Amor não era o plano
38 Conselhos de mãe
Jacob
Depois de algum tempo, consegui me afastar de Renesmee e dos pais dela sem fazer mais nenhuma merda que denunciasse o efeito estranho que aquela mulher vinha provocando em mim. Fui procurar Billy e o encontrei na varanda, cercado por Sam, Paul, Embry e Solomon. A conversa parecia descontraída quando me aproximei, mas bastou ouvir o nome de Claire para entender que tinham abandonado o aniversário por alguns minutos e entrado em um assunto bem menos agradável. Peguei uma garrafa de cerveja sobre a mesa, abri e me encostei em uma das colunas da varanda enquanto Billy me observava.
– Rachel me contou o que aconteceu no aniversário da Claire – disse meu pai, apoiando as mãos nos braços da cadeira. Sua expressão havia perdido completamente a leveza de minutos antes. – Também contou que ela continua com Ethan e levou Ephraim para morar com ele. Não vou me meter na maneira como você está lidando com sua filha, Jacob, mas tem uma coisa nessa história que não está me agradando.
Tomei um gole da cerveja antes de responder.
– Escolha uma. Tem tanta coisa errada nessa história que estou começando a fazer uma lista.
Billy ignorou meu sarcasmo.
– Ethan é casado com Claire há anos e, durante boa parte desse tempo, manteve outra família em Forks. Não com qualquer mulher. Com a neta do Charlie. – Meu pai estreitou os olhos. – Você não acha muita coincidência esse homem ter conseguido se envolver justamente com mulheres de duas famílias tão próximas?
A garrafa parou antes de chegar novamente à minha boca.
Eu já tinha pensado em praticamente todos os aspectos daquela história. Ethan enganando Claire, os anos que passara com Renesmee, a maneira como se apropriara dos imóveis dela e a facilidade com que parecia ter preparado tudo para se proteger quando a verdade aparecesse. Mas ainda não tinha colocado aquele detalhe daquela forma.
– Pode ter sido acaso – ponderou Embry, embora sua expressão mostrasse que nem ele parecia convencido.
– Eu não acredito em coincidência quando existe dinheiro envolvido – respondi, deixando a garrafa sobre a mesa. – Muito menos quando Ethan Hale está no meio.
– Nem eu.
A voz veio de trás de mim.
Virei o rosto e encontrei Charlie Swan se aproximando da varanda. Ele carregava uma xícara de café e olhou primeiro para Billy antes de voltar a atenção para mim.
– Então você finalmente resolveu aparecer por aqui – comentou Charlie, estendendo a mão. – A última vez que vi você, não era tão alto e definitivamente não tinha esses músculos todos.
Apertei sua mão e sorri.
– Faz bastante tempo, chefe Swan.
– Charlie. Estou aposentado o suficiente para não precisar ouvir chefe em festa de aniversário.
– Certo, Charlie. E quanto aos músculos, algumas coisas melhoram com o tempo.
Paul soltou uma risada.
– Ele voltou há menos de uma hora e já está insuportável.
– Você continua aqui por vontade própria – retruquei, sem olhar para ele.
Charlie riu e puxou uma cadeira para perto de Billy. Apesar de não vê-lo havia muitos anos, lembrava bem dele. Charlie e meu pai tinham sido amigos por tempo suficiente para que ele fizesse parte de várias lembranças da minha infância. Encontrá-lo novamente não exigia o mesmo esforço que conhecer Edward Cullen havia exigido minutos antes, constatação que preferi não analisar.
– Eu estava falando justamente do Ethan – explicou Billy a ele. – Disse ao Jacob que acho estranho demais esse sujeito acabar ligado à Claire e à Renesmee.
Charlie assentiu.
– E eu concordo. Foi uma das primeiras coisas que me incomodou quando soube de toda a história.
Cruzei os braços.
– Vocês acham que ele planejou isso?
Charlie apoiou a xícara no braço da cadeira.
– Ainda não sei o que acho. Mas passei tempo suficiente na polícia para aprender que, quando alguma coisa parece coincidência demais, vale a pena investigar antes de chamar de acaso.
– O que exatamente você está procurando?
– Tudo. – A resposta veio sem hesitação. – Pedi a alguns contatos em Seattle que levantassem a ficha completa dele. Não apenas antecedentes criminais. Quero saber onde estudou, onde morou, empregos anteriores, registros financeiros que possam ser consultados legalmente, mudanças de endereço e qualquer coisa anterior à chegada dele a Forks. Quero saber quem era Ethan Hale antes de aparecer na vida da minha neta.
Sam apoiou os antebraços sobre as pernas.
– Nós já levantamos bastante coisa por causa do processo de guarda. Até agora não apareceu nada que explique uma aproximação planejada com Claire.
– Talvez porque vocês estejam procurando pelo homem que ele diz ser – observou Charlie. – Eu quero confirmar se esse homem realmente existe da maneira como conta.
Aquilo chamou minha atenção.
– Está desconfiando da identidade dele?
– Estou desconfiando de tudo. – Charlie me encarou com seriedade. – Um homem consegue manter duas famílias durante seis anos, enganar uma mulher que dormia ao lado dele e outra com quem era legalmente casado, esconder uma filha e ainda organizar documentos de maneira que pudesse tomar os imóveis de Renesmee quando ela resolvesse deixá-lo. Isso exige planejamento. Então não vou cometer o erro de presumir que o restante da vida dele é verdadeiro só porque está escrito numa ficha.
Gostei do velho.
Muito.
Paul trocou um olhar comigo.
– Posso colocar nossa equipe nisso também.
– Coloque – respondi imediatamente. – Quero tudo o que existir sobre Ethan antes de Forks. Não me importa quanto tempo leve.
Billy soltou um ruído baixo.
– Vocês podem investigar o quanto quiserem. Enquanto isso, eu vou cuidar do problema que está na nossa frente.
Olhei para ele.
– Que problema?
Meu pai virou o rosto para Solomon.
O homem permanecera praticamente em silêncio até aquele momento, mas sua presença naquela conversa começou a fazer mais sentido.
– As ações da Claire – respondeu Billy.
Minha expressão endureceu.
Billy tinha transferido parte de sua participação para os netos anos atrás. As ações de Claire eram justamente o que Ethan vinha usando para permanecer dentro da Black Enterprises depois que eu o demiti. Como representante legal dela em determinadas decisões societárias, ele tinha encontrado uma brecha que me obrigava a tolerar sua presença no prédio enquanto meus advogados buscavam uma forma de tirá-lo.
– O que tem as ações?
– Fui eu quem fez a doação – explicou Billy. – E estou anulando.
Fiquei em silêncio por um instante.
Paul foi o primeiro a reagir.
– Dá para fazer isso?
Solomon finalmente entrou na conversa.
– Nas condições em que a doação foi estruturada, existe margem jurídica. Não será uma simples revogação porque Billy mudou de ideia. Precisamos fundamentar corretamente e existem cláusulas que precisam ser analisadas, mas já comecei a preparar o procedimento.
Olhei para meu pai.
– Desde quando está pensando nisso?
– Desde que Rachel me contou que Ethan está usando as ações da minha neta para permanecer dentro da sua empresa. – Billy respondeu com uma tranquilidade que não combinava com a dureza de suas palavras. – Eu dei aquilo à Claire para garantir o futuro dela, não para colocar poder nas mãos de um homem que mentiu para ela durante anos.
– Pai, isso pode atingir financeiramente a Claire.
Billy me lançou um olhar impaciente.
– Não estou tirando nada dela para ficar com o dinheiro, Jacob. Estou protegendo o patrimônio até termos certeza de que aquele sujeito não consegue colocar as mãos nele. Depois encontramos a maneira correta de garantir que continue pertencendo a ela e ao Ephraim sem Ethan controlar um centavo.
Solomon assentiu.
– Podemos estruturar uma proteção patrimonial posteriormente. Neste momento, o mais importante é impedir que a representação de Ethan produza consequências difíceis de reverter.
Aquilo fazia sentido.
E fazia muito mais do que apenas proteger Claire.
Tirava de Ethan a única coisa que ainda o mantinha dentro da minha empresa.
Meu pai continuou:
– Ele já mostrou o que faz quando uma mulher confia nele. Renesmee perdeu a casa e o prédio da loja porque deixou Ethan cuidar dos documentos. Não vou esperar minha neta perder alguma coisa para depois dizer que deveríamos ter percebido antes. Claire pode ficar furiosa comigo. Prefiro que fique furiosa e protegida.
Olhei para Billy durante alguns segundos.
Quatro anos sem falar com aquele velho teimoso e bastaram poucas horas na mesma casa para eu me lembrar de onde tinha herdado boa parte do meu temperamento.
Um sorriso lento surgiu no meu rosto.
Sam percebeu primeiro.
– Conheço essa cara.
Embry olhou para mim.
– Eu também. Alguém vai ter um dia ruim amanhã.
Peguei novamente minha cerveja.
– Pelo contrário. – Tomei um gole, já imaginando a cena. – Eu vou ter uma manhã excelente.
Paul começou a rir.
– Ethan.
– Exatamente.
Se Solomon conseguisse retirar de Ethan a representação que ele usava como escudo, não haveria mais ações de Claire para justificar sua presença na Black Enterprises. Não haveria escritório, cargo improvisado ou ameaça disfarçada. Nada.
Olhei para meu pai.
– Quanto tempo?
Solomon respondeu com cautela:
– Preciso terminar a documentação. Não aconselho que faça nada antes de eu confirmar que temos respaldo suficiente.
– Então confirme.
– Jacob – advertiu Sam, já conhecendo meu nível de paciência.
– Eu ouvi. – Olhei novamente para Solomon. – Faça direito. Não quero uma brecha para aquele filho da puta voltar pela porta dos fundos.
Solomon assentiu.
– Você terá minha confirmação antes de qualquer medida.
Sorri e recostei na coluna.
Ethan tinha entrado na minha empresa naquela semana acreditando que as ações de Claire o tornavam intocável. Tinha sentado diante de mim, sorrindo, e ainda usado meu neto para me ameaçar. Eu deixara que saísse da minha sala convencido de que havia vencido porque ainda não tinha encontrado uma maneira limpa de arrancá-lo de lá.
Agora tinha.
– Quando Solomon terminar – falei, olhando para Paul –, quero o acesso de Ethan bloqueado. Sistemas, arquivos, contas corporativas, garagem, tudo. Segurança recebe a fotografia dele e ordem para não deixá-lo passar da recepção.
Paul sorriu.
– Com prazer.
– E as coisas dele?
Embry perguntou:
– Vai mandar entregar?
Olhei para ele.
– Não.
Sam já balançava a cabeça.
– Jacob...
– Quero tudo encaixotado. – Meu sorriso aumentou. – Amanhã eu mesmo entrego.
Paul soltou uma gargalhada, e até Billy deixou escapar um sorriso.
Depois de semanas suportando Ethan Hale andando pela minha empresa como se tivesse vencido uma guerra, finalmente eu teria o prazer de explicar uma coisa que aquele desgraçado ainda não tinha entendido.
Ele podia ter enganado Renesmee.
Podia ter enganado Claire.
Podia até ter conseguido entrar na minha família e na minha empresa.
Mas tinha cometido um erro grave quando decidiu me enfrentar dentro daquilo que era meu.
E amanhã eu começaria a cobrar.
Solomon ainda explicava a Paul alguns detalhes sobre a anulação da doação quando ouvi passos atrás de mim. Não precisei me virar para saber quem era. Sam foi o primeiro a mudar de expressão, Embry tratou de pegar a cerveja e olhar para outro lado, e até Billy pareceu se lembrar repentinamente de que aquele era seu aniversário e não uma reunião improvisada do conselho da Black Enterprises.
Minha mãe parou diante de nós com as mãos na cintura.
– Eu posso saber o que vocês estão fazendo?
Olhei para os homens ao meu redor. Ninguém pareceu interessado em responder. Covardes.
– Conversando – Billy tentou, usando aquele tom inocente que jamais enganara Sarah Black.
Minha mãe olhou para ele.
– Eu consigo ver que estão conversando, Billy. Quero saber por que ouvi as palavras ações, advogado e empresa no meio da sua festa de aniversário.
Meu pai abriu a boca, provavelmente disposto a explicar toda a situação de Claire, mas Sarah levantou uma das mãos.
– Nem comece. Você passou anos reclamando que seu filho não colocava os pés nesta casa. Ele finalmente aparece e vocês transformam a varanda numa sala de reunião.
– O assunto é importante – Billy argumentou.
– E vai continuar importante amanhã.
– Sarah...
– Billy.
Meu pai fechou a boca.
Eu mordi o interior da bochecha para não rir. Aquele homem tinha passado minha infância inteira me ensinando que ninguém deveria fugir de uma discussão. Aparentemente existia uma exceção bastante específica para a própria esposa.
Paul baixou o rosto para esconder o sorriso, mas minha mãe percebeu.
– E você também, Paul. Rachel está procurando você.
– Eu estava ajudando o Jacob.
– Ninguém pediu sua defesa – respondi imediatamente.
Ele me lançou um olhar indignado.
– Seu desgraçado.
– Linguagem – advertiu minha mãe.
Paul assentiu.
– Desculpa, dona Sarah.
Quase ri. Um grupo de homens adultos, alguns deles responsáveis por empresas, famílias e decisões milionárias, reduzidos a adolescentes porque minha mãe tinha aparecido na varanda. Algumas hierarquias realmente não mudavam.
Sarah voltou a atenção para mim.
– E você vem comigo.
Franzi o cenho.
– Eu?
– Você mesmo.
– Mãe, eu estava conversando com Solomon sobre uma questão que precisa ser resolvida amanhã.
– Amanhã você resolve.
– Não funciona dessa maneira.
Ela segurou meu braço.
Olhei para a mão dela e depois para seu rosto.
– A senhora está me puxando?
– Estou.
– Eu tenho quarenta e nove anos.
– E eu sou sua mãe há todos eles. Ande.
Ouvi Embry tossir para esconder uma risada. Virei o rosto na direção dele.
– Eu ouvi.
– Não falei nada.
– Mas pensou.
Minha mãe me puxou novamente e, por mais ridículo que fosse, comecei a acompanhá-la. Poderia ter soltado meu braço com facilidade. Poderia também ter enfrentado Sarah e dito que não iria a lugar algum.
Não fiz nenhuma das duas coisas.
Existiam homens que eu não hesitaria em colocar contra uma parede se tentassem me arrastar para algum lugar. Minha mãe, no entanto, podia me puxar pelo braço no meio de uma festa como se eu ainda tivesse cinco anos e aparentemente minha reação continuava sendo obedecer enquanto reclamava.
– Isso é humilhante – murmurei enquanto caminhávamos.
– Você sobrevive.
– Tenho funcionários aqui.
– Então talvez seja bom eles descobrirem que existe alguém que consegue mandar em você.
– Não existe.
Sarah olhou significativamente para a própria mão segurando meu braço.
– Claro.
Soltei um suspiro irritado, e ela finalmente me soltou quando já estávamos longe da varanda. Continuou caminhando ao meu lado pela festa, cumprimentando algumas pessoas no caminho, enquanto eu tentava descobrir o que diabos ela queria comigo.
– Se me tirou daquela conversa apenas para desfilar comigo pela festa, quero registrar minha insatisfação.
– Você continua falando demais quando está irritado.
– E a senhora continua me tratando como criança.
– Você ficou quatro anos sem aparecer. Tenho tempo acumulado.
Não consegui argumentar contra aquilo.
Minha mãe diminuiu os passos e olhou discretamente para algum ponto mais adiante.
– Em vez de passar seu aniversário inteiro falando de dinheiro, ações e lucros, você poderia aproveitar melhor o tempo.
– O aniversário não é meu.
– Você entendeu.
– Não tenho certeza. A senhora parece ter um plano bastante específico para minha tarde.
– Tenho. – Ela sorriu. – Existe uma moça ruiva, linda, inteligente e aparentemente com uma paciência extraordinária para suportar seu temperamento. Eu adoraria chamá-la de nora.
Parei de andar.
Minha mãe continuou mais dois passos antes de perceber e voltar o rosto.
– O quê?
Coloquei as mãos nos bolsos e fiz a melhor expressão de desinteresse que consegui.
– Vai precisar ser mais específica.
Sarah estreitou os olhos.
– Jacob.
– Estou falando sério. Ruiva e bonita não reduz muito minhas possibilidades. Andei saindo com várias mulheres.
O olhar que recebi faria um homem mais sensato pedir desculpas imediatamente.
– E você acha bonito me contar isso?
– A senhora perguntou.
– Não perguntei absolutamente nada sobre as mulheres com quem você andou se envolvendo. E prefiro continuar sem saber.
Sorri de lado.
– Então precisamos estabelecer melhor os limites dessas conversas.
– Não tente mudar de assunto. Você sabe perfeitamente de quem estou falando.
– Acho que a senhora está mal informada.
Sarah soltou uma risada.
– Pelo contrário. Estou muito bem informada.
Aquilo me deixou desconfiado.
– Rachel.
– Rachel, Rebecca, seu pai...
– Billy?
– Seu pai tem olhos.
Passei a mão pela mandíbula.
– Essa família precisa urgentemente encontrar assuntos melhores.
– Encontramos. Você e Renesmee são muito interessantes.
– Não existe eu e Renesmee.
Minha mãe fez uma expressão quase piedosa.
– Filho, você sempre foi um péssimo mentiroso.
– Eu administro uma empresa bilionária. Garanto que sei mentir quando necessário.
– Para investidores, talvez. Para sua mãe, continua tão ruim quanto aos dez anos, quando jurava que não tinha quebrado a janela com uma bola.
– Não fui eu.
– Foi você.
– Depois de quase quarenta anos, acho difícil provar.
Sarah balançou a cabeça, contendo um sorriso.
– Eu faço o maior gosto dessa união.
– Que união?
– A que você está fingindo que não quer.
Soltei uma respiração impaciente.
– Mãe, Renesmee saiu de uma relação complicada, está enfrentando um processo pela guarda da filha e tem problemas suficientes para resolver. Ninguém está planejando casamento.
– Eu falei em casamento?
Fiquei calado.
O sorriso dela cresceu.
Merda.
– Interessante você ter pensado tão longe.
– Não pensei. Estou encerrando essa conversa antes que fique mais absurda.
Dei meio passo, mas Sarah segurou meu braço novamente.
– Ela está sozinha perto das árvores.
Olhei automaticamente na direção indicada.
Erro.
Minha mãe percebeu na mesma hora.
Renesmee estava um pouco afastada da movimentação, próxima às árvores que delimitavam parte do terreno. Não parecia triste, apenas pensativa. Mantinha os braços cruzados enquanto observava Belinha e Ephraim brincarem alguns metros à frente. O vento movimentava seus cabelos ruivos, e ela tinha um pequeno sorriso no rosto cada vez que uma das crianças fazia alguma coisa.
Desviei os olhos.
– Ah. A senhora estava falando da Cullen.
Sarah começou a rir.
– Meu Deus, Jacob. Você é realmente péssimo nisso.
– Não faço ideia do que está falando.
Minha mãe se aproximou e, para completar minha humilhação naquela tarde, segurou meu rosto entre as mãos novamente.
– Olhe para mim.
– Mãe...
– Só por um instante pare de agir como se o mundo inteiro estivesse tentando descobrir uma fraqueza sua.
Minha vontade de responder desapareceu quando percebi que ela tinha ficado séria.
Sarah passou os polegares pelas laterais do meu rosto e me observou daquele jeito que apenas ela conseguia. Não enxergava o presidente da Black Enterprises. Não parecia particularmente impressionada com o dinheiro que eu tinha acumulado, com meu sobrenome estampado em prédios ou com o número de pessoas que faziam o que eu mandava.
Para ela, eu continuava sendo apenas o filho que tinha ficado quatro anos longe de casa.
– Seu pai estava errado naquele dia – disse ela calmamente.
Minha mandíbula travou.
Eu sabia exatamente a que dia se referia.
– Não precisamos falar sobre isso.
– Precisamos, sim. Porque você ouviu uma coisa dita durante uma briga e passou quatro anos usando aquilo como desculpa para confirmar o pior que pensa sobre si mesmo. Billy estava com raiva quando disse que você não tinha coração.
Afastei os olhos.
– Talvez ele estivesse certo.
– Não estava.
Minha mãe segurou meu rosto com mais firmeza, obrigando-me a encará-la novamente.
– Você tem um coração, Jacob. Só passou tempo demais tratando qualquer pessoa capaz de alcançá-lo como uma ameaça.
Não gostei da direção daquela conversa.
Muito menos quando os olhos dela deslizaram discretamente para Renesmee.
– E, pelo que estou vendo, a dona dele está sozinha a poucos metros daqui.
Soltei uma risada sem humor.
– A senhora exagerou no vinho.
– Nem comecei a beber.
– Então não tem desculpa.
Sarah sorriu, beijou minha bochecha e finalmente me soltou.
– Vá conversar com ela.
– Eu não recebo ordens.
Ela começou a voltar para a festa.
– Acabou de receber.
– Isso não significa que vou obedecer.
Minha mãe nem se virou.
– Claro que não, filho.
Fiquei parado olhando enquanto ela se afastava.
Mulher insuportável.
Voltei a atenção para Renesmee.
Ela continuava no mesmo lugar.
Eu poderia retornar para a varanda. Tinha assuntos reais para resolver com Solomon, precisava conversar com Billy sobre Claire e ainda queria descobrir o que Charlie conseguiria levantar sobre Ethan. Qualquer uma dessas opções seria mais inteligente do que seguir a sugestão absurda da minha mãe.
Comecei a caminhar na direção de Renesmee.
Filho da puta.
Nem eu estava acreditando mais nas minhas desculpas.
Ela não percebeu minha aproximação de imediato. Continuava observando Belinha e Ephraim, que agora corriam em círculos enquanto discutiam quem deveria ficar com uma bola. Parei ao lado dela e acompanhei a cena por alguns segundos antes de voltar os olhos para seu rosto.
Renesmee percebeu minha presença e virou-se.
– Jake.
Meus olhos passaram por ela sem qualquer pressa.
Eu poderia ter dito boa tarde.
Perguntado se estava gostando da festa.
Agradecido pela ligação.
Qualquer homem minimamente civilizado teria encontrado uma frase adequada.
Em vez disso, falei:
– Você está muito mais bonita do que naquela noite na minha casa.
Ela franziu o cenho.
– Isso deveria ser um elogio?
Pensei por um instante.
– Na minha cabeça pareceu melhor.
Renesmee tentou segurar o sorriso, mas perdeu.
– Foi uma cantada péssima.
– Eu não costumo precisar me esforçar muito.
– Isso explica bastante coisa.
Sorri de lado.
– Posso tentar novamente.
Ela virou o corpo um pouco mais na minha direção, ainda com os braços cruzados.
– Agora fiquei curiosa.
Olhei para ela outra vez, dessa vez sem brincadeira.
– Você está linda, Nessie.
O sorriso dela diminuiu, substituído por um constrangimento que achei muito mais interessante.
– Melhorou.
– Eu aprendo rápido.
– Não fique convencido.
– Tarde demais.
Ela riu baixinho e voltou a olhar para as crianças.
Fiquei ao lado dela.
E foi justamente naquele momento que percebi a pior parte da conversa com minha mãe. Eu tinha atravessado a festa para chegar até Renesmee sem que Sarah precisasse realmente me mandar.
Ela só tinha dito em voz alta o que eu já queria fazer.
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