Continuei segurando a porta por mais alguns segundos. Meu instinto dizia para ser cuidadosa. Eu morava sozinha com minha filha e não costumava receber visitas inesperadas, muito menos de homens que eu nunca tinha visto na vida. Ainda assim, havia algo na postura dele que transmitia tranquilidade. Não parecia apressado, nem insistente. Apenas esperava que eu decidisse se lhe daria ou não alguns minutos da minha manhã.

Olhei rapidamente para a escada.

Belinha continuava dormindo.

Abri a porta um pouco mais e saí, fechando-a logo atrás de mim.

— Podemos conversar aqui mesmo.

O homem assentiu imediatamente, como se já esperasse aquela reação.

A chuva fina ainda caía sobre Forks, e o telhado da varanda abafava o som das gotas. Cruzei os braços, esperando que ele finalmente explicasse o motivo daquela visita.

— Pois não?

Quil levou a mão ao bolso interno do paletó e retirou um pequeno cartão.

Quando o estendeu na minha direção, reconheci imediatamente o papel.

Era um cartão da minha confeitaria.

Peguei-o sem esconder a surpresa.

— Esse cartão é da minha loja.

— Eu sei. Foi justamente por causa dele que estou aqui.

Franzi levemente a testa.

— Como assim?

Ele sorriu de maneira educada.

— Há alguns dias experimentei alguns doces feitos pela senhora durante um evento em Port Angeles. Gostei tanto que perguntei quem era a responsável. Um dos garçons me entregou seu cartão.

Olhei novamente para o pequeno cartão entre meus dedos.

Era estranho pensar que um simples pedaço de papel tinha levado aquele homem até minha porta.

— Fico feliz que tenha gostado.

— Gostei muito.

Ele fez uma pequena pausa antes de continuar.

— Trabalho organizando eventos corporativos para a empresa onde sou funcionário e estamos preparando uma comemoração importante. Depois de experimentar seus doces, achei que seria interessante conhecê-la pessoalmente.

Meu coração acelerou.

Eventos corporativos.

Aquilo era um mercado completamente diferente das festas de aniversário e casamentos que costumavam preencher minha agenda.

— E... o que exatamente o senhor precisa?

— Gostaria de contratar sua confeitaria para ficar responsável pelos aperitivos e pela mesa de sobremesas do evento.

Por alguns segundos apenas o encarei.

Tinha certeza de que havia escutado errado.

— Desculpe... acho que não entendi.

— Quero contratar seu trabalho.

Senti um sorriso surgir espontaneamente, mas logo a razão falou mais alto.

Minha loja era pequena.

Muito pequena.

Engoli em seco.

— O senhor conhece mesmo o tamanho da minha confeitaria?

— Conheço.

— Porque nós somos uma equipe pequena. Na maior parte do tempo sou eu, a Jessica e mais duas ajudantes em dias de muito movimento.

— Estou ciente.

Continuei olhando para ele, ainda tentando entender por que alguém escolheria justamente a minha confeitaria.

— Para quantas pessoas seria o evento?

Quil respondeu com naturalidade.

— Cem pessoas, no máximo.

Meu cérebro começou a fazer contas imediatamente.

Cem convidados.

Era um número grande.

Maior do que qualquer evento que eu já havia assumido.

Ao mesmo tempo...

Era possível.

Difícil.

Mas possível.

Olhei para a rua molhada por um instante enquanto tentava controlar a empolgação.

Aquela podia ser a oportunidade que eu esperava desde que abri a confeitaria.

Um evento corporativo importante significava visibilidade.

Novos clientes.

Novas indicações.

Talvez o impulso que minha loja precisava para crescer de vez.

Voltei a encará-lo.

— Quando será o evento?

— Dentro de três semanas.

Sorri pela primeira vez desde que ele chegara.

Dessa vez sem qualquer receio.

— Então acho que podemos fazer isso.

Quil também sorriu.

— Posso considerar isso um sim?

Assenti, sentindo uma mistura de nervosismo e entusiasmo tomar conta de mim.

— Pode.

Naquele momento, tudo o que consegui pensar foi que a vida finalmente parecia começar a sorrir para mim.

Eu ainda não fazia ideia de que aquele "sim" acabara de mudar o rumo da minha história.

Assim que fechei a porta, permaneci alguns segundos parada na sala observando o pequeno cartão branco entre meus dedos. Nele havia apenas um nome, um número de telefone e o logotipo discreto da empresa para a qual Quil trabalhava, mas, por algum motivo, aquele pedaço de papel parecia muito maior do que realmente era. Um sorriso surgiu no meu rosto sem que eu percebesse. Durante anos eu havia sonhado em fazer minha confeitaria crescer, em ver meus doces ultrapassarem as fronteiras de Forks e chegarem a eventos importantes. Nunca imaginei que uma oportunidade como aquela simplesmente bateria à minha porta numa manhã comum de terça-feira.

Subi as escadas quase sem sentir os pés tocarem os degraus. Minha cabeça trabalhava mais rápido do que eu conseguia acompanhar. Cem convidados era um desafio enorme para uma confeitaria do nosso tamanho, mas era um desafio possível. Eu já havia organizado casamentos, aniversários e pequenas recepções. A diferença era que aquele evento reuniria empresários importantes. Se tudo desse certo, meu nome poderia circular entre pessoas que jamais ouviriam falar da pequena loja escondida nas ruas chuvosas de Forks. Era exatamente o tipo de oportunidade que qualquer chef sonhava receber.

Empurrei delicadamente a porta do quarto de Belinha.

Ela já estava acordada.

Sentada no meio da cama, ainda usando o pijama de unicórnios, esfregava os olhos entre um bocejo e outro enquanto os cabelos castanhos estavam completamente bagunçados, apontando para todas as direções possíveis. A cena era tão adorável que toda a ansiedade causada pela noite anterior pareceu desaparecer por alguns instantes.

— Bom dia, minha princesa.

Ela levantou o rostinho sonolento assim que ouviu minha voz.

— Mamãe...

Sorri e caminhei até a cama, inclinando-me para pegá-la no colo. Belinha imediatamente passou os braços em volta do meu pescoço e apoiou a cabeça sobre meu ombro, ainda lutando contra o sono.

Antes de dizer qualquer coisa, toquei sua testa, a temperatura havia diminuído. Passei a mão novamente apenas para ter certeza e não havia nenhum sinal da febre intensa da noite anterior.

Um alívio silencioso percorreu meu peito. — Acho que alguém está bem melhor hoje.

Ela assentiu preguiçosamente.

— Tô cansada.

— É normal.

Afastei uma mecha de cabelo que caía sobre seus olhos.

— Seu corpinho trabalhou bastante durante a noite para mandar esse resfriado embora.

Belinha permaneceu quieta por alguns segundos até erguer novamente o rosto.

— Cadê o papai?

Meu sorriso vacilou apenas por um instante.

Era uma pergunta simples.

Mas a resposta nunca era.

Abaixei os olhos por um segundo antes de voltar a encará-la.

— O papai veio ver você, meu amor, mas precisou voltar para o trabalho bem cedinho.

As palavras saíram naturalmente, naturais demais, eu odiava mentir para minha filha.

Cada mentira parecia um pequeno peso que eu colocava sobre a consciência, mas, naquele momento, a ideia de Belinha acreditar que o próprio pai não tinha aparecido nem mesmo quando ela estava doente parecia muito mais cruel.

Ela fez um pequeno biquinho. — Ele trabalha muito.

Beijei sua testa. — Trabalha.

— Mas depois ele vem?

Meu coração apertou. — Assim que puder.

Ela aceitou a resposta com a facilidade que apenas uma criança de cinco anos consegue aceitar. Para ela, o pai estava trabalhando. Era uma explicação suficiente.

Ajustei Belinha melhor no colo e saí do quarto.

— Agora vamos cuidar dessa mocinha porque hoje a senhorita não vai para a escola.

Ela levantou a cabeça imediatamente. — Não?

— Não.

Descemos as escadas devagar.

— Hoje você vai trabalhar com a mamãe.

Os olhos dela brilharam no mesmo instante.

— Sério?

— Muito sério.

Ela deu uma risada animada.

— Posso fazer brigadeiro?

— Não.

— Cupcake?

— Também não.

— Então posso comer brigadeiro?

Acabei rindo.

— Isso já parece mais a minha filha.

Entramos na cozinha e coloquei Belinha sentada na cadeirinha próxima à bancada enquanto começava a preparar seu café da manhã. Peguei uma panela pequena para aquecer o leite e, ao mesmo tempo, coloquei algumas fatias de pão na torradeira. Belinha balançava as pernas alegremente enquanto cantarolava uma música inventada, completamente diferente da menina abatida que eu havia encontrado na escola poucas horas antes.

Observei minha filha por um instante antes de voltar a mexer no leite.

Sobre a bancada, o cartão de Quil Alteara permanecia exatamente onde eu o havia deixado, meus olhos voltaram para ele quase sem perceber.

Um evento para cem pessoas de empresa importante era uma oportunidade única. Meu estômago se encheu daquela mistura deliciosa de entusiasmo e nervosismo que antecede qualquer grande desafio.

Talvez eu passasse semanas sem dormir direito, eu precisasse reorganizar toda a produção da confeitaria, tivesse que contratar ajuda temporária, mas nada disso importava.

Aquela era a primeira vez desde que abri minha pequena loja de doces, que senti que alguém enxergava meu trabalho além das vitrines de Forks.

E, sem saber, Quil Alteara havia colocado nas minhas mãos não apenas uma proposta de trabalho. Ele havia me entregue a oportunidade que poderia transformar completamente a minha vida profissional.