Amor, uma droga necessária
4 Capitulo 4 - Fugir Não é Esquecer
Notas iniciais

POV. Renesmee
— Mãe?! — chamei, encostando na porta à frente dela. Bela estava deitada em uma espreguiçadeira, lendo alguma coisa.
— Fala, querida — disse. Engoli em seco. — Vem, senta aqui. — Chamou ao perceber minha apreensão.
— É que eu preciso conversar com a senhora — resmunguei, sentando ao seu lado e olhando para minhas mãos.
— O que você andou aprontando? — sorriu de leve.
— Mãe, você sabe que eu não apronto — revirei os olhos.
— E isso é bom — ela piscou. — Você não tem que ir pra escola?
— Tenho… mas quero falar uma coisa antes.
— Então fala logo.
— Você sabe que eu apoio muito a sua felicidade, que siga em frente e se case com o Jake — expliquei.
— Eu sei. E sei que é difícil pra você. Admiro muito isso — Bela comentou.
— Mãe, eu amo você. De verdade. Mas amo meu pai também, e essa viagem é muito importante pra gente se reaproximar. Eu quero ir. — Suspirei. — Mas não quero que cancele o jantar de noivado por minha causa.
— Eu não vou noivar sem você ao meu lado, Renesmee — ela negou.
— Adia só por uma semana. É o tempo da viagem ao Havaí. Quando eu voltar, participo — sugeri.
Ela me analisou por alguns instantes.
— Uma semana daria tempo de acomodar os parentes do Jake e organizar tudo — murmurou pensativa.
— Sim… — concordei esperançosa.
— Vou conversar com o Jacob direitinho e depois te aviso.
— Tá bem — sorri. — Agora preciso ir. — Beijei sua bochecha.
— Se cuida. Te amo.
— Também te amo.
Fui até a cozinha procurar as chaves do meu carro e não encontrei.
— Tá procurando o quê? — ouvi a voz do Jake.
— As chaves do meu carro. Você viu? — perguntei, virando-me… péssima ideia.
Ele estava com um calção jeans escuro, sem camisa, o peito definido e suado. Devia ter corrido. Minhas bochechas arderam ao perceber que eu estava reparando demais.
— Não vi, Nessie.
— Ah… eu… eu…
— Você, você… — Jake riu da minha cara.
— Preciso ir pro colégio. Já estou atrasada — falei rápido.
— Não entendi nada.
— Preciso ir pro colégio — repeti.
— Ah. Eu te levo. Só vou colocar uma camisa…
— NÃO! Eu posso ir sozinha…
— Dois segundos e eu te levo.
— Eu vou a pé.
— É longe. Eu te levo.
— Tá… — desisti, sabendo que aquilo era errado. Não mais errado do que beijá-lo… mas igualmente confuso.
— Ei, acorda — ele surgiu já vestido. — Vamos?
— Sim.
O caminho até a escola foi silencioso e constrangedor.
— Obrigada — murmurei ao descer.
— Não quero que fique estranho entre nós por causa daquele beijo — Jake disse sério.
— Não está estranho — menti.
— Toda vez que fico perto, você parece nervosa.
— É a prova importante de hoje — inventei.
— Relaxa. Se tiver metade da inteligência da sua mãe, vai gabaritar.
— Valeu… tchau.
— Até mais.
Assim que desci, Marie apareceu.
— Quem era aquele ser de espécie perfeita a centímetros de você?!
— O namorado… quase noivo da minha mãe.
— Você beijou um deus grego!
— Exagerada.
— Meu primeiro beijo foi com um garoto chamado Arnold… e ele tinha herpes.
— Você pegou herpes?!
— Sim. Não troco saliva tão cedo. Só profissionalmente!
— Profissionalmente?
— Não muda de assunto.
— O assunto é você ser louca?
— Não. É você ser uma safada!
— Não me chama assim, me sinto uma vadia.
— Aceita. Vive melhor.
— Cala a boca.
Ela riu.
POV. Jacob— Você beijou a menina?! — Paul exclamou, sorrindo.
— Foi um beijo infantil, sem língua — expliquei, passando as mãos no rosto.
— E você gostou?
— Ela mal sabia beijar.
— Não respondeu.
— Se eu gostar, isso faz de mim um pedófilo?
— Faz… mas é bom. Você tá pegando mãe e filha!
— Não tô pegando ninguém. Estou num relacionamento adulto com uma mulher madura e linda.
— Para de tentar se convencer.
— Tô tentando.
— Foi só uma vez, né?
— Bem…
— Beijou de novo?!
— Não. Mas sonhei com ela.
— Sonho erótico?
— Talvez.
— E como foi?
— Não vou falar disso.
— Como se fosse segredo de estado.
— Estávamos numa praia… e… transamos.
— Você tá numa pior.
— O pior é que agora ela foge de mim.
— Vai ver se apaixonou.
— Não viaja.
— Você beijou uma adolescente romântica, Jake.
— Você acha que…
— Não acho nada. Só não se apaixona.
— Até parece.
— Com aquela cara de anjo misturado com capeta… até eu.
— Segura tua onda.
— Quero ver quando ela aparecer com um namorado pedindo tua permissão.
— Vai se foder.
Meu celular tocou. Meu estômago gelou ao ver o nome dela.
— É o troféu do papai? — Paul zombou.
Eu só conseguia alternar o olhar entre ele rindo e o nome Renesmee brilhando na tela.
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