Amor sem Compromisso
48 But... It Just A Dream
Notas iniciais
As coisas mais simples, são as mais difíceis de explicar…
Tudo estava escuro, como o céu em uma madrugada sem nuvens ou estrelas. Posso ouvir vozes ao fundo, abafadas, mas se aproximando lentamente. Meus movimentos são bruscos mas sem resposta. Minha mente está agitada e meu corpo paralisado. Meu coração está acelerado como nunca. A dor em minha barriga está aumentando cada vez mais, acompanhando a aproximação das vozes. A parte de trás de minha cabeça dói, mas está confortável e estranhamente acomodada em uma extremidade macia.
Depois de alguns segundos, consigo decifrar a fala de uma mulher presente no local:
– Doutor, os batimentos cardíacos dela estão aumentando.
E de repente, em um único segundo, uma luz intensa tomou conta de minha visão.
Um clarão tão intenso que cheguei a pensar que estava morta.
A luz foi diminuindo, deixando o imenso quarto branco à minha visão. Hospital.
Minha respiração voltou à tona. Estava acelerada e profunda. Era como se eu não respirasse há meses.
Haviam duas pessoas na sala: uma enfermeira e um homem de jaleco, obviamente devia ser o médico. A enfermeira andou rápido até mim, segurou minha mão e pediu para que eu respirasse fundo que tudo ficaria bem.
O homem, olhava a prancheta em suas mãos com atenção. Assim que percebeu que minha respiração havia voltado ao normal, pediu para que a enfermeira avisasse que eu havia acordado.
Quando me vi sozinha com o doutor, falei sem entender:
– O que aconteceu? Por que eu estou aqui?
– Você não se lembra.
– Não sei. Eu to confusa. Quantos anos eu tenho?
– Pelo que posso ver aqui, você tem… 16 anos. — disse ele — Houve um acidente em seu colégio. Uma colega sua estava portando um revolver 36 e atirou em você. Você caiu e bateu a cabeça, mas isso é o de menos. Estás bem, se queres saber. Assim que fizermos os exames finais você será liberada.
Como assim? 16 anos? Não, eu tenho 21! Estou noiva do meu namorado, grávida do mesmo e sou estudante da faculdade municipal!
Espera, acidente na escola? Colega portando arma? Como… Kira.
Então é isso? Todos os últimos anos da minha vida não passaram de um sonho?! Mas e Kate, Hailey, Gary, Spencer, Jake, Penny, Jerry, Frank, Shawn, Maia… Nenhum deles existe? E Austin? Ainda estamos juntos? Terei que voltar para Austrália com meu pai?
Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz me chamando.
– Ally! — gritou Austin da porta.
Olhei para ele confusa. Seu cabelo foi recentemente cortado, a franja estava bagunçada e as olheiras profundas como de alguém que não dorme há dias. Suas roupas estavam amassadas, a calça levemente rasgada na altura dos joelhos e o tênis — que antes deveria ser azul — estava marrom misturado com preto.
Ele correu até mim e beijou minha testa. Logo sentou na ponta da cama, segurou minha mão e disse:
– Eu fiquei muito preocupado.
Sua voz soava doce e cansada. Ele me olhava com atenção, como se quisesse guardar em sua memórias a minha imagem no hospital, com o cabelo ensebado, olheiras profundas e expressão confusa. Seu olhar continua o mesmo, penetrante. Aquele olhar que quando encontra o seu, você pensa que tudo ficará bem…
– Está tudo bem? — pergunta ele.
– Sim, está… — hesito — Na verdade, não. Está tudo errado! — confesso.
– Como assim?
– Quanto tempo eu fiquei desacordada?
– Uns três dias, por quê?
– Seis anos em três dias. — falo a mim mesma?
– O que? — diz ele confuso.
– Há dez minutos atrás, eu podia jurar que tenho 21 anos! Eu me mudei para a Austrália, curso música na faculdade…
– Ally, Ally. — disse ele segurando meu rosto — Foi tudo um sonho.
– Um sonho muito real! É como se… Como se a realidade não fosse mais o suficiente para mim!
– Ally, eu não…
– Allycia? — disse a enfermeira — Iremos começar os exames finais, e hoje mesmo você será liberada.
– Posso falar com ela mais um pouco? — pergunta Austin.
– Desculpa, mas…
– Austin. — falei — Eu falo com você depois, ok?
Ele me olhou chateado, assentiu e saiu.
O médico voltou para o quarto e iniciou os primeiros exames finais: sangue, reflexo, memória… Até que me liberou. Havia uma muda de roupas para eu me trocar, entrei no banheiro e me vesti.
Enquanto me arrumava para ficar pelo menos decente para ir embora, comecei a pensar…
Em meu sonho.. Assim que eu acordei no hospital, meu pai disse que iríamos nos mudar para Sidney… Ainda vamos? Ou irei ficar aqui?
Mergulhei minhas mãos na água da toneira e lavei meu rosto. Peguei minhas coisas e saí do quarto.
Austin, Dez, Trish, Dallas, Clary e meu pai me esperavam na entrada. Assim que me viram, Trish e Dallas vieram me abraçar, Clary e Dez vieram em seguida. Assim que nos separamos, meu pai me abraçou com força, haviam lágrimas em seus olhos:
– Achei que você nunca mais acordaria… — disse ele entre soluços.
– Eu estou bem.
Ele me soltou e me olhou com atenção, usa expressão era de dúvida, a minha, séria e perdida.
– Quer sair com os seus amigos?
– Podemos ir no cinema, na biblioteca… — disse Trish.
– Não. — falei interrompendo-a — Não quero ir para lugar nenhum, só pra casa.
– Tudo bem, querida.
– Nos vemos mais tarde? — disse Trish um tanto chateada.
– Ok.
Meu pai e eu fomos até o carro, no meio do caminho, Austin gritou:
– Ally! Espera. — eu parei e olhei para ele.
Austin correu até mim e disse:
– Posso passar na sua casa mais tarde? Queria te dar uma coisa…
– Claro…
Austin permaneceu parado me olhando, como se esperasse algo. Então aproximei-me dele, fiquei na ponta dos pés de lhe dei um beijo rápido. Andei depressa até meu pai e entrei no carro.
POV Austin
Ally parecia distante, confusa… Ela mencionou um tal sonho… Será que ela pensou estar vivendo tudo isso? O que será que ela sonhou?
Assim que ela foi embora, voltei ao encontro de Trish, Dallas, Clary e Dez.
– O que ela tem? — perguntou Dez.
– Pois é, parece abalada… — completou Dallas.
– É óbvio. — disse Clary com autoridade — Ela acabou de sair do hospital!
– Não é isso, Clary! — disse Trish — Ela está diferente. Distante…
– Ela falou alguma coisa, Austin? — perguntou Clary.
– …Eu não sei… Não entendi direito. Vou falar com ela mais tarde e aviso vocês.
Não disse mais nada, apenas saí andando até minha casa.
Fiquei intrigado com o sonho de Ally. O que ela teria sonhado a ponto de ficar tão confusa assim? Teríamos terminado no tal sonho? Algo ruim aconteceu? Ou algo extremamente bom a ponto de ser perfeito?
Não importa o que seja, não era real. Mas se era bom, vou tentar superar o tal...
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