Amor ou obsessão

16 O Fogo Sob a Coroa



​A celebração do casamento ainda ecoava nos pátios distantes de Tara, mas dentro dos aposentos reais, o silêncio era preenchido apenas pelo estalar da lenha na lareira e pelo som da respiração apressada de Ester. O vestido de seda marfim agora estava levemente desalinhado, e seus pés descalços afundavam no tapete de pele de urso enquanto ela se esquivava, com um riso travesso, das mãos do marido.

​Dominic havia retirado a armadura e a túnica pesada, vestindo apenas uma calça de linho fino. O torso largo, marcado por cicatrizes que eram o mapa de sua vida, brilhava sob a luz âmbar das chamas.

​— Onde pensa que vai, minha Rainha? — Dominic perguntou, sua voz sendo um trovão baixo e divertido. Ele se movia com uma economia de movimentos predatória, cercando-a perto da imensa cama de dossel.

​Ester girou para o lado, escapando por pouco. Ela parou do outro lado de uma mesa de carvalho, ofegante, os olhos verdes faiscando com uma audácia que só a segurança do amor permitia.

​— O senhor está ficando lento, Majestade — ela provocou, jogando o cabelo para trás. — Talvez o peso da coroa esteja cobrando seu preço. Afinal, um homem da sua idade deveria estar descansando após um dia tão longo, não correndo atrás de uma jovem que conhece todas as trilhas da floresta.

​Dominic parou, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. Ele cruzou os braços sobre o peito poderoso, observando-a com uma paciência perigosa.

​— "Da minha idade", Ester? — ele repetiu, a diversão brilhando em seus olhos escuros. — Você insiste nessa palavra. Acha mesmo que o tempo me tirou a força?

​— O senhor fala muito, mas ainda não me pegou — ela retrucou, dando um passo para trás conforme ele voltava a avançar. — Talvez eu devesse chamar os guardas para ajudarem o "velho leão" a encontrar o caminho para o sono. Quem sabe amanhã o senhor acorde com mais disposição...

​Dominic soltou uma gargalhada curta e vigorosa. Em um movimento que Ester não previu — uma explosão de agilidade que desmentia cada um de seus cinquenta anos — ele saltou sobre o canto da mesa e a capturou pela cintura antes que ela pudesse sequer gritar de surpresa.

​— Peguei você — ele sussurrou contra o pescoço dela, sua voz vibrando contra a pele sensível de Ester.

​Ela riu, tentando se desvencilhar, mas os braços dele eram como correntes de ferro quentes. Ele a levantou do chão com uma facilidade desconcertante, fazendo-a sentir toda a firmeza de seus músculos.

​— Agora, minha pequena insolente... — Dominic a conduziu até a cama, deitando-a sobre os lençóis de seda negra enquanto se posicionava sobre ela, sustentando o próprio peso com os braços. — Você tem muito a dizer sobre o tempo e sobre o que ele leva de um homem. Mas o tempo também traz algo chamado resistência. E experiência.

​Ester olhou para cima, e a provocação em seu rosto foi lentamente substituída por um desejo ardente. A intensidade no olhar de Dominic era absoluta; ele não era um homem cansado, era um homem no auge de seu poder pessoal, totalmente focado nela.

​— O senhor quer provar que eu estou errada? — ela desafiou em um sussurro, suas mãos subindo para os ombros dele, sentindo o calor da pele.

​— Eu não quero apenas provar que você está errada, Ester — ele disse, baixando o rosto até que seus lábios quase tocassem os dela. — Eu quero que, ao amanhecer, você nunca mais ouse usar a palavra "velho" para descrever o homem que vai fazê-la esquecer o próprio nome de tanto prazer.

​Dominic a beijou com uma fome que silenciou qualquer outra palavra. Naquela noite, entre carícias profundas e uma paixão que consumia as sombras do quarto, Ester descobriu que o Leão da Irlanda guardara seu maior fogo para a intimidade. Dominic não tinha a pressa desajeitada dos jovens; ele tinha a maestria de quem conhecia cada ponto de prazer, cada ritmo e cada forma de fazê-la suspirar.

​Ele a possuiu com uma força e uma vitalidade que a deixaram sem fôlego, provando, entre gemidos e sussurros de adoração, que o vigor de um homem não se mede pelos anos, mas pela chama que ele é capaz de acender na mulher que ama.

​Quando a lua finalmente começou a baixar no horizonte, Ester repousava a cabeça no peito largo de Dominic, ouvindo o bater constante e forte do coração dele.

​— E então? — Dominic sussurrou, acariciando os cabelos dela. — Ainda precisa de ajuda para encontrar o caminho do sono, minha Rainha?

​Ester deu um sorriso exausto e feliz, apertando-o mais forte.

— O senhor venceu, Majestade. O "velho leão" ainda é o dono absoluto desta floresta... e de mim.