Amor ou Ódio
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Regiane: Maria (vai ao encontro de sua irmã e a abraça e começa a chorar) como é bom te abraçar, como é bom te ver.
Maria: (corresponde o abraço) Por vinte anos sonhei com esse abraço.
Regiane: (desfazem do abraço e Regiane puxa Maria pelas mãos e ambos sentam no sofá da sala) Maria (pausa) me perdoa por não ter ido te visitar, não ter mandado pelo menos uma carta (segurando as mãos de Maria).
Maria: Não tenho o que te perdoar você não desistiu de mim, você contratou um advogado para me tirar daquele maldito lugar, acreditou que eu era inocente mesmo não ter ido naquela viagem, você acreditou em mim. Agradeço muito por ter feito isso por mim. Mais porque você não foi? Luciano me disse que tem haver com o Damião (olhando nos olhos da irmã).
Regiane: Ai Maria (chora forte).
Maria: O que aconteceu Regy (preocupada)?
Regiane: Desde que me casei com Damião eu vivo em um inferno.
Maria: Quer desabafar?
Regiane: Sim, eu preciso desabafar.
Maria: Pode fala eu estou aqui para te ouvir e ajudar (acariciando as mãos da irmã).
Regiane: Maria desde minha noite de núpcias eu sou violentada e espancada pelo Damião (seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar).
Maria: (chocada com o que acabava de ouvi) Mais... Mais quando vocês namoravam ele era tão carinhoso, amoroso contigo, como pode mudar assim?
Regiane: Ele mudou (pausa) no dia do nosso casamento, depois da cerimônia para ser mais exata, pois o maldito do Evandro mentiu pra ele, dizendo que eu me oferecia para ele, que gostaria de ter me entregado para ele, que eu queria ser amante dele, mais como eu era noiva do filho dele, ele sempre me dizia não. Maria ele mentiu tão bem que Damião não quis nem tirar a história a limpo, mal sabe o Damião que o pai dele me ofereceu dinheiro para entregar minha virgindade a ele, que ele tentou me violentar mais não conseguiu, quando saímos da festa e fomos para a fazenda da família Sán Román passar a noite de núpcias e a lua de mel, Damião se transformou, foi da festa até à fazenda calado, não me tocava, não me beijava, quando entramos no nosso quarto começou a me espancar e depois de ter me batido bastante ele me violentou (chorando forte).
Maria: Porque não me contou quando voltou da fazenda?
Regiane: Não contei, pois ele me ameaçou Maria, disse que se eu contasse para alguém e principalmente para você, ele me mataria, e mataria a pessoa que soubesse do que ele fez e faz comigo. Peço que, por favor, não conte para ninguém e muito menos comente alguma coisa com Damião, pois se não sofrerei com as conseqüências.
Maria: Mais isso tem que acabar Regy.
Regiane: Eu sei Maria, mais meus filhos, eles não podem saber que tipo de monstro é o pai deles, um homem violento, agressivo e extremamente ciumento. E se isso acabar vai ser por um jeito que ninguém vai saber o tipo de homem que Damião é.
Maria: Que jeito?
Regiane: Estou com Leucemia, descobri faz alguns dias, você é a primeira pessoa que estou contando.
Maria: Mais Leucemia tem tratamento e você pode até mesmo se curar.
Regiane: Eu sei Maria, só que eu decidi que não vou fazer tratamento, e assim que tiver avançado e não tiver jeito vou morrer aos poucos, e pode ter certeza que sem saber o próprio Damião vai me matar.
Maria: (chorando forte) Por favor, faça o tratamento por você, pelos seus filhos, por mim, passamos vinte anos longe uma da outra, e agora que estou de volta quero recuperar o tempo perdido.
Regiane: E vamos recuperar, mais teremos pouco tempo.
Maria: Regy (interrompida).
Regiane: Não agüenta mais sofrer nas mãos do homem que tanto amei que sonhei me entregar a ele, que sonhei viver ao lado dele até o último dia da minha vida. Maria eu o odeio, mais aquele amor pelo Damião que eu conheci, me apaixonei, namorei e noivei ainda existe dentro de mim. Está aceso, mais nunca vou ter aquele Damião de volta, nunca vou saber como é ser amada de verdade, nunca vou saber como é fazer amor.
Maria: (a abraça bem forte) Sinto muito por tudo que passou e tenha passado. Mais eu espero e peço a Virgem de Guadalupe que faça você mudar de idéia.
Regiane: Vamos mudar de assunto. Fale-me de você (desfaz o abraço) como foram esses vinte anos de prisão?
Maria: Foram os piores vinte anos da minha vida, fui humilhada, sofri nas mãos das presidiárias mais velhas, mais com o tempo começaram me respeita. Mais teve uma coisa boa lá (sorri), eu aprendi a trabalhar com a prata, fazendo peças de jóias entre outras coisas.
Regiane: Isso eu estou sabendo, porque o Luciano mandava as jóias para mim e eu mandava avaliar e o preço que me dizia eu depositava para ele entregar para você (sorri).
Maria: Então você tem todos os meus trabalhos (surpresa)?
Regiane: Não todos, eu tenho os que mais me agradaram, alguns dei de presente para a Alba, para minha filha, para minha afilhada Alma, Socorro e para Estrela. Luciano me mandava separado as que você dizia que fazia pensando na Estrela então nos aniversários dela eu sempre a dava de presente.
Maria: (sorri emocionada) Obrigada.
Regiane: Não precisa agradecer. Bem preciso te contar como foram esses vintes anos sem você (fica séria).
Maria: Conta-me.
Regiane começou a contar como foram os vinte anos sem a Maria por perto, contou da mentira que Evandro obrigou Estevão a contar para os filhos, dizendo que Maria tinha morrido em um acidente, e que a mulher do quadro que eles veneravam como mãe e Evandro fez todos jurarem que nunca falariam da Maria, que ela e Alba foram os únicos contras, mais Damião ameaçou e então ela se calor, assim como Alba que na época ainda era casada com Evandro o mesmo a fez jurar que não contaria a verdade.
Maria: (chorava junto com sua irmã) Como... Como Estevão foi capaz de fazer isso? Porque ele se deixou ser manipulado pelo Evandro (se levanta)?
Regiane: (se levanta e fica na frente da irmã) Maria você sabe muito bem que Evandro sempre conseguiu manipular os filhos.
Maria: Verdade. Tenho que aparecer para todos, preciso conhecer meus filhos, meus sobrinhos (sorri entre as lágrimas).
Regiane: E vai conhecer, tive uma idéia (sorri).
Maria: Meu Deus suas idéias (ri).
Regiane: Maria como assim minhas idéias? São muito boas ta, minhas idéias já nos ajudaram muitas vezes.
Maria: Verdade, fale sua idéia.
Regiane: Amanhã vai ter um jantar na Mansão do Estevão para comemorarem o aniversário da Alba, ai você vai ai eu digo que convidei uma amiga ai você me manda uma mensagem que você chegou ai eu abro a porta e você entra, ai você já sabe todos ficaram nervosos com sua presença. Alba vai amar te ver novamente.
Maria: Verdade, gosto muito da Alba, ela sempre me ajudou com meus filhos, sempre me protegeu do Evandro.
Regiane: Minha sogra arrasa meu amor, outro dia te conto como foi o divórcio dela e do Evandro, mais me lembre porque eu ando esquecida (sorri). A não comentei nada com o Luciano mais Alba sabe que eu contratei um advogado para lhe ajudar a sair da prisão. Só que eu não contei nem pra ela que você saiu de lá, só o padre sabe.
Maria: Ai Regiane Fernandez da Cunha, você e suas idéias, eu gostei estarei lá. É bom saber que a Alba sabe, a conversa está muito boa mais eu tenho que ir, e acredito que você tenha pacientes para atender.
Regiane: Sim eu tenho, (anota numero do celular dela em um papel e entrega para Maria) Maria esse é o número do meu celular, qualquer coisa me liga, já comprou um celular?
Maria: Ainda não, vou comprar hoje, mais acho que vou precisar de umas aulas para aprender a mexer (sorri).
Regiane: Não se preocupe que na loja eles dão algumas explicações, ai quando a gente se ver de novo eu explico mais algumas coisas. To feliz, pois há muito tempo eu não sorria como estou sorrindo hoje, acho que não vou consegui esconder minha felicidade.
Maria: Quero sempre te ver assim sorrindo, espero que com a minha volta as coisas mudem.
Regiane: Assim espero.
Maria: (abraça sua irmã) Obrigado por tudo, tchau.
Regiane: Não precisa agradecer, Tchau (desfazem do abraço).
Assim Maria vai embora, Regiane começa atender seus pacientes. Assim as horas vão se passando e já era noite, todos estavam em suas casas, menos Damião que estava na casa do seu irmão, conversando e bebendo com sua mãe e seu irmão na sala da lareira.
Alba: Estou muito feliz que meus dois filhos estejam aqui comigo (sentada no sofá entre seus filhos).
Damião: A senhora sabe muito bem que gostamos de passar esses momentos com a senhora (tomando um gole de uísque).
Estevão: E se depender de nós dois vamos fazer isso sempre mamãe (da um beijo no rosto dela e logo toma um gole de uísque).
Alba: (já estava um pouco alta por causa do vinho que estava tomando a segunda taça) Vocês dois são as únicas razões por eu ter suportado tudo que passei nas mãos do pai de você (algumas lágrimas começam a sair dos olhos de Alba).
Damião: Como assim suportado mamãe (a olhando sem entender)?
Estevão: Explique-nos isso mamãe (também a olhando sem entender).
Alba: Acho que está mais do que na hora de vocês saberem a verdade sobre mim e o pai de vocês. (toma mais um pouco de vinho) Depois que eu ganhei vocês, o pai de vocês vendo que eu estava me dedicando a vocês e não dando muita atenção a ele, ele começou a me (pausa) a me bater.
E e D: Que (surpresos)?
Alba: E depois de um tempo ele começou a (pausa novamente) me violentar (chorando) vocês não tem noção do que eu sofri nas mãos do pai de vocês, para tê-los sempre perto de mim, pois ele queria mandá-los para Suíça para estudarem em um colégio interno e fazer faculdade por lá também, assim teria total atenção minha.
Damião: Mamãe porque a senhora nunca nos falou nada? A gente poderia ter lhe defendido ter a protegido (se levanta do sofá).
Estevão: Eu... Eu não posso acreditar que a senhora passou por tudo isso.
Alba: Não contei porque tive medo, muito medo. Mais pelo amor de Deus e pelo amor que vocês sentem por mim não falem nada para Evandro, pois ele é um homem muito mal e pode fazer muitas coisas, principalmente matar (se levanta e sai correndo da sala da lareira).
Damião: O que vamos fazer Estevão?
Estevão: (se levanta e fica de frente para o irmão) Vamos fazer o que ela nos pediu, mais eu nunca mais quero olhá-lo e considerá-lo como pai.
Damião: Tudo bem faremos o que ela nos pediu, e faço das suas palavras as minhas. Eu vou embora, cuida da mamãe, por favor.
Estevão: Pode deixar que eu vou cuidar dela, vou tomar um banho e ir dormi com ela, acho que ela está precisando de um pouco de atenção, boa noite.
Damião: Precisa mesmo. Boa noite.
Assim Estevão acompanha seu irmão até a porta, assim que Damião sai, Estevão sobe para seu quarto e vai tomar banho e logo em seguida seguiria para o quarto de sua mãe, para ficar cuidando dela. Já Damião estava indo para sua mansão e no caminho ele pensava que se tornou o mesmo monstro que seu pai, que fazia o mesmo com sua esposa, um certo arrependimento estava surgindo em seu ser, ele continuava a pensar e passa alguns minutos e ele chega em sua mansão, como já era um pouco tarde seus filhos já estavam dormindo e esposa provavelmente estaria lendo algum livro no quarto do casal, ele sobe a escada e vai para o seu quarto assim que entra vê sua esposa sentada em um poltrona, assim ele fecha a porta e ela ao ouvir o barulho da porta ela o olha e percebe que ele está estranho e se levanta e coloca o livro na mesinha que tinha ao lado da poltrona.
Regiane: Damião você está bem (mesmo todo mal que ele a fazia ela se preocupava com ele)?
Damião se aproxima dela calmamente e rodeia seus braços na cintura da mesma puxando para deixar seus corpos juntos um do outro, ele olha nos olhas dela com ternura e inicia um beijo cheio de amor e ternura, ela não o corresponde por um momento, mais acaba cedendo ao beijo diferente que seu marido lhe dava, ela coloca suas mãos sobre o peito dele e sentia as mãos dele acariciando a sua costa, depois de um tempo se beijando ele termina o beijo com selinhos.
Damião: Agora estou bem (se afastando dela) eu vou tomar um banho antes de dormi, com licença (vai para o banheiro, tira sua roupa e começa a tomar banho).
Regiane: (olha para a porta do banheiro) Meu Deus o que deu nele? (coloca as pontas dos dedos da mão direita sobre sua boca) Que beijo foi esse? Esse beijo o qual não recebo dele desde dia do nosso casamento (indo para cama e se deita de costas para o lado de seu marido) ele nunca vai mudar é só uma coisa de momento, isso uma coisa de momento (fecha os olhos ao o ouvir abrindo a porta do banheiro e saindo e logo se deitando e apagando a luz do quarto).
Damião: (se deita e a abraça e coloca seu rosto apoiado na cabeça dela) Te amo te amo. E me odeio por ter feito tudo o que fiz com você, boa noite meu amor (beija os cabelos dela).
Ele se aconchega mais no corpo de sua esposa e começa a chorar baixinho, a mesma ouviu o choro do seu esposo e ficou surpresa, pois nunca viu ou o ouviu chorando, para que ele não soubesse que ela ainda estava acordada permaneceu do jeito que estava, e em poucos minutos ambos já estavam dormindo.
Dia seguinte...
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