Amor sem Compromisso
33 Good Morning Ellen
~Semanas depois~
POV Ally
Acho que estou no meu melhor momento da minha carreira, Demi e Taylor adoraram as músicas que eu compus para elas, disseram apenas que teriam de arrumar algumas notas na partitura para ficar no tom delas; recebi um convite para uma entrevista ao vivo no Programa da Ellen, sim, o mesmo programa onde o Aus fez sua primeira aparição na TV.
A entrevista será hoje, Maia e Dallas estão me ajudando com tudo, Clary não pode vir pois teve uma viagem de formatura com a sua turma, sim, ela conseguiu passar de ano.
Dallas me disse que seu irmão e Melody (a garota do orfanato) se deram super bem, ele vai lá todo fim de semana para vê-la, mas garantiu que eles não estão namorando.
Maia está confirmando nossa presença no programa, Dallas me dando dicas sobre como ou o que responder na entrevista e eu terminando de me arrumar meu cabelo.
– E se perguntarem sobre o Austin… — dizia Dallas.
– Sobre o Austin eu sei o que responder.
– Eu ia dizer, para ocultar os detalhes. Seja curta e direta. Se perguntarem a história de vocês não diga muitos detalhes.
– É. Vou lembrar disso.
– Tudo certo. — disse Maia — Vamos para lá agora e esperamos apenas uns quinze ou vinte minutos para a sua entrada, eles vão mostrar fotos suas e algumas postagens do Twitter ou do Instagram, então esteja preparada para explicar sobre ambos.
– Ainda bem que eu sou boa de memória. — murmurei.
– Pronta. — perguntou Dallas.
– Acho que sim. — falei.
– Então vamos.
Respirei fundo e saímos de casa. Entramos no meu carro, Dallas foi dirigindo enquanto Maia contava sobre a volta para Sidney, que seria mês que vem, mas francamente, eu não estava prestando atenção.
Estava pensando que algo estava errado nessas semanas, não era a falta de Austin, Dez e Trish, era outra coisa…
– Ally. — chamou Maia tocando na minha perna.
– Oi. — respondi saindo do transe.
– Você ta bem?
– To. Só… Pensando.
– Ok…
Voltei a pensar. Então percebi uma coisa, os enjôos e cansaços haviam diminuído...
Antes que eu pudesse pensar nas explicações para isso, o carro parou. Chegamos no estúdio. Assim que saímos do carro, dezenas de pessoas nos cercaram, ambas segurando papéis e canetas. Teríamos sido engolidos se não fosse por três policiais que controlaram o tumulto. Eles nos guiaram até a entrada e uma mulher de cabelos vermelhos nos guiou pelos corredores.
A mesma mulher pediu para que nos sentássemos para esperar a minha entrada. Cerca de cinco minutos antes de eu entrar, a mulher ruiva pôs um microfone sem fio na gola do meu vestido e disse:
– Você entra assim que a Ellen te anunciar, ok?
– Ok.
– Boa sorte.
Então ela saiu. Maia e Dallas me desejaram boa sorte.
– … Uma salva de palmas para Ally Dawson!
A plateia entrou em euforia. Eu entrei no palco, no início eu estava tremendo mas depois relaxei. Acenei para a plateia e sentei na poltrona ao lado de Ellen.
– Seja bem-vinda Ally.
– Obrigada Ellen.
– Como se sente na sua primeira aparição nacional?
– Bem. No início eu estava tremendo mas agora estou melhor.
Ela sorriu.
– Pois bem… Nós separamos algumas perguntas feitas por fãs para você. Vamos dar uma olhadinha?
De repente, no telão apareceu a foto de um tweet. Ellen leu em voz alta.
– Ally, você sempre foi compositora do Austin ou a parceira é recente?
– A resposta é sim, eu sempre fui compositora do Austin. Na verdade o primeiro sucesso dele foi uma música que ele roubou de mim.
– Como assim roubou?
– No colégio eu sempre fui a mais tímida, e eu adorava compor, mas nunca mostrava pra ninguém. Então, em um belo dia eu esqueci uma das minhas músicas no colégio, o Austin pegou e gravou o vídeo cantando ela. Só depois ele descobriu que eu havia escrito.
– E desde então vocês são parceiros.
– Exato.
– Ótimo, próxima pergunta. Se você tivesse que escolher entre a carreira do Austin ou a sua, qual você escolheria?
– Uau, essa é… uma ótima pergunta. Uma ótima pergunta com uma resposta muito óbvia. Eu escolheria a carreira do Austin, estamos nisso há tanto tempo que não tem como abandonar. Então, se dependesse de mim, eu nunca desistiria da carreira dele.
– Ally, quando você começou a compor e a cantar?
– Eu comecei a compor desde os meus seis anos de idade, meu pai tinha uma loja de música e ele me ensinou a compor um pouco, então, desde aqueles tempos. Mas a cantar, foi um pouco mais tarde, acho que com doze anos, mas só para mim mesma. Na verdade, a primeira vez que eu cantei em público foi há alguns meses atrás.
– Jura?
– Sim, demorou muito tempo até eu conseguir a confiança necessária. Até por que eu sou muito medrosa.
Todos riram.
– Agora, uma pergunta muito interessante: Você e a Kira Starr, se dão bem ou há uma rixa?
– Eu não diria uma rixa, mas sim um desentendimento. Não por que nós namoramos o Austin, mas sim por causa de alguns acontecimentos no colégio. Mas tirando o passado, hoje, eu a Kira nos damos muito bem.
– Muito bom saber. Vamos ver… A pergunta que não quer calar: A música Together que você compôs para a Demi Lovato, é para algum amor do passado?
– Eu não diria do passado. Eu diria do presente. Eu escrevi essa música há quase cinco anos, eu achei que havia perdido ela, mas encontrei quando voltei para Miami e decidi dá-la para alguém, a primeira oportunidade que me apareceu foi a Demi. E acho que foi o destino, pois a música ficou perfeita na voz dela.
– Eu concordo plenamente. Na verdade, eu acho que as duas deveriam fazer uma parceria em uma música, digo, as duas cantando. — disse ela — Agora a última e mais importante pergunta, a pergunta que todos estão se fazendo: Qual é o seu relacionamento atual com o cantor pop, Austin Moon.
– Hm… — disse a plateia.
– Bem… Eu e o Austin… Devo ser sincera?
– Óbvio! Até eu estou curiosa!
– Okay, eu e o Austin estamos namorando.
– Faz mais ou menos quanto tempo?
– Cerca de quatro meses. E eu devo confessar que foram os melhores meses da minha vida.
– Own… — disseram todos em uníssono.
– Bem. Agora, as perguntas da plateia.
Cerca de dez garotas estavam levantando a mão para poder falar. Ellen apontou para um na primeira fileira. A garota se levantou, pegou um microfone e disse:
– Ally, no inicio desse ano, um pouco depois da sua volta para Miami, você foi vista em clima de romance com um garoto, até então desconhecido. Quem era esse garoto?
– Eu acho que sei de quem você está falando. Ele é um ex-colega de turma do meu colégio em Sidney. Para ser mais precisa, é o meu ex-noivo.
– Noivo?! — disse Ellen espantada.
– É. Eu voltei para Miami algumas semanas depois do pedido de casamento, a idéia era se mudar para cá, casar e viver a vida. Mas não foi bem assim…
– Como o noivado acabou?
– Algumas semanas antes do noivado, eu entrei em uma pré-depressão, eu não queria fazer nada, não saía de casa. Além disso tudo eu comecei a me questionar sobre os meus sentimentos. Então, no dia do casamento, eu me toquei que eu não queria isso pra minha vida. A cerimônia já estava acabando, só faltava o meu “sim”, mas o que saiu da minha boca foi um concreto e sonoro “não”.
– Você se arrepende?
– Nem um pouco, me arrependi no começo mas agora nem um pouco. Me senti mal por ele, mas ainda sim, com tudo o que aconteceu, somos bons amigos.
Outra garota pegou o microfone.
– Você tem algum tipo de preconceito com homossexuais? E que conselhos você dá para os homofóbicos?
– De jeito nenhum! Eu não tenho preconceito, na verdade minha melhor amiga é homossexual e isso não mudou nada na nossa amizade. O conselho que eu dou para os homofóbicos é: Você não é obrigado à aceitá-los, ou gostar deles, tem apenas que ter respeito com eles. Afinal, somos todos humanos, o amor é cego, não tem leis para seguir. Um homossexual tem todo o direito de ser quem é quanto você. A vida é uma só para sermos o que os outro acham que é o certo.
Todos aplaudiram, inclusive Ellen. Olhei para trás e vi Maia sorrindo como nunca. A garota ruiva deu tapinhas no ombro dela e assentiu. No mesmo momento, Maia entrou correndo no palco, eu me levantei e a abracei. Ela estava chorando um pouco. Olhei para ela e disse:
– Grava isso, e manda para a sua mãe. Não importa o que ela diga, você é filha dela e é incrível do jeito que você é. E acredite, qualquer mãe adoraria ter você como filha.
Ela sorriu novamente e me abraçou. Assim que nos separamos, limpei algumas lágrimas dela, e ela voltou para os bastidores.
Sentei-me novamente na poltrona, percebi que Ellen estava um tanto comovida.
Outra garota pegou o microfone e disse:
– Não sei se fui a única, mas percebi que você está usando um vestido um pouco largo na região da cintura. Escolheu ele por acaso ou tem alguma razão?
– Hmmm… — disseram todos.
– Eu não sei o que responder. Você me pegou de jeito com essa pergunta… A minha resposta é: Sim, tem uma razão.
– Poderia nos dizer o tal significado?
Olhei para trás, pude ver Dallas dizendo silenciosamente:
– Fala.
Olhei para Ellen e disse:
– Se você queria perguntar se eu estou grávida, mas sem ser muito direta. A minha resposta é: Sim. Sem mais detalhes.
Ellen ficou realmente surpresa, mas não voltou a tocar no assunto, apenas sorriu e pediu para que outra garota se levantasse:
– Como você e o Austin começaram a namorar?
– Nossa, eu esperava que ninguém fizesse essa pergunta. — brinquei — Até por que a história é muito longa. Bem… Na época, nós dois estávamos namorando, e eu não gostava da namorada dele. Aí um dia, ele começou a defender essa garota em uma discução contra mim, e eu fiquei muito brava, jurei naquele momento que nunca mais seríamos amigos e tal. Algumas semanas depois, ele veio me pedir desculpas, eu comecei a contar algumas boas verdades para ele, contei inclusive que eu só estava namorando para esquecê-lo. Bem, com toda a discução, acabou criando um clima, e nós meio que ficamos. No dia seguinte, eu contei tudo para o meu namorado e nós terminamos, mas decidimos fazer um plano contra Austin.
– Um plano?
– É. A idéia era fazer ele demonstrar o quão importante eu era para ele. E resolvemos fazer isso em uma festa na casa dele.
– Deu certo?
– Mais do que o esperado. Depois da festa eu e o meu ex fizemos uma cena bem dramática fingindo estar terminando, sendo que já haviamos rompido. Então nós fomos para o The Camp! o acampamento, e ele pediu em namoro.
– E você aceitou na hora, claro?
– Não. Na verdade eu demorei três dias para responder, óbvio que eu já sabia a resposta, era apenas para dar um suspense.
Algumas (várias) garotas riram. Outra se levantou, pegou o microfone e disse:
– Ally, agora que voltou a compor, vai se dedicar à sua carreira? Tipo, lançar um CD?
– Eu ainda não sei muito bem. Tenho muitas coisas para fazer ainda, mas tenho certeza que quando vier uma oportunidade, vou aceitar.
– Muito bem, agora vamos para os comerciais, voltamos já com Ally Dawson e sua nova música. Fiquem ligados. — disse Ellen para uma das câmeras.
No exato momento que ela terminou de falar, um homem gritou.
– Corta! Intervalo!
Olhei para a plateia, e algo me chamou a atenção. Uma garotinha em uma cadeira de rodas estava debruçada na grade das arquibancadas, ela segurava um bloquinho e uma caneta. Levantei da cadeira e andei até ela.
– Oi. — falei para ela.
– Ally! — disse ela sorrindo.
– Qual é o seu nome?
– Jenny.
– Que nome lindo.
– Me dá um autógrafo?
– Claro.
Peguei o bloquinho e a caneta dela, sorri para ela e escrevi: Nunca desista dos seus sonhos. De Ally D. para Jenny. Entreguei para ela, que ao ler, sorriu para mim.
– Jenny? O que está acontecendo? — disse uma mulher se aproximando da menina.
– A Ally autografou o meu bloquinho. — disse Jenny feliz.
– É mesmo querida?
– É a mãe dela? — perguntei.
– Sim. Viemos aqui apenas para conhecê-la. A Jenny é apaixonada pelo seu trabalho.
– O que aconteceu com ela? — murmurei para a mulher.
– Jenny, sofreu um acidente quando era menor. Desde então ela perdeu a sensibilidade das pernas. Mas nunca perdeu o senso de humor.
– Eu percebi. — então tive uma ideia — Hey Jenny, você gosta do Austin Moon?
– Sim! Ele é o melhor cantor do mundo!
– Poderia me dar o seu número de telefone? — perguntei para a mãe da Jenny.
– Claro, mas qual seria o motivo?
– Conheço uma pessoa que pode conseguir ingressos para o próximo show dele aqui em Miami.
– Você ouviu isso Jenny? A tia Ally disse que pode conseguir ingressos para o show do Austin.
– Eba!! — disse Jenny com um enorme sorriso.
– Aqui está. — disse a mulher me entregando uma folha com o número do telefone.
– Eu ligo quando conseguir.
– Obrigada.
– Foi um prazer!
Haviam algumas garotas debruçadas na grade chamando pelo meu nome, andei até elas e uma delas disse:
– Autografa a minha camiseta?
– Claro.
Ela virou de lado e eu autografei na manga da blusa. Mais duas pediram autógrafos e as outras uma foto cada. Depois de tirar todas as fotos. Conversei um pouco mais com elas, até que um homem gritou no set:
– Estaremos de volta em 10! — então corri de volta para o palco.
A mulher ruiva me guiou até o palco que havia no canto do cenário do programa, havia uma banda já posicionada. Sentei-me em um banquinho atrás do microfone. A luz vermelha reacendeu, voltamos ao ar. Ellen virou para a câmera e disse:
– Estamos de volta com Bom dia Ellen! E agora uma apresentação muito especial de Ally Dawson e sua nova música.
Uma das câmeras virou para mim. Enclinei-me até o microfone e disse:
– Essa música é para uma pessoa que sempre me ajudou quando eu precisei. Essa música se chama Parachute.
Olhei para a banda e assenti para que começassem.
(https://www.youtube.com/watch?v=1hvlrK61Z2Y )
No fim da música, todos aplaudiram. Eu sorri como nunca. Nunca havia sentido essa sensação antes. Andei até Ellen para me despedir, mas ela perguntou:
– Antes de ir, quer dizer algo para os seus fãs?
– Claro. — virei para a plateia e disse — Lute pelos seus sonhos, ideais e objetivos; Se precisar renuncie um orgulho, deixe rolar uma lágrima no rosto, mas nunca renuncie o seu direito de ser feliz. O direito de ser você. Afinal, tudo o que um sonho precisa para ser realizado, é que alguém realmente acredite nele.
Todos aplaudiram, me despedi de Ellen e saí do palco. Andei até onde Maia e Dallas estavam, Maia falava no celular e assim que me viu andou até mim e me entregou o celular:
– É pra você. — disse ela.
Peguei o celular e disse:
– Alô?
– Adorei a música. — disse ele aparentemente sussurrando.
– Austin?
– O próprio.
– Ta assistindo o programa da Ellen?
– Sim, de vez em quando eles põe online ao vivo. E eu to assitindo.
– Que bom que gostou da música.
– Também gostei quando você disse que estava tendo os melhores meses da sua vida.
– Bobo.
– Sinto sua falta.
– E eu a sua. Ah, falando nisso, poderia pedir pra Trish dois ingressos para o seu próximo show em Miami?
– Claro, mas por que?
– Conheci uma garotinha aqui no set. Ela é muito sua fã, e acho que ela merece. Ela está em uma cadeira de rodas.
– Uau. Ta, eu peço pra ela.
– Valeu. Então, onde o pop star agora?
– No aeroporto de Vancouver. Estamos indo para Toronto e em seguida para Londres, Paris, Amsterdã…
– Ta, ta. Eu já entendi. Uma viagem incrível de dar inveja.
Ele riu. Como eu amo aquela risada.
– Parece ser incrível mas acredite, eu prefiria estar em Miami.
– Por quê?
– Não sei. Não passo nem um dia em uma cidade. É, aeroporto, hotel, cinco horas de sono, passagem de som, hotel, preparação para show, show, M&G e aeroporto.
– Não para, né?
– Nem um pouco… Ah, lembrei de uma coisa.
– Fala.
– Tem alguém que fará aniversário daqui dois dias. Poderia me dizer quem é? Deu uma falha na memória agora.
– Muito engraçado.
– E não pense que só por que eu estou longe que você vai ficar sem presente.
– Posso saber o que é?
– Você saberá, na hora certa.
– Austin! Vamos ou eu arranco esse celular da sua orelha e não me importo se ela sair junto! — gritou Trish.
– Já vou! — disse Austin — Eu tenho que ir.
– Tudo bem. Boa viagem. Quero fotos!
– E eu também, não se esqueça. Quero saber de tudo.
– Pode deixar.
– Tchau! Eu te amo!
– Também te…
Ele desligou, ou a ligação caiu.
– ...amo — murmurei.
– Podemos ir? — disse Maia tocando meu ombro.
– Sim.
Peguei minhas coisas e andamos até a saída, aquele grupo de garotas que estavam no estacionamento não estavam mais lá. Pegamos o meu carro e fomo para a minha casa.
***
Passamos a tarde assistindo filmes. No fim de um deles, Clary me mandou uma mensagem de texto:
“Procura o nome do meu irmão no Google, agora!”
Fiz o que ela pediu, e não gostei do resultado.
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