Amor sem Compromisso
40 Novidades e Suícidios
Notas iniciais
(Semanas depois)
POV Ally
Férias! Que saudade!!!!!
As ultimas semanas foram muito tensas na faculdade, mas consegui passar em todas as matérias (Aleluia Senhor! kkkkk).
Além destas semanas serem sido tensas, foram muito estranhas. Eu nunca estive com tanta fome na minha vida, vomitei umas duas vezes nos últimos quatro dias, segundo Mimi: eu estou “ganhando curvas” e o mais estranho: minha menstruação estava atrasada.
Bem, não devia ser grande coisa… Meu professor de ciências disse uma vez que as mulheres não menstruam necessariamente todo mês...
Hoje, Trish, Dez, Dallas, Frank e eu vamos na casa do Austin passar a tarde com ele e Clary. Mimi foi viajar com Mark (o pai de Austin e Clary). Vamos assistir alguns filmes, conversar e... só. Mas antes, eu vou no médico. Exame de rotina.
Como vou ser a última a chegar, decidimos que eles não me esperariam.
Entrei no meu carro e dirigi até o consultório.
POV Austin
Trish, Dez, Dallas, Frank, Clary e eu estávamos na minha casa havia umas duas horas, e nada de Ally chegar. Ela disse que iria ao médico, mas desde então não voltou…
Estávamos assistindo Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II. Depois do filme, conversamos sobre o mesmo.
– Eu gostei, mas o final podia ter sido melhor… — disse Trish.
– Ta falando sério? O filme foi incrível! A trilha sonora, os efeitos especiais… — retrucou Dez.
Depois de meia hora conversando. Trish mudou de assunto.
– Onde a Ally ta?
– No médico.
– Às quatro da tarde?
– Ela deve ter ido dar uma volta, — falei — ela não estava muito bem nas últimas semanas.
– Ela ta mudando. — disse Clary.
– Como assim? — disse Frank.
– Vai dizer que vocês não notaram? Fala sério, até a mamãe já percebeu!
– O que, Clary?
– Pensem. A Ally nunca foi o tipo de garota com muito corpo, sempre foi magricela, como ela mesma se intitula. Como de um dia para o outro ela, do nada, ficou com um corpo de uma garota da idade dela?
– Não tinha pensado nisso… — disse Dallas.
– Vocês acham que ela pode estar… — disse Frank.
– Grávida? — adivinhou Trish — Tenho algumas duvidas…
– Eu não tenho duvida alguma. — disse Clary — Enjôos, corpo, fome toda hora…
– Não! — falei — Ela não está grávida. Eu sei disso.
– Se você acha…
A campainha tocou, levantei do chão e fui atender. Assim que abri a porta, vi Ally chorando, não muito, mas o bastante para eu me preocupar.
– Austin… — disse ela.
– Ally, o que aconteceu? Ta você ta bem?
Ela balançou a cabeça negativamente e depois disse:
– Eu não sei…
– O que aconteceu?
– E-Eu… Eu to grávida.
Eu paralisei por um segundo, mas então a abracei.
Durante o abraço eu olhei para o pessoal, cada um demonstrava uma expressão diferente. Dallas e Frank se entreolhavam surpresos (no mau sentido), Trish soltou um meio sorriso meio torto, Dez não sabia como reagir e Clary sorria como se dissesse “Eu disse”.
Assim que nos separamos, percebi que eu estava sorrindo. Ela me olhou e limpou as o rosto. Respirou fundo e disse:
– Podemos conversar? A sós?
– Claro. Vai lá no meu quarto, eu já subo.
– Ta…
Ela subiu as escadas. Virei para o pessoal e disse:
– Parabéns, Clary. Você estava certa. Feliz? — falei sério.
– Sim, e você? Por que não está? Sua noiva está grávida, de novo. Fique feliz.
– Não estou assim pelo bebê, mas sim pela Ally. Ela já perdeu uma criança antes, se ela perder esta… Eu nem sei o que vou fazer.
– Você é muito pessimista, hein? Vai que da certo? — retrucou Clary.
– Clary, esse não é o problema. — disse Trish — O problema é que não sabemos se foi mesmo um aborto espontâneo ou se foi outra coisa!
– Eu vou subir. Não quero deixar ela esperando. — falei.
Subi as escadas e entrei no meu quarto. Ally estava sentada na minha cama olhando para o chão.
– O que eu vou fazer? — disse ela.
– Nada.
– Ahn?
Sentei ao seu lado e disse:
– Você não vai fazer nada, a não ser ter essa criança.
– Mas eu não…
– Eu sei, eu sei… Mas vai ficar tudo bem, ok? Caso o contrário, eu vou estar do seu lado, e a vida continua.
Ela sorriu.
– Eu te amo e isso basta… — sussurrei em seu ouvido.
Ela me olhou e beijou minha bochecha. Logo, disse:
– O que eu faria sem você?
Eu sorri. Ela me abraçou.
– Quer ficar conosco? Estamos assistindo alguns filmes e debatendo sobre eles.
– Pode ser, mas eu vou ficar só observando.
– Ok. Eu vou pegar uma coberta para você, pode ser?
Ela assentiu.
Levantei e andei até o armário, de lá tirei um cobertor vermelho. Ela se levantou, pus o cobertor em volta dela e passei um braço em volta de seus ombros. Descemos as escadas e nos sentamos no sofá. Fiz um sinal pedindo para que eles não dissessem nada, e assim fizeram.
– Que filme assistimos agora? — perguntou Frank.
Trish se levantou, pegou os DVDs em cima da estante e disse os títulos:
– Temos A culpa é das estrelas, Sobrenatural e… O que esperar quando você está esperando…
Todos se calaram por alguns segundos, até que eu disse:
– Sobrenatural.
– Eu gosto de A culpa é das estrelas… — murmurou Ally.
– Quem vota para Sobrenatural?
Dallas, Dez, Trish e eu levantamos as mãos.
– E quem vota em A culpa é das estrelas?
Ally, Frank e Clary levantaram as mãos.
– Sinto muito. — disse Trish — Quatro contra três. Sobrenatural!
Ela pôs o DVD no aparelho e começamos a assistir.
Ally e Frank foram os únicos que não se assustaram com o filme.
(…)
Quando o filme terminou, começamos a debater.
– Melhor filme de todos! — falei.
– O efeitos são… Uau. — disse Dez com os olhos brilhando.
Ally e Frank se entreolharam entediados. Trish percebeu e disse:
– O que aconteceu? — disse ela.
– Não me digam que vocês gostam desse filme. — disse Frank.
– Gostamos, por quê? — disse Dallas.
– Fala sério, não tem nada de assustador. É entediante. — disse Ally.
– Ah é? — retruquei — Então, o que é assustador para você senhorita especialista-em-terror?
– Os clássicos, óbvio. Os filmes de hoje são tão infantis e fora da realidade que se tornam chatos. Não são nada comparados com Jason, A Exorcista, Chuck, e Slender!
– Você gosta desses personagens? — disse Trish surpresa.
– Claro que sim. Quem não gosta?
– É impressão, ou você ama filmes com sangue?
– Mas é verdade. Jogos Mortais, Tubarão, O Iluminado, Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, O Sexto Sentido, O Chamado… — ela terminou com um suspiro — Esses sim são filmes de verdade, pelo menos de terror. Não é o meu gênero de filmes favorito, mas…
Todos pareciam surpresos. Ally Dawson gosta de filmes de terror? Se me dissessem isso na época do colégio, eu certamente diria: Claro que sim, e eu sou o Papai Noel. Hou, Hou, Hou!
Depois dos filmes, todos foram para casa, com exceção de Ally. Clary foi com Dallas no shopping, ou seja, temos a casa só para nós… Sem malícias por favor.
Enquanto eu terminava de arrumar as coisas, Ally subiu para o meu quarto.
Quando entrei no meu quarto, notei que Ally estava se olhando no espelho, cheguei atrás dela e a abracei por trás, depois, beijei seu ombro e perguntei:
– No que você está pensando?
– Nada de mais. Só que… Vai ser estranho me ver com barriga de novo.
– Você sabe que fica linda de qualquer jeito. Eu sempre te disse isso.
Ela sorriu, mas logo ficou séria, como se não estivesse aqui…
– Que foi? — perguntei.
– Eu não te mereço…
– Por que ta dizendo isso?
– Eu não sou uma boa pessoa.
Notei uma pequena lágrima cair de seu olho.
POV Ally
– Não fala isso. Você é uma boa pessoa, a melhor que eu conheço.
– Fala isso por que não sabe o que aconteceu em Sidney…
– E o que aconteceu em Sidney?
– A Clary te contou como eu consegui convencê-la à focar nos estudos?
– Não.
– Eu disse a ela que, no meu primeiro ano na Austrália, eu fiz algumas amizades erradas. Eles começaram a me levar em lugares diferentes, à experimentar coisas diferentes…
– Tipo…?
– Festas, bebidas, lugares proibidos ou trancados pela polícia e… Maconha.
– Oi? Você… O seus pais sabem disso?
– No começo não, mas então eles encontraram um cigarro na minha cômoda.
– Como isso…?
– Começou só de brincadeira. Nós bebíamos nas festas, íamos até uma ponte no meio da floresta e fumavámos, depois íamos para casa chapados e bêbados, como era de madrugada ninguém percebia… Mas um dia… Estavam todos chapados de mais para dirigir, eu era a menos drogada e bêbada do grupo, então eu dirigi o carro até a casa deles. Shawn, o dono do carro, havia pego no sono e quando entramos na ponte que liga Sidney e o local da floresta… Eu tive… Alucinações… Perdi o controle do carro e ele bateu na mureta, ficou pendurado pelos dois pneus laterais.
– E vocês?
– Eu chamei a atenção de todos antes do carro cair, todos pularam do carro, menos o Shawn. A porta traseira abriu com a pressão e ele caiu no mar. Um grupo de turistas que estavam andando de barco encontraram ele e o salvaram, se tivesse demorado mais algumas horas… Ele teria morrido, ali. E eu seria presa… No final, ele me perdoou, afinal eu tava chapada, mas eu não me perdoei.
– Alguém mais sabe disso?
– Só quem presenciou e você… Antes de saber que ele estava vivo eu quase… — minha voz falhou.
– Você o que? — disse ele
– Eu quase me matei. Na mesma ponte…
– Como aconteceu?
– ...Prefiro não comentar.
Flashback ON
O céu estava nublado, ameaçando chover, a cidade estava calma e o mar… agitado. Dia perfeito para um suícidio.
O trânsito estava rápido na ponte principal, a mureta ainda estava quebrada no local do acidente. Pude ver perfeitamente a cena de Shawn caindo do carro e despencando no mar.
“Pular neste mar seria como ter mil facas atravessando seu corpo” disse Leonardo DiCaprio em Titanic.
Nada mal. Eu mereço. Matei meu melhor amigo. Se descobrirem eu estou ferrada. Serei presa e acusada de homícidio. Eu não concordaria caso acontecesse, mas também não discordaria. Eu tive culpa, sim. E mereço pagar por isso.
Ainda olhando as ondas colidindo nelas mesmas, imaginei a dor que Shawn sentira. As facas, não conseguir respirar nem nadar para cima. Dizem que estas águas são tão frias que é quase impossível para uma pessoa sobreviver nelas sem “equipamento” adequado. Não foi isso que eu aprendi em ciências, mas existem lendas de suícidios nestes mares, suícidios dos quais eu irei fazer parte da história de.
“Adeus mamãe” — eu pensei “Desculpe pelas vezes em que não lhe ouvi ou simplesmente te ignorei. Desculpe por não te dar valor o suficiente enquanto pude. E desculpe principalmente, por não ser a filha que você sonhou em ter...”
“Adeus papai. Me perdoe por faltar o trabalho para ficar com Austin, Trish e Dez. Desculpe por deixá-lo tão preocupado quando fui parar no hospital. Desculpe por não ter sido boa o suficiente para você ter orgulho de apontar para mim e dizer ‘Esta é a minha filha’.”
“Adeus Austin. Quero que saiba que nunca amei e nunca amarei ninguém como amei você. Desculpe pelas vezes em que fui uma CDF metida a besta. Desculpe por hesitar em ser sua compositora. E desculpe por demorar dois dias para dizer ‘Sim, eu quero ser sua namorada’.”
“Adeus Trish. Desculpe por não te dar tanta atenção quando você queria desabafar. Desculpe por brigar com você por coisas bobas. Desculpe por não ser a melhor amiga do mundo...”
“Adeus Dez. Desculpe por te chamar de idiota e sem noção. Desculpe por não te ouvir quando você só queria me ajudar. Desculpe por não merecer a sua amizade...”
“Adeus Kira, Dallas, Clary, Mimi, Maia, Miranda, Jane, Ben e Jay.”
“Olá Shawn.”
Fechei os olhos, inclinei minha cabeça para cima e gritei:
– ME DESCULPA!
Firmei meus braços para dar o impulso e pulei.
Eu já conseguia sentir o vento perfurando me por dentro, como se eu estivesse desaparecendo gradualmente.
Até que uma mão me segura. Uma não, uma dúzia delas.
Maia, Miranda, Jane, Ben e Jay fizeram uma corda humana. Os meninos serviam como base e as meninas como corda.
Eles me puxaram para cima e me seguraram para que eu não pulasse. Pela primeira vez eu os vi sóbrios.
Eu me debatia contra a força deles. De olhos fechados e lágrimas escorrendo eu senti uma mão quente e uma voz aveludada na minha frente.
– Ally. Calma, eu to aqui. Ta tudo bem.
Shawn.
No início eu pensei: “E a agonia? A dor? O sofrimento? Eu morri sem sentir nada ou morri antes de perceber?”
Até que abri os olhos e o vi. Parado na minha frente, usando um casaco preto de inverno, calça jeans e a típica blusa do Linkin Park. Os cabelos ruivos bagunçados, os olhos verdes, a boca em uma mistura de vermelho e roxo. Era ele mesmo.
Abri os olhos e o abracei com força. Em meio as lágrimas eu dizia repetidamente:
– Me desculpa.
Ele apenas:
– Está tudo bem. Não foi nada.
Eu o abracei com mais força e chorando cada vez mais, ele beijou minha cabeça e a acariciou.
FLASHBACK OFF
Austin me abraçou e por um segundo, pensei estar abraçando Shawn. O calor dele esquentava o meu, e parecia que éramos um só (e meio).
Assim que me separei dele, eu disse:
– Posso fazer uma ligação?
– Claro. É muito importante?
– Não. Só quero falar com um velho amigo...
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