Amor não programado

1 Capítulo 1 - Stela


Notas iniciais
Olá, leitores. Já tem um bom tempo que eu não apareço por aqui. A rotina da vida adulta me engoliu, mastigou e me cuspiu de volta ao universo da escrita :-) E é muito bom estar de volta. Neste looooongo tempo, pude adquirir e absorver muitos conteúdos e informações para escrever algo novo. Então, sem mais delongas, apresento a vocês meu novo trabalho. Espero, sinceramente, que gostem. Sintam-se à vontade para comentar (ou não). Ficarei imensamente feliz somente em saber que alguém leu.

Sempre achei a sala de reuniões da DeltaSoft o lugar mais importante da empresa. Foi ali que contratos milionários mudaram o rumo da companhia. E também foi dali que muita gente saiu carregando uma caixa de papelão. Hoje, enquanto caminho até ela, não faço ideia de qual dessas histórias estou prestes a viver.

O e-mail do Sr. Mendes chegou dois dias atrás. Reunião urgente, sobre um cliente em potencial, porém com prazo apertado. Nada que eu já não tivesse enfrentado antes. Passei os últimos dois dias mergulhada naquele projeto, estudando o escritório, levantando informações, revisando cada detalhe da apresentação até ter certeza de que não havia mais nada para melhorar. Dormi pouco. Tomei café demais. Mas, sinceramente? Gosto quando as coisas ficam difíceis.

Na verdade, desafios me divertem. Existe alguma coisa em aceitar um desafio difícil. E, modéstia à parte, minha equipe é boa demais no que faz. Eu tenho plena convicção de que aquele contrato será nosso. Pelo menos era isso que eu vinha repetindo para mim mesma desde a hora que saí de casa.

Respiro fundo antes de encarar meu reflexo no espelho. Baby Yoda continua ali, estampando um enorme Strong is the Force, no centro da minha camisa, como se fosse capaz de me conceder algum bônus de coragem. Dou uma risada baixa. Se funcionasse, seria um ótimo recurso para instalar antes de toda reunião importante.

A ruiva do outro lado do espelho parece pronta. Eu espero que ela esteja. Os óculos de armação dourada escondem um pouco das olheiras que acumulei nos últimos dias, mas também me lembram de quem eu sou.

O Sr. Mendes vive dizendo que sou a melhor programadora da equipe. E eu acredito nele. Não por causa do elogio.

Porque eu trabalhei muito para isso.

— Stela, você está pronta?

A batida na porta me arranca dos pensamentos.

— Prontíssima!

Dou uma última ajeitada nos óculos, pego a pasta sobre a bancada e abro a porta.

O Sr. Mendes me espera do lado de fora com a tranquilidade de quem já fechou contratos suficientes para não se impressionar com mais um. Eu ainda não aprendi esse truque.

Seguimos lado a lado pelo corredor. Funcionários passam de patinete elétrico. Um grupo discute alguma coisa diante de um monitor gigante enquanto, mais à frente, dois estagiários comemoram uma vitória no Free Fire como se tivessem acabado de conquistar um campeonato mundial.

A DeltaSoft sempre pareceu um parque de diversões para quem gosta de tecnologia.

Hoje, nem isso consegue me distrair.

Aquela sensação estranha continua ali, incomodando em algum lugar entre o estômago e a garganta.

Assim que entro na sala, cinco rostos se voltam para mim. Três eu conheço bem. Minha equipe. Os outros dois só podem ser os clientes.

Um deles parece completamente à vontade. Tem cabelos loiros ligeiramente bagunçados e um sorriso fácil de quem acha graça em toda a efervescência tecnológica que o cerca. Em vez de olhar para nós, prefere observar a empresa. A parede de vidro. Os monitores espalhados pelo andar. Dá até para imaginar o que está passando pela cabeça dele: Que lugar maluco.

O outro não parece interessado em absolutamente nada. Está de braços cruzados e me encara como se estivesse tentando decidir se eu realmente pertenço ali. Alto. Muito alto. Ombros largos e uma expressão fechada que parece ter sido esculpida em concreto. Por um segundo, acho que o escritório mandou um segurança para acompanhar a reunião. A hipótese dura pouco.

Pena.

— Rômulo Matarazzo e Daniel Borges, permitam-me apresentar o melhor talento da DeltaSoft: Stela Garcia. Se fecharmos esse contrato, será ela quem vai liderar o desenvolvimento do projeto.

O orgulho na voz do Sr. Mendes quase me faz sorrir.

— Posso garantir que estarão em boas mãos.

Os olhos de Rômulo voltam para mim.

Ah. Eu conheço esse olhar.

Já vi essa expressão vezes suficientes para reconhecê-la em segundos. Primeiro vem a surpresa. Depois a dúvida. Em seguida, aquela tentativa quase disfarçada de descobrir se houve algum engano.

Sou mulher. Jovem. Uso uma camiseta do Baby Yoda numa reunião importante. A combinação costuma confundir algumas pessoas.

— O senhor quer que eu acredite que... ela vai liderar o projeto do meu escritório?

O Sr. Matarazzo não levanta a voz. Nem parece agressivo. A pergunta sai quase clínica. Talvez justamente por isso incomode tanto.

Antes que o Sr. Mendes responda por mim, dou um passo à frente.

— Eu mesma respondo essa.

Sorrio.

Ou, pelo menos, faço uma tentativa. Pela cara do Rômulo, meu sorriso deve ter sido tão convincente quanto uma nota de três reais. Definitivamente, lidar com gente nunca foi meu superpoder. Talvez a Nina tenha razão quando diz que eu deveria investir em algumas aulas de convivência social.

Abro o notebook e giro a tela na direção deles.

— Minha equipe e eu passamos os últimos dois dias estudando a rotina do escritório de vocês. Percebemos que boa parte do tempo é perdida durante as revisões dos projetos e na comunicação entre as equipes. Nossa ideia é atacar justamente esse gargalo.

Abro o fluxograma.

— O software vai automatizar parte dessas revisões, facilitar a visualização em 3D e permitir alterações praticamente em tempo real. A intenção é que o projeto acompanhe o ritmo de trabalho de vocês, e não o contrário.

Enquanto explico, percebo os olhos de Rômulo alternando entre o fluxograma e minha camiseta.

Claro.

Solto um sorriso.

— Não deixe o Baby Yoda confundi-lo. Tenho vinte e sete anos e experiência suficiente para desenvolver esse projeto.

Daniel sorri imediatamente.

— É exatamente o tipo de solução que imaginávamos.

Rômulo continua em silêncio. Não olha para o notebook. Olha para mim.

— E você realmente acredita que consegue entregar isso dentro do prazo que estipulamos?

Dessa vez eu sorrio de verdade. Finalmente uma pergunta interessante.

— Sim.

Faço uma pequena pausa antes de completar:

— E não apenas dentro do prazo. Mas também com a qualidade que vocês esperam receber.

Ele ergue uma sobrancelha. Não parece convencido. Também não parece impressionado. Parece curioso.

Sustento o olhar.

Mas, por dentro, meu cérebro já está funcionando no modo máximo de processamento. Se existe uma coisa que não suporto é que duvidem da minha capacidade.

Tudo bem.

Se ele quer provas…

Vai ter.

O Sr. Mendes sorri, como se já esperasse aquela reação.

— Sou suspeito para falar, mas confio plenamente na Stela. Se ela diz que consegue entregar esse projeto, eu acredito. E tenho certeza de que vocês também ficarão satisfeitos.

Daniel inclina o corpo para a frente e estende a mão.

— Eu gostei do que vi. Acho que vamos trabalhar muito bem juntos, Stela.

Aperto sua mão de volta.

— Vai ser um desafio e tanto.

Pelo canto do olho, vejo Rômulo apenas fazer um discreto movimento com a cabeça. Não sorri. Não comenta. Não elogia. Também não discorda.

Para alguém que, poucos minutos atrás, questionou minha capacidade na primeira oportunidade que teve, decido considerar isso um pequeno avanço.

A reunião termina alguns minutos depois.

O Sr. Mendes convida os dois para conhecer a empresa melhor e segue pelo corredor distribuindo elogios ao meu trabalho como se estivesse vendendo um carro seminovo. Fico para trás de propósito. A desculpa é organizar meus papéis. A verdade é que ainda não estou com a menor vontade de cruzar com aquele olhar outra vez.

O pessoal da minha equipe tinha acabado de sair quando a porta abre novamente e Nina, assistente da contabilidade, e minha amiga, entra carregando dois copos de café.

— E então? Sobreviveu?

Nina estende um dos copos de café antes mesmo de chegar perto da mesa. Pego o meu e assopro a superfície. Claramente sem paciência suficiente. O primeiro gole desce queimando e quase me faz engasgar.

— Isso responde à sua pergunta?

Ela ri.

— Pelo visto, não muito.

— A reunião foi ótima. — Faço uma pausa. — Quer dizer... se a intenção do cliente era me fazer duvidar da minha certidão de nascimento.

Nina nem pensa.

— Te subestimaram de novo?

Balanço a cabeça.

— Um certo arquiteto passou a reunião inteira olhando para mim como quem espera o momento em que a criança vai perguntar onde fica o banheiro da escola. Acho que ele ficou sinceramente decepcionado quando percebeu que eu sabia do que estava falando.

Ela me observa por alguns segundos. Depois desce o olhar.

Eu conheço essa cara.

— O quê?

— Stela…

— O quê?

— Você veio para uma reunião importante usando uma camiseta do Baby Yoda!

Olho para a estampa. O Baby Yoda continua simpático.

— Ele é um ícone.

— Também parece a roupa de alguém que acabou de sair da faculdade.

— Eu saí da faculdade faz cinco anos.

— Eu sei.

— Então o problema claramente não é a camiseta.

Nina apoia o quadril na mesa e cruza os braços.

— Talvez não. Mas ela definitivamente não está colaborando.

Solto uma risada curta.

— Engraçado... eu achei que o problema fosse o cliente que me chamou de "menina" antes mesmo de ouvir uma frase inteira da apresentação.

Ela levanta as mãos em rendição.

— Tudo bem. Nesse ponto eu estou do seu lado.

Dou mais um gole no café.

— Se alguém mede competência pela estampa da camiseta, o bug está no sistema dele. Não no meu.


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As semanas seguintes passam quase embaralhadas na minha memória. O software evolui. Mas a minha paciência faz exatamente o contrário.

Se eu fechar os olhos, ainda consigo ouvir o roteiro de praticamente todas as reuniões. Daniel desejando bom dia. Eu respondendo. Rômulo respondendo também. Cinco minutos de paz. Depois…

Bem…

Depois começava o esporte oficial do projeto.

“Srta. Garcia, essa tela exige quatro cliques.”

“Três.”

“Quatro.”

…

Droga. Quatro.

Descobri, naquela reunião, que o maior problema do Rômulo não era encontrar defeitos. Era o fato de normalmente encontrá-los antes de mim.

Infelizmente.

Alguns dias depois…

"O sistema suporta cem usuários simultaneamente."

"Nosso escritório tem cento e oitenta usuários."

…

Droga.

Anotei o número sem discutir. Não porque gosto de perder. Mas porque ele tinha feito a observação certa.

Outra reunião. Incontáveis xícaras de café. E mais uma rodada de implicância.

"E se o servidor cair?"

"Hipoteticamente?"

"Hipoteticamente."

"Nenhum software continua funcionando sem servidor."

"E o plano de contingência?"

Até que, finalmente, uma pergunta interessante. Abri outro slide.

Expliquei a estratégia de redundância, o espelhamento do banco de dados, os backups automáticos e a sincronização assim que a conexão fosse restabelecida. Rômulo observa tudo em silêncio.

Silêncio demais.

Até que disse apenas:

"Isso resolve."

Pronto. Era isso. Duas palavras.

Qualquer outra pessoa chamaria aquilo de uma resposta.

Depois de algumas semanas trabalhando com Rômulo, aprendi que aquilo equivalia a um elogio caloroso.

Mas as provocações, claro, não demoravam a voltar.

"Esse botão ficou pequeno."

"Ficou proporcional."

"Continua pequeno."

"O senhor pretende clicar nele ou morar dentro dele?"

Daniel fechou os olhos.

"Eu ainda estou na reunião, sabia?"

Olhei para a câmera.

"Eu também."

Rômulo apoiou o queixo na mão.

"Tenho minhas dúvidas."

Em algum momento, Daniel simplesmente desistiu de fingir que aquilo era uma reunião comum.

"Vocês perceberam que esta call é sobre um software?"

Silêncio.

"E não sobre descobrir quem consegue irritar mais o outro?"

Mais silêncio.

Olhei para o meu microfone e Rômulo para o dele. Nenhum dos dois falou.

Daniel riu sozinho.

"Impressionante... vocês só concordam quando ficam sem argumentos."

No fim de uma dessas reuniões, enquanto eu já fechava o notebook, a voz do Rômulo me fez parar.

"Tenho que admitir... a solução da sincronização ficou muito boa."

Levantei os olhos para a tela.

"Espera... o senhor acabou de me elogiar?"

Ele demorou alguns segundos para responder.

"Não exagere."

A chamada terminou.

Fiquei olhando para a tela preta por alguns instantes. Balancei a cabeça e ri sozinha.

Definitivamente, Rômulo Matarazzo, continua sendo um caso perdido.


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Finalmente chega o dia da apresentação inicial do projeto. Ainda falta bastante trabalho pela frente, mas a estrutura principal já está pronta. Quando entro na sala de reuniões, Rômulo, Daniel, o Sr. Mendes e alguns diretores já estão acomodados.

Atrás de mim, minha equipe ocupa seus lugares. Combinamos aquele ritual silencioso de sempre: se a pergunta for sobre interface, Luís assume. Se for banco de dados, Carlos entra. Se alguém resolver testar nossos conhecimentos sobre segurança, Diego ganha a vez.

Respiro fundo enquanto conecto o notebook ao projetor. A tela acende. Até aqui, nenhuma tragédia tecnológica. Ótimo começo.

— A ideia continua exatamente a mesma que apresentamos na primeira reunião. Fazer com que vocês gastem menos tempo corrigindo processos e mais tempo projetando.

Troco de slide.

Em vez de despejar especificações técnicas, começo mostrando um caso real.

Um arquiteto altera uma parede. O sistema identifica automaticamente quais plantas precisam ser atualizadas. As mudanças aparecem em tempo real. Uma incompatibilidade estrutural é detectada antes mesmo de seguir para aprovação. Ouço algumas pessoas comentando baixinho.

Bom sinal.

Quando termino a demonstração, Rômulo faz exatamente o que eu esperava.

Cruza os braços.

— E como vocês diferenciam um erro real de uma alteração perfeitamente válida?

Sorrio. Lá vem.

— Quer a resposta curta ou a resposta completa?

— A completa.

Claro.

Abro outro slide.

— O sistema não toma decisões sozinho. Ele identifica padrões, cruza informações e sugere possíveis inconsistências. A decisão continua sendo do arquiteto. A inteligência artificial aprende com essas validações e vai refinando os alertas ao longo do tempo.

Rômulo continua olhando para a projeção.

— E se alguém ensinar errado?

Daniel desvia o olhar para mim. Quase consigo ouvir o pensamento dele: "Boa sorte."

Dou um pequeno sorriso.

— Foi exatamente por isso que criamos uma camada de validação. O sistema só incorpora novos padrões quando existe recorrência e confirmação humana. Caso contrário, qualquer estagiário mal-humorado conseguiria convencer a IA de que uma parede pode flutuar.

Algumas risadas discretas surgem pela sala. Inclusive a do Sr. Mendes. Rômulo não ri. Claro que não. Mas também não faz outra pergunta. Anota alguma coisa.

Curiosamente, isso me deixa mais satisfeita do que se ele tivesse rido.

A apresentação continua.

Minha equipe assume alguns trechos, responde perguntas específicas e, pela primeira vez desde o início do projeto, a reunião parece uma conversa, não um interrogatório.

Quando volto a fechar o notebook, percebo que ninguém mais está fazendo perguntas.

— Bom... acho que sobrevivi. — Olho para a garrafa de água. — E definitivamente descobri que falar por quase uma hora dá mais sede do que programar por oito.

Algumas pessoas riem. Daniel balança a cabeça, divertindo-se. O Sr. Mendes sorri com aquele orgulho discreto de quem acompanhou cada etapa do projeto.

Rômulo permanece em silêncio. Ele se recosta na cadeira e gira lentamente a caneta entre os dedos.

Pronto. Lá vem.

Infelizmente, conheço esse ritual. Ele sempre acontece antes de uma crítica.

Espero. Até que finalmente diz:

— Procurei algum motivo para pedir mudanças antes da próxima etapa.

A sala inteira fica em silêncio.

Olho para ele.

Rômulo continua:

— Não encontrei.

Demoro dois segundos para processar a informação. Daniel olha para mim. Depois para o Rômulo. Depois para mim outra vez. Claramente tão surpreso quanto eu.

— Isso não significa que o sistema esteja perfeito — continua Rômulo. — Significa apenas que vocês fizeram um bom trabalho.

Não consigo evitar um sorriso.

Traduzindo do "romulês" para o português: "Parabéns."

Acho que é o elogio mais generoso que ele consegue fazer sem desenvolver uma alergia.

A reunião termina poucos minutos depois. E enquanto os diretores deixam a sala discutindo detalhes da implantação, o Sr. Mendes passa por mim e aperta meu ombro.

— Excelente trabalho.

Olho rapidamente para minha equipe. Todos parecem aliviados. E orgulhosos. Com razão.

Finalmente o dia chegou ao fim e eu mal podia esperar para chegar em casa e me esparramar no sofá com um balde de pipoca, pronta para maratonar alguma série relaxante — talvez até uma daquelas em que tudo se resolve no último episódio, como um bom final de temporada.

Quanta ingenuidade!

Mal desligo o computador quando Nina aparece na porta da minha sala sem o menor interesse em bater. Um sorriso atravessado no rosto. Conheço aquela expressão. Ela significa duas coisas. Ou vou gastar dinheiro. Ou vou perder a paz.

— Onde você pensa que vai?

Pego minha mochila.

— Para casa.

— Resposta errada.

— Nem perguntou as alternativas.

Ela ignora meu comentário.

— Hoje é sexta-feira.

— Tenho plena consciência disso. O calendário da minha mesa faz questão de me lembrar diariamente.

Nina cruza os braços.

— Você, eu e a Tici vamos conhecer uma boate nova.

— Não vamos.

— Vamos, sim.

— Eu tenho que dar aula amanhã cedo.

— Você tem que dar aula amanhã de manhã.

— Exatamente.

— Então ainda faltam... umas doze horas.

Faço uma conta mental. O pior é que ela não estava errada.

— Nina…

Ela tira a pasta do projeto das minhas mãos antes mesmo que eu termine a frase e a coloca de volta na gaveta.

— Embora passe muito tempo na companhia delas, você não é uma máquina, Stela. Anda, vem. Vai fazer bem para você.

Olho para Nina. Depois para a pasta. Depois para o relógio.

Uma noite fora dificilmente mudaria alguma coisa.

Certo?

Eu ainda não sabia.

Mas, às vezes, basta aceitar um único convite para bagunçar completamente o código-fonte da própria vida.



Notas finais
Muito obrigada por chegar até aqui. Mas agora, não perca mais tempo. Corre lá que o capítulo 2 já saiu e, modéstia parte, está incrível!