Amor não era o plano
55 Eu te amo
Renesmee
O disparo pareceu explodir dentro da minha cabeça.
Por alguns segundos, não consegui compreender o que tinha acontecido. O barulho foi tão alto naquele salão vazio que meus ouvidos começaram a zumbir, abafando as vozes ao meu redor. Minhas mãos se soltaram das de Bree por puro reflexo e eu recuei, ainda tentando entender de onde vinha aquela sensação estranha que percorreu meu corpo.
Foi então que vi o sangue.
Havia sangue na roupa de Bree.
Meus olhos se arregalaram e todo o medo que senti por mim mesma desapareceu por um instante.
– Meu Deus... Bree.
Ela também olhou para baixo, completamente atordoada. Deu dois passos para trás e a arma escapou de seus dedos, atingindo o chão com um ruído metálico. Um dos seguranças avançou imediatamente e a afastou dela com o pé, enquanto o outro correu na minha direção.
– Senhorita Cullen!
Tentei responder, mas minha voz não saiu.
Bree estava olhando para mim de uma maneira estranha. O sangue que eu tinha visto em sua roupa não parecia estar aumentando. Foi somente quando baixei os olhos para mim mesma que percebi o erro.
Não era o sangue dela.
Era o meu.
Minha mão foi instintivamente até o lado do corpo e voltou vermelha. Fiquei olhando para meus dedos sem conseguir compreender direito o que estava vendo. A dor chegou alguns segundos depois, forte e quente, fazendo meu estômago se contrair e minhas pernas perderem parte da força.
– Eu fui atingida... – murmurei, mais para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.
– Senhorita Cullen, olhe para mim. – O segurança chegou até mim e segurou meus braços. – Não olhe para o ferimento. Continue olhando para mim.
Tentei obedecer, mas o salão começou a parecer distante. As luzes estavam fortes demais e as vozes vinham de algum lugar que eu não conseguia localizar.
O outro segurança segurou Bree pelo braço, afastando-a da arma.
– Não! – Bree parecia tão assustada quanto eu. – Eu não queria... Eu não atirei nela. Foi ela que segurou...
– Fique onde está, senhorita.
– Eu não queria acertá-la!
O segurança que estava comigo olhou para o colega.
– Chame uma ambulância agora!
O homem soltou Bree e levou a mão imediatamente ao telefone. – Vou chamar. A polícia também já está a caminho.
Bree não tentou correr.
Ela simplesmente ficou parada, olhando para mim.
– Renesmee...
– Não se aproxime dela – ordenou o segurança.
Eu queria dizer que estava tudo bem.
Não consegui.
Uma tontura violenta me atingiu e senti meus joelhos cederem.
– Senhorita Cullen!
O segurança me segurou antes que eu chegasse ao chão. Passei um braço ao redor dele por instinto enquanto tentava permanecer de pé.
– Eu estou bem – murmurei.
– Não está. Não faça força.
– Minha filha...
– Ela não está aqui. A senhorita está segura.
Belinha.
Alice.
Graças a Deus.
Fechei os olhos por um instante e respirei fundo, mas a dor pareceu aumentar. Meu corpo estava ficando pesado e uma sensação desagradável de frio começou a percorrer meus braços.
Então ouvi uma movimentação perto da entrada.
Passos rápidos.
Uma voz masculina exigindo que saíssem da frente.
Eu conhecia aquela voz.
Abri os olhos.
Jacob atravessou a porta como um furacão.
Nunca o tinha visto daquele jeito.
Seu olhar percorreu o salão numa fração de segundo, encontrou Bree, a arma no chão e finalmente parou em mim. Toda a brutalidade que eu conhecia naquele homem desapareceu no instante em que viu o sangue.
– Nessie.
Meu nome saiu da boca dele de uma maneira que eu jamais tinha ouvido.
O segurança tentou explicar alguma coisa.
– Senhor Black, a ambulância está...
Jacob nem permitiu que terminasse. Chegou até mim e passou um braço por minhas costas e o outro sob minhas pernas.
– Jacob...
– Eu estou aqui.
Ele me tirou dos braços do segurança e me ergueu como se eu não pesasse nada. Instintivamente passei os braços ao redor de seu pescoço e encostei o rosto em seu peito.
Ouvi seu coração.
Estava disparado.
– Você está tremendo – murmurei.
– Não estou.
Mesmo naquele estado, quase ri.
– Está, sim.
– Então pare de falar e guarde energia.
Levantei um pouco o rosto. A mandíbula dele estava travada e os olhos percorriam meu rosto como se precisasse conferir a cada segundo que eu continuava consciente.
– Bree...
– Não quero ouvir o nome dela agora.
Jacob começou a caminhar rapidamente em direção à saída.
– Senhor Black – chamou o segurança. – A ambulância está vindo.
– Eu chego ao hospital antes.
– Jacob, talvez seja melhor...
Ele me lançou um olhar que encerrou qualquer tentativa de discussão.
– Você levou um tiro, Renesmee. Pela primeira vez na vida, faça o favor de não discutir comigo.
Aquela frase arrancou de mim uma risada fraca que imediatamente se transformou numa careta de dor.
– Não me faça rir.
A expressão dele ficou ainda pior.
– Onde dói?
– Onde você acha?
– Nessie.
– Meu lado. Está ardendo muito.
Ele me apertou contra o peito enquanto atravessava a entrada da loja.
– Você vai ficar bem.
Fechei os olhos por um segundo.
– Você vive fazendo promessas difíceis para mim.
Jacob parou apenas o suficiente para olhar diretamente para meu rosto.
– E você ainda não percebeu que eu não faço promessa que não pretenda cumprir.
– Convencido até agora...
– Principalmente agora.
Um carro estava parado próximo à entrada. Alguém abriu a porta traseira e Jacob entrou comigo, sem me soltar. Sentou no banco e me manteve parcialmente apoiada sobre seu corpo enquanto dava uma ordem curta ao motorista.
– Hospital. Agora.
O carro arrancou.
Jacob tirou o paletó e pressionou cuidadosamente o tecido contra meu ferimento. Soltei um gemido e agarrei sua camisa.
– Eu sei – murmurou ele, inclinando-se sobre mim. – Aguenta.
– Está doendo.
– Eu sei.
– Odeio quando você diz isso.
– Então fique acordada para reclamar comigo quando chegarmos.
Apoiei a cabeça contra seu peito. As ruas passavam rapidamente do outro lado da janela, mas eu já não conseguia acompanhar nada. A sensação de frio aumentava e manter os olhos abertos exigia um esforço que eu não sabia se conseguiria sustentar.
Jacob tocou meu rosto.
– Olhe para mim.
Forcei os olhos a se abrirem.
– Estou olhando.
– Continue.
Sua mão segurou meu rosto enquanto a outra mantinha pressão sobre o ferimento. Havia sangue em seus dedos, na camisa, no meu vestido. Ele olhou para aquilo e alguma coisa brutal atravessou sua expressão.
– Jake...
Seus olhos voltaram imediatamente para mim.
– Estou aqui.
– Estou cansada.
– Não está.
Quase sorri.
– Acho que eu sei quando estou cansada.
– Hoje não sabe. – Ele tocou meu rosto com mais firmeza. – Você vai ficar acordada, vai continuar olhando para mim e vai chegar consciente naquele hospital. Pode dormir depois que um médico me disser que você pode.
Minha visão começou a ficar turva.
– Você manda demais.
– E você gosta de discutir demais. Continue fazendo isso.
Respirei fundo, mas parecia cada vez mais difícil encontrar forças.
– Jacob...
– O quê?
Havia tantas coisas que eu poderia ter dito.
Talvez em outro momento eu tivesse pensado melhor. Teria pesado as consequências, lembrado de todas as razões pelas quais vinha tentando não dar nome ao que sentia. Jacob nunca havia me prometido amor. Nunca fingira ser um homem romântico, muito menos alguém preparado para construir alguma coisa comigo. Eu sabia exatamente com quem tinha me envolvido e, justamente por isso, passei semanas tentando convencer a mim mesma de que poderia manter tudo simples.
Naquele momento, simples não importava.
Ergui a mão e toquei seu rosto. Meus dedos estavam fracos, mas Jacob segurou minha mão imediatamente e a manteve contra a própria pele.
– Eu amo você.
Ele congelou.
Vi alguma coisa mudar em seus olhos, mas não consegui descobrir o quê.
– Nessie...
– Não precisa dizer nada – murmurei, sentindo as pálpebras pesarem. – Eu só queria que você soubesse.
– Não faça isso.
Franzi levemente a testa. – Fazer o quê?
Jacob aproximou o rosto do meu, e sua voz saiu baixa, dura, quase furiosa.
– Não fale comigo como se estivesse se despedindo. Você vai chegar naquele hospital, eles vão cuidar de você e depois você vai repetir isso olhando para mim sem estar sangrando nos meus braços. Entendeu?
Tentei sorrir. – Outra promessa difícil.
– Renesmee, olhe para mim.
Eu tentei, de verdade. Mas a voz dele começou a parecer distante.
– Nessie.
Meus olhos ficaram pesados.
– Abra os olhos.
Eu ainda sentia sua mão no meu rosto.
– Renesmee!
Queria responder que estava ouvindo. Queria dizer que ele não precisava parecer tão desesperado porque, como ele mesmo vivia dizendo, Jacob Black resolvia qualquer problema.
Dessa vez, porém, meu corpo não obedeceu.
A última coisa que senti foram os braços dele me apertando contra o peito e sua voz ordenando que eu permanecesse com ele.
Depois, a escuridão me venceu.
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