Amor não era o plano
64 Coincidência
Renesmee
O silêncio da casa dos meus pais era quase palpável, mas dentro do meu quarto, a atmosfera estava carregada de uma eletricidade que eu mal conseguia conter. Eu tinha acabado de vestir minha camisola de seda, sentindo o tecido deslizar suavemente sobre a pele, quando a porta do banheiro se abriu.
Jacob surgiu dali, envolto apenas por uma toalha branca enrolada precariamente na cintura. Gotas de água ainda escorriam por seu peito largo e pelos músculos definidos de seus braços, e aquele calor que ele emanava parecia preencher cada centímetro do quarto. Ele me olhou de cima a baixo, com um sorriso malicioso e provocador nos lábios.
— Para que a camisola, Nessie? — ele perguntou, a voz rouca e baixa. — Se eu pretendo tirar ela em cinco segundos?
Eu soltei uma risadinha, tentando mascarar o quanto meu coração disparou, e brinquei, apontando para o curativo que ele ainda carregava: — O que houve com o "faz quinze dias que você levou um tiro"? Achei que eu estivesse em recuperação.
A expressão dele mudou instantaneamente. Num movimento rápido e predatório, ele me puxou pela cintura, colando meu corpo ao dele com uma força que me deixou sem fôlego. — Você não precisa me lembrar disso — ele sibilou contra meus lábios, a voz carregada de um desejo urgente.
Não houve mais espaço para provocações. Nossos lábios se chocaram em um beijo voraz, uma colisão de fome e necessidade. Eu o empurrei suavemente para trás até que ele sentasse na beira da cama, e sem hesitar, eu me posicionei sobre ele, sentando no seu colo de frente para o seu rosto. Eu podia sentir a rigidez dele contra mim, a promessa de tudo o que estava por vir.
Jacob desceu os beijos para o meu pescoço, distribuindo sucções lentas e úmidas que me causavam arrepios violentos por todo o corpo. — Precisamos ser silenciosos... — ele murmurou contra minha pele, lembrando-me que meus pais estavam na casa.
— Não quero que ninguém saiba o que estou fazendo com você agora.
Eu sorri, sentindo um prazer proibido com a ideia de sermos pegos, e o beijei novamente, entregando-me totalmente àquela volúpia. Enquanto nossas bocas se fundiam, as mãos grandes de Jacob começaram a deslizar pelas minhas coxas, subindo lentamente a seda da camisola. O toque dele era firme, possessivo. Senti seus dedos subirem pelo interior da minha coxa, subindo centímetro a centímetro até alcançarem a renda da minha calcinha.
Ele deslizou os dedos para dentro, encontrando-me completamente entregue e úmida.
— Olha só... — ele sussurrou, a voz vibrando de excitação. — Você já está encharcada para mim.
Sem aviso, Jacob se desfez da toalha com um movimento brusco, revelando-se em toda a sua potência. Com a mão firme, ele afastou a calcinha para o lado e, em um único impulso poderoso, me penetrou de uma vez.
Eu soltei um grito mudo, meu corpo arqueando-se enquanto ele preenchia cada espaço vazio dentro de mim. A sensação era avassaladora. Para abafar meus gemidos e garantir nosso segredo, Jacob puxou meu rosto para o dele, selando nossos lábios em um beijo profundo que engoliu todos os meus sons.
Comecei a me mover sobre ele, subindo e descendo em um ritmo frenético, sentindo a pressão imensa de seu membro contra as minhas paredes. O atrito era incendiário. Jacob segurava meus quadris com força, guiando cada estocada, empurrando-me para baixo com violência controlada enquanto eu cavalgava nele, sentindo o prazer escalar como uma onda incontrolável.
O ritmo tornou-se brutal, a respiração de ambos pesada e sincronizada. Eu sentia meu clitóris latejar a cada impacto, enquanto Jacob rosnava contra minha boca, seu corpo tensionando-se ao limite. O mundo ao redor desapareceu; só existia aquele calor, aquele cheiro de pele e a sensação de estarmos fundidos.
O ápice chegou como uma explosão cegante. Eu senti as paredes da minha vagina contraírem-se em espasmos violentos ao redor dele, enquanto Jacob soltava um gemido abafado contra meus lábios e descarregava tudo dentro de mim com estocadas profundas e definitivas. Nós desmoronamos um contra o outro, tremendo, consumidos pelo êxtase, enquanto o silêncio do quarto retornava, interrompido apenas pelo som de nossos corações batendo em uníssono.
O amanhecer do dia seguinte encontrou Jacob e eu acordados, embora dizer que tínhamos acordado fosse uma maneira bastante generosa de descrever uma noite em que dormir tinha sido uma das coisas que menos fizemos. Depois do pedido de casamento, da comemoração com minha família e de minha mãe praticamente entrar em estado de euforia ao ver a aliança em meu dedo, acabamos ficando em Forks. Meu pai não fez qualquer objeção quando Bella anunciou que havia preparado um quarto para nós, embora o olhar que lançou para Jacob tivesse sido suficientemente claro para lembrar que continuávamos debaixo do teto dele. Jacob, naturalmente, comportou-se durante o tempo necessário para fecharmos a porta. Naquela manhã eu sentia o cansaço agradável de quem dormira pouco e tinha motivos muito específicos para isso, enquanto meu noivo parecia irritantemente disposto, como se não tivesse passado boa parte da madrugada provando que idade definitivamente não era um problema no nosso relacionamento.
Quando descemos para o café, Jacob carregava Belinha no colo. Ela tinha acabado de despertar e ainda estava de pijama, com os cabelos completamente bagunçados e o rosto enterrado no pescoço dele. Minha filha havia aparecido no corredor quando saíamos do quarto, sonolenta demais para caminhar e imediatamente estendera os braços para o tio Jay. Jacob a pegara sem reclamar, e agora ela parecia ter decidido que aquele seria seu meio de transporte oficial até recuperar completamente a consciência.
– Bom dia – falei ao entrar na cozinha.
Bella, que estava diante do fogão, virou-se para nós com um sorriso.
– Bom dia. Dormiram bem?
Parei no meio do caminho.
Jacob continuou andando como se a pergunta não tivesse qualquer segunda intenção.
– Muito bem.
Olhei para ele.
– Você não tem vergonha.
Minha mãe começou a rir enquanto Jacob acomodava Belinha numa das cadeiras.
– Ela perguntou se dormimos bem, princesa. Eu respondi.
– Vocês dormiram? – Belinha perguntou, ainda esfregando um dos olhos.
Jacob puxou a cadeira ao lado dela. – Sua mãe dormiu um pouco.
– Jake!
Bella se virou rapidamente para o fogão, mas vi seus ombros balançarem. – Eu estava falando porque ela levantou duas vezes para ir ao banheiro – ele completou com uma inocência que não convencia ninguém.
– Claro que estava.
Belinha olhou para mim. – Mamãe, eu quero leite.
Agradeci mentalmente pela mudança de assunto e fui preparar o copo dela. Mal tinha terminado quando ouvimos passos na escada. Meu pai apareceu poucos segundos depois, já vestido para o trabalho e carregando sua maleta em uma das mãos. Olhou para nós, depois para Jacob, e continuei esperando alguma mudança em sua expressão quando percebeu que ele havia passado a noite ali.
Nada aconteceu.
– Bom dia – disse meu pai enquanto entrava na cozinha. – Preciso sair mais cedo. Me chamaram no hospital.
Minha mãe imediatamente se aproximou. – Aconteceu alguma coisa?
– Uma emergência. Provavelmente vou passar boa parte da manhã no centro cirúrgico.
Edward beijou Bella e pegou rapidamente uma xícara de café.
– Tenta comer alguma coisa antes – pediu minha mãe.
– Como no hospital.
– Você diz isso e depois esquece.
– Prometo que vou comer.
Meu pai bebeu alguns goles, colocou a xícara na pia e então olhou para Jacob. – Bom dia, Black.
– Bom dia, Cullen.
Fiquei olhando para os dois. Era só aquilo?
Edward aproximou-se de Belinha e beijou o topo da cabeça dela. – Bom dia, meu amor.
– Bom dia, vovô.
– Cuida da sua mãe para mim.
– Eu cuido.
– Ótimo.
Depois veio até mim, beijou minha testa e passou rapidamente a mão pelo meu braço. – Descansa. E não esquece as recomendações que te dei.
– Não vou esquecer.
Seu olhar caiu por um segundo sobre minha barriga antes de voltar para meu rosto. – Qualquer coisa, me liga.
– Pode deixar.
Edward pegou novamente a maleta, olhou para Jacob mais uma vez e assentiu. – Até mais.
– Bom trabalho.
Meu pai saiu. Fiquei olhando para a porta fechada e depois olhei para Jacob.
Ele já estava roubando um pedaço de queijo da travessa. – Só isso?
Jacob mastigou tranquilamente. – Estava esperando o quê?
– Algum comentário.
– Sobre?
– Você ter dormido aqui.
Ele ergueu uma sobrancelha. – Eu tenho quarenta e nove anos, Nessie. Seu pai sabe como crianças são feitas. A prova está na sua barriga.
– Jacob!
Belinha levantou o rosto. – Que criança?
– Come seu pão, pequena.
Minha mãe soltou uma gargalhada.
Olhei para ela. – O que aconteceu com meu pai?
Bella colocou uma cesta de pães sobre a mesa.
– Nada aconteceu.
– Ele deu bom dia para o Jacob.
– Educação básica – Jacob comentou.
Ignorei.
– Não reclamou porque ele dormiu aqui.
– Talvez porque você tenha vinte e seis anos.
– Isso nunca impediu meu pai.
Bella sorriu enquanto se sentava. – Aceite, filha. Jacob Black conquistou o sogro.
Jacob imediatamente apontou para minha mãe. – Finalmente alguém sensato nesta casa.
– Não exagera – falei.
– Seu pai e eu tivemos uma conversa de homem para homem.
– Lá vem.
– Ele percebeu que sou uma excelente escolha para a filha dele.
Minha mãe quase engasgou com o café. – Não foi exatamente isso que Edward me contou.
Jacob estreitou os olhos.
– Cullen anda falando demais.
Comecei a rir. – O que ele contou?
– Nada que eu possa revelar. Conversa de marido e mulher.
– Então existe um complô nesta casa.
– Parece que sim – respondi, beijando rapidamente o rosto dele antes de me sentar.
Aos poucos, o restante da família apareceu. Alice chegou reclamando que Antony havia ocupado o banheiro durante tempo demais. Antony alegou que a irmã tinha outros dois banheiros à disposição e só escolhera aquele para reclamar. Emmett surgiu pouco depois acompanhado de Rosie, e minha mãe começou a servir o café enquanto a mesa voltava a adquirir aquela confusão familiar que eu conhecia desde criança.
Belinha, agora completamente desperta, comia uma panqueca enquanto contava para Jacob alguma história sobre uma colega da escola. Ele escutava com uma seriedade desproporcional ao assunto, fazendo perguntas sobre quem tinha pegado o lápis de quem e por que aquilo havia terminado com duas meninas sem conversar durante o recreio.
– Então a Sofia pegou seu lápis sem pedir? – perguntou Jacob.
Belinha assentiu. – O rosa.
– Isso agrava bastante o crime.
– Jake, não incentive – avisei.
– Estou entendendo os fatos antes de formar opinião.
Emmett apontou para ele. – Esse homem administra uma multinacional e muito bem.
Agora investigando o desaparecimento de um lápis rosa.
Jacob olhou para meu irmão. – Propriedade é propriedade.
Belinha concordou energicamente. – Viu, mamãe?
– Maravilha. Agora tenho dois contra um.
As risadas tomaram a mesa e, por alguns minutos, a conversa continuou leve. Entretanto, eu sabia que havia um assunto pendente desde a noite anterior. Sabia porque conhecia Jacob e porque vira a maneira como ele reagira ao sobrenome de Rosie. Quando ele terminou o café e colocou a xícara sobre o pires, percebi que havia decidido finalmente tocar no assunto.
– Rosie.
Ela levantou os olhos. – Sim?
Jacob apoiou o braço sobre a mesa. – Ontem, quando Emmett apresentou você, disse que seu sobrenome é Fitzgerald.
Rosie assentiu naturalmente. – É. Não é um sobrenome muito comum por aqui.
Emmett olhou discretamente para Jacob.
Eu também.
Jacob permaneceu aparentemente tranquilo. – Não. Por isso chamou minha atenção. Tive um amigo muitos anos atrás com esse sobrenome. Mike Fitzgerald.
A reação foi imediata. Rosie tinha levado a xícara até perto da boca, mas parou antes de beber. Ficou alguns segundos olhando para Jacob e então colocou a xícara lentamente sobre o pires.
Um sorriso de surpresa apareceu em seu rosto.
– Você conheceu meu pai?
Emmett virou-se tão rapidamente para ela que quase derrubou o próprio café.
Eu permaneci quieta.
Não estava surpresa. Depois de tudo que Jacob e Quil tinham descoberto sobre Ethan, aquela possibilidade já havia passado pela nossa cabeça. Ainda assim, ouvir a confirmação diretamente de Rosie fez meu estômago apertar.
Jacob não demonstrou qualquer reação além de um leve movimento da cabeça.
– Conheci.
– Meu Deus. – Rosie sorriu, parecendo genuinamente impressionada. – O mundo é muito pequeno.
Ela pegou novamente a xícara e tomou um gole de café como se aquela fosse apenas uma coincidência curiosa.
Emmett não fez o mesmo. Meu irmão continuava olhando para ela. – Rosie...
Ela virou o rosto. – O quê?
Emmett hesitou por um instante.
– Você é irmã do Ethan?
A expressão dela mudou imediatamente.
Rosie franziu a testa. – Você conhece o Ethan?
O silêncio caiu sobre a mesa.
Jacob recostou-se na cadeira, cruzou os braços e encarou Rosie. – Todos nós tivemos o desprazer de conhecer Ethan.
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