Amor sem Compromisso

23 Sonhos e Términos


POV Jake

Meu mundo desmoronou, mas eu não tinha do que reclamar, voltar para casa e rever seu ex-namorado só ia deixá-la confusa.

Como não ia haver festa, todos foram para casa, com exceção de Maia e Trish que me acompanharam até em casa.

Ao chegar lá, eu fiquei na sala e as meninas foram falar com Ally, minutos depois, Maia e Trish desceram desesperadas.

– O que aconteceu? — perguntei nervoso.

– A Ally sumiu. — disse Maia.

– O que?

– Ela não ta em lugar nenhum! Olhamos na garagem mas o carro dela não ta lá!

Peguei meu celular e disquei para o ultimo número que eu queria. Ele atendeu.

– Alô? — disse ele.

– Austin? É o Jake, você sabe onde a Ally ta? — perguntei preocupado.

– Não, por que?

– Ela desapareceu.

– Puta merda. Eu vou procurar, acho que sei onde ela está.

POV Austin

Peguei meu skate e saí correndo em direção à Sonic Boom. Entrei pelos fundos, subi as escadas e entrei na sala de ensaio. Lá estava ela, com um vestido bege encolhida e chorando em um canto.

– Ally? — falei entrando.

O me ver, Ally se levantou e me abraçou com força.

– O que aconteceu? Por que você ta chorando?

– Eu disse não…

– Disse não pra o que?

– No casamento. Eu disse não.

Ela olhou nos meus olhos, estávamos tão próximos que eu podia sentir sua respiração colidir com a minha. Comecei a revezar meu olhar entre os olhos e a boca dela. Fomos nos aproximando lentamente, até finalmente, depois de quatro anos, nos beijamos.(http://3.bp.blogspot.com/-vO6yj-5Cb1U/UHR3l-AJRFI/AAAAAAAACps/blMsfdUMsP8/s1600/tumblr_lr53krQVrn1qlgliqo1_500.gif)

Quando nos separamos, ela disse:

– Austin, eu...Eu preciso de um tempo.

– Ahn?

– Eu preciso pensar, por minha vida no lugar e por minhas idéias em dia.

– E nós?

– Nós, vai ter ficar para segundo plano. Desculpa…

– Ta tudo bem… E, aliás, eu não mandei aquela mensagem.

– Que mensagem?

– Aquela dizendo que você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida.

– Ah, é, eu sei…

– Clary me contou sobre isso, eu liguei uns pontinhos e descobri que foi a Trish.

– A Trish? Por que ela faria isso?

– Ela queria que seguisse a sua vida sem nós, sem culpa.

– Culpa do que? Eu nunca… Ela leu o meu diário não é?

– Quem mandou você deixar na loja…?

– Eu… Vou dar uma volta.

– Posso ir?

– Eu quero ficar sozinha, mas obrigada.

Ela limpou o rosto, respirou fundo e saiu da loja. Alguns minutos depois, ouvi o som do carro dela… Aonde quer que ela tenha ido, eu queria estar junto…

POV Ally

Quando saí da Sonic Boom, fui direto para casa. Dei algumas voltas extras pelo quarteirão, só para ter certeza que não havia ninguém lá. Resolvi então, entrar pelos fundos. Subi as escadas silenciosamente e entrei no quarto, troquei de roupa e guardei com cuidado o vestido em uma caixa pequena.

Desci as escadas e encontrei Trish, Maia e Jake sentados no sofá, ambos pareciam tensos.

– Ally! — disse Maia ao me ver.

Ela e Trish me abraçaram. Jake permaneceu sentado.

– Meninas, posso ficar a sós com a Ally? — disse Jake.

– Claro…

Elas saíram. Sentei-me ao lado de Jake, meus olhos se encheram de lágrimas assim que nossos olhares se encontraram.

– Por que você…?

– Eu… Eu estou muito confusa Jake. Achei que voltando para cá tudo ficaria melhor do que já estava, mas só piorou.

– Eu te entendo… Memórias… Lembranças esquecidas… Só pioram…

– Me...Me desculpa. Eu queria ter dito antes mas… Não quis te magoar…

– Tudo bem… Podemos, marcar outra data… Quando você se sentir melhor…

– Não! — falei me levantando — Eu não quero outra data! Se tiver outra data, será… em futuro mais distante.

– O que está querendo dizer?

– Acho que não dará certo entre nós… Não depois, disso.

– Ally você não pode…

– Posso. É a minha vida, minha decisão. E não se preocupe, eu vou pagar tudo o que gastamos com a cerimônia.

– E… Pra onde eu vou?

– Meus pais deram de presente uma passagem de ida para Sidney… Se quiser, pode usá-la. Eu… Preciso de um tempo… Pra pensar.

– Vai viajar?

– Não exatamente. Vou… Voltar.

– Voltar? Voltar para onde?

– Para o lugar onde tudo começou. Los Angeles.

– O que Los Angeles tem haver com isso?

– Mais do que você imagina…

– Quando você vai?

– Daqui algumas horas, talvez amanhã de manhã.

– Quando eu tenho que sair?

– Quando se sentir confortável… Mas lembre-se, não estou dizendo para nos afastarmos, só para dar-mos um tempo no noivado e no namoro.

– Ou seja, está terminando comigo, mas quer que sejamos amigos.

– Exato.

– E se eu não quiser?

– Vou ter que aceitar sua decisão.

Levantei e me virei para a escada, eu estava prestes a sair da sala quando ele segurou a minha mão.

– Ally — chamou ele — Me desculpe por não ser o que você quer.

– Você não entendeu né? Não é você, sou eu.

Soltei a mão dele e subi as escadas.

(...)

Estávamos sozinhos em seu quarto, ele havia trancado a porta. A casa estava vazia. Ele sem camisa e eu sem minha camiseta. Nos beijávamos como na minha primeira vez. Deitamos na cama e ele tentava a todo custo tirar o meu short. Virei o rosto para que ele não me beijasse, ele entendeu a mensagem e disse:

– O que foi?

– Acho que não é certo.

– Isso é super certo. — disse ele beijando meu pescoço, como eu queria não gostar.

– Austin. Para. Isso não pode acontecer.

– E quem disse que vai?

– O que?

– Isso é apenas uma ilusão. Você acha mesmo que eu faria isso depois de você partir meu coração?

– Não estou entendendo.

– Nada disso está acontecendo. Nunca aconteceu e nunca irá acontecer.

A cena mudou, digo, o local. Agora estávamos em uma sala completamente cinza, sem portas ou janelas. Além de nós, estavam Trish, Dez, Jake e Kira, ambos ao lado de Austin e à minha frente.

– O que ta acontecendo?! — gritei — Onde estamos?

– A pergunta é: Onde você está? — disse Trish.

– O que?

– Somos apenas frutos da sua imaginação. — disse Dez.

– Então onde eu estou?

– Em todo lugar e em lugar nenhum. — disse Kira.

– Isso não faz sentido!

– Estamos em lugar, onde você pode ver o que não pode e não quer (suponho). — disse Jake.

– O que?

– Veja você mesma. — disse Austin estendendo a mão para a direita.

Olhei para onde ele apontava, logo vi, surgindo do nada, algum tipo de visão do futuro. Austin sentado de frente para um mesa de ônibus, escrevendo e rabiscando algo em um bloco de papel.

Maldita.– disse ele — Mais uma música de merda, uma turnê sem música nova, um CD cheio de covers. Nem para me mandar uma música por e-mail! Maldita! Maldita! Maldita!

A cena desapareceu, olhei para Austin e ele disse:

– Com sua partida, a minha pessoa nunca mais teve uma música nova para o CD e quase perdeu o contrato se não fosse os covers e meus fãs.

Olhei de novo para a direita. Uma nova cena surgiu. Dessa vez era Jake.

Ele estava fazendo diversas contas com a calculadora e anotando tudo em um caderno.

Mais um prejuízo… Mas nada se compara à felicidade dela. Além do mais, vamos ficar juntos depois disso, e nada irá nos separar…

E desapareceu, como areia em um dia de vento. Olhei para Jake:

– Por sua causa, eu tive que fazer diversos empréstimos e trabalhar em três lugares ao mesmo tempo. E depois disso tudo você me jogou fora como uma bolhinha de papel.

Uma nova cena surgiu. Trish estava na sorveteria com o ex-namorado, Adam, ela parecia feliz, mas ele não.

Aqui está. – disse a garçonete chegando com dois sorvetes - Um sovete de morango com baunilha para senhorita e um de uva para o cavalheiro.

A mulher foi embora.

Hum… morango com baunilha era o sorvete favorito da Ally, até ela descobrir o que eles botavam no sorvete e ela parar de comer.

– Mas que merda, Trish! Eu vim aqui para a gente se acertar, mas agora que a Ally foi embora você se tornou mais insuportável do que nunca! Tudo o que você vê te lembra a Ally!

– Ela é minha amiga e…

– Mais nada! Eu cansei, pensei que sem ela você seria menos grudenta. Mas vi que estou enganado.

Ele se levantou e saiu com o sorvete. Trish tirou o celular da bolsa e ficou olhando para o plano de fundo.

A cena desapareceu. Logo apareceu Dez, olhando no computador o site do concurso que ele foi convidado para participar.

Parabéns ao ganhador do concurso, Chuck, com seu brilhante curta nomeado de ‘Poucas Pessoas, Grandes Aventuras’. O prêmio ganho foi uma passagem para a cidade do cinema, onde o ganhador pode realizar o sonho de transformar seu curta em um longa-metragem extremamente profissional com a ajuda e auxilio do estimado diretor, Steve.

A cena mudou. Dessa vez era Kira. Revi o momento em que ela atirou contra mim, mas dessa vez em terceira pessoa. Logo, vi ela se ajoelhar ao meu lado, chorando desesperadamente, ela se debruçou em cima de mim e disse:

Não precisávamos chegar a este ponto.

E tudo desapareceu. Inclusive Austin, Jake, Trish, Kira e Dez.

Então, o que eu mais queria que acontecesse, aconteceu.

Eu acordei.