emprego e assim ficaria perto do italiano, mas a alegria ficou só ali.

— Desculpe, meu amor, mas agora é hora de assumir o papel de pai chato e ciumento. — ele me avisou dando um beijo na testa antes de que eu pudesse dormir.

Eu ri, não levei muito a sério, ele não se mostrava assim pra mim. Mas para Damon era outros quinhentos.

Todos os dias, depois da pizzaria fechar, Damon me levava até em casa no carro da pizzaria que ele usava para fazer o delivery.

— Ridículo esse carro, não é? — falou constrangido. — Pra que tantos adesivos de pizzas coladas...?

— Acho divertido. Ideia de seu pai? — perguntei arriscando um palpite.

— Pra variar. — ele revirou os olhos rindo.

O riso dele era tão lindo. Não conseguia pensar em ninguém que tivesse um mais lindo.

— Está entregue. — ele falou enquanto desligava o carro.

— Me senti uma pizza agora. — ri e ele corou violentamente.

— Não, me desculpe. Não foi nesse sentido. — falou rápido demais e isso me fez rir ainda mais. Peguei em sua mão que descansava no câmbio e meu coração começou a tamborilar fortemente em meus ouvidos.

— Eu sei, estou brincando. — o confortei — Não precisa ficar com medo sempre de falar alguma coisa que não deve.

— Eu tenho medo de verdade de te magoar sem querer. — falou olhando para a rua a frente — De te afastare de mi e no retornara piu.

Eu segurei um suspiro sem sucesso. Ele falou em italiano comigo... Sua voz grave falando em italiano, a franja em seus olhos azuis celeste, o maxilar quadrado trincado... E então ele percebeu que apesar de ser lindo falando em italiano, eu não sabia o que disse.

— De te afastar de mim e não voltar mais. — falou baixinho e eu não me segurei mais. Eu o abracei forte. Meu rosto em seu pescoço e suas mãos fortes em minha cintura.

— Eu não vou me afastar de você, Damon. — garanti e ele me apertou mais forte. Aquilo me fez arfar e ele me soltou preocupado — Tudo bem. Não me machucou.

Ele deu aquele sorriso de lado e eu derreti. Minha mão voltou a encontrar a dele e ele entrelaçou nossos dedos. Ele olhou minha mão na palma da sua e sorriu tímido.

— Sua mão é tão pequena e delicada... — ele falou baixinho — Você toda é...

Era minha vez de corar, ele estava concentrado em nossas mãos e eu só conseguia sentir as poderosas correntes elétricas que percorriam meu corpo todo por conta do toque de Damon Salvatore.

— Sua pequena... — sussurrei. Ainda estávamos perto por conta do abraço, uma de suas mãos ainda estava em minha cintura, me apertando gentilmente, mas era o bastante para que eu derretesse. Seu peitoral largo e forte subia e descia com força, como se estivesse com medo e nervoso por alguma coisa. Será que ele estava tão nervoso quanto eu?

Minhas palavras tiveram peso para ele. Senti isso, porque a respiração dele pesada cessou.

O mar de seus olhos encontrou os meus e por trás daquele óculos grosso e gigante, eu me senti aquecida.

— Minha pequena.

Eu me aproximei ainda mais de seu corpo, seus braço forte rodeou minha cintura e eu fiquei me perguntando como aquele nerd escondia uma pegada daquelas. Minhas mãos estavam em sua nuca e seu nariz gelado encostou no meu.

Sua boca estava perto demais da minha, sentia seu hálito de morango por conta da vitamina que tomou antes de me trazer para casa.

Eu sentia que poderia ter um piripaque a qualquer momento, mas somente depois de beijar aqueles lábios que me tiravam o sono em muitas noites.

— Bonnie! — Jer gritou da porta de casa e eu me assustei me fazendo afastar de Damon bruscamente — Papai mandou entrar!

Eu olhava assustada para Damon e ele me encarava de outra maneira, uma maneira que eu não consegui decifrar.

— Damon eu... — eu nem sabia o que falar.

— É melhor entrar, Bonnie. — ele falou gentilmente, mas algo estava errado.

— Certo... Boa noite, obrigada por me trazer. — falei e beijei sua bochecha pálida.

Desci do carro e andei para dentro de casa com o coração aos pulos. Minhas pernas bambas desabaram perto de Elena que me segurou.

— O que houve, Bon? — perguntou preocupada.

— Damon e eu... Oh, meu Deus... — falei sorrindo grande e ela me acompanhou.

— Se beijaram?! — ela perguntou sem conter a animação.

— Quase! Meu Deus, Lena... A pegada que ele tem e...

Me calei ao ver meu pai revirando os olhos e subindo as escadas para ir ao quarto.

— Vamos, no quarto você me conta tudo!

Subimos as pressas e depois de darmos boa noite para mamãe e papai nos trancamos. Enquanto eu me trocava eu contava tudo à ela que por vezes soltava gritinhos e pulava na cama.

— Foi por pouco, Bon! Você e Damon estão progredindo tanto! — ela dizia animada, mas o sorriso morreu.

— O que aconteceu? — perguntei preocupada indo para sua cama e ela deitou a cabeça em meu colo.

— Ainda não consigo esquecer como Stefan me olhou... Quer dizer, eu nunca fiz nada de mal contra ele. Sempre o tratei com carinho, com respeito, com amor... Ele não era assim. Lembra de como ele era antes de conhecer Katherine? Lembra de como ele era meu Tefinho? Éramos tão amigos... E então ele mudou, de uma hora para outra. Mudou comigo, com os amigos...

— Com Damon, também. — falei me lembrando das vezes em que ele passava na pizzaria. Com o pai era totalmente diferente, sorria, era atencioso e carinhoso, mas era somente o irmão mais velho chegar que ele voltava a sua redoma de vidro.

— Até com o irmão... — ela começou a chorar — Aquela vaca fez algo com ele, mas o que?! Ele não deixa mais ninguém se aproximar!

— Sei que isso não é problema para Elena Gilbert! — falei e ela sorriu fracamente — Sei que vai pensar em algo, sei que ele pode se fechar para todos, menos para você. Você sempre foi a exceção dele.

— Não era bem assim.

— Sempre foi assim. Te protegendo, cuidando de você, brigando para te defender de babacas que mexiam com você nos corredores da escola, você era a única garota que ele deixava se aproximar e que ele era grudado.

— Eu sempre fui só uma amiga para ele. — choramingou — E eu sempre fui apaixonada por ele.

— Ele também era por você. — falei — Só precisa o lembrar disso.

— Eu não consigo, Bonnie.

— Claro que sim. Você o ama. Vai conseguir.

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Damon não havia ido para o colégio no dia seguinte e a escola se tornou preta e branca, sem cor nenhuma... Sem graça e sem sentido. Não ter que lembrar Damon de sua senha, ver ele sentado perto de mim, sua voz respondendo todas as perguntas feitas e corretamente. Nada tinha graça sem ele ali.

Foi só quando eu cheguei na pizzaria que eu me senti viva de novo e... Perai... Viva?

Que intenso... Se sentir viva por causa de uma pessoa é demais, não é? Quer dizer, parece exagero, mas não era. Eu me sentia estanha sem os olhos de Damon, sua presença...

Quando o vi por trás do balcão eu só consegui correr para abraçá-lo. Forte, apertado e ali em seus braços descobri que era meu lugar sem sombras de dúvidas.

— Senti sua falta. — falei abraçada a ele. Ele era imenso e eu sentia que era um grande urso me abraçando — Porque não foi à aula hoje?

— Eu... Não me sentia bem. — falou e eu sabia que tinha algo a mais.

— O que você tem? — me afastei e segurei em suas mãos.

— Eu estava com muita dor de cabeça, apenas. — falou e ele soltou nossas mãos. Aquilo doeu.
— Eu estou falando de agora. O que você tem? Sei que tem algo errado. — falei e ele me olhou meio assustado.

— Como pode saber? — perguntou voltando a bancada e começou a preparar as massas de pizzas.

— Porque eu te conheço. — falei convicta.

— Será que conhece mesmo? — perguntou com pesar.

— Obviamente que eu te conheço!

— Não, Bonnie. Não me conhece tão bem assim. — falou se virando para mim — Se me conhecesse mesmo iria saber o que se passa dentro de mim, o que se passou dentro de mim ontem.

Eu me calei. Eu poderia despejar para ele que ele queria me beijar tanto quanto eu o queria. Mas e se ele me rejeitasse? Se eu dissesse e ele simplesmente não ligasse, ou pior, dissesse que nunca sentiria o mesmo que eu?

Porém, Damon é sensível e educado o bastante para não me esculachar.

Eu deveria arriscar?

— E o que se passou? — perguntei na defensiva.

— Você me conhece, não é mesmo? Fale você.

— Damon...

Ele se virou e eu o encarei. Sua expressão era de dúvida e dor?

— Porque você faz isso comigo? — perguntou enquanto se apoiava na bancada. Meus olhos percorreram seu antebraço musculoso e como ele segurava a bancada com força.

— Isso o que?

— Fica me testando, acha engraçado você mexer tanto assim comigo? — ele perguntou, os olhos tão claro agora pareciam escuros demais para meu gosto.

— Como assim, Damon? — a minha voz era curiosa e ao mesmo tempo afetada. Ele sempre me afetaria de uma forma ou de outra.

— Ontem...

— Ontem o que?!

— Ontem, se não queria aquela aproximidade... — o que?! — Se não queria me beijar... Porque se aproximou tanto? Não sabe o quanto você consegue me afetar?
Eu fiquei em silêncio absorvendo essas palavras. Aquela explicação. Era óbvio que eu queria o beijar. Era o que eu sonhava noite após noite.

— Eu gosto de você, Bonnie. — ele começou e eu quis muito que fosse da forma apaixonada que eu também gosto dele — E eu não quero que me frustrar. Eu não quero acabar com a amizade que estamos construindo.

— Acha que também não fiquei mexida?! — perguntei me aproximando. — Acha também que não me afetou?

— Bonnie, não chega mais perto se for pra se afastar daquela forma. — ele falou e sua voz me arrepiou, como ele franzia o cenho e unia o polegar e o indicador na ponte do nariz — Por favor.

— Eu vou chegar o mais perto possível, Damon. Para sempre. — eu falei e minhas mãos mergulharam para dentro dos fios negros e macios, meu corpo estava colado ao dele e suas mãos prensaram minha cintura a dele. Q-U-E. P-E-G-A-D-A! Se ele não estivesse me segurando eu teria caído de tanto que minhas pernas bambearam.

— Não tem nem como voltar atrás, Bonnie. — a voz saiu rouca e eu que queria seduzi-lo, acabei sendo seduzida.

— Não quero voltar.

E então sua boca venceu a distância e se encontrou com a minha.