Amor não era o plano
61 Em família
Renesmee
A chegada de Rosalie acabou afastando por alguns minutos a inquietação que o sobrenome Fitzgerald tinha provocado em mim. Não completamente, porque agora eu prestava atenção nela com uma curiosidade que antes não existia, mas não havia nada em seu comportamento que justificasse transformar uma coincidência em interrogatório no aniversário do meu pai. Rosalie parecia confortável ao lado de Emmett, embora eu percebesse certo cuidado em seus gestos, típico de quem estava conhecendo a família do namorado e ainda tentava descobrir quais brincadeiras eram permitidas, quem se ofendia facilmente e qual assunto deveria evitar. No caso dos Cullen, ela descobriria rápido que praticamente não existia assunto proibido quando todos estávamos reunidos. Emmett trataria de garantir isso.
– Antes que continuem falando de mim como se eu não estivesse aqui, podem me chamar de Rosie – disse ela, olhando principalmente para mim e Antony. O sorriso era simpático, e a maneira como segurou discretamente a mão de Emmett me fez perceber que estava mais nervosa do que demonstrava. – Rosalie normalmente aparece quando minha mãe está brava comigo ou quando alguém vai me cobrar alguma coisa.
– Então você veio à família certa – respondi, sorrindo. – Aqui todo mundo ganha apelido eventualmente. Alguns contra a própria vontade.
– E alguns ganham apelidos que ninguém deveria repetir – acrescentou Emmett, lançando um olhar significativo para Antony.
Meu irmão ergueu as mãos.
– Eu nem abri a boca.
– Justamente por isso estou desconfiado.
Rosie riu e se voltou para meu pai, pegando uma pequena sacola que havia deixado sobre a poltrona. Tirou de dentro uma caixa cuidadosamente embrulhada e a entregou a Edward.
– Feliz aniversário, senhor Cullen. Eu não sabia exatamente o que comprar porque Emmett foi completamente inútil quando perguntei do que o senhor gostava.
– Eu falei vinho – Emmett se defendeu.
– Você falou vinho, livros, música, medicina, carros e depois disse qualquer coisa cara porque meu pai gosta de coisa boa. Isso não é ajudar ninguém a escolher um presente.
Edward soltou uma risada e recebeu a caixa.
– E Edward está ótimo. Senhor Cullen faz parecer que tenho oitenta anos.
– Não dê liberdade – aconselhou Emmett. – Daqui a pouco ele começa a corrigir sua postura e perguntar sobre seus planos para o futuro.
Meu pai ignorou o comentário e abriu a caixa. Dentro havia uma edição antiga de um livro que reconheci como pertencente a um dos autores de que ele gostava. Edward passou os dedos pela capa e pareceu genuinamente surpreso.
– Você acertou muito mais do que Emmett provavelmente merece. Obrigado, Rosie.
Ela sorriu, visivelmente aliviada.
– Fico feliz que tenha gostado.
Meu pai colocou a caixa sobre a mesa e estendeu a mão, mas acabou transformando o cumprimento em um abraço breve quando Rosie se aproximou.
– E seja bem-vinda à família. Não precisa ficar nervosa. Se conseguiu suportar Emmett por tempo suficiente para chegar até esta casa, já passou pela parte mais difícil.
– Pai! – Emmett protestou enquanto todos ríamos.
– Eu gostei dele – Rosie respondeu, voltando para perto do meu irmão. – Acho que alguma coisa está errada comigo.
– Finalmente uma mulher consciente do problema – comentei.
– Vocês são uns ingratos. Eu sou o entretenimento desta família.
– Isso ninguém está discutindo – falei.
Minha mãe apareceu na sala naquele momento, secando as mãos em um pano de prato, e abriu um sorriso ao perceber quem tinha chegado.
– Então finalmente vou conhecer a responsável por fazer meu filho olhar para o celular sorrindo sozinho.
– Bella, pelo amor de Deus – reclamou Emmett.
Rosie olhou imediatamente para ele.
– Você fica sorrindo para o celular?
– Não.
– Fica, sim – Alice respondeu do tapete, onde estava sentada brincando com Belinha. – E é constrangedor.
– Essa família inteira resolveu acabar com minha dignidade hoje?
– Você trouxe a namorada para casa – Antony respondeu. – Assumiu o risco.
Rosie estava gargalhando quando Bella se aproximou e a abraçou com uma naturalidade que fez desaparecer o pouco de tensão que ainda existia na postura dela.
– Seja muito bem-vinda, Rosie. Não dê atenção a eles. Eu prometo que, separados, parecem pessoas normais.
– Estou começando a desconfiar que Emmett mentiu quando disse que era o mais sensato dos irmãos.
Bella arregalou os olhos.
– Ele disse isso?
– Foi no nosso segundo encontro.
– Você continuou saindo com ele depois dessa mentira? – perguntei.
– Eu estava apaixonada.
– Justificativa aceita.
Emmett apontou para mim.
– Você é a última pessoa nesta sala que pode julgar escolha amorosa.
Meu sorriso morreu.
– Quer explicar melhor?
– Não.
– Foi o que pensei.
Alice gargalhou do chão enquanto colocava uma pequena presilha nos cabelos de Belinha. Minha filha estava sentada entre as pernas dela segurando uma boneca e aparentemente acompanhava muito mais da conversa dos adultos do que deveria.
– Bom, agora temos Nessie com Jacob, Emmett com Rosie, nossos pais casados há uma eternidade... – Alice começou a enumerar, olhando para Antony com um sorriso malicioso. – Só falta Antony desencalhar.
Meu irmão, que estava bebendo água, quase engasgou.
– Desencalhar? Você tem vinte anos e não tem namorado.
Alice arregalou os olhos.
– Isso não tem nada a ver comigo.
– Tem tudo a ver. Está fazendo levantamento da vida amorosa dos outros com a sua completamente vazia.
– Eu tenho vinte anos. Tenho tempo.
– E eu também.
– Você é mais velho.
– Obrigado pela informação. Achei que tivesse nascido ontem.
Rosie tentou conter o riso, enquanto Emmett já ria sem qualquer discrição. Até meu pai entrou na brincadeira.
– Antony apresentou um argumento razoável.
– Não incentive – Alice reclamou.
– Papai sabe reconhecer lógica quando encontra – Antony respondeu, satisfeito.
Belinha, que tinha acompanhado a discussão girando a cabeça de um lado para o outro, levantou os olhos para mim.
– Mamãe?
– Oi, meu amor.
– Quando eu vou ter namorado?
A sala explodiu em gargalhadas.
Eu não ri.
– Você não vai.
Belinha franziu a testa.
– Nunca?
– Exatamente.
Emmett riu ainda mais alto.
– Nessie, acho que você precisa rever esse nunca.
– Não preciso rever coisa nenhuma.
Belinha largou a boneca no colo de Alice.
– Mas a tia Alice pode.
– A tia Alice tem vinte anos.
– E eu tenho seis.
– Exatamente. Obrigada por colaborar com meu argumento.
Ela pensou por alguns segundos.
– Quando eu tiver sete?
– Isabella, não.
Antony virou o rosto para esconder a risada.
– Não ajuda – avisei.
– Não estou fazendo nada.
Belinha insistiu, completamente séria.
– Oito?
– Criança não namora.
– Nove?
– Belinha!
Ela começou a rir e se jogou contra Alice, que já estava praticamente deitada no tapete de tanto gargalhar.
– Isso não tem graça – reclamei, olhando para minha família.
– Tem bastante – meu pai respondeu.
Virei para ele, indignada.
– Pai!
– Só estou observando como certas preocupações passam de uma geração para outra.
– Não começa.
Edward ergueu as mãos com um sorriso inocente demais para ser verdadeiro.
– Não falei nada.
– Nem precisa. Estou vendo sua satisfação daqui.
– Talvez agora você entenda algumas coisas.
– Eu tenho vinte e seis anos. Ela tem seis.
– Guarde esse argumento. Daqui a doze anos ainda vai achar que ela tem seis.
Abri a boca para responder, mas a campainha tocou e interrompeu a discussão. Bella imediatamente olhou para o relógio.
– Deve ser Jacob.
Meu coração reagiu antes que eu tivesse tempo de controlar a expressão. Emmett percebeu, claro, porque aquele homem parecia ter desenvolvido um radar específico para qualquer coisa que pudesse usar para me provocar.
– Olha o sorriso.
– Cala a boca.
Minha mãe foi atender e eu permaneci onde estava, tentando não parecer uma adolescente esperando o namorado, principalmente depois da discussão sobre a idade de Belinha. Ouvi a porta se abrir e, segundos depois, a voz grave que eu reconheceria em qualquer lugar.
– Boa noite, Bella. Espero não estar atrasado.
– Chegou no horário. Entre, Jacob.
Belinha foi a primeira a reagir. Levantou-se tão depressa que Alice nem conseguiu terminar de prender a presilha em seus cabelos.
– Tio Jay!
Ela disparou pelo corredor.
– Belinha, não corre! – falei por puro reflexo, sabendo perfeitamente que seria ignorada.
Quando consegui enxergar a entrada, Jacob já tinha se abaixado para recebê-la. Belinha praticamente se atirou nele e ele a segurou antes que ambos fossem parar no chão.
– Ei, pequena. – Jacob passou um braço ao redor dela e se levantou carregando-a. – Você cresceu desde a última vez que te vi ou está tentando me enganar?
– Cresci.
– Quanto?
Belinha abriu os braços.
– Assim.
Jacob olhou para a distância entre as mãos dela.
– Impressionante. Nesse ritmo, daqui a um mês você vai ser maior que sua mãe.
– Eu vou ser grande igual você.
– Aí sua mãe está ferrada.
– Jacob! – Bella repreendeu imediatamente.
Ele olhou para minha mãe.
– Desculpe.
Belinha aproximou a boca do ouvido dele e tentou sussurrar, embora todos conseguíssemos ouvir.
– Mamãe fala essa palavra também.
Jacob levantou os olhos e me encontrou na sala.
O sorriso apareceu imediatamente.
– Eu sei.
– Isabella Cullen, você está muito falante hoje.
Minha filha riu e se escondeu no pescoço dele. Bella balançou a cabeça e recebeu o casaco que Jacob tirou. Fiquei observando os dois conversarem por alguns segundos. Ainda era estranho vê-lo dentro da casa dos meus pais daquela maneira. Não como o empresário que havia aparecido em nossas vidas no meio de uma confusão, nem como o homem que meu pai observava com desconfiança, mas como alguém que agora fazia parte da minha rotina. Jacob cumprimentou Bella com respeito, perguntou se precisava de ajuda com alguma coisa e recebeu como resposta uma ameaça bastante séria de expulsão caso tentasse entrar na cozinha antes do jantar.
Foi impossível não sorrir.
Caminhei até eles.
Jacob me percebeu antes que eu chegasse. Entregou Belinha para Bella quando minha mãe pediu que ela fosse lavar as mãos e então voltou toda a atenção para mim. Seus olhos percorreram meu rosto e desceram rapidamente pelo meu corpo antes de retornarem aos meus olhos. Conhecia aquele olhar e, considerando que meus pais estavam a poucos metros, preferi fingir que não.
– Oi – falei quando parei diante dele.
– Oi.
– Pensei que fosse chegar mais tarde.
– Eu disse que viria.
– Você também disse que olharia sua agenda.
– E sobrevivi à chantagem emocional daquela carinha que você mandou.
Ri.
– Aquilo não foi chantagem.
– Claro que não. Foi terrorismo psicológico com emoji.
Antes que eu pudesse responder, Jacob passou uma mão pela minha cintura e me puxou para perto. O gesto foi cuidadoso, como todos os que ele tinha comigo desde o hospital, embora continuasse carregando aquela segurança que parecia existir em tudo que fazia. Ele inclinou o rosto e selou nossos lábios em um beijo curto, carinhoso e completamente natural.
Ainda assim, ouvi Emmett assobiar da sala.
Afastei o rosto apenas o suficiente para olhar por cima do ombro de Jacob.
– Emmett, eu juro...
– Não fiz nada!
Jacob nem se deu ao trabalho de olhar para ele.
– Ignora. Falta atenção.
Voltei a encará-lo, segurando discretamente a lapela de seu paletó.
– Você chegou na hora certa.
Uma sobrancelha dele se ergueu.
– Para o jantar?
– Também. Minha mãe está nervosa porque acha que você pode não gostar da comida.
Jacob olhou imediatamente na direção da cozinha.
– Sua mãe está preocupada se eu vou gostar do que ela preparou?
– Está.
– Você tranquilizou?
Mordi o lábio para não rir.
– Disse que, se não gostasse, você falaria.
Ele ficou alguns segundos me encarando.
– Você realmente quer me ver morrer no aniversário do seu pai.
– Eu fui sincera.
– Você foi uma péssima filha.
– Minha mãe disse que nosso relacionamento está me mudando.
– Finalmente alguém reconheceu minha boa influência.
Soltei uma risada e balancei a cabeça.
– Boa influência não foi exatamente o termo usado.
Jacob passou o polegar discretamente pela minha cintura antes de se inclinar um pouco mais para mim. Seu olhar assumiu aquela expressão escura e divertida que eu conhecia bem.
– Se eu não gostar da comida, vou comer tudo, repetir e elogiar sua mãe. Eu posso ser um filho da puta, Nessie, mas não sou burro o suficiente para entrar na casa dos Cullen, desagradar minha sogra e ainda esperar sair daqui com você.
Meu sorriso aumentou.
– Sogra?
– Tem alguma objeção?
– Você está avançando algumas etapas, senhor Black.
Ele aproximou a boca do meu ouvido, mas manteve a voz baixa o suficiente para que somente eu escutasse.
– Princesa, depois de colocar um filho na sua barriga, conhecer seus pais e ser interrogado pelo seu pai com os olhos toda vez que chego perto de você, acho que tenho direito de avançar umas duas etapas.
Senti meu rosto esquentar e imediatamente empurrei seu peito.
– Você não presta.
Jacob segurou minha mão antes que eu me afastasse e beijou meus dedos, mantendo os olhos nos meus.
– E mesmo assim você continua me convidando para jantar.
Antes que eu pudesse responder, ouvi meu pai pigarrear atrás de nós.
Jacob fechou os olhos por um instante.
– Lá vem a fiscalização.
Olhei por cima do ombro e encontrei Edward parado na entrada da sala com os braços cruzados.
Claro kkk. Vou refazer a parte da chegada de Jacob já corrigida, mantendo Bella recebendo ele na porta e depois seguindo naturalmente para o presente de Edward.
A campainha tocou antes que eu pudesse continuar aquela discussão absurda sobre a futura vida amorosa da minha filha. Minha mãe olhou para o relógio e imediatamente largou o pano de prato sobre a bancada que separava a sala da cozinha.
– Deve ser Jacob. Ele disse que chegaria nesse horário – comentou Bella enquanto seguia até a porta.
Meu coração reagiu de uma maneira que já estava ficando vergonhosamente previsível. Emmett percebeu, porque meu irmão parecia ter desenvolvido uma habilidade especial para identificar qualquer coisa que pudesse usar para me provocar, mas, antes que ele abrisse a boca, a porta se abriu e ouvi a voz de Jacob.
– Boa noite, Bella. Espero não estar atrasado.
– Chegou na hora certa. Entre, Jacob.
Belinha abandonou a boneca no mesmo instante. Levantou do tapete tão depressa que Alice nem conseguiu terminar de prender uma das presilhas em seus cabelos.
– Tio Jay!
Ela correu pelo corredor e praticamente se jogou contra Jacob. Ele se abaixou a tempo de recebê-la e, num movimento fácil, levantou-se novamente com minha filha nos braços.
– Ei, pequena. – Jacob analisou o rosto dela com uma expressão séria demais para a pergunta que veio em seguida. – Você cresceu desde a última vez que te vi ou está tentando me enganar?
Belinha abriu um sorriso enorme.
– Cresci.
– Quanto?
Ela abriu os braços o máximo que conseguiu.
– Assim.
Jacob observou a distância entre as mãos dela e assentiu.
– Impressionante. Nesse ritmo, daqui a pouco vai estar maior que sua mãe.
– Eu vou ficar grande igual você.
– Aí sua mãe está ferrada.
Minha mãe imediatamente lhe deu um tapa no braço.
– Jacob!
– Desculpe, Bella.
Belinha aproximou a boca do ouvido dele e tentou cochichar, embora estivesse falando alto o bastante para que todos escutassem.
– A mamãe fala essa palavra também.
Jacob levantou os olhos e me encontrou parada alguns metros adiante. O sorriso que surgiu em seu rosto fez o meu aparecer imediatamente.
– Eu sei, pequena. Sua mãe fala coisas muito piores quando está brava comigo.
– Jacob Black!
Ele riu e colocou Belinha no chão quando minha mãe pediu que ela fosse terminar de arrumar os cabelos com Alice. Minha filha obedeceu, mas não sem antes abraçá-lo novamente pela cintura. Fiquei observando Jacob conversar rapidamente com Bella enquanto tirava o casaco. Havia algo estranhamente agradável naquela cena. Depois de tudo que acontecera nos últimos meses, vê-lo entrando na casa dos meus pais daquela maneira, cumprimentando minha mãe e sendo recebido por Belinha como alguém que já fazia parte de nossa rotina despertou em mim uma sensação de conforto que preferi não analisar demais.
Caminhei até ele.
Jacob percebeu minha aproximação antes mesmo que eu falasse e seus olhos imediatamente vieram para mim. O olhar percorreu meu rosto, desceu rapidamente pelo meu corpo e retornou aos meus olhos com aquela calma descarada que eu conhecia muito bem.
– Oi – falei quando parei diante dele.
– Oi, princesa.
– Pensei que fosse chegar mais tarde.
– Eu disse que viria.
– Você também disse que ia olhar sua agenda quando mandei mensagem.
– E depois você mandou aquela porra daquela carinha.
Comecei a rir.
– Era só um emoji.
– Aquilo foi chantagem emocional em formato digital.
– Funcionou.
– Esse é exatamente o problema.
Jacob passou uma das mãos pela minha cintura e me puxou cuidadosamente contra ele. Desde o hospital, seus gestos comigo tinham adquirido um cuidado que contrastava de maneira quase engraçada com o homem bruto que continuava existindo para todo o resto do mundo. Ele inclinou o rosto e tocou os lábios nos meus em um beijo breve, mas carinhoso.
Um assobio veio da sala.
Nem precisei olhar.
– Emmett, arruma alguma coisa para fazer.
– Eu estou fazendo. Observando.
Jacob manteve a mão na minha cintura.
– Ignora. Seu irmão tem carência de atenção.
– Eu ouvi, Black.
– Era a intenção.
Balancei a cabeça e voltei minha atenção para Jacob.
– Você chegou na hora certa.
Uma sobrancelha dele se ergueu.
– Para o jantar ou existe algum outro motivo interessante?
– Para o jantar. Minha mãe está nervosa porque acha que você pode não gostar do que ela preparou.
Jacob olhou para Bella, que ainda estava perto da entrada.
– Sua filha me contou isso antes que eu pudesse impedir – minha mãe esclareceu.
– Mãe!
Jacob começou a rir.
– E o que exatamente ela disse?
Bella cruzou os braços.
– Que, se você não gostar, vai falar.
Ele virou lentamente o rosto para mim.
– Você disse isso?
Tentei sustentar a expressão séria.
– Eu disse que você é sincero.
– Não. Você basicamente avisou sua mãe que convidou um filho da puta sem filtro para jantar.
– Não use essa palavra na casa dos meus pais.
– Você acabou de ser denunciada pela sua própria filha por falar ferrada.
– Não muda de assunto.
Bella balançou a cabeça, claramente arrependida de ter começado aquela conversa.
– Eu vou voltar para minha cozinha.
Jacob olhou para ela.
– Bella.
Minha mãe parou.
– Pode ficar tranquila. Se eu não gostar, vou comer, repetir e dizer que está excelente.
Ela arqueou uma sobrancelha.
– Vai mentir?
– Vou preservar minha vida. Existe diferença.
Bella acabou rindo.
– Pelo menos é inteligente.
– Em algumas situações.
Minha mãe voltou para a cozinha e Jacob se inclinou discretamente na minha direção.
– Sua mãe gosta de mim.
– Você está aqui há cinco minutos.
– Sou carismático.
– Você é convencido.
– Também.
Meu pai apareceu vindo da sala naquele momento e parou diante de nós. Seu olhar passou rapidamente pela mão de Jacob na minha cintura antes de chegar ao rosto dele. Edward ainda estava aprendendo a lidar com nosso relacionamento, e Jacob definitivamente não facilitava o processo.
– Boa noite, Jacob.
Jacob retirou a mão da minha cintura e estendeu a dele.
– Feliz aniversário, Cullen.
Meu pai apertou sua mão.
– Obrigado. E fico satisfeito que tenha conseguido encaixar nossa humilde comemoração na sua agenda.
Olhei imediatamente para Edward.
– Pai.
Jacob soltou uma risada.
– Não precisa defender. Essa eu mereci.
Edward pareceu satisfeito com a resposta.
– Pelo menos reconhece.
– De vez em quando.
Jacob então olhou para a entrada como se tivesse se lembrado de alguma coisa. Afastou-se por alguns passos e pegou uma sacola escura que havia deixado próxima ao aparador quando chegou. Voltou carregando uma caixa de madeira que, pela aparência, já denunciava que ele havia exagerado.
– Trouxe uma coisa para você.
Edward pareceu surpreso.
– Não precisava.
– Eu sei. Se precisasse, não seria presente.
Meu pai recebeu a caixa e a abriu. Bastou olhar para a reação dele para perceber que sabia exatamente o que estava diante de si. Edward retirou uma garrafa de vinho e examinou o rótulo durante alguns segundos antes de erguer os olhos para Jacob.
– Você está brincando.
Fiquei curiosa.
– O que foi?
Meu pai ainda observava a garrafa.
– É um vinho excelente.
Jacob enfiou as mãos nos bolsos.
– Essa foi a maneira educada de não dizer o preço na frente da sua filha.
Virei imediatamente para ele.
– Quanto custou?
– Não é da sua conta.
– Jake.
– O presente é do seu pai. Quando for seu aniversário, você fiscaliza o seu.
Edward soltou uma risada enquanto voltava a acomodar cuidadosamente a garrafa na caixa.
– Jacob, isso foi excessivo.
– Você está fazendo cinquenta e cinco anos, Cullen. Alguma coisa precisava compensar a tragédia.
Meu pai levantou os olhos devagar.
– Você sabe que tem quase a minha idade, não sabe?
Jacob ficou em silêncio por dois segundos.
Eu não aguentei e comecei a rir.
– Essa doeu.
Ele me lançou um olhar estreito.
– Ninguém perguntou sua opinião.
– Você pediu por essa.
Edward estava claramente se divertindo mais do que deveria.
– Cinquenta está chegando para você.
– Ainda tenho alguns meses. Não estrague minha noite.
Meu pai riu e estendeu novamente a mão.
– Obrigado, Jacob. É um excelente presente.
Jacob apertou sua mão.
– Aproveite. Só tenho uma exigência.
– Qual?
– Não abra hoje.
Edward franziu a testa.
– Por quê?
– Porque eu também vou querer beber e não trouxe um vinho caro desses para terminar a noite com meia taça.
Dessa vez até eu ri. Meu pai balançou a cabeça, mas havia um sorriso em seu rosto quando levou a caixa até o aparador.
– Vamos negociar isso quando eu decidir abrir.
– Negociação é minha especialidade.
– Eu sei. Esse é justamente o problema.
A conversa foi interrompida por Emmett, que apareceu ao nosso lado com Rosie. Meu irmão colocou uma das mãos nas costas dela e olhou para Jacob.
– Já que terminaram a reunião dos homens de meia-idade, quero apresentar minha namorada.
Jacob virou lentamente o rosto para ele.
– Repete a parte da meia-idade e sua irmã fica solteira ainda hoje porque você vai precisar de alguém para empurrar sua cadeira de rodas.
– Viu? – Emmett olhou para Rosie. – Extremamente sensível com a idade.
Rosie riu e estendeu a mão para Jacob.
– Ignore o Emmett. Foi um prazer finalmente conhecer você. Pode me chamar de Rosie.
Jacob segurou a mão dela.
– Jacob.
– Rosalie Fitzgerald.
O aperto de mão não chegou a terminar.
Eu estava perto o suficiente para perceber a mudança imediata na expressão de Jacob. O humor desapareceu de seus olhos, seu maxilar se contraiu e ele ficou alguns segundos olhando para Rosie como se tentasse encontrar alguma coisa no rosto dela.
Rosie percebeu.
– Está tudo bem?
Jacob soltou lentamente sua mão.
– Fitzgerald?
Ela assentiu.
– Sim.
Fiquei em silêncio.
O sobrenome tinha provocado nele exatamente a reação que eu temia.
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