Amor por Acaso
16 Falcão
Notas iniciais
Falcão
As câmeras escondidas no apartamento de Cristina foram retiradas, e o mesmo foi verificado mais algumas vezes, antes que ela e sua família pudessem voltar, já que a busca se estendeu aos apartamentos de Rosário e de Carlos também.
A situação estava ficando cada vez mais complicada. Todo o departamento estava mobilizado para tentar capturar Hades, no entanto, ele era escorregadio. Sempre conseguia escapar, e parecia estar um passo à frente da polícia todas às vezes.
Emiliano e Cristina estavam cada vez mais firmes em sua relação. Porém, achavam que ainda cedo demais para fazer planos. Afinal, quando se é policial, o terreno em que você pisa, torna-se incerto. Mas, eles sabiam que o que sentiam um pelo outro era forte e verdadeiro. Entretanto, para Emiliano, estava quase impossível conviver com aquela situação sem que Cristina soubesse a verdade. Ele sabia que a verdade viria a tona a qualquer momento, a questão era se ele a deixaria descobrir, ou ele contaria.
Três meses depois...
— Departamento de polícia. Unidade de crimes graves. _
Contra as prescrições médicas, e para o desespero de Rosário, o Comandante Carlos voltou a trabalhar. Foi um momento bastante comemorado por todos, apenas Cristina ainda estava apreensiva com estado de saúde de seu pai.
Cris: Tem certeza que já está recuperado, Comandante? – ela pergunta.
Carlos: Sim, Capitã. Estou cansado de ficar em casa, engordando mais do que já estou. Preciso voltar ao trabalho e colocar ordem nessa bagunça.
Cris: Infelizmente, tenho que admitir que o senhor leva mais jeito do que eu pra tomar conta desse departamento.
Carlos: Não se menospreze, filha. Sei que fez um ótimo trabalho enquanto estive fora.
Cris: Mas não se preocupe. Tem uma pilha de papeis esperando pelo senhor na sua sala.
Carlos: Maldita burocracia!... E o tal de Hades?... Como vai o desenrolar desse caso?
Cris: Ele está sumido há meses. Muito provavelmente está cuidando dos próprios ferimentos. Afinal, a queda de vocês dois foi muito feia, pelo que eu soube.
Carlos: Quase que eu não escapo. – disse Carlos. – Mas algo me diz que esse sujeito está prestes a atacar de novo. Por isso, convoquei uma reunião.
Cris: Que reunião?
Carlos: Envolve todo o departamento, o Emiliano e a Capitã Falcão.
Cris: Ah, sim... Emiliano me falou esse homem, mas não sabia que era mulher.
No entanto, ao entrarem na sala, os dois se deparam com mais do que uma pilha de papeis. Ela estava lá sentada em uma das cadeiras, revisando o seu relatório.
Cris: Quem é você?
Carlos: E como entrou aqui?
Nadi: Meu nome é Nadi Zahra, codinome Falcão. – disse ela. – E eu entrei Em aqui da mesma maneira que qualquer outra pessoa entra, pela porta da frente. Carregando uma bolsa que poderia ter algum artefato estranho, passando pelos setores mais desprotegidos do departamento, onde deveriam ter câmeras de segurança e não tem...
Cris: O que está insinuando, Capitã? Que meu pessoal é incompetente? – disse Cristina incomodada.
Carlos: Calma, Capitã Maldonado. Tenho certeza que Falcão não quis dizer isso.
Nadi: Ah, eu quis sim. Caso contrário, não teriam mandado me chamar. Por falar nisso, onde está o Emiliano, faz muito tempo que não nos vemos.
Cristina sentiu seu corpo se contrair de ciúme. Que tipo de ligação aquela mulher tinha com Emiliano?... E como se não bastasse, o próprio acabara de chegar ao departamento. Assim que viu o jeito como Cristina olhava para Nadi e em seguida olhava para ele, Emiliano percebeu que estava muito encrencado.
Nadi: Emiliano Ruiz. Faz muito tempo. – ela dá um leve sorriso.
Emi: Sim, Falcão. Um tempão. – disse ele.
Nadi: Bom... Eu já revisei o relatório que me entregaram sobre esse tipo que vocês estão atrás e o estrago que ele já causou.
Cris: Sim. Meu pai, o Emiliano e outro membro importante da minha equipe quase morreram por causa desse maluco.
Nadi: Deixou um sujeito desse te pegar desprevenido, Emiliano?... Cara, você já foi melhor – disse ela.
Cris: O Emiliano é muito bom no que faz, Capitã. Ele nos protegeu até agora. O problema é que esse assassino está sempre a um passo na nossa frente. É como se ele soubesse o que vamos fazer.
Nadi: Porque vocês são previsíveis, metódicos, seguem o protocolo todo o tempo. Ele não é um criminoso comum, vocês sabem. Não podem agir de maneira comum.
Emi: O que quer dizer, Falcão.
Nadi: Ele brinca com vocês como um gato brinca com a presa antes de abatê-la. Está na hora de vocês virarem esse jogo e tratarem ele como a presa que ele é. Vocês precisam caçá-lo.
Cris: A Capitã fala como se já não tivéssemos tentado de tudo. – disse Cristina aborrecida com a postura de Nadi.
Nadi: Se tivessem tentado, eu não estaria aqui. – disse ela olhando de maneira desafiadora para Cristina. – A segurança desse lugar é pífia, pra não dizer uma merda!... Se eu fosse o assassino que vocês estão tentando pegar, estariam todos mortos num piscar de olhos. E ainda se chamam de Unidade de Crimes Graves... É de morrer de rir! – disse ela com deboche!
Cris: Agora já chega! Quem você pensa que é?!
Emi: Cris, calma.
Cris: Calma, nada!... Desde que ela chegou, ela está chamando a minha equipe e a mim de incompetentes, e isso eu não vou aceitar!... Vocês podem até ficar “babando” ela pelas condecorações que ela tem, mas eu não vou fazer isso!
Emi: Cristina!
Nadi se aproxima lentamente de Cristina e a encara, sem desviar o olhar um segundo.
Nadi: Sabe por que o Emiliano está aqui, Capitã?... Por que o negócio dele é proteger pessoas, e como você mesma disse, ele é bom nisso. ... Sabe por que eu estou aqui?... Porque consigo rastrear um criminoso melhor que um cão da polícia, porque de cima do prédio mais alto eu consigo acertar uma moeda de cinco centavos no bolso de um cara andando na praça central bem na hora do huch. Emiliano está aqui porque ele é bom, eu estou aqui porque sou a melhor. E sugiro que, da próxima vez que queira me subestimar ou subestimar o meu trabalho, você pense mil vezes, pois eu posso não estar aqui pra salvar seu traseiro.
As duas tinham fogo em seus olhos. Porém, uma coisa que Nadi detestava era ser subestimada, e Cristina aprenderia uma boa lição por causa dessa afronta. Carlos resolveu intervir, antes que o gênio de sua filha colocasse a operação a perder.
Carlos: Ainda sou o Comandante desse departamento, e exijo que as senhoritas mantenham o decoro e se comportem como policiais. Esse tipo de atitude não será tolerada.
Nadi: Não se preocupe, Comandante. Vou me manter no meu lugar, desde que sua filhinha faça o mesmo. – disse Nadi, saindo.
Emi: Não devia ter feito isso, Cris.
Cris: Vai ficar do lado dela, agora?
Emi: Não estou do lado dela. Pare de se comportar feito criança. – disse ele.
Cris: Há quanto tempo vocês dois se conhecem? – ela pergunta.
Emi: Isso é sério?!
Cris: Há quanto tempo, Emiliano?... Ela agiu como se vocês fossem íntimos.
Emi: Cris, para com isso!
Carlos: Vocês estão lembrados que isso aqui ainda é um departamento de polícia, certo?... Deixem pra “lavar a roupa suja” quando estiverem em casa! – disse Carlos. – Agora deem o fora daqui, tenho uma pilha de formulários atrasados pra preencher e não tenho tempo pra ficar bancando o mediador da briguinha de ciúmes de vocês!
O que muitos não sabiam, era que Nadi já estava colocando suas habilidades em prática. Ela foi até a sala de arquivos de segurança da polícia.
Nadi: Você é o Pablo, certo?
Pablo: Sim, senhora.
Nadi: Oi, Pablo. Sou a Capitã Nadi Zahra, preciso que me mostre às imagens de segurança do dia em que o carro do detetive Ruiz explodiu, no entanto, eu quero as imagens de todo o quarteirão, antes do carro explodir, bem antes.
Pablo: Ok, senhora.
Nadi analisa todas as imagens e descobre um parâmetro. Ela percebeu que havia um homem em uma das mesas de uma lanchonete na esquina com o departamento, o homem tinha as mesmas características que os outros haviam percebido. No entanto, Nadi era a melhor porque ela conseguia ver os nuances que outros não notavam.
Nadi: Pablo, seja um bom rapaz, e dê um zoom no bolso do casaco dele, sim.
Pablo: O que a senhora está procurando?
Nadi: Uma coisa que passou despercebida. – disse ela com os olhos fixos na tela.
Ela pega um pedaço de papel e anota o endereço e um número que havia. Em seguida, ela agradece Pablo e sai.
O que havia naquele papel minúsculo era o endereço de uma farmácia. Imediatamente, Nadi deduziu: devido ao incidente com o Comandante, o assassino também ficou machucado, porém, para não levantar suspeitas, ao invés dele ir a um hospital, ele foi a uma farmácia e comprou tudo o que ia precisar para se curar no seu esconderijo, o que fazia Nadi deduzir também que o Hades tinha noções de anatomia humana, não somente por fazer seus próprios curativos, mas pelos detalhes que ele mostrava em seus assassinatos.
Nadi: Com licença. – disse Nadi ao farmacêutico. – Assunto da polícia. Poderia ver os vídeos das suas câmeras de segurança nesta data, por favor. – disse ela mostrando um papel com a data em que o Comandante foi hospitalizado.
Com isso, Nadi viu o assassino, que estava com o rosto encoberto. Ele não olhava diretamente para câmera, ele era esperto. Mas não tão esperto assim, já que ela conseguiu perceber o número da placa do táxi que ele pegou e a empresa para qual o taxi pertence. Algumas ligações, e pronto. Nadi havia descoberto o esconderijo de Hades.
Nadi não era ingênua, ela não foi entrando de primeira, ela esperou para ver se haveria alguma movimentação. Nada. Ninguém entrando ou saindo. Ela revirou o lixo do lugar e descobriu muitas ataduras usadas, esparadrapos, frascos vazios de remédio para dor. Sem dúvida, o lugar era aquele. Mas estava vazio, só que não por muito tempo. Nadi imaginou que ele poderia voltar, ela tinha que ser rápida. Em silêncio e com cuidado, ela entra e comprova que é seguro circular pelo local.
Porém, ao chegar na sala principal, ela se depara com algo assustador.
Nadi: Caramba! O cara é um pervertido! – disse ela pegando o celular e fazendo uma ligação. — Alô, Emiliano. ... Como, onde estou? Estou fazendo o meu trabalho, não foi pra isso que me chamou?... Olha, vou te mandar um endereço, venha rápido... Traga quem quiser! Só acho que a Maldonado pode ficar meio desconfortável ao ver o que eu encontrei.
Na parede haviam escritas estranhas, todas feitas com sangue, fotos da vítimas de Hades em outra parede, e na parede central fotos daquilo que era o objeto de adoração daquele assassino sádico e misterioso: fotos da Capitã Cristina Maldonado.
***
No apartamento de Cristina, ela entra e bate a porta, Rosário a olha com.uma expressão mais que preocupa.
Rosa: O que aconteceu filha.
Cris: Ela dormiu com Emiliano, por isso tá me desafiando assim. — falava com raiva.
Rosa: Ela quem menina? -Emiliano entra e faz um sinal pra Rosário que sai da sala deixando os dois ali.
Em: Cris vamos conversar. Eu preciso te contar umas coisas.
Cris: Meu contar que teve um caso com suas protegidas? Me contar que teve um caso com Falcão ou me você era um dos policiais na noite do tiroteio contra O CHACAL.
Emiliano sentiu um frio no estômago, suas mãos ficaram frias. Ele passou as mãos no cabelo e fechou os olhos.

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