Kaku esperou um momento e certificou-se de que ele não reagiria. Caminhava em sua direção, empunhando a espada com vigor. Tinha em mente o golpe final: uma estocada certeira no coração do inimigo. Então, Gara interveio e lançou lasers em Kaku. Invadiu a arena do duelo e foi ao socorro de Shadam. Segurou-o nos braços e deu-lhe leves tapas no rosto. “Acorda, Shadam!” Continuava sem resposta.

“O que está acontecendo aqui? Não se pode interferir no duelo! Cotpotros, peguem-na!” O imperador Gorma pronunciou-se. Os soldados avançaram. Ela percebeu e desapareceu de lá com seu parceiro. Apareceu no palácio Gorma, mas sabia que precisava de esconderijo melhor, pois lá era previsível. Nem seu quarto era seguro. Correu para um lugar deserto e encontrou uma cabana abandonada. Colocou Shadam numa das camas presentes. Colheu água de um lago próximo, pois não havia na casa, e limpou suas feridas. Procurou pelas gavetas dos móveis e encontrou apenas um rolo de faixa. Não havia muito o que fazer, a não ser esperar que ele recobrasse a consciência. Sentou-se ao lado dele na cama. Aguardava uma resposta sua, ao mesmo tempo angustiada, pois a qualquer momento poderiam descobrir aquela cabana.

Shadam acordou. Antes de esboçar qualquer movimento, olhou ao redor e tentou entender onde estava. Não reconheceu o lugar. Ela o viu e respirou aliviada.

“Onde estamos?” ele perguntou.

“Numa cabana...bem longe dos Gorma...”

“Por quê? O que aconteceu?”

“Shadam...você quase morreu num duelo com Kaku. Você não se lembra?”

“Um pouco.” Pausa. “E qual é o problema com os Gorma?”

“Eu desobedeci a uma regra...E agora eles virão atrás de mim.”

“O que você fez?”

“Eu interferi no duelo.”

“Por quê?”

“Pra te salvar!” Ela se emocionou.

“Você tem certeza de que eles vão te perseguir?”

“Foi ordem do próprio imperador.”

Passou pela mente do coronel o momento em que Takamura, o monstro midiático, revelou-lhe que ela o amava. Tudo estava conectado. Mas ainda não tinha ouvido dela essa confissão.

“Por que você fez isso? Se você sabia que ia passar por isso agora, não era mais fácil--?”

“Porque eu te amo!” Pausa. “Era isso que você queria ouvir?”

Ele se levantou para ganhar mobilidade. Permaneceu em silêncio. Puxou uma cadeira e sentou-se de frente para ela, que estava sentada na cama. Ficou a olhar para a janela.

“Aonde vamos se eles nos encontrarem?” Shadam rompeu o silêncio.

“Como assim, 'vamos'? Você não precisa fugir, você não tem culpa.”

“Eu não vou te deixar sozinha.”

“Sabe que eles vão te perseguir...”

“Não me importo. Se eu dependesse deles, teria morrido lá.”

Ele segurou a mão dela, que o abraçou. Shadam pensou no que seria o futuro dos dois. Sentia-se responsável por ela agora.

Gara desfez o abraço. “A gente não pode se distrair. Mais cedo ou mais tarde, eles podem chegar--”

Ele a interrompeu com um beijo. Depois, voltou para a cadeira.

“Tem alguma ideia de onde podemos ir?” ele perguntou.

De repente, oficiais Gorma, munidos de uma junta de Cotpotros, arrebentaram a porta e entraram no quarto.

“Tenente Gara, venha conosco. Viemos trazer sua intimação.” um deles declarou.

“O quê?” Shadam reagiu.

“Ela interferiu no duelo. Quebrou uma regra dos Gorma. Terá de se explicar no tribunal.”

“Só por cima do meu cadáver!” Ele lançou lasers de seus olhos e derrubou os adversários. Pegou-a pelo braço e saiu da cabana apressadamente.