Notas iniciais
Buena lectura, chicos y chicas ❤️❤️

Brock se mostrou um companheiro e tanto na chegada, além de ajudar com o almoço ajudou também com a louça e a guardar itens da mesa. Misty e Ash encaravam o novo integrante da casa de forma curiosa, ele parecia muito mais maduro que eles, talvez não se interessasse pelos mesmos assuntos que os mais novos.

Moreno e ruiva estavam na escada, sentados, olhavam o de traços orientais lavar a louça de modo furtivo, através do corrimão de madeira, como se em algum momento fossem pegos fazendo algo errado.

— Será que a gente chama ele pra jogar Donkey Kong? — O Ketchum sussurrou.

— Acho que ele não vai gostar... — A Waterflower sussurrou de volta.

— Eu adoraria. — A dupla arregalou os olhos, Brock não se virou e portanto não mostrou seu sorriso simpático aos dois. — Assim que eu terminar de guardar a louça eu subo no quarto.

Ambos subiram depressa para o quarto das crianças, as malas do recém-chegado ainda não tinham sido desfeitas e eles procuravam entender como os três dormiriam no quarto, mas isso era problema para depois. O menino ligava o videogame, enquanto a menina olhava curiosa para o corredor, apenas no aguardo do de traços orientais.

Brock subiu os degraus da escadaria e entrou no cômodo, encarando Ash e Misty com um olhar simpático. A dupla tinha um semblante curioso sobre o mais velho, como se ele fosse um ser superior, sábio, a típica curiosidade infantil. O rapaz sentou no colchão que havia no chão e pegou um dos controles, pronto para jogar uma partida.

— Então, de quem eu tenho que ganhar?

— Dela. — O Ketchum apontou para a Waterflower sem pestanejar.

— Beleza!

Ele começou a jogar, e os mais novos o encaravam como se estivessem fazendo uma avaliação. Não entendiam porque um rapaz mais velho teria interesse em videogames, jogos ou até em querer ser amigo deles, entretanto dariam uma chance para o rapaz.

— Qual seu nome inteiro?

— Brock Takeshi. — Ele respondeu sem tirar os olhos da televisão. — De você eu lembro, era irmã caçula da Violet, da Lily e da Daisy, as Irmãs Sensacionais.

Misty assentiu, sorrindo timidamente.

— E você é o filho da Sr.ª Ketchum, o Ash. Ela falou muito sobre você, disse que você é bem agitado.

— Agitado não, empolgado! — O menino corrigiu, conhecia muito bem a mãe quando ela o chamava de "agitado" para os outros.

A pequena correção tirou uma risada do Takeshi, que encerrou a partida sem perder nenhuma vez. Ele se virou para as crianças e ofereceu o controle ao próximo, que era a menina. Enquanto ela começava sua jogada, Brock optou por desfazer as malas e guardar seus pertences em uma caixa organizadora, como a matriarca tinha indicado.

— Pewter é muito longe daqui?

— Pra ser honesto, não é muito não, algumas pessoas de Pallet demoram uma semana ou duas para chegar lá e me enfrentar no ginásio, depende sempre do que elas querem fazer. Tem alguns treinadores que ficam mais tempo na Floresta de Viridian em busca de caçar alguns pokémons antes de me enfrentar, mas é aquilo, cada um com a sua estratégia.

— Pera... Você era o líder do ginásio? Achei que fossem os seus pais! — O moreno exclamou surpreso.

— É um pouco complicado, meus pais ficaram fora por muitos anos, e eu era o responsável pelo ginásio desde os meus dez anos. O meu pai até ia ficar no meu lugar esse ano, mas a guerra impediu isso.

"A guerra impediu isso", "a guerra impediu aquilo", parecia que em todas as casas essa frase se repetia, não havia um ser vivo sequer que tivesse se safado dessa situação.

— Eu ia ser treinador pokémon esse ano, ia ganhar de todos! — Ash disse em tom sonhador, ao mesmo tempo desafiador.

— Ah, é? — A voz de Brock soava curiosa, mas o tipo de curiosidade que se tem com uma criança. Não é necessariamente surpresa, e sim o tipo que tenta atiçá-la para contar mais, que tenta fazê-la desenvolver o assunto. — E como você ia fazer?

— Ele não ia fazer, porque ele não tem estratégia.

— Ei, quer parar de me avacalhar?! É claro que eu tinha uma estratégia! Eu ia... Bom, acho que... Veja bem...

O de traços orientais se divertia com a atitude do garoto, ele recordava um pouco seus irmãos Forrest e Salvadore, seus irmãos de oito e sete anos que também costumavam se sentir espertos demais se comparado ao mundo. Via graça naquela atitude.

— Ao menos você vai ter muito tempo pra pensar na sua estratégia, e posso ser um excelente professor nisso.

— Valeu! Mas não é muito tempo não, faltam só três meses e aí começo minha jornada!

— Três meses?

— É, quando a guerra acabar! Não é possível que as pessoas sejam tão idiotas de continuar com isso por muito tempo.

— Se eu fosse você começava a acreditar mais na imbecilidade humana, essa guerra infelizmente ainda vai longe...

A expressão das crianças murchou, até a Waterflower, que estava concentrada em Donkey Kong Country, pareceu levar um soco com aquelas palavras. Então era verdade? A guerra ainda ia muito longe?

— Mas olhem, não vai durar para sempre. Ela pode demorar pra acabar, é diferente de durar por toda a eternidade. E outra, nós estamos seguros aqui, isso vale principalmente pra mim e pra você, Misty.

Um pequeno brilho de esperança surgiu nos olhos da dupla, que se entreolhou e concordaram mentalmente com uma coisa: Demorar é menos pior que ser eterna.

[...]

A noite caiu horas depois, todos estavam reunidos em volta da mesa jantando um saboroso frango assado com batatas preparado por Delia. Ash encarava a mãe com ares curiosos e preocupados, ela dormiu a tarde toda, sequer foi verificar a floricultura, parecia muito cansada da missão.

— Todos se serviram? — A mulher questionou e ouviu de resposta um sonoro "sim".

Comiam tranquilamente, a dupla mais nova comentava sobre o jantar da noite anterior, de como a casa do professor era grande e cheia de pokémons. A Sr.ª Ketchum ria baixo, agradecia mentalmente pela amizade com Samuel Carvalho.

— E o Mr. Mime e o Pikachu fizeram amizade com alguns dos pokémons de lá, tipo o Krabby. — Ash comentou enquanto dava uma garfada em seu omelete.

— Ah é? E o Pikachu voltou a falar com o Umbreon?

A pergunta quase fez o menino engasgar. Ele encarou a mãe com um olhar impressionado, ao mesmo tempo que assustado.

— C-como assim?

— Você sabe, sobre a batalha...

— E como você sabe?!

— Sou sua mãe, Ash. Acha mesmo que eu não sei quando você está aprontando? — Delia disse enquanto bebericava um gole de suco de maracujá.

Misty segurava o riso, estava prestes a gargalhar quando a matriarca a encarou.

— E você não escapa, mocinha. Soube que você também sabia dessa história.

Os olhos esmeraldinos dela arregalaram, ela comprimiu os lábios e desviou suas orbes verdes para qualquer lugar da casa que não fosse Delia Ketchum, disfarçando ao máximo.

— Mas olha mãe, até que eu não fui tão mal assim, o Pikachu foi bem na batalha!

— Hum, entendi... E por que você escondeu de mim?

— Ah, bom, é que... Sei lá... Achei que você fosse ficar zangada por eu batalhar, e de certa forma arrumar confusão...

O olhar da mãe era de avaliação, ela sabia que o filho aprontava, mas que ele não tinha a intenção de ferir ninguém, nem os sentimentos e nem o corpo. Era apenas um menino que ansiava por poder fazer sua jornada como muitos outros em sua idade, e queria estar preparado para isso.

— Não estou brava pela batalha, acho importante você treinar. Só fico preocupada, não acho que agora seja um momento bom para isso.

— É, você e todo mundo... — O menino murmurou, brincando com o restante da omelete no prato.

— Bom, assim que vocês terminarem a janta, vamos arrumar o quarto, ok?

O trio sorriu para ela, comeu o pouco que faltava e tratou de deixar a louça na pia, Mr. Mime lavaria enquanto eles se arrumavam. Arrastavam colchões, pegavam cobertas ou lençóis finos e organizavam o quarto, tudo pronto para dormirem e descansarem.

Delia e Brock dormiram cedo, por volta das nove horas. Já Misty e Ash tinham os olhos vidrados, ainda sem um pingo de sono, optaram por ligar a lanterna debaixo das cobertas da cama do garoto e ficar lendo gibis. Vez ou outra eles trocavam as revistas, esperavam o momento que chegaria o pesar das pálpebras para dormirem. Quando estavam prestes a fechar os olhos, ouviram grunhidos no chão que vinham do de traços orientais. Ele revirava no colchão, parecia estar tendo um pesadelo, os gemidos se tornavam palavras sibiladas e traziam desespero consigo.

— Não... Não! Mãe! Pai! Socorro!

— Brock, acorda! — Misty desceu da cama e começou a sacudí-lo.

O Takeshi abriu os olhos e se sentou, respirava com dificuldade e suava bastante. Ele olhou em volta, se dando conta de que não estava mais em Pewter, e sim em Pallet, na casa da família Ketchum, acolhido e seguro. Ao encarar os mais novos, sentiu as lágrimas escorrerem sem que controlasse, enxugou-as depressa, porém elas não pararam de descer por seu rosto, continuaram incessantes.

— Me desculpem... Não queria... Não queria assustar vocês...

— Você teve um pesadelo? — Ash questionou enquanto descia de sua cama alta.

— Sim, mas esse pesadelo era de verdade...

— Não era, fica tranquilo, pesadelos são de mentira.

— O problema é que esse pesadelo na verdade foi uma memória.

Um silêncio pairou no ar, pegando a ruiva e o moreno de surpresa.

— Como assim?

— Eu me lembrei do ataque que sofri em casa. — Começou Brock. — Dos agentes invadindo nossa casa durante a noite, deles prendendo meus pais e pegando meus irmãos, Yolanda, Cindy, Suzie, Billy e Tilly. Eu só consegui salvar quatro deles, o Forrest, o Salvadore, o Tommy e o Timmy. E pra piorar... Nem posso estar perto deles para protegê-los...

O choro voltou com força, soluços se faziam presentes desta vez e o de traços orientais abraçou as próprias pernas. Durante o dia conseguia disfarçar sua dor, entretanto a noite o atacava com pensamentos, cheio de angústia e medo. De repente, ele foi pego desprevenido por um abraço apertado da dupla mais nova, pareciam querer consolá-lo, dar algum tipo de suporte.

— Não está sendo fácil pra ninguém, mas estamos aqui se você precisar desabafar. — Ash falou, recordava-se dos primeiros dias de Misty em que ela vira e mexe chorava de saudades.

— É, vamos passar muito tempo juntos, é importante que a gente confie um no outro! — A Waterflower pontuou, saindo do abraço e encarando o novo integrante.

Brock talvez estivesse enganado quanto à suas primeira impressão sobre eles. Eram crianças, sim, todavia já estavam mais próximos da situação e devagar iam lidando com tudo aquilo.

— Gente, obrigado, de verdade...

Ele retribuiu o abraço dos dois, sorria fraco, mas seu alívio era honesto. Era bom saber que teria com quem contar dali em diante. Perceberam que o sono não voltaria tão cedo, optaram por fazer uma pequena roda e conversar baixinho, se conhecendo ainda mais que de tarde, Pikachu e Togepi se juntaram a eles em seguida.

— Você não contou pra gente se tem pokémons.

— Ah, tenho sim, o Geodude e o Onix. São meus parceiros há muitos anos, cuido deles com o maior carinho.

— Brock, fiquei curioso com uma coisa: você disse que seria pais ficaram fora por muitos anos, o que aconteceu?

— Ash, deixa de ser inconveniente! — Misty exclamou, dando um tapa na nuca dele.

— Relaxa, tá tudo bem. — O Takeshi riu. — A verdade é que meus pais formaram uma família muito jovens, e não souberam lidar com isso. Quando eu tinha dez anos e comecei a tomar conta do ginásio, foi porque eles foram embora de casa, e isso me magoou por muitos anos, muitos mesmos. Daí, no começo desse ano, eles voltaram e pediram desculpas. No começo não aceitei bem, achei que era tudo da boca pra fora, mas quando eles começaram a cuidar dos meus irmãos e da casa, repensei a minha opinião e fui me abrindo para eles. Acho que isso é o que mais dói pra mim sobre a guerra, era pra eu voltar a falar com os meus pais, só que isso ainda vai demorar...

O Ketchum e a Waterflower encararam o colega com pena, nutriam empatia pela situação, decidiram colocar as mãos sobre as dele e fazer um afago com o polegar, sinal claro de estariam lá para ouví-lo.

A conversa durou por longos minutos, eles nem perceberam quando dormiram, ou até como dormiram, já que Delia os encontrou na manhã seguinte os três encorujados juntos no mesmo colchão, querendo cuidar um do outro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.