Amor à segunda vista
4 A inocência de Naruto
Como Naruto pode ser tão sem noção? Não acredito no que vi há pouco! Já tem uma hora que estou sozinha no quarto, morrendo de vergonha de encará-lo.
O que aconteceu lá embaixo? Quando veio em minha direção, sem querer, notei sinal de vida bem ali. Fora o fato de ele ter falado dos meus seios daquele jeito.
Agora não sei nem onde enfiar a cara, gostaria de ser um avestruz naquele momento. Senti meu rosto queimar tanto, a ponto de achar que iria explodir, como uma panela de pressão.
Certo, sei que Naruto é um bocado ingênuo perto dos outros garotos, também não faz essas coisas por maldade, mas aquilo foi demais. Será que ele sabe o que aconteceu? Eu que não vou explicar. Minato-san deveria ter esclarecido esses assuntos com ele, se bem que, também não sou uma expert nisso, por outro lado, não sou tão boba assim. Sei muito bem o que aconteceu, ele viu meus seios e ficou animado, que vergonha!
Também, o que eu esperava perguntando se algo em mim havia mudado? Bom, eu fui bem sutil na minha análise dele, já Naruto, é, ele não consegue ser sutil em nada do que faz. Naruto é muito espontâneo, não dá para prever suas ações. Por mais que o conheça há anos, ele ainda continua sendo uma caixinha de surpresas.
Bem, então eu o instiguei sem querer?
Será que ele ficou chateado pelo jeito que o tratei? Espero que não toque nesse assunto de novo. Melhor deixar pra lá. O que será que aquele cabeçudo está fazendo agora? Está tão silencioso lá embaixo, quando será que a neve vai dar uma trégua? Quantos dias ficarei presa com Naruto sozinha? E por que estou tão nervosa diante dessa possibilidade se estender?
— Hina. — ouço sua voz. — Se te chateei de algum jeito, me perdoa. Eu não sei direito o que aconteceu lá embaixo, mas percebi que te magoou.
Silêncio.
Tadinho, nem compreende os próprios hormônios.
— Tudo bem, Naruto. Mas nada de banho juntos. — dou uma risadinha, percebendo o absurdo das minhas palavras.
— Sério? Achei que tinha mudado de ideia.
— Naruto! — repreendo-o ainda dando risada.
— Brincadeira, meu pai já me falou algo sobre hormônios, cuidado e não desrespeite a Hinata em hipótese alguma. Agora me lembro. Mas na ocasião, acho que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Ah, Minato-san mencionou o assunto, menos mal.
Alguns segundos depois, ouço ele perguntar:
— Eu te desrespeitei?
— Não, Naruto. Você só se empolgou um pouco.
Sinto minhas bochechas esquentarem com a constatação. Se eu disser que nunca reparei em Naruto desse jeito, estarei mentindo e serei uma grande hipócrita. Aliás, quase morri do coração quando o vi ontem só de toalha e com os cabelos loiros completamente molhados. Pensei que fosse ter uma síncope e cair dura ali mesmo.
Ele é tão lindo!
Agora então, está ficando ainda mais, fora que ele está crescendo tão rápido, eu já preciso olhar para cima para encará-lo. E, mesmo assim, Naruto continua sendo bobo, tomar banho juntos, onde já se viu? Nos fazíamos isso quando tínhamos uns quatro ou cinco anos! Não sei nem como ele se lembra disso.
— Abre a porta pra mim. — a voz de Naruto me tira dos meus devaneios.
Me esqueci dele.
— Oi, Naruto. — digo tentando agir com naturalidade.
Assim que destranco a porta.
— Eu estive pensando enquanto você não estava. — ele diz, sem se levantar do chão.
— O que pensou? — tento encorajá-lo.
Noto que essa é uma das poucas vezes, que vejo Naruto verdadeiramente sério.
— Bem, eu acho que você começou a me atrair. — confessa sem me olhar nos olhos.
Dito isso, ele coça a nuca, como se falasse consigo mesmo.
Sinto meu coração dar uma cambalhota ao ouvi-lo, mas nada digo. Então Naruto continua:
— Uma vez o Sasuke me disse que a Sakura o atrai e eu não entendi direito o que ele quis dizer. Atração é isso o que eu senti há pouco? — ele me olha de lado, com uma expressão confusa.
— Bem, de certa forma sim. — tento ser diplomática.
— Eu te atraio, Hina? — ele me olha com os olhos cheios de expetativas e eu não consigo mentir.
— Sim, Naruto.
— As coisas realmente mudaram, não é? — Naruto parece falar mais para si do que para mim.
— Talvez, somos adolescentes agora. — afirmo e tenho o impulso de acariciar seus cabelos macios.
— E o que devemos fazer?
Ele é tão inocente, tenho vontade de guardá-lo em um potinho.
— Não precisamos fazer nada, ainda somos nós dois.
Naruto sorri para mim e percebo a névoa que pairava sobre sua cabeça se dissipar aos poucos.
Então, de repente, sinto um beijo estalado em minha bochecha e sorrio imediatamente. Naruto está de volta.
— Vamos lá para baixo. — ele se levanta e me puxa pela mão.
Por consequência, nós dois descemos de mãos dadas e eu fico me perguntando. Não precisamos fazer nada mesmo, podemos continuar sendo Naruto e Hinata, melhores amigos de infância, correto?
— Dessa vez eu farei o almoço.
Naruto vai até às cozinha e põe um avental rosa, eu gargalho alto ao presenciar a cena e só fico espiando. Ele está tentando fazer algo elaborado, mas não sei se vai dar certo, bom, a intenção é a que vale, não é?
— Me deixa ajudar. — faço menção de auxiliá-lo, mas Naruto me impede.
— Você vai tomar banho e lavar esse cabelo que está com cheiro de bacon frito agora. Ontem estavam tão cheirosos que eu quase desmaiei quando se sentou ao meu lado.
Por um momento, fico brava por ele falar que meu cabelo fede à bacon, mas depois percebo que estou cheirando a fritura mesmo. Aliás, Naruto falou que quase desmaiou com o cheiro do meu cabelo?
— Naruto... — tento contestar, só que é em vão.
— Vai, Hina. Confia em mim. — ele insiste dando aquele sorriso de estreitar os olhos.
Eu amo quando Naruto sorri assim.
Vejo que não vai adiantar discutir e faço o que ele pediu. Naruto na cozinha, não vai dar certo isso, enfim. Espero que ele não coloque fogo na casa.
Algum tempo depois, quando estou me enxugando, começo a sentir um cheiro forte de queimado e entro em desespero. Em resposta, visto a roupa o mais rápido que posso e saio correndo do banheiro.
— Naruto! — exclamo, vendo a cozinha cinza de tanta fumaça.
Então o vejo saindo do meio da cortina escura e vindo em minha direção, um tanto desapontado.
— Não deu certo. — faz um bico contrariado e eu acabo rindo da cena.
O que os pais dele diriam se estivessem aqui?
— Tudo bem, Naruto. Não fica assim. — mudo de expressão, ao notar que ele parece genuinamente triste.
— Só queria fazer um almoço decente para você.
— Hã, deixa pra lá. Podemos comer lámen instantâneo. — brinco arrancando um pequeno sorriso do garoto emburrado à minha frente.
— Bom, me deixe secar seus cabelos pelo menos, te juro que vou tomar cuidado.
Eu crispo os lábios, meio temerosa, mas sei que ele ficará chateado se eu não deixar.
Não dá para dizer não ao Naruto. Por esse motivo, seguimos para a sala, permaneço bastante receosa de que ele queime toda a minha cabeça. Se bem que meu secador tem potência baixa, é só eu regular direitinho e não vai me doer nada.
— Pronto, agora é só você chacoalhar ele até secar o cabelo. — explico e me sento no chão, no meio de suas pernas.
Naruto pega uma mexa de cabelo cheio de cuidado e começa a fazer os movimentos que mostrei a ele. Realmente parece estar tomando precaução para não encostar o secador muito rente à minha cabeça.
Como eu baixei a potência, está demorando um pouco mais para secar, já que eu também tenho bem mais cabelo do que ele. Porém, Naruto não parece se importar. Enquanto isso, eu vou sentindo vários arrepios no corpo, toda vez que Naruto encosta na minha pele sem querer. Além do que, sinto uma sensação de tranquilidade tão boa com ele mexendo nos meus cabelos. Sinto que posso adormecer a qualquer momento, será que é isso o que Naruto sente quando faço a mesma coisa por ele? Agora entendo porque gosta tanto.
— Pronto, Hina. Nem te queimei, tá vendo? — ele parece orgulhoso de si mesmo.
— Já acabou? — murmuro meio chateada. — Estava tão gostoso.
— Ah, agora você entende, não é? — Naruto retruca sorrindo. — Vem cá que eu continuo a afagar seus cabelos, não tem problema.
Eu assinto, deitando a cabeça em seu colo, em resposta; Naruto começa a acariciar meus cabelos de um jeito tão bom, com tanto carinho. Parece até que me aplicou um sonífero, pois, quando dou por mim, já adormeci novamente.
Fale com o autor