Amor não era o plano
52 Segredos
Renesmee
Quando a inauguração finalmente começou a chegar ao fim, eu mal conseguia acreditar na quantidade de coisas que tinham acontecido naquela noite. Ainda havia clientes no salão, funcionários recolhendo algumas mesas e uma quantidade considerável de trabalho pela frente, mas Rachel e Rebecca praticamente me expulsaram da Doce Encanto quando perceberam que eu consultava o relógio pela terceira vez em menos de cinco minutos. Jacob tinha prometido a Claire que devolveria as crianças no horário combinado, e eu não queria que aquela concessão se transformasse em mais um problema na disputa com Ethan. Rachel assumiu o fechamento do caixa, Rebecca ficou responsável pela equipe e as duas deixaram claro que eu deveria ir sem qualquer sentimento de culpa.
Belinha não recebeu a notícia com a mesma tranquilidade.
Ela segurava minha mão enquanto caminhávamos até o carro de Jacob e arrastava os passos como se aquilo pudesse impedir o relógio de continuar avançando.
– Mamãe, eu posso dormir na sua casa só hoje? – perguntou pela segunda vez, olhando para mim com aqueles olhos que tornavam qualquer negativa dez vezes mais difícil.
Agachei diante dela e ajeitei seu casaco. – Hoje você precisa voltar com a tia Claire, meu amor. Nosso combinado ainda não terminou.
Belinha franziu o nariz. – Mas eu já fiquei muitos dias.
– Eu sei. E faltam só quatro. Você consegue contar quatro nos dedos?
Ela levantou uma mão e mostrou quatro dedinhos. – Isso aqui.
– Exatamente. Quando esses quatro acabarem, a mamãe vai buscar você e teremos quinze dias inteirinhos juntas.
Ela pensou por alguns segundos antes de perguntar:
– E o Ephraim?
– O Ephraim fica com a família dele, mas vocês vão continuar se vendo.
– Ele pode ir na nossa casa?
– Claro que pode.
A resposta pareceu tranquilizá-la. Belinha olhou para Jacob, que estava alguns metros adiante colocando a pequena mochila de Ephraim no carro, e depois tornou a olhar para mim.
– O tio Jake também?
Sorri. – Tenho a impressão de que impedir o tio Jake de aparecer na nossa casa seria bem mais difícil.
Jacob ouviu e respondeu sem sequer se virar:
– Finalmente está aprendendo.
Revirei os olhos. – Ninguém chamou você para essa conversa.
– Minha reputação foi mencionada. Tenho direito de defesa.
Belinha riu, e aproveitei para puxá-la para perto. Beijei sua testa e baixei a voz, porque havia outra coisa que precisava explicar.
– Agora nós duas precisamos combinar uma coisa importante.
Ela imediatamente ficou séria. – O quê?
– Você não vai contar para o papai que encontrou a mamãe hoje.
Os olhos dela se arregalaram. – É segredo?
– É um segredinho nosso. A tia Claire deixou você vir porque hoje era uma noite muito importante para mim, mas seu papai pode ficar chateado se souber. Então não precisa contar que veio à loja, está bem?
Belinha levou o indicador aos lábios. – Eu não conto.
– Nem se ele perguntar o que você fez?
Ela ficou pensativa. – Eu falo que saí com a tia Claire e o Ephraim.
– Porque isso é verdade.
– E não falo da mamãe.
– Isso.
Ela abriu um sorriso satisfeito. – Eu sou boa com segredo.
Lembrei imediatamente da história do pudim de Emmett e precisei conter a risada.
– Descobri isso hoje. Talvez boa até demais.
Belinha envolveu meu pescoço com os braços e encostou o rosto no meu. – Mas eu posso contar para o vovô Edward?
– Não!
Minha resposta saiu tão rápida que Jacob começou a rir.
– Principalmente para o vovô Edward – acrescentei, beijando a bochecha dela. – Se ele perguntar, você não sabe de nada.
Belinha cobriu a boca com as duas mãos e cochichou:
– Nadinha.
– Essa é minha garota.
Apertei minha filha por mais alguns segundos antes de conseguir soltá-la. Jacob chamou Ephraim, que imediatamente veio correndo e segurou a mão de Belinha. Os dois começaram a conversar sobre alguma coisa enquanto caminhávamos até o local combinado com Claire.
Ela já nos esperava junto ao carro.
Assim que nos viu, olhou para o relógio.
– Precisamos ser rápidos. Ethan não deve demorar e eu prefiro estar em casa antes que ele comece a ligar.
Aquela pressa me incomodou, mas não era o momento para discutir. Abaixei-me novamente diante de Belinha, dei mais alguns beijos em seu rosto e a fiz prometer que me ligaria no horário habitual.
– Quatro dias – lembrei.
Ela levantou quatro dedos novamente. – Depois você me busca.
– Estarei esperando antes mesmo da hora.
– Amo você maior.
– Ainda discordo.
Belinha riu e correu atrás de Ephraim. Claire abriu a porta traseira, ajudou os dois a entrarem e conferiu os cintos. Esperei até que terminasse e então me aproximei.
– Claire.
Ela se virou.
– Obrigada.
Por um instante, a expressão dela ficou difícil de interpretar.
– Não precisa.
– Preciso, sim. Sei que nossa situação está longe de ser simples, mas você permitiu que eu tivesse minha filha comigo numa noite importante. Não vou esquecer isso.
Claire soltou um suspiro e olhou rapidamente para Jacob.
– Guarde seu agradecimento, Renesmee.
Franzi a testa.
– Por quê?
– Porque não foi sua inauguração que me convenceu.
Ela abriu a porta do motorista.
– Foi o cheque do meu pai.
Meu sorriso desapareceu.
– Que cheque?
Claire olhou para Jacob mais uma vez. – Pergunte a ele, ela respondeu e entrou no carro fechando a porta.
Fiquei imóvel enquanto o veículo saía. Só comecei a me virar depois que as lanternas traseiras desapareceram no fim da rua.
Jacob estava parado atrás de mim, com as mãos nos bolsos e uma expressão tranquila demais para um homem que acabara de ser denunciado pela própria filha.
– Você pagou para Claire levar Belinha até mim?
– Paguei.
A naturalidade da resposta quase me deixou mais irritada do que o ato. – Você não vai nem tentar negar?
– Seria uma perda de tempo. Claire acabou de contar.
Caminhei até ele. – Você disse que a convenceu.
– E convenci.
– Com dinheiro!
– Dinheiro costuma ser bastante convincente.
– Jacob!
Ele ergueu levemente uma sobrancelha. – Não precisa gritar. Estou bem aqui.
– Eu passei a noite inteira acreditando que Claire tinha feito aquilo porque compreendeu o quanto era importante para mim.
– Então você interpretou errado.
– E você deixou!
– Você não perguntou quanto custou.
Fiquei encarando aquele homem, sem acreditar no que estava ouvindo. – Quanto custou?
– Agora não importa.
– Claro que importa!
– Nessie, você teve uma hora com sua filha. Belinha participou da inauguração sem aparecer diante de ninguém, voltou no horário combinado e está feliz. Eu fiz um acordo com Claire. Ela cumpriu a parte dela e eu cumpri a minha.
– Minha filha não é uma negociação comercial.
O humor desapareceu de seu rosto.
– Nunca mais diga isso como se eu tivesse comprado sua filha.
A mudança no tom dele me fez parar.
Jacob se aproximou e continuou mais baixo:
– Claire não queria correr o risco de Ethan descobrir que permitiu o encontro. Eu perguntei o que faria esse risco valer a pena. Ela deu um preço. Eu paguei. Não comprei Belinha, não comprei você e não comprei o direito de uma mãe abraçar a filha. Comprei a cooperação de Claire durante uma hora.
– Isso continua sendo absurdo.
– Para você.
– Para qualquer pessoa normal.
– Felizmente nunca tive essa pretensão.
Soltei uma risada incrédula e passei a mão pelos cabelos. – Você resolve tudo assim? Coloca dinheiro em cima da mesa até as pessoas fazerem o que quer?
– Não. Algumas exigem dinheiro. Outras exigem pressão. Algumas precisam de bons argumentos.
– Que reconfortante.
– E você exige uma paciência que eu não sabia que possuo.
Apontei um dedo para ele. – Não tente ser engraçado agora.
Jacob olhou para meu dedo e depois para mim. – Estou sendo extremamente sério.
– Eu deveria obrigar você a pegar esse dinheiro de volta.
– Boa sorte.
– Você é impossível.
– Já me disseram.
– Arrogante.
– Também.
– Manipulador.
– Dependendo da situação.
– E completamente incapaz de reconhecer quando ultrapassa um limite.
Jacob se aproximou mais um passo. – Esse eu contesto.
– Claro que contesta. Você contesta tudo que...
Não terminei.
A mão dele alcançou minha nuca e sua boca encontrou a minha.
Minha primeira reação foi colocar as mãos contra seu peito, ainda irritada demais para facilitar as coisas. Jacob não transformou o beijo numa disputa. Apenas me segurou ali e me beijou com aquela segurança irritante que parecia dizer que conhecia perfeitamente o efeito que causava em mim.
E conhecia.
Minha resistência durou muito menos do que meu orgulho gostaria. Os dedos que deveriam afastá-lo acabaram fechando sobre o tecido de sua camisa, e Jacob aproveitou minha rendição para me puxar pela cintura. O beijo ficou mais intenso, quente e demorado, até a discussão inteira se perder por alguns segundos entre a raiva que eu ainda sentia e a atração que aquele homem despertava com uma facilidade absurda.
Quando ele finalmente afastou a boca da minha, continuei segurando sua camisa enquanto recuperava o fôlego.
Olhei para ele com indignação e um sorriso lento que surgiu em seu rosto era a própria definição de problema.
– Finalmente encontrei uma estratégia barata que funciona com você, agora vamos pra casa poia você me deixou a uma semana sem você e hoje pretendo cobrar por isso.
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O vapor do banheiro ainda envolvia meu corpo, deixando minha pele quente e levemente rosada. Eu me senti pequena, quase vulnerável, enrolada apenas em uma toalha branca que mal conseguia esconder as curvas do meu corpo. Enquanto caminhava atéa porta, meus pés descalços mal tocavam o chão, ao sair do banheiro Jacob estava lá. Ele também usava apenas uma toalha presa precariamente aos quadris, revelando o torso largo, os músculos definidos e aquela aura de calor animal que sempre me hipnotizava. Seus olhos escuros me devoraram no instante em que me viu, e não houve espaço para palavras.
Ele deu um passo à frente e me puxou para si. O beijo foi imediato e devastador. Não era um beijo de saudade, era um beijo de fome. Suas mãos agarraram minha cintura com força, pressionando meu corpo contra o dele, enquanto nossas línguas travavam uma batalha intensa, carregada de um desejo que havia sido reprimido por tempo demais. Eu soltei um gemido baixo, sentindo a urgência dele vibrando contra mim.
De repente, com um movimento rápido e decidido, Jacob segurou a borda da minha toalha e a puxou, deixando-a cair no chão em um piscar de olhos. Fiquei nua diante dele, sentindo o ar frio do quarto contrastar com o calor do seu olhar. Ele se afastou apenas o suficiente para me encarar, um sorriso predatório brincando nos lábios.
— Hoje você vai ter um castigo, Nessie — ele sussurrou, a voz rouca e perigosa. — Você me deixou tantos dias sem te foder que eu estou prestes a perder o controle. E eu vou cobrar cada segundo desse tempo.
Um frio percorreu minha espinha, mas não era de medo; era um nervosismo excitante que me consumia, fazendo minhas pernas tremerem. Eu queria aquele castigo.
Ele me guiou gentilmente, virando-me de costas para ele. Senti seus dedos grandes e quentes tocando meu cabelo ruivo, que caía em cascata pelas minhas costas. Com uma paciência quase cruel, Jacob começou a trançar meus fios. O gesto era carinhoso, quase delicado, mas eu sabia que era apenas a calma antes da tempestade. Ele deslizava os dedos com precisão, apertando a trança com firmeza, transformando meu cabelo em uma ferramenta de controle.
Enquanto terminava a trança, ele inclinou a cabeça e começou a beijar meus ombros nus. Eram beijos lentos, úmidos, que me faziam estremecer a cada toque, subindo lentamente para a base do meu pescoço, onde ele deixou a marca de seus dentes em uma mordida leve, mas possessiva.
— Agora... — ele murmurou contra a minha pele.
Com um movimento firme, ele me guiou até a cama e me posicionou de quatro. Senti o colchão sob meus joelhos e as palmas das mãos, e a expectativa tornou-se insuportável. Eu estava exposta, vulnerável e completamente à mercê dele, esperando o momento em que a delicadeza da trança se transformaria na brutalidade do prazer.
Minutos depois, o quarto estava imerso em uma penumbra sufocante, mas o calor que emanava do corpo de Jacob era quase insuportável, consumindo todo o oxigênio ao meu redor. Eu não queria ternura; eu queria ser destruída por ele. Não havia beijos suaves ou promessas sussurradas. Jacob não era romântico, e era exatamente esse desprendimento brutal que me incendiava.
Eu estava de quatro, com a pele pálida contrastando contra os lençóis escuros, sentindo o peso massivo dele pressionando minhas costas. O ar escapava dos meus pulmões em soluços curtos enquanto ele agarrava com força a trança que ele mesmo havia feito no meu cabelo ruivo. Ele a usou como uma coleira, puxando minha cabeça para trás com violência, forçando meu pescoço a se expor e me obrigando a arquear as costas, abrindo caminho para que ele entrasse sem qualquer hesitação.
— Olha para você... — ele rosnou no meu ouvido, a voz rouca, carregada de um desejo animal e possessivo. — a minha vadia que adora quando eu a castigo.
O primeiro impacto foi brutal. Ele me penetrou de uma vez, um golpe seco e profundo que me fez soltar um grito abafado, sentindo cada centímetro dele preencher meu interior. Não havia delicadeza; era uma invasão. Jacob começou a me foder com uma cadência implacável, cada estocada ecoando como um impacto contra a minha carne, jogando meu corpo para frente e para trás enquanto ele mantinha o controle total através da minha trança.
— Você gosta disso, não gosta, Ness? Gosta de sentir como eu te abro no meio? — ele sibilou, as palavras baixas e sujas cortando o silêncio do quarto.
Eu gemia, perdendo a noção de onde eu terminava e onde ele começava. A dor e o prazer se fundiam em uma única sensação elétrica. Eu podia sentir a força dos braços dele me segurando, a pele quente dele queimando contra a minha. Ele não parava, acelerando o ritmo, transformando o ato em algo quase primitivo. Cada vez que ele batia contra mim, eu sentia meu clitóris latejar, beijando a pele dele, enquanto ele continuava a me xingar, chamando-me de todas as formas possíveis, degradando-me com a voz carregada de luxúria.
— Você é minha, Nessie. Só minha para usar do jeito que eu quiser.
A intensidade subiu a um nível insuportável. Meus sentidos estavam nublados; eu só conseguia ouvir a respiração pesada dele e o som úmido e rítmico de nossos corpos colidindo. Eu sentia que ia quebrar, mas queria que ele continuasse. Puxei a trança ainda mais, sentindo meu couro cabeludo repuxar, o que só tornou o orgasmo que se aproximava mais urgente, mais violento.
Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de escuridão. Jacob soltou um rugido gutural, enterrando-se no fundo do meu útero com uma última estocada devastadora que me fez desmoronar. Eu senti as paredes da minha vagina contraírem-se espasmodicamente ao redor dele, enquanto ele descarregava tudo dentro de mim, prendendo-me contra o colchão com seu peso esmagador.
Ficamos ali por alguns segundos, em silêncio, apenas o som de nossas respirações erráticas preenchendo o vazio. Ele me abraçou com carinho; em seguida soltou minha trança e beijou meu ombro, deixando-me trêmula e exausta, marcada pela brutalidade de um prazer que não conhecia a misericórdia.
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