Amor não era o plano
13 Parabéns pra você ( parte 3)
Jacob
Eu já tinha participado de negociações em que centenas de milhões de dólares estavam em jogo sem perder a cabeça. Já tinha visto empresas que levei anos para construir atravessarem crises, enfrentado homens que tentaram me enganar olhando diretamente para os meus olhos e recebido notícias que fariam muita gente entrar em pânico sem sequer alterar o tom de voz.
Controle nunca tinha sido um problema para mim. Na verdade, durante boa parte da minha vida ele havia sido justamente o contrário. Eu controlava demais. Pessoas, negócios, situações, relacionamentos. Leah poderia escrever um livro sobre isso. Naquela noite, porém, enquanto Quil nos conduzia para uma das suítes do hotel com Sam e Embry ajudando a afastar qualquer curioso que tentasse descobrir o motivo da confusão, eu percebi que estava perigosamente perto de esquecer todos os quarenta e nove anos que carregava nas costas e resolver aquela situação da maneira mais primitiva possível.
A primeira coisa que fizemos foi tirar Ephraim dali. Meu neto não precisava ouvir absolutamente nada do que estava prestes a acontecer, muito menos assistir aos adultos da família destruírem uns aos outros enquanto tentavam descobrir há quanto tempo Ethan vinha mentindo para todos nós. A babá apareceu no corredor pouco antes de entrarmos na suíte e eu mesmo entreguei o menino a ela, pedindo que o levasse para outro andar e não permitisse que voltasse até que Claire ou eu fôssemos buscá-lo.
Ephraim reclamou, queria saber por que a mãe estava chorando e perguntou pela menina com quem estava brincando, mas eu apenas beijei sua testa e prometi que depois explicaria o que pudesse. Quando a porta se fechou atrás dele, voltei para a sala e encontrei Claire sentada no sofá entre Leah e Rebecca enquanto Rachel permanecia ajoelhada diante dela, segurando suas mãos. Minha filha chorava em silêncio e aquela imagem foi suficiente para fazer qualquer tentativa de racionalidade que ainda existisse em mim começar a desaparecer.
Ethan permanecia alguns metros adiante tentando falar. Era isso que mais me impressionava. O filho da puta ainda acreditava que havia uma combinação de palavras capaz de transformar o que acabara de acontecer em alguma coisa aceitável.
– Eu deveria ter contado – ele repetiu pela terceira vez. – Eu sei disso. Foi um erro e não estou tentando negar.
Claire levantou os olhos para ele.
– Você tem uma filha de cinco anos.
– Tenho.
– E nunca me contou.
– Eu tive medo.
Rachel virou o rosto para Ethan com uma expressão de absoluto desprezo.
– Medo de quê?
– De perder Claire.
Minha filha soltou uma risada entre as lágrimas e levou a mão ao rosto.
– Então você achou que esconder uma filha seria uma boa maneira de manter nosso casamento?
Ethan tentou se aproximar, mas Rachel se levantou imediatamente e ficou entre os dois.
– Não chega perto dela.
– Rachel, eu só quero conversar com minha esposa.
– Converse daí.
Ethan respirou fundo e olhou novamente para Claire.
– Eu conheci Renesmee antes de você. Nós tivemos um relacionamento, ela engravidou e tivemos Belinha. Quando nós terminamos, ficou acertado que eu continuaria participando da vida da minha filha. Foi isso que você viu hoje.
Eu estava próximo à janela, ouvindo aquela história enquanto cada palavra aumentava minha irritação.
– Foi isso que vimos? – perguntei.
Ethan olhou para mim.
– Foi.
– Então a menina chamar você de pai é verdade.
– Sim.
– E a mãe dela ser sua ex é verdade.
– Sim.
– E você só esqueceu de mencionar durante todos esses anos de casamento que tinha uma filha em Forks.
Ele apertou os lábios.
– Eu não esqueci.
– Ah, ótimo. Por um momento achei que você tivesse problemas de memória.
– Jacob, eu sei que parece ruim.
Dei uma risada curta.
– Parece?
Sam, que me conhecia havia tempo suficiente para reconhecer meu tom, aproximou-se discretamente.
Ethan continuou:
– Eu amo Claire. Tudo que fiz foi porque tive medo de perder o que construí com ela.
Claire começou a chorar com mais força e Leah passou o braço em torno de seus ombros.
– Para de dizer que fez isso por ela – Rebecca falou. – Você fez por você.
– Eu sei que errei.
– Você mentiu durante anos – Rachel rebateu.
– Porque eu sabia que Claire teria dificuldade em aceitar que eu tinha uma filha com outra mulher.
Foi naquela frase que alguma coisa mudou dentro de mim.
Olhei para minha filha, destruída no sofá, depois para o homem que eu tinha colocado dentro da minha empresa, recebido na minha família, sentado à minha mesa e permitido que me chamasse de sogro poucas horas antes. Eu havia confiado nele. Mais importante, Claire havia confiado nele. E ali estava Ethan transformando cinco anos de mentira em uma decisão tomada por medo de perder a esposa.
Caminhei até ele e Sam percebeu tarde demais.
– Jacob.
Ethan olhou para mim.
– Eu sei que você está com raiva, mas...
Meu punho encontrou o nariz dele com força suficiente para fazê-lo cambalear para trás e bater contra a lateral de uma poltrona. Ouvi Claire gritar meu nome e Leah se levantar, mas naquele momento não enxergava mais ninguém. Ethan levou a mão ao rosto e, quando vi o sangue entre seus dedos, senti apenas vontade de acertá-lo novamente.
Sam me segurou pelo braço antes que eu alcançasse Ethan, e Embry veio do outro lado.
– Me solta.
– Nem fodendo – Sam respondeu.
– Eu mandei me soltar.
– E eu estou dizendo não.
Tentei me livrar dos dois, mas Embry segurou meu outro braço.
– Jacob, chega.
– Eu vou acabar com esse filho da puta.
Ethan recuou, pressionando a mão contra o nariz.
– Você ficou louco?
– Ainda não. Mas continua falando que você vai descobrir.
– Pai, para!
A voz de Claire finalmente conseguiu atravessar minha raiva. Olhei para ela e vi minha filha chorando nos braços de Leah.
– Olha para ela! – gritei para Ethan. – Olha o que você fez com a minha filha!
– Jacob, chega! – Leah se levantou e veio na nossa direção. – Você está piorando tudo. Claire já está destruída e agora precisa assistir você tentando matar o marido dela?
– Então tira ela daqui.
– Ela não precisa sair. Você precisa se controlar.
– Não me diga o que eu preciso fazer.
Leah parou diante de mim.
– Alguém precisa dizer porque você está agindo como um animal.
Minha raiva encontrou outro alvo antes que eu tivesse tempo de impedir.
– Não começa, Leah. Nosso casamento acabou há anos. Você não manda mais em mim.
A expressão dela endureceu.
– Isso não tem absolutamente nada a ver com nosso casamento.
– Então não use essa situação para voltar a me dar ordens como se ainda fosse minha mulher.
Sam me soltou imediatamente.
Não porque eu tivesse me acalmado.
Porque agora estava irritado.
– Cuidado com a forma como fala com a minha esposa.
Olhei para ele e a suíte ficou ainda mais silenciosa.
Leah segurou o braço de Sam.
– Não.
– Ele não vai falar assim com você.
– Sam, eu sei me defender.
Embry continuava segurando meu outro braço e agora olhava entre nós como se estivesse tentando decidir qual incêndio apagar primeiro.
– Sam, se acalma. Jacob está fora de si.
– Eu estou perfeitamente...
– Não termina essa frase – Embry me interrompeu. – Você acabou de quebrar o nariz do seu genro e agora está comprando briga com o Sam. Você não está perfeitamente coisa nenhuma.
Respirei fundo e finalmente parei de tentar me soltar.
– Eu não vou bater no Sam.
Sam arqueou uma sobrancelha.
– Que reconfortante.
– E eu não vou bater na Leah.
– Isso nem deveria precisar ser dito – Rachel reclamou.
– Dá para todo mundo calar a boca por trinta segundos?
Minha voz preencheu a sala e, pela primeira vez desde que entráramos ali, ninguém respondeu.
Embry continuou próximo de mim, provavelmente sem confiar o suficiente para se afastar completamente, enquanto Ethan pegava um lenço e pressionava contra o nariz. Claire chorava, Rebecca conversava baixo com ela e Leah voltou para perto da nossa filha depois de lançar para mim um olhar que prometia uma discussão futura.
Eu precisava pensar.
Precisava descobrir o que realmente havia acontecido antes de decidir o que faria com Ethan, porque a história que ele contava não explicava a reação da mulher que aparecera no salão. Renesmee não parecera uma ex desesperada ao encontrá-lo. Parecera uma mulher que acabara de descobrir que o homem com quem vivia tinha outra família.
Foi então que a porta da suíte se abriu e todos olharam na mesma direção.
Quil entrou primeiro e Renesmee veio atrás dele.
Por um instante, toda a confusão daquela sala pareceu se afastar da minha atenção. Algumas horas antes eu tinha parado no corredor porque vira uma ruiva bonita trabalhando dentro da cozinha. Tinha perguntado quem ela era, provocado Quil, entrado para conhecê-la e saído de lá pensando em conseguir alguns minutos com ela depois da festa. Eu havia sentido desejo por aquela mulher sem saber absolutamente nada sobre sua vida e chegara a achar divertida a possibilidade de encontrá-la novamente naquela noite.
Agora ela estava parada na entrada da suíte com os olhos vermelhos.
Não havia avental, não havia sorriso e não existia qualquer vestígio da mulher que brincara comigo sobre sobreviver aos doces que preparava. Renesmee olhou primeiro para Claire, depois para Ethan e finalmente para mim. Seus olhos pararam no sangue que escorria do nariz dele antes de voltarem para meu rosto.
Nós nos encaramos.
E pela primeira vez naquela noite minha raiva dividiu espaço com outra coisa.
Não era o interesse que eu havia sentido na cozinha. Aquilo continuava existindo em algum lugar, mas naquele momento seria pequeno e inadequado demais para importar. O que vi diante de mim foi uma mulher que parecia tão enganada quanto minha filha.
E isso significava que Ethan ainda não tinha contado nem metade da verdade.
Renesmee permaneceu perto da porta por alguns segundos, como se estivesse avaliando se deveria ter entrado naquela suíte. Eu ainda sentia a adrenalina do soco que tinha dado em Ethan e a irritação de ter Sam e Embry me segurando poucos minutos antes, mas bastou olhar para ela para minha atenção mudar de direção. Era estranho lembrar que, algumas horas antes, eu tinha parado no corredor simplesmente porque achei aquela mulher bonita.
Tinha reparado nos cabelos ruivos, no corpo escondido parcialmente pelo avental e na segurança com que ela comandava a cozinha, e meu interesse tinha sido imediato, simples e exclusivamente masculino. Eu não tinha pensado em relacionamento, muito menos em sentimento. Não funcionava assim comigo.
Quando uma mulher me atraía, eu sabia exatamente o que queria e raramente sentia necessidade de complicar as coisas. Renesmee tinha despertado esse tipo de interesse desde o primeiro instante, e ele não havia desaparecido agora. Só tinha se tornado inconveniente diante de tudo que acabáramos de descobrir.
Claire foi a primeira a reagir à presença dela.
– O que ela está fazendo aqui?
A hostilidade na voz da minha filha me fez desviar os olhos de Renesmee.
– Eu também gostaria de saber – ela respondeu.
Quil fechou a porta atrás dos dois.
– Eu pedi que ela viesse.
Claire se afastou um pouco de Leah.
– Por quê? Isso é entre mim e meu marido.
Olhei para minha filha. Eu entendia sua raiva. Claire acabara de descobrir que Ethan tinha uma filha de cinco anos que escondera durante todo o casamento, e a mãe dessa criança estava agora diante dela. Era muito mais fácil olhar para Renesmee e enxergar uma ameaça do que aceitar que o homem com quem dividia a vida talvez tivesse mentido para as duas.
– Não, Claire. Isso deixou de ser apenas entre vocês quando uma criança chamou seu marido de pai no meio da sua festa.
– Pai...
– E Renesmee é tão vítima desse filho da puta quanto você.
Claire me encarou.
– Você não sabe disso.
– Então deixa de ser idiota por cinco minutos e olha para ela.
Leah soltou meu nome em advertência, mas ignorei. Claire não precisava que eu protegesse seus sentimentos naquele momento. Precisava parar de procurar alguém para culpar enquanto Ethan permanecia a poucos metros inventando uma história conveniente.
– Não fala assim comigo – ela rebateu.
– Falo quando você está escolhendo atacar a pessoa errada porque é mais fácil do que olhar para o homem com quem se casou.
Rachel assentiu discretamente, mas Claire não respondeu. Renesmee parecia cada vez mais desconfortável com a situação e cruzou os braços sobre o próprio corpo. Sem o avental, percebi detalhes que não tinha conseguido observar na cozinha. O vestido que usava era simples comparado às roupas das mulheres que estavam na festa, mas ficava bem nela. Bem demais. Meus olhos percorreram sua silhueta por um instante antes que eu deliberadamente voltasse a encará-la no rosto. Não era hora para aquilo. Ainda assim, eu seria hipócrita se fingisse que a atração havia desaparecido só porque descobrira que ela tinha uma filha com meu genro.
– Eu não vim causar mais problemas – Renesmee disse. – Se preferirem, eu vou embora.
– Você não vai a lugar nenhum ainda.
Ela imediatamente me olhou com irritação.
– Eu não trabalho para você, senhor Black.
Quase sorri.
Mesmo chorando, humilhada diante de desconhecidos e provavelmente tentando entender como a própria vida tinha se tornado aquilo, ela ainda encontrava disposição para me enfrentar.
Gostei.
Mais do que deveria.
– Não quis dizer isso.
Respirei fundo e olhei para Sam e Embry.
– Podem me soltar. Estou calmo.
Sam soltou uma risada sem humor.
– Seu conceito de calmo acabou de fazer o nariz do cara sangrar.
– Sam.
– Estou só dizendo.
Olhei para Ethan e a vontade de acertá-lo novamente apareceu com uma facilidade preocupante.
– Não vou bater nele.
Embry finalmente afastou a mão do meu braço.
– De novo – ele acrescentou.
– Quil.
– Ele está calmo – Quil respondeu, encostado perto da porta. – Por enquanto.
Ajeitei os punhos da camisa e caminhei alguns passos pela sala para colocar alguma distância entre mim e Ethan. Depois voltei minha atenção para Renesmee. Precisava entender quem era o homem que minha filha havia colocado dentro da nossa família e, naquele momento, ela era provavelmente a única pessoa naquela suíte que conhecia uma versão dele que nós desconhecíamos.
– Quem é Ethan Hale?
Renesmee franziu o cenho.
– Como?
– Quero saber quem ele é. O que ele faz quando está com você, onde diz que trabalha, há quanto tempo vocês estão juntos. Quero saber qual história ele contou para conseguir manter isso.
Ela olhou para Ethan.
Foi naquele momento que vi a raiva ceder lugar à decepção em seu rosto.
– Eu não sei.
– Você não sabe o quê?
Seus olhos voltaram para mim.
– Quem ele é.
Fiquei em silêncio.
– Até hoje eu achava que sabia. Achava que conhecia o homem com quem moro, o pai da minha filha, a pessoa que entra na minha casa e reclama que eu deixei café esfriar na cafeteira. Eu conheço um Ethan que deixa a toalha em cima da cama mesmo sabendo que isso me irrita, que faz panquecas horríveis para Belinha e diz que são especiais, que reclama quando eu trabalho até tarde e dorme do lado direito da cama porque sabe que eu gosto do esquerdo. Conheço o homem que segurou minha mão quando nossa filha nasceu e chorou mais do que eu. Ou achava que conhecia.
Observei Ethan.
Ele não levantou os olhos.
Renesmee respirou fundo antes de continuar.
– Esse homem aqui...
Ela apontou para ele.
– Eu nunca vi. O Ethan que eu conheço não usa essas roupas, não tem esse relógio, não usa aliança e nunca me disse que trabalha para a Black Enterprises. Quando viaja, diz que está encontrando clientes. Quando fica uma semana longe, diz que está trabalhando. Eu nem sabia exatamente onde ficava o escritório dele em Seattle porque nunca pensei que precisasse perguntar.
Meu maxilar se contraiu.
Aquilo já não parecia um homem escondendo uma filha de um relacionamento antigo. Era uma vida paralela construída com cuidado suficiente para que duas mulheres acreditassem conhecer o mesmo homem de maneiras completamente diferentes.
– O pai da minha filha que eu conheci nunca existiu – Renesmee concluiu, olhando diretamente para Ethan. – Esse aí é rico, ocupa um cargo importante e é casado.
Fiquei olhando para ela depois que terminou.
Havia lágrimas acumuladas em seus olhos, mas nenhuma tentativa de usá-las para conquistar simpatia. Ela parecia furiosa consigo mesma por estar chorando diante de nós. Aquilo também me chamou atenção. Renesmee não estava tentando convencer ninguém. Não tinha chegado ali preparada com acusações, não parecia interessada no dinheiro da minha família e sequer sabia que Ethan ocupava uma posição importante na minha empresa.
Então Ethan sorriu.
Foi um movimento pequeno, mas vi.
– Isso é ridículo.
Renesmee virou para ele.
– O quê?
– Tudo isso. Renesmee é minha ex-namorada.
Olhei para Ethan e senti minha paciência começar a desaparecer novamente.
– Para de mentir – ela respondeu.
– Nós tivemos um relacionamento anos atrás e tivemos uma filha. Eu deveria ter contado isso para Claire, reconheço. Foi meu erro.
Claire levantou os olhos.
– Seu erro?
– Eu tive medo de como você reagiria.
– Você está dizendo que escondeu uma filha de mim por cinco anos?
– Eu ia contar.
Renesmee soltou uma risada incrédula.
– Quando? Na formatura dela?
Apesar da situação, quase sorri. Havia alguma coisa na língua daquela mulher que me agradava perigosamente.
Ethan continuou falando.
– Renesmee nunca aceitou bem o fim do nosso relacionamento. Eu ajudo financeiramente, visito Belinha quando posso e tento manter uma convivência civil por causa da nossa filha, mas ela continua interpretando isso como se ainda estivéssemos juntos.
Vi a expressão de Renesmee mudar.
A raiva voltou inteira.
– Você dormiu comigo três noites atrás.
O silêncio na suíte foi imediato.
Claire ficou completamente imóvel.
Olhei para Ethan.
– Não aconteceu – ele respondeu.
Renesmee pareceu genuinamente chocada com a facilidade da mentira.
– Você estava na minha casa.
– Fui ver minha filha.
– Você dormiu na minha cama.
– Renesmee, chega. Você está desesperada porque eu segui em frente e está usando nossa filha para destruir meu casamento.
Meu corpo reagiu antes que eu precisasse pensar. Dei um passo na direção dele.
– Cala a boca, Ethan.
Ele olhou para mim.
– Jacob, você precisa ouvir...
– Eu mandei calar a boca.
Aproximei-me mais, e Sam imediatamente saiu da parede onde estava encostado. Ele não precisava se preocupar. Eu ainda não tinha decidido bater em Ethan outra vez.
Ainda.
– Você vai ficar quieto enquanto ela fala. Se abrir essa boca outra vez para chamar a mãe da sua filha de desesperada depois da merda que acabou de aparecer diante de todo mundo, eu termino o que comecei e dessa vez não vai ser seu nariz que vai sangrar.
– Pai – Claire chamou.
Não desviei os olhos de Ethan.
– Mais uma palavra, Ethan, e eu arrebento seus dentes.
Ele finalmente ficou calado.
Quando olhei novamente para Renesmee, ela me encarava. Não consegui interpretar sua expressão. Talvez estivesse surpresa por eu defendê-la. Talvez apenas estivesse tentando descobrir que tipo de família tinha encontrado naquela noite. Eu também não sabia exatamente por que a reação de Ethan tinha me irritado tanto. Parte era por Claire. Outra parte era pela criança que eu tinha visto chamá-lo de pai e que, naquele momento, provavelmente ainda não entendia por que o homem não abraçara sua mãe.
Mas havia uma parte que era exclusivamente minha.
Eu ainda queria Renesmee.
A constatação veio sem qualquer romantismo. Eu não estava me apaixonando por uma mulher que conhecia havia algumas horas e não acreditava nessas merdas. Continuava desejando a ruiva que tinha visto na cozinha, continuava lembrando do sorriso que ela me dera e continuava interessado em descobrir como seria tê-la perto de mim quando não estivesse cercada por uma família em crise. A diferença era que agora eu sabia que havia muito mais por trás daqueles olhos castanhos do que um rosto bonito e um corpo que tinha chamado minha atenção.
A atração não era a única coisa que aquela mulher despertava em mim.
Renesmee Cullen tinha conseguido me deixar curioso.
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