Amor à segunda vista

8 Quando bate aquela saudade


Quando as aulas finalmente retornam, não consigo encontrar Hinata em lugar algum, nem no outro dia, nem no outro. A saudade que estou sentindo chega a me oprimir, meu peito dói por não poder vê-la.

Sinto tanta saudade da minha Hinata, que falta essa garota me faz!

Agora também, para piorar tudo, só no que consigo pensar é em seus lábios nos meus e nas sensações únicas que senti. Como eu quero beijar àquela boca novamente, sentir aquele corpo perto do meu, quero tanto Hinata em meus braços! Tanto que sinto meu coração ficar agoniado toda vez que penso nela e não a encontro na escola sorrindo grande para mim, com os olhos perolados brilhando.

Hiashi-san não tem o direito de me separar da minha Hinata, não agora depois de ter me apegado a ela ainda mais. Aliás, nem hoje, nem nunca! Mesmo antes de tudo isso acontecer, Hina já fazia parte da minha vida, como vou conseguir convencê-lo a mudar de sua decisão? Apesar de que, foi por causa do que fizemos em casa que ele quer separá-la de mim.

Meu pai me contou que ele pensa em mandá-la para outra cidade só para que eu não chegue perto dela. Onde já se viu? Ele alega que Hina é nova demais para namoricos e precisa se concentrar nos estudos e em ser uma mulher notável na sociedade. E, desde quando eu a impediria de conseguir conquistar quaisquer desses objetivos? Tudo o que quero é fazer Hinata feliz e estar ao lado dela, nada mais.

— Ei, perdedor. — é o Sasuke.

— Fala, teme. — respondo sem emoção.

— Por que está tão pra baixo assim?

— Ah, cara. Minha vida tá uma bosta. — resmungo comendo meu lámen sem muita vontade.

— Imagino, pra você comer com esse desanimo deve estar mesmo. — ele se senta ao meu lado meio desconfiado. — Cadê a Hinata?

Nesse momento eu solto um longo suspiro e inalo uma golfada de ar fresco.

Então conto todo o meu dilema.

— Realmente, esse cenário não é nada promissor. — Sasuke diz, depois que explico toda a situação a ele.

— As coisas não são fáceis. — murmuro com meu melhor tom melancólico.

— Quer dizer que finalmente você se tocou do que sente?

Sasuke parece bastante interessado no meu drama, o que acho bem estranho, mas vou aproveitar.

— Sim, depois de ficarmos presos sozinhos na minha casa, a ficha caiu. Eu gosto da Hina. — a constatação faz meu coração doer ainda mais.

— Me explica melhor, Hinata te viu naquele estado e ficou completamente constrangida com a situação?

Faço que sim com a cabeça.

— Amador! — Sasuke me dá um cascudo no cocuruto.

— Aí. — resmungo alisando o local. — Pra que chutar cachorro morto, cara?

— Antes de te ajudar preciso te ensinar algumas coisas. — ele me encara com um olhar diabólico.

— Eu hein, sai daqui. — dou um empurrão nele.

Sasuke revira os olhos e respira fundo, parecendo indignado.

— Sakura também não tem permissão para namorar, mas eu tenho alguns truques e vou te ajudar. Além do mais, como você deixou Hinata te ver naquele estado? — ele mantém o olhar de quem não está acreditando no meu relato. — Sua inocência me assusta, dobe!

— Foi sem querer, do nada ele acordou e Hina percebeu. Desculpa aê se não manjo tanto das paradas igual você. — ironizo e levo outro tapa na cabeça.

— Agora já chega! — exclamo, devolvendo o cascudo.

— Você quer ver Hinata ou ficar de graça comigo? — Sasuke segura meus braços e eu pondero por um segundo.

— Tem razão, qual é o plano, afinal de contas?

Finalmente sinto uma centelha de esperança me invadir.

— O plano é simples, você vai invadir o quarto dela à noite, eu vou te ajudar. — Sasuke faz cara de anjinho do mal e eu o encaro intrigado.

— O que você ganha com isso?

— Vai querer minha ajuda ou não? rebate um Sasuke irritado.

— Se esse é o único jeito de ver Hinata, então vamos lá!

(...)

Então, na calada da noite, quando até meus pais já foram dormir, eu saio sorrateiramente e, junto com Sasuke, seguimos para casa da Hina. Isso pode ser uma péssima ideia? Sem dúvidas. Principalmente levando em conta que os telhados devem estar extremamente escorregadios devido a neve recente. Também por que se Hiashi-san me pega, eu não chegarei nem aos dezoito anos.

— Sua bunda está na minha cara! — Sasuke reclama me ajudando a subir o muro.

— Eu estou escorregando. — retruco fazendo o possível para me segurar.

— Você é homem ou o que?

— Cala essa boca e me ajuda. — sussurro entredentes. — Queria poder ter alguns clones para me ajudar agora, eles seriam mais úteis do que você.

— Ah, é? — Sasuke me larga e eu quase me espatifo no chão.

— Desculpa, desculpa. Me ajuda aqui. — volto atrás arrancando uma gargalhada diabólica dele. — Droga, o que não faço por você Hina. — digo para mim mesmo.

Por fim, depois de muito custo, finalmente consigo avistar o quarto da Hina, a luz está acessa isso é um bom sinal. Ela me verá rápido e não precisarei fazer barulho para chamar sua atenção.

— Hime? — chamo, vendo sua imagem através da janela.

Sinto meu corpo e meu coração reclamarem de saudades, assim que a vejo. Ela está linda, vestindo um pijama de gatinhos e o cabelo se mantém naquele coque largo, com duas mexas caindo nas laterais de seu rosto.

Ah minha Hinata, como eu quero você.

No instante seguinte, vejo ela olhar assustada pela janela e notar minha presença. Imediatamente Hinata põe a mão na boca, completamente surpresa, mas corre para me socorrer. Ótimo, por que estou quase escorregando nos resquícios de neve.

— Naruto — ela sussurra meu nome docemente e sorri grande assim que eu passo pela janela e a envolvo em um abraço gelado.

— Hina, que saudades. — murmuro, apertando seu corpo contra o meu.

— Como subiu? O que está fazendo aqui? — a voz dela sobe uma oitava na última palavra.

— Vim te ver, precisava fazer isso.

Hinata me olha intensamente, então me puxa para um beijo, que eu correspondo de imediato.

— Como é bom estar aqui. — minha voz sai quase falhando.

— Que saudade de você, meu gatinho. — ela graceja sorrindo furtivamente.

— Gatinho? — não consigo deixar de sorrir também, meu coração dá um solavanco assim que ela me puxa de novo pela nuca e tasca um beijo na minha boca.

Coço a cabeça um pouco constrangido e logo enlaço sua cintura novamente.

Ficamos mais um tempo assim, apenas aproveitando a presença um do outro. Porém, logo minha razão retorna e eu me lembro o porquê de ter vindo aqui, preciso de um plano para estar com Hina, não posso ficar longe da minha garota.

— Hina... — tento me afastar, mas parece que existe um ímã entre nós.

Agora que descobri o quanto essa boca é gostosa, não consigo mais ficar longe dela.

— Hmmm... — ela murmura ainda me beijando.

Parece que enfim aprendemos como se faz, nossos beijos estão mais sincronizados e isso já está ouriçando todos os pêlos do meu corpo.

— Precisamos conversar, não posso ficar muito. Sasuke está lá embaixo e lá fora faz muito frio. — explico quase sem forças para deixar de beijá-la.

Todavia, depois que eu confesso isso, Hina também parece refletir por um momento e põe fim ao beijo, por conseguinte nos sentamos na cama.

Eu olho em seus olhos de lua cheia, seguro em suas mãos pequenas e reúno coragem para fazer o que eu vim fazer.

— Hina, foge comigo?