Amor À 19 Vista

5 Regatas vermelhas atraem problemas


Notas iniciais
Oi pessoas! ^^ Eu tenho mais um cap pronto, mas preciso passá-lo para o pc, mesmo assim não sei quando vou postar. Boa leitura ^^

Eu corria como nunca havia corrido na vida. Não sabia se fugia ou se perseguia. Só sabia que precisava correr. E, se parasse, as consequências seriam terríveis.

De repente, me senti muito perto do meu objetivo, fosse qual fosse. E eu soube. Eu fugia e perseguia. Fugia de mim, e corria para ele.

E quando o vi, ele não estava sozinho.

Estava com ela.

Acordei suando, exausta. Certa de que havia pesadelado, — já disse que amo inventar palavras novas? — mas sem me lembrar sobre o que era o pesadelo.

Algo me dizia que hoje meu dia seria péssimo. Mesmo assim me levantei, disposta a encarar qualquer desafio. Já disse que desconfio que em alguma encarnação fui uma Amazona?

Realmente preciso desfazer aquelas malas. Catei uma regata vermelha e um short. Coloquei a sapatilha. Me postei diante do espelho e fiz um rabo de cavalo.

Estava pronta.

Como a morta de fome que sou, fui hipnotiza para a cozinha pelo cheiro de comida. Sabe, eu realmente não faço a mínima ideia de como sou magra. Milagre? Quem sabe.

— Oi, vó! Bom dia!

— Oi, Adelina. Senta, eu fiz macarrão com aquele molho que sei que você adora.

E precisava de convite?!

Fui possuída pelo espirito da gula. De fato, eu devia parecer uma selvagem se alimentando. Mas não entraremos em detalhes. Não há necessidade.

— Precisa que eu faça algo hoje?

— Não, eu me viro. Por que você não vai tomar um sorvete?

— Boa ideia!

Decidi evitar o elevador, e usar as escadas.

Dei um aceno para André e sai saltitante. Ei, infantil é meu nome do meio.

Avistei uma mulher que vendia sorvete, e fui até ela, já pensando no sabor.

A mulher, com cara de cavalo, sorriu para mim.

— Olá, querida! Que sabor vai querer?

— Chocolate.

Fiquei admirando a paisagem enquanto ela confeccionava meu sorvete.

— Pronto.

Paguei e comecei a andar sem rumo, enquanto estripava o sorvete com a boca.

Algo, alguém, mais precisamente, se chocou contra mim. Senti um gelado e molhado no meu peito. Sorvete.

Olhei para Rafael. Por mais que eu tivesse passado o dia tentando não pensar nele, o desgraçado não permitiu.

— Nossa, eu não tinha te visto, Adel.

Ele falou o apelido que acabara de inventar para mim em um tom zombeteiro. Claro que tinha me visto, sem sombra de dúvida.

Contei até nove. Respirei fundo, e...

— Vai tomar onde o sol não bate!

— Só se você pedir com jeitinho. Aliás, nem vou dizer o que parece esse sorvete em ti.

Olhei para a regata arruinada. Parecia mer**.

Bufei irritada.

Agradeci mentalmente por estar de top, e antes que mudasse de ideia, tirei a regata e joguei nele, que a pegou surpreso com a minha atitude.

— Se quiser me atingir, vai precisar mais do que isso.

Dei as costas para ele, ignorando todos os olhares que recebia por onde passava.

Cheguei no portão, acenando para André, que abriu logo a porta.

Passei direto por ele, subindo as escadas correndo.

Entrei no apartamento ofegando.

Vovó me olhou com os olhos esbugalhados.

— Meu Deus! Onde estão as suas roupas?!

Pensa rápido!

— Hum.., você nunca viu ninguém assim? As pessoas se vestem assim toda hora. Tipo, um top serve para qualquer ocasião.

Terminei dando um sorriso nervoso, sem saber se ela acreditaria.

— Sério! Eu nem fazia ideia.

Vovó parecia pensativa.

Ela acreditou?!?

Meu Deus! Acho até que vou jogar na mega sena!

Antes que Terezinha mudasse de ideia, corri para o quarto.

Peguei meu notebook e fiquei andando pelo quarto feito uma barata tonta tentando achar sinal. Quando finalmente achei, sentei no chão mesmo e me acomodei.

Entrei no MSN, mas ninguém estava on, então só deixei um ‘oi’ para Lana.

Fui em alguns sites que sempre visito, e por fim entrei naquele em que realmente queria ir.

Era um blog da Lana. Minha amiga é uma garota muito romântica, que acredita em almas gêmeas e todas essas coisas. Nem preciso comentar sobre o que é o blog dela.

Hoje havia um post que ela fez sobre os sintomas do amor.

Li tudo com curiosidade.

No final, ela falava em como o amor é lindo e blá blá blá. É, acho que ela exagerou um pouco.

Quando termino, desligo tudo e guardo o notebook. Na mesma hora ouço a campainha. Como vovó não está à vista, eu mesma abro a porta.

Ninguém menos que ele está parado lá, escorado na porta.

— Pensei que me deixaria aqui esperando pra sempre.

Exagerado.

— Aliás, te trouxe a regata. E como prova do meu arrependimento, ela está limpinha.

Ele estende a peça de roupa em minha direção.

Tenho vontade de mandar ele se ferrar, mas quando vejo seus olhos viajarem pelo meu top para todas as ocasiões, num impulso pego a regata de sua mão e a visto rapidamente.

Meu maior erro.

No mesmo instante sinto uma coceira desgraçada.

O safado deve ter passado pó de mico, e planejou o olhar. E com certeza a gargalhada dele não ajudava a comprovar sua inocência.

Saio correndo em direção ao banheiro. Me jogo debaixo do chuveiro, e o ligo, sem ligar por ainda estar vestida.

No mesmo instante em que a água gelada me ensopa, a coceira cessa.

Respiro aliviada, e só naquele momento percebo Rafael me olhando da porta.

Reconheço aquele olhar. É o mesmo de ontem, quando estava praticamente seminua e dei uma de piriguete agarrando ele.

Fico paralisada enquanto o vejo se aproximar. Quase paro de respirar quando ele entra no chuveiro também. Rafael olha para meus olhos, como se pudesse ver minha alma, isto é, caso eu tivesse alguma. Um arrepio percorre meu corpo quando ele põe as mãos na minha cintura.

Quando se aproxima, fecho os olhos, já sabendo o que vem a seguir. Dessa vez, o beijo é terno. Calmo. Suas mãos me apertam, só para depois tirar a minha regata.

Não discuto. Pelo contrário, passo os braços ao redor de seu pescoço, aprofundando o beijo. Ele corresponde, me puxando contra si.

E quanto mais nos beijamos, mais eu quero que continue. É viciante.

O barulho do chuveiro é o único sinal de que isso não é um sonho. E sim, real.

Quando por fim nos separamos, nos encaramos ofegantes, ambos sem palavras.

Rafael afrouxa o abraço, até soltar-me completamente. Sinto um vazio quando nossos corpos se separam. Ignoro.

Dou um sonoro tapa em sua cara, digno de um troféu.

Ele nem parece surpreso, apenas se vira e sai, como se nada tivesse acontecido.

A única prova de que ele esteve aqui, foi o rastro de água por onde passou. Que eu terei que limpar, claro. De repente me arrependo por não ter dado dois tapas.

Desligo o chuveiro e tiro a roupa, pondo um roupão. Seco o chão enquanto penso em tudo que aconteceu.

Não é o beijo — os dois — que me assusta.

É o fato de eu querer mais.

Um pensamento surge na minha mente, mas eu o expulso na mesma hora. Não, isso nunca. Não é possível... Ou seria?

Notas finais
Caso vocês fiquem pasmos com a mancha do sorvete ter saído tão rápido, confiem no rosa. :P