Amor, uma droga necessária
12 Capitulo 12 - Um Plano Para Continuar Amando
Notas iniciais

Pov. Jacob
Fiquei paralisado, estático, completamente mudo e sem ação. Minha mente se transformou em uma completa confusão, girando e revivendo os momentos e as escolhas que me trouxeram até aquele instante. Eu sentia a mão da Nessie apertando firmemente a minha, e os olhos de Edward e Bela nos olhando sem entender nada e, ao mesmo tempo, entendendo tudo.
— Espero que tenha uma boa explicação para isso, Renesmee — a voz de Edward saiu dura, e seus olhos se tornaram agressivos.
— É simples, pai. Eu e o Jake nos amamos — Nessie respondeu com uma certeza assustadora na voz.
E eu ali, sem voz alguma. Vamos lá, Jacob, você é um homem ou um rato?
— Como assim se amam? Você não estava se relacionando com a minha filha às escondidas, Jacob? — Bela deu um passo à frente.
Engoli em seco. Eu precisava responder, afinal a pergunta era para mim.
— Não é tão terrível como parece, Bela. Eu sei que pode soar absurdo, mas eu lutei muito contra isso. Eu não sou nenhum idiota, eu sei que isso é errado… — pigarreei ao olhar para Edward, que parecia que ia me assassinar apenas com os olhos — muito errado, mas…
— Você seduziu uma criança! — Edward urrou. — Como pode tentar nos convencer de que isso é algo normal?
— Eu não sou uma criança, pai, e tudo o que fizemos foi por minha livre e espontânea vontade — Renesmee afirmou.
— Como assim tudo o que fizeram? — Bela questionou, perplexa.
— Espera! — me adiantei. — Eu amo a Renesmee, eu não pude evitar, aconteceu. E eu sinto muito, Bela, se te traí. Eu realmente nunca tive essa intenção, ainda mais por uma menina de quinze anos.
— Renesmee, como você pode fazer isso comigo? Sempre tentei ser sua amiga e te entender acima de tudo, e você fica por aí se encontrando às escondidas com um homem de vinte e cinco anos, e ainda por cima que era meu noivo? Eu não te criei para isso! — Bela pegou a filha pelas mãos, afastando-a de mim.
Meu medo era que ela colocasse algo na cabeça da Nessie.
— Você a corrompeu! — Edward acusou.
Passei as mãos no rosto, completamente desesperado. Como eu ia explicar nosso amor a eles, se ninguém no mundo conseguiu explicar por que dois mais dois são quatro?
— Parem com isso! — Nessie gritou. — Mãe, você não pode me fazer sentir mal por amar o Jake. E pai, ele não fez nada comigo forçado. Nós nos amamos, e pronto. É simples. Por que vocês estão fazendo isso?
Ela se soltou da mãe chorosa e caminhou até mim novamente.
— Renesmee, entenda, não há nada de normal no que eu estou vendo — Edward disse com a voz mais amena.
— Pois então está vendo errado! Nosso amor é complicado, eu sei, mas é completamente real e verdadeiro. Não fizemos nada de errado — afirmei convicto.
Nessie concordou comigo. Bela nos analisou por alguns segundos e respirou fundo.
— Não podemos reprimi-la, Edward. Olhe para ela. Se fizermos isso, ela vai se afastar de nós.
Por um segundo, senti um fio de esperança.
— Você está tentando me convencer de que isso é aceitável? — Edward explodiu. — Você enfiou um cara desconhecido dentro de casa, que seduziu sua filha, e ainda fala com essa sensatez toda? Isso é um absurdo! Chega! Vou mandar você para um colégio interno no fim do mundo, Renesmee. E você, Jacob, se ousar chegar perto da minha filha novamente, eu juro por Deus que te coloco atrás das grades antes mesmo de você conseguir abrir essa boca para dizer um “ai”.
Um desespero tomou conta de mim.
— Você não pode fazer isso! Nos manter afastados não vai mudar nada — bradei, dando um passo à frente.
— É o que vamos ver — Edward rosnou entre dentes.
— Eu não vou a lugar nenhum com você! — Nessie gritou, chorando e segurando meu braço.
Edward pegou o celular.
— Entra naquele carro agora ou eu ligo para a polícia. Ele vai preso, e você nunca mais vai ver esse verme.
Senti meu rosto molhado pelas lágrimas. Nessie, mesmo soluçando, soltou minha mão e caminhou a passos vacilantes até o pai. Segurei seu braço.
— Não vai, Nessie… Bela, por Deus, onde está sua voz?
— Edward, não faça isso. Temos outros meios de resolver essa situação. Olha como sua filha está sofrendo! — Bela disse, incerta.
— Solte-a, vamos! — Edward ordenou.
Nessie me olhou, seus olhos tristes e desfocados pelas lágrimas me atingiram em cheio.
— Me solte, Jake. Eu jamais me perdoaria se você fosse preso. Eu vou voltar, prometo, e nunca vou deixar de te amar.
— Eu também nunca vou deixar de te amar, Ness — afirmei, beijando sua cabeça.
Edward a puxou com brutalidade. Meu peito queimava de ódio.
Bela nos olhou dividida e foi atrás deles. Caí no chão, estatelado como um saco de batatas. Meus amigos vieram até mim, mas o vazio em meu peito só crescia quando o carro de Edward arrancou.
Pov. RenesmeeChegamos em casa, e meu pai foi me arrastando escada acima até o meu quarto. As lágrimas embaçavam minha visão, e os soluços escapavam involuntariamente. Ele abriu a porta e me jogou sobre a cama, me olhando com raiva e decepção.
— Amanhã bem cedo pegamos o avião — disse firme.
— P-pai… n-não faça isso… — implorei.
— Já está decidido.
Ele saiu do quarto e trancou a porta por fora.
Chega de ser a filhinha perfeita. Peguei meu celular, que por incrível que pareça ele esqueceu de pegar, e liguei para o Alec.
— Nessie? Você está chorando?
— Alec, eu preciso da sua ajuda… eu tive minha primeira vez com o Jake e foi tudo tão perfeito…
— Que lindo, amiga! Mas por que você está chorando?
— Meus pais descobriram sobre nós e querem me mandar para um internato, bem longe daqui.
— Deixa comigo, princesa. Eu vou dar um jeito.
Meu pai voltou ao quarto e arrancou o celular da minha mão.
— Estava falando com ele?
— Não, estava me despedindo do Alec.
— Alec, esse é um menino com quem você deveria ficar e n… — meu pai começou.
— Pai, o Alec é gay! — bradei irritada.
Ele me olhou surpreso.
— Gay?
— Sim. A briga no colégio foi porque ele namorava escondido o Nahuel, que fingia namorar a Stacy para manter as aparências. Todo mundo descobriu, o Alec não negou, eles brigaram e eu fui me meter. Acabei levando um soco na cara — expliquei, entediada.
— Entendi… Quero só ver quando o Volturi pai descobrir — meu pai fez uma careta.
— É terrível quando a gente não pode viver o amor que sente — comentei, e ele me olhou severo.
— O seu caso é totalmente diferente — rebateu irritado.
— É claro… — resmunguei sarcasticamente.
— Edward, desça com a Renesmee aqui — minha mãe chamou.
Descemos. Meus olhos se arregalaram ao ver Alec parado no meio da sala. Ele estava machucado, com cortes nos lábios e um olho roxo.
— Olá, Nessie — ele sorriu.
Corri até ele e o abracei forte.
— Alec, que bom te ver.
— Está melhor? — perguntou preocupado.
— Sim. E você?
— Vou sobreviver.
— Então, o que o traz aqui, Volturi? — meu pai cruzou os braços.
— Ele estava me contando que vai viajar para a Escócia, onde fica o colégio que você pretende mandar a Renesmee — minha mãe explicou.
— Bom, depois da confusão, meu pai descobriu que sou gay e quer me mandar para longe até tudo esfriar — Alec pigarreou. — Eu vou de jatinho e queria a permissão de vocês para que a Nessie fosse comigo.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Aro Volturi vai deixar você viajar sozinho? — minha mãe desconfiou.
— Não. Ele mandou um homem de confiança comigo.
— Eu não vou nem amarrada na asa do jatinho! — protestei.
— Renesmee, seu amigo só quer nos ajudar a colocar sua cabeça no lugar — minha mãe censurou.
Alec me lançou um olhar claro: fica quieta.
— Tudo bem. Quando você vai? — meu pai perguntou.
— Hoje à noite — Alec respondeu.
— Então você tem minha permissão. Vou finalizar sua matrícula, Renesmee. Suba para arrumar as malas.
Subimos.
— O que você está fazendo? — questionei assim que fechamos a porta.
— Calma, eu já planejei tudo — ele sorriu. — Vou te levar para uma fazenda isolada do meu pai. Depois mando o Jake para lá. Seus pais vão achar que você chegou ao internato.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Você faria tudo isso por mim?
— Sim. Eu sei como é ficar longe de quem se ama. Você e o Jake merecem ficar juntos.
— Obrigada… mas como vai contar para o Jake?
— Já mandei uma pessoinha especial buscá-lo.
— Onde fica essa fazenda?
— Wisconsin.
Sorri, jogada na cama.
— Nem sei o que dizer…
— Agora me conta, como foi? — ele sorriu curioso.
Suspirei.
— Foi perfeito… mas quando meu pai me arrancou dele, foi horrível. Já sinto tanta falta.
— Relaxa. Minha cúmplice já deve estar chegando lá — ele piscou.
— Cúmplice? — arqueei a sobrancelha.
— Relaxa, ela não gosta da fruta que o seu moreno oferece — Alec riu.
Pov. Jacob— Jake, cara, você precisa se acalmar — Dan tentou argumentar.
— Eu não posso ficar sem a Ness. Eu vou enlouquecer! — puxei os cabelos, andando de um lado para o outro.
— Ei, grandão, assim você vai abrir um buraco no chão — uma voz feminina comentou.
Uma loira elegante saiu de uma Ferrari.
— Quem é você? — perguntei.
— Jane Volturi. Sempre chamada para apagar incêndios — respondeu, entediada.
— O que você quer aqui?
— Meu irmão pediu. Já que sua namoradinha levou um soco por ele, ganhou meu respeito.
— Como assim?
— A garota não vai para o internato. O Alec deu um jeito de levá-la para uma fazenda nossa, longe daqui — explicou.
Meu coração disparou.
— Vim te dar a excelente notícia de que um jatinho vai te esperar nesse endereço — ela me entregou um papel. — Esteja lá às nove.
— Eu vou — sorri, aliviado.
— É claro que vai. Agora preciso resolver umas coisas com uma tal de Stacy — Jane sorriu de forma macabra.
— Obrigado. Agradeça seu irmão por mim.
— É tudo pelo amor — ela disse antes de ir embora cantando pneu.
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