Amor sem fim
4 Capítulo 3 - Amigo estou aqui
Notas iniciais
— As fofocas nesse hospital continuam eficientes, como sempre... E olha que eu só cheguei hoje— falou o homem.
Com a chegada de Callie o clima no ambiente ficou pesado. A sala estava extremamente silenciosa. A morena, naquele momento, sentia seu coração ainda mais triste. Eram tantas perdas. “Como cheguei até aqui?”, era uma pergunta que não saía de seu pensamento desde o dia da sentença. Arizona conhecia bem a ex-mulher e percebia toda a melancolia da morena, sentia uma dor afligir seu peito. Não gostava de ver Callie assim. Tentou sem sucesso desmanchar o ar pesaroso.
— Íamos falar com você, Callie... — a cirurgiã começou a falar, mas foi cortada.
— Não minta, Arizona. Não íamos falar com ela. Blondie está sempre tentando deixar as coisas melhores para você, Torres. — o homem acusou a loira olhando para a morena— Quando você não merece nada. Do mesmo jeito que há alguns meses você não pode conversar com a gente... Também não tenho nada para falar com você.
Miranda, ainda não havia saído. Continuava observando. O silêncio se instalou mais uma vez no lugar. Os olhos da morena começavam a lacrimejar. “Minha vida não poderia estar melhor”, pensava ironicamente.
— Você não vai me perdoar nunca? — perguntou com a voz embargada.
— Eu achei que podia perdoar você. Mas, você é orgulhosa demais para agir certo e dizer que sente muito. É extremamente egoísta. Realmente, não posso perdoar você– o homem disse friamente – Arizona, vamos sair daqui. — pediu, saindo da sala, sem esperar resposta.
— Eu vou conversar com ele, Calliope... — a loira dizia, a fim de tranquilizar a morena. Esta tirou o olhar do homem pela primeira vez, desviando-o para Arizona– Quando ele estiver mais calmo vocês conversam. Tenho certeza que vão se entender – disse e seguiu atrás do amigo.
Callie tinha um olhar vazio no rosto. Sentia os olhos arder como se neles houvessem pedras. As lágrimas começavam a descer pelo rosto. O choro era silencioso. Miranda era a única que ainda permanecia na sala com a ortopedista. A presença da chefe havia sido esquecida até o momento em que a mesma andou em direção a morena alta, a fim de confortá-la. Direcionou lentamente Callie para uma cadeira da sala, ficando de frente para a amiga. Resolveu segurar as mãos da mulher sentada, a fim de que o contato acalmasse a outra.
— Você só precisa dar um tempo a ele, Torres...
— Todos estão magoado comigo, Bailey. Ele é o mais magoado, acho que mais até do que a Arizona, não entendo o porquê... Só estou tentando ser feliz. Não quero deixar ninguém triste. A minha ex-mulher está triste comigo, ela tenta não demonstrar, mas eu vejo nos olhos dela, eu sinto. E ele, ele nem consegue ficar na mesma sala que eu. Não consegue olhar nos meus olhos direito... Você viu... — a médica desabafava. — Sinto como se toda a minha vida estivesse de cabeça para baixo. Como se eu estragasse tudo que toco. Não sei como consertar as coisas. Parece que todas as decisões que tomo só piora e complica ainda mais as coisas. Eu não sei mais o que fazer. O que eu devo fazer, Bailey? O que devo fazer? — perguntou aflita.
— Oh, Callie, só quem pode dar essa resposta a você é você mesma e mais ninguém. Quando eu tive problemas no meu casamento por causa do meu trabalho, meu ex-marido deu-me um ultimato, ou eu fazia menos cirurgias ou nós iríamos nos separar. Eu tomei a minha decisão, porque não podia deixar o meu trabalho... E o meu ex-marido era machista, achava que mulher deveria ficar em casa. Eu não estava abandonando a minha família, o meu filho... Simplesmente tinha um trabalho, um trabalho digno. Minha família era tudo para mim. Para saber o que decidir fiz-me algumas perguntas e para responder a essas perguntas eu consultei meu coração. A primeira pergunta, foi se eu estava de alguma forma sendo egoísta com o meu filho, se o meu trabalho estava prejudicando a minha relação com o meu filho. E a segunda pergunta, foi se eu ainda amava o meu marido. A terceira, e a mais importante, foi o que era melhor para o meu filho. Você precisa se fazer perguntas, Callie. O que é melhor para a Sofia, ficar em Seattle ou ir para Nova York? Você ama Penny o suficiente para deixar tudo por ela? Imagine Sofia daqui alguns anos, você na formatura dela, quem você gostaria que estivesse ao seu lado nesse momento especial? Quem estará ao seu lado ou as pessoas que estarão ao seu lado dependerá das suas decisões hoje. Você tem que fazer o melhor para você e para Sofia, principalmente para Sofia, ela é uma criança e não tem culpa do que está acontecendo. — a mulher concluiu e saiu da sala. Deixando uma Callie pensativa.
* * *
Callie caminhava pelo corredor do hospital. Uma das mãos eram mantidas no bolso do jaleco. Antes mesmo de entrar em uma das salas dos corredores, mas já praticamente dentro da sala, falou.
— Me chamou, Dra. Grey? — olhava a outra mulher ao lado de Mer. Agora, mantinha as duas mãos no bolso do jaleco.
— Callie, estou tão feliz em te ver. Estava com tantas saudades – disse indo em direção a morena para abraçá-la.
— O que temos aqui, Grey? — perguntou, ignorando a outra médica.
— Oh, bem... — a mulher para o lugar onde estava antes. Com o olhar incerto.
— Não sabia que você havia voltado – tentou conversar com a outra mulher um tanto arrependida pela forma como a havia cortado.
— Sim, estamos de volta – disse sorrindo – Eu senti sua falata. — Callie devolveu o sorriso.
— Ruthie Gayles. — a voz de Mer é ouvida pela primeira vez – as duas médica olhavam para a morena, enquanto a morena analisava as imagens dos exames na tela. — torceu o tornozelo e bateu a cabeça quando caiu da máquina de Step.
— Não torceu, esmagou. Se não houver nada mais grave na cabeça, reserve uma SO imediatamente – falou Callie saindo da sala.
— Não, não há nenhum trauma grave na cabeça... Foi só uma contusão – respondeu fazendo parar – Mas, não precisamos fazer mais exames? Para saber por que os ossos estão tão frágeis?
— É uma fratura com osteoporose – Dra. Torres afirmava, após tirar as mãos dos bolsos e avaliar um exame que a outra médica a havia dado naquele momento – Vejo isso em idosas o tempo todo – olhava-a.
— A paciente tem 28 anos – informou Mer enquanto gesticulava com as mãos.
— Wow – Callie voltou a analisar os exames – Certo. Me chame quando tiver os resultados dos exames. — entregou a amiga os exames e saiu da sala. Mer não entendia o porquê da amiga está sendo tão fria, mas nada falou. As duas médicas que permaneciam no lugar observaram a morena sair da sala. Em seguida, Mer olhou a outra como se questionasse o que estava acontecendo.
— Eu não sei o porquê dela ter agido assim comigo, ok? — falou sinceramente.
— Mas, será que ela está bem? — indagou Dra. Grey recebendo um levantar de ombros como resposta da outra médica.
Os resultados dos exames da paciente já haviam saído. Assim, as médicas juntamente a residente Jô foram ao quarto da paciente para informar o quadro a mesma. A paciente encontrava-se deitada na cama, com as mãos unidas, ao lado, com os braços cruzados, estava o marido. Já as médicas, estavam na frente da cama da paciente, exceto Callie que estava há uma certa distância de todos, ao lado direito das demais médicas, com o corpo levemente inclinado e uma das mãos no bolso. A neurologista e a traumologista, foram as primeiras a falar com a paciente, informando que as pancadas recebidas no corpo e cabeça haviam sido leves, os resultados dos exames não mostraram nada e que a paciente só sentiria um pouco de dor, mas nada que uma boa compressa de gelo não resolvesse . Em seguida, foi a vez da Dra. Torres.
— Dra. Wilson, atualize a paciente – solicitou a residente.
— O exame de sangue mostrou níveis baixos de eletrólilos, cálcio e vitamina D – olhava a paciente. — Está de dieta?
— Eu sou modelo. Tenho que fazer dieta – a paciente respondeu.
— A questão é que mesmo eu sendo capaz de corrigir a fratura, não adiantará nada a não ser que você como mais e se exercite menos. — Dr. Torres disse firmemente.
— Amor, já te disse, você tem que se alimentar melhor. — o marido falou, sentando na cama e pegando a mão da esposa.
— Eu não posso, você sabe. Nós modelos temos que ser magras – a paciente falava olhando para o marido. Em seguida, olhou para a ortopedista – O que isso quer dizer... Você não vai me operar enquanto eu não engordar? É isso? — era incisiva na pergunta.
— Não, mas...
— Por que estamos discutindo isso então? — cortou a fala da médica – Eu vim aqui para vocês consertarem a minha perna. Então, conserte-a. — todos olharam para Dra. Torres.
— Ok – a médica respondeu afirmando com a cabeça. Mer estranhou a atitude da amiga. — Já que seus ossos se partiram – começou a explicar a cirurgia para a paciente – serão colocadas placas de metal e parafusos para segurar o tornozalo – o marido escutava tudo impaciente.
— De quanto tempo é a recuperação – questionou a paciente.
— É difícil dizer. Ficará engessada de oito a doze semanas. — o marido escutava atento as informações.
— Três meses? — a mulher perguntou preocupada.
— Amor, se você se alimentar melhor talvez esse tempo seja reduzido – o marido disse preocupada.
— Na verdade, acredito que será bem mais que oito semanas se você não comer corretamente. — Torres informou após dar uma pequena mordida na bochecha.
— Mas, eu como. — a mulher respondeu rudemente.
— Não o suficiente para impedir que os seus ossos se quebrem. — disse revirando os olhos. — Não parece se preocupar com isso. — a paciente ia responder alguma coisa, mas nesse momento começou a tossir sangue. O marido ficou assustado e com medo. Os médicos levaram a paciente para a SO imediatamente, após fazer outros exames.
Na OS estavam Mer, Callie, Jô e os demais da equipe.
— Deus, ela tem uma úlcera sangrando – Mer disse.
— Como não notamos isso antes? — Callie perguntou chateada.
— Ela não falou de outros sintomas – a amiga respondeu calmamente.
— Com essa mã alimentação e a quantidade de aspirina que tomou... Ela tem sorte de ainda estar viva – Jô afirmou, enquanto as médicas faziam os procedimentos.
— Por que ela fez isso – Callie questionou.
— Algumas pessoas são idiotas e gostam de se sentir amadas, idolatradas... Mesmo quando não o são verdadeiramente. Fazem tudo por isso. — Jô respondeu. Callie olhou para a residente. O aparelho começou a apitar – Assistolia.
— Ok, inicie RCP – Mer pediu olhando para Callie.
* * *
Estava chovendo quando Callie chegou a uma das entradas do hospital. Se encostou em um dos largas pilares, arredondados.
— Oi -a médica se aproximava. — Foi tudo bem na cirurgia? — perguntou sorrindo.
— A paciente morreu... O coração não aguentou— disse com tom fraco.
— Sinto muito – abaixou o rosto — Parece que hoje vai chover bastante – se aproximou mais da morena.
— Uhum, tem sido um dia frio... Em todos os sentidos – mencionou triste.
— Callie, eu sei que vocês não estão bem, ele me contou algumas coisas – a morena só escutava e observava, passando as mãos pelos cabelos – Mas, tenho certeza que tudo vai se resolver. Vocês ó estão um pouco magoados com a forma como as coisas foram feitas... Nada daquilo foi bom para nenhum de vocês, você sabe. Só dê um tempo. E, bem, não fique chateada comigo. Eu gosto muito de você, e senti muitas saudades – disse com doçura.
— Sinto muito. Você está certa – abraçou a amiga – Também senti saudades – as duas sorriram. — Eu tenho que ir agora. Nós faremos um jantar em família – se arrependeu de ter falado – Oh meu Deus, Callie, eu não devia ter falado, me desculpe, me desculpe – pedia insistentemente.
— Está tudo bem... Está tudo bem, ok? — falou com um olhar que dizia o contrário.
— Você vai ficar bem? — perguntou gentilmente, enquanto Callie virou ficando de costas. Aquela atitude a fizera entender que a morena queria ficar sozinha.
— Vou ficar bem... Não se preocupe – a outra resolveu sair ao ouvir a resposta da morena.
A Dra. Torres permaneceu ali, recostada no pilar. Abatida. Vendo a chuva cair. Sentia estar dentro de uma escuridão. Pensava nos acontecimentos. Pensava nas decisões que havia tomado meses atrás. Pensava como a sua vida havia mudado ao decorrer dos anos desde a sua separação com Arizona. Chegou a conclusão que as suas escolhas a havia feito chegar aonde estava. “Bailey tem razão.”, murmurou para si. Pensou que naqueles meses a única coisa que estava confortando era não estar sozinha. Esse era seu problema. Não amava Penny, mas não queria estar sozinha. “Consegui destruir tudo porque não queria me sentir sozinha. Que ótimo!!”.
— Alguém me disse que você estaria aqui. Você está bem? – Mer perguntou se aproximando da amiga, passando as mãos em seus ombros.
— Achei que você estivesse com raiva de mim – disse ao sentir a amiga tocando-a gentilmente.
— Com raiva? Por que estaria? — questionou sem entender.
— Bom, todos estão com raiva de mim. — falou rindo – Além disso, nós estávamos conversando ontem, você me chamou de idiota e saiu chateada.
— Ah, aquele dia... Você sempre tira conclusões erradas – falou sorrindo — Bom, eu não estava com raiva, só me senti frustrada. — respondeu enquanto lembrava do dia anterior — Você disse que ama Arizona. Chorou bastante. Depois, sua ex-mulher chegou, agiu de forma gentil e preocupada... E você simplesmente a destratou. Eu pensei que daria tudo para ter Dereck de volta, mas isso não é possível porque ele morreu. Arizona está viva e toda vez que você tem uma chance, você – pensou um pouco antes de concluir a fala – age daquele jeito. Me senti frustrada.
— É... Tenho feito as escolhas erradas nos últimos anos. — sorriu fraco.
— Então comece a fazer as escolhas certas. Ainda está em tempo – falava olhando a morena.
— Bailey me deixou uma questão que não consigo parar de pensar na Arizona, Mer – a amiga a olhou curiosa – A chefe me perguntou ao lado de quem me vejo, daqui há alguns anos, na formatura da Sofia – uma lágrima desceu no rosto – E eu a vi lá, Lexie e Mark também estavam lá, e Arizona estava ao meu lado, nós estávamos sentadas uma ao lado da outra, olhávamos orgulhosas a Sofia, depois nós nos olhávamos e sorríamos uma para a outra, felizes... E quando olhava o sorriso de covinhas que ela estava me dando, eu não resistia – sorria e chorava ao mesmo tempo — eu a beijava no rosto e a via fechar os olhos sorrindo, sentindo o toque dos meus lábios no rosto. Nós estávamos tão felizes, Mer... Me sentia tão completa. Eu quero envelhecer ao lado dela. Quero morrer com mais de 110 anos ao lado dela. Quero uma vida inteira ao lado dela – divagava.
— Você deveria dizer isso a ela, não a mim – um silêncio se instalou entre elas — Eu estou de plantão hoje, mas posso tentar trocar com alguém e nós poderíamos beber tequila. — fez o convite, a fim de animar a amiga.
— Hoje não, Mer... Eu vou para casa. Mas, obrigada. — respondeu abraçando a amiga. Grey sorriu. A morena se desvencilhou do abraço e sinalizou com as mãos um tchau, se distanciando.
— Você só tem que começar a tomar as decisões certas – a cirurgiã gritou sem saber ao certo se a amiga a havia escutado
* * *
“Perdoar e esquecer. Será que ela será capaz de fazer isso. Ela age tão diferente de mim. Quando eu a magoei eu só queria magoá-la de volta. Eu a magoei e ela só quer me ver feliz. Não estou mais magoada com ela. Muito tempo passou. Será que ela ainda está magoada comigo? Ela foi boa para mim hoje, tentou me acalmar.”, sorriu com os seus pensamentos últimos pensamentos. Estava bêbada, havia decidido dirigir até a casa de Arizona, onde provavelmente estava sendo realizado o tal jantar familiar. “Jantar familiar. Eu também faço parte da família.”, pensava em voz alta, um pouco chateada. Agora estava ali, em pé, na porta da casa da loira, mantendo uma mão segurando na porta, a fim de não cair, devido a embriaguez. Mesmo com o álcool no sangue, sentia medo. “Dane-se”, murmurou e bateu na porta. Aguardou, mas ninguém apareceu. Bateu a porta novamente. “Será que a reunião está sendo em outro lugar?”, se perguntava. Alguns instantes se passaram e nada. Começou a fazer o caminho de volta para o carro, e pelo teor de álcool no sangue, escorregou ao tentar descer os degraus, caindo de bunda e arrastando os cotovelos no chão.
— Aí – gemeu ao sentir os cotovelos serem arranhados no chão – Meu dia não podia estar sendo melhor – falava com a voz embriagada, virando o rosto em direção a entrada da casa, guiando o olhar para cima, ao perceber alguém abrir a porta.
— Calliope – indagou surpresa – Você está bem? — perguntou preocupada, indo em direção a morena para ajudá-la a se levantar.
— Tenho só uns arranhões no braço – falou com um sorriso bobo, ao ver a loira ajudando-a preocupada – Nada demais.
— Você está bêbada? — perguntou e percebeu o carro da morena estacionado na porta – E veio até aqui dirigindo nesse estado? — o tom de voz era de reprovação.
— Não estou bêbada – respondia com a voz mole — Bebi só um pouquinho – continuava a falar, se levantando, com a ajuda da loira, que tinha colocado um dos braços da morena sob os ombros, segurando o braço com a mão esquerda, e mantendo o outro braço na cintura da morena.
— Seu cheiro é tão gostoso – disse sem pensar direito... O teor de álcool havia deixado-a desinibida.
— Vamos entrar... Anda, eu te ajudo. — falava, enquanto levava Callie para sentar no sofá.
— Robbins, quem é – não foi necessário ser dada uma resposta quando olhou a figura sentada no sofá. Olhou para Arizona como se a questionasse a presença. A loira só deu de ombros. — O que você está fazendo aqui? Vá embora – pediu se aproximando para que Sofia não escutasse.
— Ela não está bem... Não podemos deixar ela ir embora assim – Arizona falou olhando para o homem, enquanto a morena tirava uma mecha de cabelo loiro, colocando-o atrás da orelha, que insistiam em cair nos olhos da loira. O homem observava aquela atitude.
— Você é tão linda – a mulher de voz mole observava – É a mulher mais linda que eu já vi – Arizona sorriu com a observação da outra mulher.
— Ela está bêbada – o homem mencionou.
— Mama, mama, você está aqui – Sofia vinha correndo em direção ao sofá, com um sorriso enorme no rosto, ao notar a presença da outra mãe, brigando por espaço, tentando ficar no colo da morena. O homem, nesse momento, estava um pouco inerte.
— Sofia, calma meu amor. A mama levou uma queda, mamãe vai precisar fazer um pequeno curativo no dodoi da mama – disse, colocando a filha ao lado da morena no Sofá.
— Deixa – a morena disse, chamando a filha de volta para o seu colo, a qual atendeu imediatamente.
— Pega o mercúrio, algodão e o bandaid – pediu ao homem – Está em uma caixinha de primeiros socorros na bancada do banheiro – ollhava o machucado.
— Mama, você está bem? — a criança perguntava estranhando o jeito da morena, que só balançou a cabeça afirmando, enquanto beijava o rosto da filha – Você está com um cheiro estranho, mama. — Arizou bufou, não era bom que Sofia visse a mãe daquele jeito. Callie, sem pensar muito bem no que acontecia, ria e abraçava a filha.
— Deixar que eu cuido dela, Robbins. Leve a Sofia com você. — a loira balançou a cabeça, entendendo o porquê do homem ter pedido aquilo.
— Eu quero ficar aqui com vocês – a menina pedia com olhos de cachorro.
— Meu amor, é que sua mamãe vai precisar de muita ajuda na cozinha para fazer o jantar... Que tal se você for ajudá-la? – o homem perguntou a criança sorrindo.
— Mamãe, eu posso mesmo ajudar você – Sofia perguntou, correndo para a mãe, que sorriu e afirmou com a cabeça.
— Você não está nada bem, Torres. — o homem afirmou ao ficar sozinho no sofá com a morena. Ao mesmo tempo, limpava o machucado.
— Eu perdi o amor da minha vida e meu melhor amigo... Como eu poderia estar bem? — questionou olhando nos olhos do homem.
— A cara de madeira lisa não é o amor da sua vida – o homem disse, ao passar mercúrio na ferida, com a cara fechada.
— Eu não estava falando da Penny. Não vou mais para Nova York – parou por um instante e a olhou nos olhos – Ainda não disse a Arizona, mas eu já decidi que não vou mais.
— Você já havia dito há um mês que não ia e depois, quando a Arizona resolveu que você podia levar Sofia, você decidiu ir. — não acreditava muito na palavra da morena, sabia que a morena não amava a cara lisa. Mas, conhecia-a bem o suficiente para saber também o quanto ela era impulsiva e gostava de se sentir amada por Penny.
— Há um mês atrás, depois que a Penny foi para Nova York, Arizona, Sofia e eu estávamos tendo grandes momentos – observou o homem se ajeitar no sofá, após terminar de colocar o bandaid – Eu achava que nós íamos ficar bem. Nós estávamos tendo encontros em família, nós dizíamos que era pela Sofia – falou sorrindo – Aqueles momentos que eu passei com elas eram tão preciosos, você não faz ideia. Em um desses dias, a Sofia pediu para dormirmos juntas, a Arizona estava meio resistente inicialmente, mas depois cedeu – sorria recordando o momento.
— A Sofi é bem convinvente, acho que ela puxou ao pai – os dois deram um sorriso contagiante. — O que aconteceu depois? Se vocês estavam indo bem, o que deu errado?
— Bom, naquele noite, deitada na mesma cama com Sofia e Arizona depois de tanto tempo, eu não conseguia dormir, eu só as olhava e não queria perder nada. Eu estava tão feliz, que tinha medo de dormir, acordar e ver que tinha sido só um sonho. Observei Arizona e Sofia respirar por horas até não aguentar mais e cair no sono. No outro dia, a Arizona estava com medo e tentou me afastar. Então, uma noite no bar do Joe, nós nos encontramos, ela se aproximou de novo e nós estávamos nos entendendo, estava tudo indo tão bem. Mas, depois eu a vi no banheiro, com outra mulher. — falou triste
— Algo não está batendo, Callie. Arizona jamais faria isso – afirmou firme olhando nos olhos da morena. A ortopedista se manteve calada – Você realmente a viu com outra mulher? — continuava questionando
— Não, mas eu sei que ela estava – disse com a voz pesada como aconteceu.
— Você deveria conversar com ela... Eu não acredito que era Arizona no banheiro. Há algum mal entendido aí – falava com sinceridade. — Você não vai mesmo embora? — perguntou sem arrodeios o que queria saber
— Não, por nada nesse mundo, eu não vou – sorriu quando percebeu o homem sorrir alegre para ela.
— Não tenha medo, ok? Não deixe de lutar por ela por estar com medo -pediu sabendo o quanto a amiga tinha medo de se magoarem mais uma vez — A propósito, você não perdeu seu melhor amigo – disse abraçando-a – Eu voltei de vez e sempre serei seu amigo, sempre vou estar aqui para você.
— Mark, eu precisava tanto ouvir isso de você – Callie dava seu melhor sorriso. Onde está Lexie? — perguntou ao se dar conta que não a havia visto.
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