Amor sombrio
7 Capitulo - 06 Partes de Mim
Notas iniciais
Something always brings me back to you
It never takes too long
No matter what I say or do
I'll still feel you here
'til the moment I'm gone
You hold me without touch
You keep me without chains
I never wanted anything
so much than to drown in your love
and not feel your rain
Gravity — Sara Bareilles
Pov Oliver
Passo o polegar sobre o lábio inferior respirando profundamente e fechando os olhos com força. Não consigo me concentrar em contratos, propostas ou reuniões exaustivas essa semana.
– Oliver – escuto uma voz familiar me chamar calmamente, abro os olhos e o fito – esses dias você anda estranho – murmura Diggle sentando na cadeira a minha frente.
– Não é nada – respondo baixo.
– Eu sei que tem algo de errado com você – dá de ombros – conheço você há anos, então não tente me enganar – sorriu.
– Ray acha que pode tomar a Felicity de mim – resmungo seco. Ele ergue as sobrancelhas em surpresa e abre um sorriso animado. Reviro os olhos e empurro uns papéis para o lado.
– Ela é sua para ser tirada de você? – pergunta animado.
– Aonde quer chegar Diggle – rosno baixo.
– Você não respondeu minha pergunta – disse cantarolando colocando uma caneta de volta ao porta-lápis.
– Ela é a mãe do meu filho – digo baixo.
– E isso te dá o direito de ter comandos sobre ela? – sorrir – se você acha que sente algo por ela e não consegue demonstrar, precisa primeiro conhecê-la: do que gosta, como era de verdade antes de conhecer você. Pelo o pouco tempo que a conheci todo homem se apaixonaria por ela, até mesmo seu rival Ray Palmer.
– Sobre meu cadáver que ela vai ter algo com Ray – bufo me erguendo rápido – preciso ir.
– Aonde vai ? – pergunta atrás de mim.
– Hoje tem um baile beneficente para arrecadações de fundo para um centro de órfãos de Star City – digo com desdém.
– Você nunca compareceu a um baile beneficente – disse confuso.
– Sempre existe uma primeira vez – dou de ombros entrando no elevador.
– Você vai com acompanhante? – pergunta animado antes que o elevador se feche.
– Não é da sua conta – resmungo disfarçando um sorriso.
– Leve a Felicity... – grita sendo interrompido pelas portas se fechando. Me encosto na parede e espero chegar até a garagem.
[...]
Pov Felicity
– Você vai ao baile conosco Srta. Smoak – sorri Cait animada. Reviro os olhos e volto a ler meu livro – me ouviu? – resmunga puxando o livro e o colocando sobre a cômoda.
– Não, por que eu não vou – digo me levantando e indo para a cozinha em passos largos.
– Claro que sim – bufa – não vou deixar você sozinha em casa. Felicity, por favor, por mim – suspira – não quero ficar a noite toda sozinha enquanto o Tommy fala de negócios com os outros empresários. – suplica com os olhos pidões parando a minha frente.
– Oliver vai conosco? – pergunto receosa. Ela me olha surpresa e morde o lábio. – sim ou não Cait?
– Creio que não, ele não gosta desses bailes, sempre deposita cheques mais nunca comparece – sorri torto. Abro um sorriso seco e não posso deixar de ficar um pouco decepcionada parte de mim gostaria de vê-lo em um Armani alinhado ao corpo.
– Melhor assim – sussurro em desdém. Ela concorda com um aceno de cabeça e me ajuda a preparar um lanche.
As horas começam a se alastrar e se aproximar o momento do grande baile. Olho para meu closet, mas nada encontro para um baile da alta sociedade, o que me deixa alarmada. Cait volta para meu apartamento com uma grande caixa, sorrio e fico completamente admirada com que vejo, ela retira um vestido vermelho longo, em uma seda fina sem mangas com decote v pequeno, calda longa para o lado esquerdo deixando minha perna direita totalmente amostra, na silhueta possui uma fina camada de pedrinhas como um cinto bordado em dourado. Ela tagarela várias coisas mais não saio do meu transe com o vestido a minha frente divinamente deslumbrante.
– Estou indo me arrumar volto quando estiver pronta, ou seja, as oito em ponto Smoak – sorri e sai do quarto. Deixo-o sobre a cama e saio para um longo banho de banheira que me relaxa, não posso negar, nunca estive em um baile grandioso, a não ser a minha própria formatura. Depois do banho, volto para o quarto e me visto com o lindo vestido que cai perfeitamente ao meu corpo deixando minhas curvas notáveis. Optei por uma maquiagem leve aos olhos e um tom de vermelho intenso aos lábios. Deixo meus cabelos em um coque perfeito com alguns fios caindo sobre os olhos. Coloco um salto quinze dourado combinando com a minha carteira. Giro e vejo que não posso ser esposa de nenhum empresário, mais pareço uma grande dama agora, sem aqueles cabelos negros com mexas roxas, roupas com rasgos e sem saltos. Essa é a Felicity que existe dentro de mim e é essa a que quero.
– Você está linda – disse Cait de boca aberta parando atrás de mim. Ela veste um vestido preto sem mangas fechado entorno do pescoço, bordado em várias partes com pérolas negras, longo cobrindo o resto do corpo, com os cabelos soltos em ondas sobre os ombros e uma maquiagem leve.
– Obrigado – sorrio sem jeito – você está muito linda.
– Obrigada – gargalha e balança a cabeça – então vamos.
– Sim – concordo. Saímos do apartamento e pegamos o elevador até a garagem, Tommy está encostado ao carro falando ao telefone, com terno preto alinhado ao corpo deixando ele muito bonito. Entendo por que em ocasiões assim a Cait veste muito preto, para combinar com seu maridão. Ao nos ver ele desliga o telefone e acena.
– Pensei que fosse algum casamento – sorrir sarcástico.
– Engraçadinho – resmungo.
– Belas damas vamos para a nossa festa! – reverencia como um cavalheiro e acena para que nós entremos no carro.
Seguimos até o local, com longas risadas, Tommy não para de falar um segundo o que às vezes irrita a Cait, mas a deixa a admirada. É um lugar muito amplo com uma decoração impecável, definitivamente só os mais poderosos encontram-se nessa festa. Ficamos em uma mesa próxima a uma janela, Tommy nos apresenta alguns investidores e sai com ambos para um ponto um pouco distante. Um garçom se aproxima e Cait solicita uma taça de vinho, como não posso beber me contento com a água. Pessoas passam de um lado para o outro, não posso negar que me sinto perdida nesse meio, tomo um grande gole de água e respiro longamente.
– Felicity – disse Cait chamando minha atenção – você está bem?
– Sim – balanço a cabeça – é só que todas essas pessoas a minha volta me deixam um pouco zonza – sorrio.
– Entendo – sorri pegando a minha mão – notei que não tira os olhos da porta; desista ele não vem! – força um sorriso.
– Claro que não estou pensando nisso Cait – bufo – não estou atrás dele – aceno – isso não é um jogo.
– Oliver é um idiota mesmo depois de tudo que aconteceu ele não amolece aquele coração de pedra — resmunga bebendo um longo gole de vinho. Fico em silêncio fitando a taça a minha frente, até sentir uma mão grande e macia passar pelas minhas costas nuas.
– Felicity Smoak – sorrir gentil. Ray veste um terno azul escuro, cabelo liso para o lado com aspecto impecável.
– Ray – sorrio me erguendo e dando-lhe um abraço apertado. Ele parece surpreso, mas corresponde com um abraço aquecedor.
– Vejo que está se divertindo – sussurra animado.
– Sim muito – resmungo revirando os olhos. Me afasto um pouco, observo ele sorrir encantador deixando suas mãos a frente do corpo em uma postura formal – essa é Caitlin ...
... Merlyn – completa encarando a Cait – nos conhecemos a um tempo.
– Olá Ray – disse cética forçando um sorriso – bom, vou em busca do meu marido, se me derem licença.
– Claro – assinto observando ela se afastar rapidamente – nossa, isso foi tão estranho!
– Ela me odeia – dá de ombros – assim como o Thomas e o Oliver.
– Você não me parece um mal elemento – gargalho.
– Não sou – aponta para si animado – mais é o que parece para eles.
– Não para mim – digo sem jeito. Ele ergue as sobrancelhas e sorri. O silêncio se estende entre nós me fazendo voltar a sentar e acenar para que ele sente ao meu lado – por favor.
– Não. Por que não dança comigo srta. Smoak ?? – questiona estendendo a mão para mim.
– Não acho que seja uma boa ideia – digo nervosa olhando envolta. Uma música suave se inicia pelo o salão e as pessoas se encaminham ao centro.
– Por que não? – pergunta ainda com a mão estendida.
– Eu tenho medo de tropeçar ou cair nessas coisas – sussurro para ele.
– Enquanto estiver em meus braços, não irá passar por nenhuma dessas situações – pisca segurando minha mão – venha Felicity!
Abro um sorriso para ele e aceito seu gesto de cavalheirismo. Ele me leva até o centro do salão, envolvendo minha cintura com o braço e segurando firme a minha mão direita; deixo meu corpo ereto segurando firme seu ombro esquerdo – Não tenha medo – sussurra para me fazer relaxar.
– Tudo bem – sorrio engolindo em seco. Ele dá o primeiro passo e eu o sigo em movimentos leves. Ele me puxa para si, deixando nossos corpos mais próximos e olhando dentro dos meus olhos. Ele é um bom homem posso perceber, somos tão parecidos em partes.
– Por que não conheci você primeiro? – balbucio olhando em seus olhos.
– Temos muito tempo ainda – disse baixo fitando meus lábios. Sinto seu hálito de hortelã tocar minha face e ele se aproximar mais, deixo os lábios entreabertos, fecho os olhos sentindo um aperto leve em minha cintura. Antes que sinta os seus lábios me tocarem, sou praticamente arrancada de seus braços com um giro rápido. Abro os olhos assustada com Oliver me segurando pela cintura; seus olhos azuis queimam em irritação me perfurando sem pudor.
– Acho que seu tempo acabou Ray – rosna me segurando firme sem tirar os olhos de mim.
– Como você pode ser tão grosseiro? – revida Ray em fúria.
– Por que posso – sorri gélido voltando o olhar para ele. Abro a boca para responder, mas sou interrompida pelo seu polegar pressionado em meus lábios – melhor se afastar Ray – disse seco. Ray tentar dar passos até mim, mas é impedido por Tommy que o segura pelos os ombros e o arrasta para um canto do salão. Afasto sua mão com um tapa leve.
– Você enlouqueceu? – rosno irritada.
– Eu disse a você para não se aproximar dele – bufa me apertando ainda mais contra si.
– Pensei que estivesse bêbado o bastante para falar algo racional – sorrio sarcástica – agora me larga Oliver – tento me desvincular dele inutilmente.
– Não – disse sério – dance comigo!
– Não! – bufo irritada. Quanto mais tento me afastar, mas ele pressiona meu corpo.
– Não vou soltar você – dá de ombros.
– Se não me soltar eu vou fazer um escândalo – aviso séria. Ele parece se divertir com a cena e não solta.
– Se fizer isso, você irá sujar a imagem dos nossos amigos que trouxeram você, não a minha – disse com desdém.
– Idiota – bufo.
– Irritante – revida seco.
– Tirano – esbravejo.
– Fofa – sorrir sarcástico.
– Fofa é a senhora...
– ... Tenha bons modos – rosna segurando firme minha mão. Reviro os olhos e aperto sua mão com toda a minha força, mas ele não muda a expressão. Homem de gelo. A música recomeça e como o esperado ele não me solta; mesmo irritada, relaxo o corpo deixando a música nos conduzir. Diferente do Ray, seu corpo é convidativo e aquecedor. Seu enorme braço toma conta de toda a minha pequena cintura. Ele não tira os olhos dos meus, sua expressão é fria, mas ao mesmo tempo desafiadora. Ele fica muito mais lindo dentro de um smoking alinhado ao corpo. Um Deus grego aos meus olhos. Pisco algumas vezes receosa e fito seus lábios. Tudo nele é de tirar o fôlego. A música acaba e ele me solta. Dou alguns passos para trás e saio em disparada até a mesa onde está Cait e Tommy.
– Eu vou embora – resmungo nervosa pegando minha carteira.
– Não – dizem em uníssono os dois.
– Não posso ficar no mesmo ambiente desse dois – sussurro nervosa.
– Fique calma Felicity – disse Tommy – sente-se, por favor, falta pouco para irmos embora!
– Cada minuto aqui é como uma flecha, que pode ser atirada em mim a qualquer momento – reviro os olhos me jogando na cadeira.
– Oliver nunca comparece, por que disso agora? – pergunta Cait confusa.
– Talvez seja por que ele soube que a Felicity estaria com Ray aqui – responde Tommy com sorriso malicioso em seus lábios. Franzo o a cenho para ele que leva um cotovelada da Cait.
– Ciúmes? – pergunto incrédula.
– Por que não? – dá de ombros.
– Não! Jamais! Ele não sabe mais o que é amar, como vai saber sentir ciúmes de alguém de novo? — pergunto sarcástica. Antes que ele responda Ray se aproxima sentando ao meu lado.
– Você parece pálida – disse preocupado.
– Não foi nada – sorrio segurando sua mão. Ele passa o polegar por cima e me fita – deve ser...
– ... A gravidez — interrompe Oliver parando a nossa frente. Ray me fita surpreso e pisca algumas vezes. Engulo em seco e fuzilo Oliver com os olhos.
– Eu ia te contar – digo nervosa. Ele pisca e se levanta rápido soltando minha mão.
– Você está grávida? – pergunta nervoso.
– Sim – responde Oliver com desdém tomando um gole de Whisky – de mim.
– Parece confuso – me ergo rápido puxando Ray para o lado, olhando Cait e Tommy assistirem nossa cena animados – mas foi um erro meu..
– Erro maravilhoso – interrompe Oliver mais uma vez.
– Você pode parar de me interromper e me deixar em paz um segundo que seja – esbravejo. Ele não muda a expressão e volta a tomar seu drink – idiota.
– Não se preocupe Felicity – disse Ray chamando minha atenção – não importa se está grávida dele – o que me deixa surpresa e me faz relaxar – às vezes cometemos grandes erros; uns corrigimos outros convivemos.
– Essa é minha filosofia – digo admirada.
– Meu Deus não será mais um Queen Junior e sim um Palmer Junior — gargalha Tommy.
– Não enquanto eu respirar – rosna Oliver ficando a minha frente – ele é meu Palmer e mantenha distância dela ou terei o prazer de quebrar cada dente seu.
– Ela não é a Helena para ser controlada por você – disse Ray ficando a centímetros dele – só a deixarei se ela pedir.
– Ela não vai pedir nada em relação a você, eu já disse mantenha distancia dela – disse Oliver com a voz seca e cortante.
– Chega os dois – puxo Oliver para o lado – não sou um brinquedo para ser disputada muito menos escolher lados – digo olhando nos olhos de Oliver que me fita descrente – meu filho, só meu! – aponto para mim – seus direitos acabaram quando você rejeitou ele – sussurro triste.
– Então. Chega de emoções por hoje, – disse Cait entrando no meu campo de visão – não é a hora e muito menos o momento de conversar sobre isso Felicity! – disse séria – Noite encerrada, vamos para casa! – avisa a Tommy que assente e pega nossas coisas.
– Aguardo sua visita – sussurra Ray ao meu ouvido deixando um beijo suave em minha face.
– Sim – sorrio olhando ele se afastar até alguns investidores.
– Eu estava errado em não querer o bebê – disse Oliver chamando minha atenção – mas agora eu o quero como nunca.
– Aprenda logo a amar primeiro, depois reveja seus direitos – digo irônica. Saindo em passos largos até o casal Merlyn que me aguarda na saída – eu não te amo mais Oliver – digo alto de costas para ele.
– Não importa – sorri seco; olho para ele sobre os ombros – você sempre vai me amar – sussurra sério colocando as mãos no bolso e me observando sair do seu campo de visão.
Como ele pode simplesmente chegar, mostrar quem é de verdade. Ditando regras. Maldito corpo de Adônis. Voltamos para casa em absoluto silêncio. Entro no apartamento como um raio, não quero ouvir nada, estou cansada disso tudo. Chega um certo ponto que cansa. Tudo que preciso é de um longo banho e uma cama macia.
Dia seguinte.
Saio do quarto em passos lentos, posso estar com dois meses de gestação, mas para mim é como se eu estivesse com os noves meses, meu corpo está muito preguiçoso e pesado. Cait ligou exatamente cinco horas da manhã ordenando que eu me vestisse para fazer a longa caminhada; se ela não fosse médica podia jurar que é louca. Mas aceitei como o estímulo de uma ótima saúde para mim e o bebê.
– Bom dia – disse uma voz grossa e séria me tirando do devaneio fazendo dar um pulo e parar abruptamente. Procuro pela a voz e vejo Oliver vestido com um moletom verde escuro com os braços cruzados sobre o peito do outro lado da bancada da cozinha.
– Bom. Bom dia — gaguejo.
– Seu café – murmura empurrando uma tigela sobre a bancada para mim. Me aproximo receosa e me inclino para ver o que tem dentro dela. Pelo visto é uma salada de frutas muito colorida.
– Está adorável Oliver, mas não estou com fome – resmungo massageando a nuca e fechando os olhos – mesmo assim obrigada! – suspiro e lembro de sua cena anterior – O que diabos você está fazendo aqui me oferecendo café da manhã !? – pergunto irritada.
– Cait disse que você tem que se alimentar bem por causa do bebê. – diz com desdém – Ela precisou ir a clínica atender uma emergência e me tirou da cama para acompanhar você em seus exercícios físicos — não espera, ele falou no bebê!? Abro os olhos e o encaro desconfiada. Aonde ele quer chegar com isso!? Deve ser alguma piada de mal gosto ou brincadeira para me irritar.
– Oliver se está fazendo isso para se redimir da cena ridícula com o Ray ontem ou por que se sente obrigado a alguma coisa — digo alisando minha barriga – não quero!
– Não tem nada demais levar você para dar uma volta por aí – pisca e contorna a bancada – coma, então iremos – boceja se jogando no sofá.
– Só sinto que você está usando alguma coisa nos últimos dias com efeitos estranhos – resmungo incrédula – e odeio salada de frutas; só para você se atualizar ao meu cardápio – bufo me encaminhando para a cozinha. Preparo um café forte e alguns sanduíches de costas para ele; prefiro esquecer sua presença por hora. Ao terminar meu café me encaminho silenciosamente para a saída do apartamento, sem chamar sua atenção, giro a maçaneta e volto o olhar para o sofá e ele parece cochilar. Sorrio em vitória e saio calmamente fechando a porta sem barulho. Dirijo-me até o elevador, entro e aperto o botão até o térreo. Passo pelo porteiro e dou bom dia; ele sorri voltando a ler seu jornal. Ao chegar na rua vejo um parque a poucos metros – não parece perigoso – digo animada indo em direção a ele. Começo a caminhar encontrando poucas pessoas no percurso. Como está muito cedo ainda à brisa fria congela as partes expostas do meu corpo.
– Tem que correr para se aquecer – grita Oliver atrás de mim. O que me faz girar para trás e observar ele correr rápido. Arregalo os olhos e vejo que ele está irritado.
– Não. Não – gaguejo nervosa voltando meu corpo para a frente e acelerando os passos com um certo impulso começo a correr rápido – deixei você dormindo – grito alarmada.
– Boa tentativa Felicity – esbraveja.
– Não quero sua companhia tirano – grito ofegante com o coração disparado e o corpo com uma camada fina de suor que já se formou por baixo das roupas.
– Você não tem escolha – rosna se aproximando de mim. Desvio dele correndo até o campo molhado pelo orvalho do amanhã. Me sinto em uma caçada de gato e rato. Ele me puxa pela cintura, girando e fazendo nossos corpos colidirem um ao outro caindo por cima dele.
– Oliver – digo irritada. Ele afasta o capuz mostrando sua face mais suave, com olhar descarado e sombrio. Ele aperta de leve minha cintura o que me faz soltar um gemido, encaro seus olhos azuis intensos, como uma visão do paraíso. Ele ainda ofega com o coração acelerado – não pode me seguir – sussurro fitando seus lábios.
– Não estava te seguindo – disse me puxando mais para baixo – eu estava te protegendo.
– Não preciso de sua proteção – ofego chegando a centímetros do seu rosto.
– Claro que sim – sussurra com a voz rouca encostando nossos lábios, arranhando meu queixo com a barba rala. Prendo a respiração e sinto seu corpo ficar rígido abaixo de mim. A atração se alastra por nós dois. Queria sair correndo dali, de seus braços, de suas garras, mas não consigo mover um músculo do meu corpo. Estou literalmente hipnotizada por ele como a primeira vez que eu o vi em NY. Fecho os olhos e seguro seu rosto com as mãos puxando-o para um beijo intenso, sentindo nossas línguas se tocarem ao gosto de café, ele massageia meu corpo e me puxa mais para si.
– Oliver – solto seus lábios abruptamente, com uma voz arranhada chamando por ele a nossa frente; ergo o olhar e encaro confusa uma mulher vestida com uma roupa de malhar toda negra colada ao corpo, que por Deus não tem nenhuma curva se quer; cabelos sobre os ombros com um tom quase loiro e olhar mortal de cascável me fitando irritada.
– Laurel – disse Oliver seco fechando os olhos e bufando longamente. Não! A megera que a Cait mencionou alguns dias; filha de um detetive de Star e para minha amargura amiguinha de sexo do meu homem de gelo, que não está nada a mais nada menos que embaixo de mim e do nosso filho.
– Olá – digo cética com sorriso falso cruzando os braços sobre o peito.
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