Notas iniciais
odeio minha vida?

O corpo dolorido da garota jazia estirado na areia da praia, os sons do mar abafados pelo zumbido em seus ouvidos e sua dor de cabeça latejante. Uns segundos passaram e por um momento ela pode esquecer a situação, apenas sentindo o sol queimando seu rosto e a brisa marítima, mas ela sabia que a alguns metros estava seu oponente, que já devia estar se sentindo vitorioso. Se recusando a se dar por vencida, suas ultimas forças foram concentradas em seus braços para que ela pudesse se levantar, encarando os olhos da criatura com um fogo recém acordado. O escárnio no rosto dele fazia o sangue da garota ferver. Alguns carros passavam na rodovia próxima a praia, mas nenhum motorista parava para se atentar no silêncio ensurdecedor que rodeava os dois oponentes.

Marina sabia que não podia vencer, mas ela se recusava a desistir, e com passos lentos, tentou se aproximar do pokemon afim de prosseguir com a luta, antes que pudesse perceber a relutância no seu adversário. Ele se aproximou dela cuidadosamente, sua expressão séria nunca deixando seu rosto pálido.

“Não quero te machucar mais do que o necessário. Isso já foi longe demais. Reconheça sua derrota e desista.” Mewtwo correu os olhos nos hematomas nos braços e no rosto de Marina e sentiu leve culpa. Talvez devesse ter pegado mais leve. Alguns segundos se passaram e os único único som que quebrava o silêncio era a respiração difícil da morena. Ela sabia que ele estava certo, mas isso não impediu a raiva que subiu para sua mente, e antes que ela pudesse se impedir, estava cara a cara com Mewtwo.

“Eu não vou desistir! Estou cansada de ter que me rebaixar pros outros por me sentir fraca e insuficiente, e isso muda hoje, com você! Pode me atacar o quanto quiser, se eu não poder usar meus braços, vou usar minhas pernas. Se eu não poder minha pernas, vou usar minha cabeça. Se eu não poder usar minha cabeça, vou te olhar fixamente. E se eu estiver cego, então vou gritar até o destruir. Não importa o quanto você possa lutar contra mim, eu vou te vencer de UMA VEZ POR TODAS!” Expressando o fogo em sua voz, ela tomou uma posição de luta, convidando Mewtwo a continuar, mas o pokemon se manteve em silêncio, olhando para ela.

De repente, ele se lançou contra o corpo da gostosa, envolvendo-a com seus braços fortes e beijando-a com seu focinho. Mesmo a surpresa do ato repentino não impediu Marina de abraça-lo de volta e devolver o beijo intensamente, e logo sua língua dançava com a dele, longa e bifurcada. Logo se separando, ele encostou a testa na dela, fazendo ela sentir seus chifres bagunçando seu cabelo.

“Se você não desistir, eu vou.” Sua voz grossa e etérea era música para sua mente, ouvindo ele por telepatia. “Eu te amo, Marina, mesmo você tendo incontinência urinária e sendo e-girl. Me apaixonei por você no momento que vi pela primeira vez seus grandes olhos cor de mel e seus lábios carnudos. Fique comigo e juntos podemos ter o mundo.”

Os olhos de Marina marejaram, e ignorando as dores em seus ossos, ela abraçou o pescoço do pokemon, sorrindo.

“Eu te amo, Mewtwo!”

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